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BB irá remover compulsoriamente 177 escriturários de suas agências

Publicado em: 20/03/2026

Segundo nota da Contec, o Banco do Brasil irá trocar compulsoriamente de agência 177 escriturários, que estão em prefixos com “excesso de funcionários”. Medida ocorrerá em 60 municípios de todo o país, e funcionários das agências afetadas já foram avisados por seus gerentes que a movimentação ocorrerá a partir de sexta-feira. Os funcionários de cada agência foram ranqueados, e aquele que tiver menos pontos será o removido. Os critérios não são transparentes e os escriturários ainda não sabem quem será removido de cada agência.

Ainda segundo a Contec, o banco se comprometeu a realocar todos os funcionários no mesmo município, o que no caso de cidades grandes pode significar muito pouco em termos do esforço necessário para se deslocar até o novo local de trabalho, fora a mudanças das dinâmicas de vida dos funcionários. Após o anúncio da reestruturação, os funcionários tinham até o dia 13 de março para pedir uma remoção “voluntária”, ou seja, onde poderia indicar para qual agência gostaria de ir. Não se pode chamar de voluntária, no entanto, a mudança que é feita sob a premissa de que o funcionário poderá ser removido para uma agência de escolha do banco caso não o faça.

No fim de janeiro, o BB anunciou uma nova reestruturação da rede de atendimento. Essa reestruturação alterou a dotação de funcionários de cada agência, deixando com algumas com funcionários em “excesso” que deverão ser direcionados para agências onde há falta de funcionários. Isso, por óbvio, não resolve o problema da falta de funcionários e dos claros nas agências: mesmo diminuindo o número de funcionários necessários na canetada, o mapa de vagas do próprio banco mostra mais de 3 mil postos em aberto para escriturários no país, o que já é, por si, uma subestimação da real necessidade de funcionários. Se vê, na rede de atendimento, agências trabalhando em contingenciamento devido à falta de funcionários, com alto tempo de espera e escriturários que atendem dezenas de senhas por dia, bem como regiões grandes onde há apenas uma ou nenhuma agência. Não há como resolver esse problema por fora da contratação de mais funcionários, mas o próprio banco diz não estar planejando nenhum concurso.

Esta última reestruturação mostra qual é a estratégia do banco: ampliar as redes de atendimento para clientes de alta renda e investidores, as agências Estilo e High Estilo, e para o agronegócio e grandes produtores rurais, as custas do atendimento de varejo, que se mostra ainda muito necessário mesmo com as tentativas do BB de empurrar todos os clientes para o uso do aplicativo.

Estas mudanças vem na esteira de outros ataques nos últimos anos: o aumento da jornada de assessores de TI na Diretoria de Tecnologia (Ditec) que foram coagidos e ameaçados por seus superiores para aceitarem a mudança “voluntária” para uma jornada de 8 horas, em vez das 6 horas previstas na CLT, e funcionários que se recusaram foram descomissionados, tendo uma perda salarial significativa. Recentemente esta mudança foi declarada nula pela Justiça do Trabalho de Brasília.

Os caixas executivos, que prestam um serviço essencial a população, também têm sido alvos do banco, que não comissiona novos caixas desde 2021. Desde então, essa função passou a ser feita por escriturários que atuam como caixa em caráter eventual, recebendo a comissão por dia em que abrem o caixa, mesmo que muitos na prática façam isso todos os dias. Além disso, tem acumulado novas funções como lidar com demandas judiciais, e sofrido maior pressão para vendas de produtos bancários.

Enquanto isso ocorre, chama a atenção o silêncio da CONTRAF/CUT, que nada falou sobre essas remoções em seu site. A CONTEC se furtou a publicar uma nota apenas dando ciência de que o banco havia informado os sindicatos, mas sequer disse se opor a medida. Não é de hoje que a política de cooperação das direções sindicais com a patronal tem levado a ataques aos direitos dos funcionários, como é visto agora no BB, mas também na questão do Saúde Caixa, nas demissões e fechamentos de agências nos bancos privados e na terceirização que avança com rapidez.

As direções cutistas, quando do anúncio da reestruturação atual, fizeram textos ecoando o discurso do banco que se trataria de uma oportunidade de ascensão para os funcionários. Isso é uma demonstração de sua política aberta de colaboração com os bancos, que no caso dos bancos públicos assume contornos ainda mais explícitos, afinal fazem parte de um mesmo campo político governista.

É necessário exigir a suspensão das remoções forçadas, bem como que as vagas em aberto sejam preenchidas por novos funcionários, começando pela efetivação sem necessidade de concurso de todos os terceirizados que hoje trabalham no Banco do Brasil, e que sejam revertidas as mudanças recentes para os caixas executivos e na Ditec. É na luta unificada de todos os bancos, públicos e privados, e passando por cima das direções pelegas, que se pode reverter os ataques que a categoria vem sofrendo nos últimos anos.

Fonte: Esquerda Diário