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Bancos nacionais deixam topo do ranking de retorno sobre patrimônio

Publicado em: 24/04/2022

Os bancos brasileiros perderam a liderança no ranking das instituições financeiras com os maiores Retornos sobre o Patrimônio (ROE, sigla em inglês) em 2021, mesmo apresentando aumento percentual no indicador em relação ao ano de 2020.

É o que aponta um levantamento feito pela plataforma TC/Economatica que analisou a rentabilidade de 39 bancos de várias nacionalidades com um total de ativos acima de US$ 100 bilhões e que são listados ou que possuem ADRs (American Depositary Receipts, na sigla em inglês) na bolsa de Nova York.

Nos anos de 2019 e de 2020, o topo desse ranking era ocupado pelo Santander Brasil (SANB11) que apresentou, respectivamente, retornos de 21% e de 17,9% sobre o patrimônio investido pelos acionistas. Em 2021, o banco ficou em terceiro lugar na lista mesmo apresentando uma alta de um ponto percentual no indicador em um ano.

Já o título da instituição financeira com o maior ROE do mundo ficou com o banco norte-americano Capital One Financial Corporation, que apresentou uma rentabilidade de 20,4% no ano passado.

Apesar da queda de posição, o Santander continua na lista junto a outros três bancos com operações no Brasil: Itaú Unibanco (17,3%), Banco do Brasil (15,7%) e Bradesco (15,2%).

Além disso, a perda de espaço no ranking não significa que essas instituições apresentaram quedas nas suas rentabilidades. Pelo contrário, os quatro maiores bancos com operações no País registraram ganhos percentuais no ROE.

O Itaú Unibanco, que já ocupou o primeiro lugar em 2017, foi o maior destaque entre esse grupo com uma alta de 5,4 pontos percentuais de 2020 a 2021. O problema é que esse aumento não foi o suficiente para garantir a liderança na lista.

Há algumas razões que explicam a perda de liderança das instituições financeiras do País. Um dos pontos citados por Renan Manda, analista-chefe do setor financeiro da XP, está relacionado à pandemia. De acordo com ele, os grandes bancos brasileiros costumam repassar, historicamente, cerca de 40% do seu lucro para o pagamento de dividendos e de Juros sobre Capital Próprio (JCP) para os acionistas.

O problema é que, com a multiplicação de casos de covid-19 e o fechamento de parte das atividades por causa da pandemia, o Conselho Monetário Nacional (CNM) obrigou as instituições financeiras a repassar apenas o percentual mínimo que correspondia a uma média de 25%.

“Muitos dos bancos tiveram aumento no provisionamento (recursos para futuros prejuízos) dos resultados e não puderam distribuir o seu lucro. Você tinha um patrimônio “inchado”. Em 2020, o que eles (os bancos) distribuíram foram abaixo da média”, afirma Manda.

O crescimento da inflação também é outro fator que contribuiu em um curto prazo para a perda de liderança dos bancos brasileiros no ranking. Gustavo Pazos, analista do time de research da Warren, explica que a inflação no acumulado dos últimos 12 meses aumenta a inadimplência entre os correntistas. “As pessoas não vão deixar de comprar uma cesta básica ou abastecer o veículo para pagar uma parcela do financiamento porque essa despesa não é considerada básica”.

Já a alta de juros traz um impacto diferente para a rentabilidade bancária. Segundo Larissa Quaresma, analista da Empiricus, os bancos demoram para repassar as variações da Selic para os seus financiamentos. Isso quer dizer que, quando a taxa básica de juros aumenta, os bancos demoram para reajustar as suas taxas cobradas nos empréstimos. O efeito disso não poderia ser diferente em momentos de sucessivas altas: a corrosão da rentabilidade.

“É um cenário catastrófico para os bancos quando a taxa de juros está muito baixa e começa a subir porque o banco cobra pouco nos empréstimos e o custo de captação também sobe, acompanhando a Selic”, destaca Quaresma.

Descentralização bancária

A perda da liderança também é avaliada pelos analistas como um dos efeitos do processo de descentralização bancária que segue em curso no País. Nos últimos anos, os bancos digitais e fintechs conquistaram uma parcela do mercado que antes era exclusiva para as instituições tradicionais.

“Aumentou a competitividade no mercado que antes os grandes bancos lideravam. As fintechs e os bancos digitais não têm agência física, o que reduz os custos operacionais”, ressalta Guilherme Ishigami, broker da mesa de renda variável da RJ Investimentos. Para ele, esse processo deve ser acelerado com o início do Open Banking, sistema de compartilhamento de dados entre as instituições financeiras em processo de implementação pelo Banco Central desde o ano passado.

Diante desta concorrência, Quaresma afirma que os bancos tradicionais foram obrigados a reduzir o preço das suas tarifas e aumentar o número de serviços gratuitos. “Isso também foi um fator amplificador desta destruição de rentabilidade”, acrescenta.

O que é o ROE?

O Retorno sobre Patrimônio (ROE) é um indicador que mostra ao investidor a rentabilidade em cima do patrimônio investido em uma companhia. Segundo Pazos, da Warren, essa métrica é mais importante para quem pretende ter posição no setor bancário.

Isso porque, segundo ele, os investidores costumam olhar para o Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA, sigla em inglês) para ver a geração de caixa das companhias.

No entanto, como os bancos ganham dinheiro com os juros, o EBITDA não é visto como um indicador ideal para o setor bancário por desconsiderá-los. Por isso, o analista da Warren ressalta que o ROE é a principal métrica para analisar a rentabilidade das instituições financeiras.

“O ROE diz para o acionista o retorno sobre o patrimônio que ele investiu na companhia e substitui o EBITDA para os bancos. Os analistas utilizam esse indicador para ver qual banco tem um retorno maior em relação ao patrimônio investido”, explica Pazos.

Fonte: Estadão

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