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Como o open banking vai mudar o modo de lidar com os bancos

Publicado em: 12/08/2021

A proposta do novo sistema financeiro aberto – o open banking – é proporcionar uma igualdade de condições para as instituições financeiras em termos de ofertas, o que deve aumentar a concorrência entre elas e garantir melhores oportunidades para o consumidor. “O cliente vai poder, a partir do momento em que passa a ser dono dos seus dados, transitar essas informações entre diferentes lugares, buscando uma melhor oferta, um produto que seja mais adequado”, diz a gerente executiva de Open Banking do Banco do Brasil, Karen Machado.

“Clientes que não eram aprovados para receber um certo cartão num determinado banco poderão ser aprovados em outro. Você poderá ter um aumento de limite, uma mudança tarifária, ter um outro tipo de crédito ou empréstimo que não tinha, ou em quantidade, parcelas e taxas diferentes”, diz o diretor de Digital Cash Management e Open Finance do Itaú, Marcos Cavagnoli, sobre as possibilidades que devem surgir com essa disputa por clientes.

Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), “os clientes vão ter maior conveniência e facilidades e poderão optar por melhores ofertas e oportunidades de crédito e serviços existentes no mercado, como já ocorreu com outras ferramentas, como mobile banking e internet banking. “A competição é fundamental para o setor bancário. Nós a estimulamos em todos os níveis, e, sem dúvida, o open banking será uma ferramenta importante no aumento da concorrência bancária no País”, informou, por meio de nota ao Estadão.

Conforme as fases do open banking forem sendo implementadas, o consumidor poderá buscar novos produtos em diferentes bancos. O open banking está sendo implementado de forma escalonada para que as instituições adaptem seus sistemas e acompanhem como os clientes estão recebendo a novidade.

Nesta fase, por exemplo, já é possível tentar um empréstimo em melhores condições do que as disponíveis no banco principal. A partir do momento em que o cliente autorizar o compartilhamento de seus dados com a instituição, ela poderá comparar o que o consumidor tem atualmente e oferecer algo melhor. Todo esse processo vai ocorrer em um mesmo ambiente eletrônico, no celular ou computador, a partir da iniciativa do cliente.

“Ninguém vai mandar link para o consumidor dar o consentimento, ou ligar para a casa do cliente, não vai ser preciso assinar nenhum papel. É pelo celular ou no internet banking que o cliente vai dar o consentimento, de forma eletrônica, dentro de um ambiente em que ele está logado. Tudo vai ser feito da mesma forma que hoje o cliente acessa o extrato da conta, faz transferência, tudo no aplicativo”, diz o diretor de Inovação, Produtos e Serviços da Febraban, Leandro Vilain.

No caso de uma operação mais complexa, como um financiamento imobiliário, o processo será o mesmo. Para ter mais opções, além do seu banco principal, o cliente poderá acessar o aplicativo de um ‘banco B’, onde nunca teve conta e, depois de registrar nome e CPF, autorizar que essa instituição peça seus dados.

Na mesma tela, uma janela vai se abrir, onde será feita a autenticação no sistema do ‘banco A’, seja por senha ou por digital. Com a autenticação feita, o cliente autoriza o ‘banco A’ a ceder as informações ao ‘banco B’. A partir desse momento, o consumidor vai iniciar um relacionamento com o novo banco.

Aplicativos intermediários

Especialistas dizem que, na esteira do aumento da concorrência entre as instituições bancárias, produtos personalizados devem surgir, como uma gestão de carteira integrada. Será possível, em determinado momento, utilizar apenas um aplicativo para gerir todas as contas de banco.

“Em vez de ter que abrir aplicativos de dois bancos, em dois, três, quatro lugares diferentes, toda sua informação estará concentrada. Isso já vai trazer um benefício. Além disso, com a agregação de contas, você consegue ter mais ferramentas de gestão. Então, você começa a entender melhor onde está faltando dinheiro aqui, sobrando dinheiro ali”, diz Cavagnoli, do Itaú.

O diretor de Regulação do Banco Central, Otavio Ribeiro Damaso, diz, no entanto, que as mudanças não devem ser imediatas. “As instituições vão começar a desenvolver os produtos a partir das funcionalidades que estarão prontas.” É como se no dia 13 de agosto a internet estivesse pronta, mas as empresas ainda estejam desenvolvendo produtos para utilizar na plataforma, explica.

Também é esperado que surjam “aplicativos intermediários”, que reúnam em uma só plataforma produtos e serviços de diferentes instituições bancárias para que o consumidor escolha a melhor opção. Esse modelo de app é bastante comum no setor de turismo, com sites que comparam preços de passagens e hospedagem.

“Acho que os principais aplicativos intermediários que vão surgir são aqueles que vão auxiliar no processo da escolha, no sentido de ter uma centralização das suas contas. Centralização de dados e aconselhamentos sobre onde investir, por exemplo, devem ser os novos principais serviços”, afirma o coordenador da área de Direito e Tecnologia do Instituto de Tecnologia e Sociedade (ITS), Christian Perrone.

Open banking x open finance

O open banking brasileiro se baseou no modelo da Inglaterra, de acordo com Vilain, da Febraban. Lá, o sistema foi regulamentado pelo governo, diferentemente do que aconteceu nos Estados Unidos, onde o modelo implementado foi uma iniciativa da economia privada.

“Depois de uma longa experiência, inclusive da própria Febraban, analisamos cada uma dessas geografias, trabalhamos com empresas de consultorias, fomos a Londres para entender vantagens e desvantagens de cada um desses modelos e percebeu-se que o modelo britânico era o que melhor se adaptava à realidade brasileira”, explica.

No modelo britânico, ressalta Vilain, os dados são muito focados em informações bancárias, como extratos, operações de cartão de crédito e empréstimos. No Brasil, esse escopo será maior, incluindo fintechs, cooperativas de crédito e, com a quarta fase, a partir de 15 de dezembro, compartilhamentos de situações de investimentos, previdência, operações de câmbio e seguros. Com esse cenário, que não fica restrito apenas a bancos, haverá uma tendência de mercado para o nome open finance, no lugar de open banking.

“Eu diria que, nesse momento, ainda se fala muito em open banking, até por causa do modelo britânico, mas a gente vai observar que, cada vez mais, daqui para o final do ano, a gente vai começar a se referir ao projeto como sendo open finance”, diz.

Fonte: Estadão

 

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