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Estatais seguem em alta após disparada de quarta; elétrica salta 6% com privatização mais próxima

Publicado em: 26/01/2018

Seguindo o movimento dos ADRs (American Depositary Receipts) na véspera, que manteve os ganhos em meio ao ânimo após a condenação de Lula, o dia é de ganhos para os papéis da Petrobras que, contudo, amenizaram um pouco a alta durante o pregão. Eletrobras (ELET3, R$ 19,92, +1,89%;ELET6, R$ 23,36, +3,13%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 38,56, +1,50%) também sobem. As estatais costumam ser sensíveis ao cenário político – e o petista é visto como um dos maiores riscos no cenário eleitoral dada as suas últimas falas, em que promete reverter as medidas tomadas durante o governo MichelTemer. A avaliação do mercado, assim, é de que o impedimento de Lula de concorrer às eleições eliminaria um risco para os investidores.

Aproveitando a maré positiva do mercado, a Petrobras levantou US$ 2 bilhões com bônus com vencimento em 2029 e manteve a tradição de rolar parte da sua dívida em janeiro. A operação teve demanda de quase US$ 10 bilhões e os títulos saíram com um retorno ao investidor (“yield”) de 5,95%. Os recursos serão usados para propósitos gerais pela empresa, incluindo o pagamento de dívidas mais próximas, como os títulos que vencem em janeiro, março e abril de 2019.

Ainda sobre a Petrobras, o jornal O Globo informa que o governo aposta num leilão de petróleo com potencial de arrecadação de até R$ 80 bilhões, o que ajudará a reforçar as contas públicas este ano. O certame bilionário, porém, dependia de um acerto de contas entre União e Petrobras sobre a cessão onerosa – um acordo fechado em 2010 que deu à estatal o direito de explorar cinco bilhões de barris de petróleo no pré-sal. As negociações entre Petrobras e União se arrastavam há meses e foi criado neste começo de ano um grupo de trabalho para discutir o assunto com prazo de 60 dias.

Por fim, a Petrobras informou a redução do preço da gasolina em 0,2% e do diesel em 1,3%, com novos preços nas refinarias válidos a partir de 27 de janeiro.

Vale (VALE3, R$ 41,14, -1,53%)
As ações da Vale seguem o movimento de queda dos ADRs, de 1,75% na véspera, e registram uma das maiores perdas da bolsa nesta sessão. Vale destacar ainda que, nesta data, o dia foi de queda para o contrato futuro do minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, com baixa de cerca de 1,5%.

Atenção ainda para os dados da China. O avanço no lucro de grandes empresas industriais chinesas perdeu força em dezembro, com alta de 10,8% na comparação anual, contra um de 14,9% em novembro. Pequim também divulgou hoje um plano detalhado para que empresas alavancadas troquem dívidas por ações, numa nova tentativa de reduzir os elevados níveis de endividamento na segunda maior economia do mundo.

Fibria (FIBR3, R$ 52,60, -1,18%) e Suzano (SUZB3, R$ 20,65, -1,15%)
As ações de Fibria e Suzano registram mais uma queda na bolsa também seguindo os ADRs. As ações sofrem em meio ao cenário de baixa do dólar, já que possuem receitas atreladas à divisa americana, e de menor aversão ao risco do mercado, já que são vistos como papéis defensivos.

Ainda no radar das companhias, o BTG Pactual aponta que os dados da PPPC continuam apontando um mercado para a celulose bastante apertado. Em dezembro, a demanda de hardwood cresceu 7.7% na base anual e os estoques caíram o equivalente a 6 dias para fibra curta, alcançando 36 dias (abaixo da média histórica de 5 anos), com a China puxando forte.

“Os sinais estão mistos com relação a preço, mas estamos confiantes que tem espaço para emplacar o aumento de preço recente da Fibria. O grande risco para o setor é câmbio mas, mesmo com um real mais forte, o potencial de geração de caixa também segue forte”, apontam os analistas, que seguem com recomendação de compra para os ativos.

Natura (NATU3, R$ 36,71, -1,05%)
A Natura também fechou uma captação e precificou emissão externa a 5,375%, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg.

BK Brasil (BKBR3, R$ 17,80, +0,85%)
O BK Brasil foi iniciada com recomendação ’outperform’ pelo Bradesco BBI, com preço-alvo de R$ 22.

Cesp (CESP6, R$ 15,49, +5,66%)
As ações da Cesp disparam após o então presidente da República em exercício, Rodrigo Maia, ter assinado o decreto que autoriza a União a renovar o contrato de concessão no setor elétrico de empresas estatais que operam fora do regime de cotas, criado pela Medida Provisória (MP) 579/12, e que venham a ser privatizadas.

O decreto permite que, caso o controlador decida pela privatização da usina, a concessão poderá ser renovada por até 30 anos. Em troca, será preciso pagar uma outorga ao governo federal, que será calculada com base no valor do benefício obtido com o novo contrato, pagando proporcionalmente a esse período adicional.

Na prática, o decreto assinado nesta quinta-feira abre caminho para permitir a privatização da Cesp pelo governo do estado de São Paulo. O processo está paralisado desde setembro de 2017, principalmente em razão da prorrogação antecipada dos contratos de suas usinas.

Uma das usinas da Cesp, a Usina Hidrelétrica Sergio Motta, conhecida como Porto Primavera, cujo contrato venceria em 2028, tem atraído interesse de agentes do setor elétrico que disputam sua privatização. Além dela, a Cesp também opera as usinas hidrelétricas Jaguari e Paraibuna, que somam 1.654,6 megawatts (MW) de capacidade instalada.

Outra possibilidade é que o decreto facilite a venda de usinas hidrelétricas da Eletrobras que operam fora do regime de cotas, a exemplo da Hidrelétrica de Tucuruí, que tem concessão até 2024.

Embraer (EMBR3, R$ 20,03, +1,16%)
Segundo o Estadão, pelo acordo com a Embraer, a Boeing sinaliza concessões. O governo brasileiro recebeu três sinalizações da Boeing no processo de negociação com a Embraer: garantia da autonomia à parceria entre Saab e Embraer na produção dos caças Gripen; transformação do Brasil em um novo polo de produção de componentes dos aviões Boeing fora dos Estados Unidos; e manutenção, como exigem as autoridades brasileiras, do poder de veto do governo na empresa de São José dos Campos (SP).

Os esclarecimentos tentam captar o apoio do governo e diminuir preventivamente a resistência que poderá surgir nos setores políticos, na opinião pública e eventualmente no Judiciário, num momento em que o Palácio do Planalto e área econômica já enfrentam batalhas pela reforma da Previdência e pela pulverização das ações da Eletrobrás – que o governo se recusa a chamar de privatização.

A intenção da Boeing é acelerar conversas, principalmente nos ministérios da Defesa e da Fazenda e no BNDES, para evitar que as negociações se estendam até o início oficial da campanha eleitoral. A empresa americana não quer virar alvo dos palanques, para não reavivar o imbróglio do FX-2, programa de renovação dos caças da FAB vencido pela sueca Saab em detrimento da Boeing e da francesa Dassault.

(Com Agência Brasil e Agência Estado)

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