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Financiamento para empresa encolhe 20,8% no BB em um ano

Publicado em: 19/05/2017

A carteira de crédito para pessoas jurídicas do Banco do Brasil (BB) recuou 20,8% no 1° trimestre em relação a igual período do ano passado. Para melhorar esse item, a instituição tende a ofertar empréstimos a clientes de baixo risco e focar mais no middle market.

Segundo dados da série histórica do BB, a diminuição de financiamentos para empresas foi superior a R$ 74 bilhões (de R$ 354,7 bilhões para R$ 280,7 bilhões).

A expectativa (guidance) do banco é que, em 2017, essa carteira fique com um recuo entre -4% e -1%.

A queda foi atribuída a um “caso específico de pedido de recuperação judicial de uma grande empresa do setor de telecomunicação”.

Para o vice-presidente de controles internos e gestão de risco do BB, Márcio Hamilton Ferreira, excluindo-se “esse caso extraordinário”, os indicadores vieram bastante em linha com o previsto, e a projeção é de melhora.

“O fato de estar em linha com o trimestre anterior já sinaliza um efeito futuro de melhora da carteira. Já chegamos ao topo dos processos de inadimplência do passado e, agora, passamos por um processo de purificação, com clientes de menor risco e em linha com o propósito de rentabilidade”, explica.

Em relação à pessoa jurídica, por outro lado, os executivos ponderam o maior foco em middle market (médias empresas), que são uma grande fatia da carteira de clientes do BB que, no passado, migraram operações para outros bancos.

O presidente do banco, Paulo Caffarelli afirma que, apesar de continuar os processos junto às grandes companhias, o potencial de pagamento das médias ainda é de maior interesse do BB. “Estamos fazendo um trabalho proativo para buscar esses novos negócios e avançar em uma retomada gradual e sustentável”, disse.

“O intuito é trazer um portfolio de prazo menor e mais focado em desconto e garantia de recebíveis. Com o mix ponderando mais o capital de giro, nós já veremos uma estabilidade do índice e uma melhora”, conclui o vice-presidente de distribuição de varejo e gestão de pessoas do Banco do Brasil, Walter Malieni Junior. Ainda relacionado ao “caso específico”, na comparação com o primeiro trimestre de 2017 e igual período de 2016, também é possível ver impactos na inadimplência acima de 90 dias (de 2,59% para 3,89%); nas provisões (de R$ 35,4 bilhões para R$ 36,4 bilhões); no risco médio da carteira (de 4,86% para 5,70%) e no consolidado de crédito do banco (de R$ 688,6 bilhões para R$ 777,4 bilhões, uma queda de 11,4%).

Balanço

Em relação à performance geral do banco, por sua vez, o lucro líquido ajustado apontou um crescimento de 95,6% nos 12 meses finalizados em março, de R$ 1,286 bilhão para R$ 2,515 bilhões), com Retorno sobre Patrimônio Líquido (RSPL) a 12,4% ao ano. A renda de tarifas subiu 12,3% no período (de R$ 5,445 bilhões para R$ 6,117 bilhões), conduzida por conta corrente (+11,3%) e gestão de fundos (+29,3%).

Como exceção, a queda no crédito e a limpeza da carteira, impactaram no market share do BB em relação aos empréstimos, com um recuo de 1 ponto percentual em 12 meses (de 20,6% para 19,6%).

Repetindo a projeção para o crédito às empresas, o movimento, até agora, também é contrário ao guidance do banco. A expectativa é que em 2017, a carteira ampliada cresça entre 4% e 7% (está com queda de 9,2%). Para Caffarelli, porém, a projeção continua. “Entraremos em um período de estabilidade e, a partir do segundo semestre, a retomada vem de forma mais significativa”, completa o presidente.

Fonte: DCI

 

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