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Presidente do Banco do Brasil sinaliza saída após crise com Bolsonaro

Publicado em: 01/03/2021

Há apenas cinco meses no cargo, o presidente do Banco do Brasil, André Brandão, tem sinalizado a pessoas próximas que quer deixar o comando da instituição, após ter sido alvo de ameaças de demissão por parte do presidente da República, Jair Bolsonaro, apurou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) com três fontes, na condição de anonimato. Os rumores quanto a possível saída pesaram nas ações da estatal, que apresentaram queda de mais de 3% no período da tarde desta sexta-feira (26/02).

A crise da gestão de Brandão com o Planalto começou com o anúncio de reestruturação no BB, com medidas que envolvem o fechamento de 112 agências e o desligamento de 5 mil funcionários, por meio de programas de demissão voluntária.

À época, Bolsonaro foi pressionado por parlamentares em razão do plano do banco e, com receio de desgastes políticos, ameaçou demitir Brandão. O executivo, contudo, foi salvo pela equipe econômica do governo, liderada pelo ministro Paulo Guedes, que reuniu esforços para manter Brandão, chamado para assumir o banco justamente com a missão de tocar uma agenda de desinvestimentos e de enxugamento da estrutura.

Superado esse momento inicial, Brandão disse em coletiva de imprensa, para comentar os resultados mais recentes do banco, que tudo não havia passado de um problema de comunicação. Ele contou que não chegou a se reunir com Bolsonaro, mas afirmou que o presidente parecia ter compreendido o plano. Disse ainda que pretendia se reunir com o presidente, para explicar as medidas, assim que a agenda de Bolsonaro permitisse.

Quando tudo parecia ter voltado aos trilhos, Brandão se viu novamente na berlinda após uma crise iniciada em outra estatal, a Petrobras. Insatisfeito com a política de preços da petroleira, Bolsonaro decidiu tirar Roberto Castello Branco do comando da companhia e anunciar para o seu lugar o general da reserva Joaquim Silva e Luna, mais um militar convocado para ocupar um posto de alto escalão.

No último fim de semana, já depois de ter realizado a troca na Petrobras, Bolsonaro indicou que outras mudanças seriam anunciadas em estatais ao longo desta semana. O nome de Brandão, com isso, voltou a ser colocado como um possível demitido, principalmente, pelo centrão, que está de olho no cargo.

As ações da empresa despencaram, com o BB chegando a perder mais de R$ 10 bilhões em valor de mercado, na última segunda-feira, mas nenhum anúncio foi feito. O silêncio foi lido pelo mercado como um respiro. Na quinta-feira (25) o diretor financeiro do BB, Carlos André, teve uma reunião com analistas, que rendeu uma série de relatórios sobre o banco. O temor quanto à saída de Brandão, contudo, foi um dos destaques dos documentos.

Em uma tentativa de acalmar os ânimos, Brandão passou a semana em Brasília – geralmente, o executivo despachava de São Paulo. No entanto, ele já teria retornado. Por sua vez, outros integrantes da alta cúpula do BB cancelaram viagens a São Paulo de última hora, apurou o Broadcast.

Paciência perto do fim

Segundo fontes, a paciência de Brandão está perto do fim e a situação para sua permanência é quase que “impossível”.

— Há limites em todo processo de fritura — diz uma fonte próxima à equipe econômica.

Nomes especulados

Com a possibilidade da saída de Brandão cada vez mais próxima, outros nomes já são especulados no mercado. Dentre eles, conforme fontes, estão o de Gustavo Montezano, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Outra saída, afirmam, é o Planalto promover um dos vice-presidentes do BB. Vale lembrar, porém, que o Centrão cobiça – e muito – a cadeira.

“O Banco do Brasil informa que não houve pedido de renúncia por parte de seu presidente”, afirmou a instituição financeira em fato relevante, após o fechamento do mercado nesta sexta-feira.

Pela segunda vez em semanas, especulações sobre uma saída iminente de Brandão tomaram o mercado nesta sexta-feira, provocando uma queda de 4,9% da ação do banco na Bovespa, diante da visão de investidores de ingerência governamental na gestão do BB.

Fonte: Zero Hora com Money Times