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Suicídio: desfecho trágico de bancários que sucumbem às violências do trabalho

Publicado em: 30/03/2017

Chega à AGEBB a informação da morte, por suicídio, de um colega da área de comunicação da Super PE. No dia 10 de fevereiro, outro, da Superintendência Super Leste (Campinas/SP), também dava cabo da própria vida. Esses são os registros de apenas dois casos muito recentes de colegas do BB que chegaram ao extremo do estresse, perda do sentido da vida ou seja lá qual for o motivo que leve alguém à atitude de tirar a própria vida. Um levantamento realizado por uma comunidade de funcionários do BB nas redes sociais revela que 64 colegas se suicidaram nos últimos meses.

As ocorrências de morte por suicídio entre bancários chamam a atenção há muito tempo no território nacional. Tanto que foi tema de uma dissertação intitulada “Patologia da solidão: o suicídio de bancários no contexto da nova organização do trabalho”, de autoria de Marcelo Finazzi, mestre em administração de empresas pela Universidade de Brasília (UnB). De acordo com o estudo de Finazzi, a partir de informações do Ministério da Saúde, foi registrado um suicídio de bancário a cada 20 dias entre 1993 e 2005. Além disso, o trabalho estima que houve uma ocorrência diária de tentativa, não consumada, durante todo o período.

Para o autor do estudo, esse cenário indica a necessidade de humanização das relações de trabalho. “Falta o cumprimento da legislação trabalhista, metas de produção condizentes com a capacidade física e psicológica dos funcionários, assim como o treinamento dos gestores para lidar com os conflitos. O suicídio tem sido o desfecho trágico de muitos trabalhadores que sucumbem às violências do trabalho”, conclui Marcelo Finazzi.

A AGEBB não poderia deixar de novamente chamar a atenção para esses trágicos acontecimentos. Quantos colegas mais devem se matar para mostrar que centenas – ou milhares?! – de funcionários estão mentalmente doentes? Não basta serem os bancários a categoria campeã de registros de afastamentos por doenças psíquicas no Brasil, para que sejam adotadas medidas que mudem essas estatísticas no Banco do Brasil e nas outras instituições financeiras? Não é hora de acender a luz de alerta com tantos casos de condenações de bancos por assédio moral coletivo?

Reorganizar a estrutura da empresa, cortar custos, exigir o cumprimento de metas. Tudo isso faz parte do dia a dia de quem faz carreira no BB. O que não é aceitável são os vários descomissionamentos abruptos, fechamentos de centenas de agências em questão de poucos meses e total abandono dos gestores que nela trabalham, os quais têm de se virar por conta própria para obter uma vaga em outro local de trabalho na própria empresa. Vamos nos colocar no lugar, imaginar a “perda de chão” de cada gerente que semanas atrás recebeu o comunicado oficial de que foi escolhido para ficar como excedente. Daí, num prazo de apenas quatro meses continuará a receber os valores de suas comissões – o famigerado “esmolão” –, e depois disso será definitivamente descomissionado, passando a receber o salário de escriturário.

Gerentes do BB, temos de nos unir e nos solidarizar em prol da prevenção de suicídios para evitar além das mortes mais afastamentos por doenças das mais diversas causas, principalmente as psíquicas. A AGEBB levanta essa bandeira e vai buscar junto à diretoria do banco providências para riscar das estatísticas, ou pelo menos reduzi-los ao máximo possível, os casos de mortes ou acometimento de doenças causadas pelo estresse ou pressão desumana no trabalho para o cumprimento de entregas muitas vezes pouco possíveis de serem cumpridas. Gerentes são pessoas, seres humanos. Podem até realizar o extraordinário, não sucumbir à pressão, entregar o que foi determinado, mas não são super-homens ou heroínas.

Como lidar de forma assertiva com a pressão do dia a dia corporativo

A partir da próxima semana, a AGEBB passa a publicar periodicamente em seu site artigos de autoria dos profissionais do Núcleo Ser Treinamento e Consultoria (www.nucleoser.com.br) com informações e orientações sobre como os gerentes do BB podem lidar de forma assertiva com a pressão no dia a dia corporativo. Além disso, proporcionar conhecimentos e métodos para aprender como a mente funciona, aprofundar a compreensão de si mesmo e as diferenças que existem entre as pessoas e gerenciar melhor as emoções e os comportamentos. “Para sermos verdadeiros líderes e transformar nossas metas em realidade, é fundamental desenvolvemos o amor próprio e o fortalecimento da autoestima, para vencer os medos e adquirir mais autoconfiança”, diz o médico e terapeuta Marcelo Katayama.

Francisco Vianna de Oliveira Junior – Presidente da AGEBB
E-mail: francisco.vianna@agebb.com.br