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Banco do Brasil adota cautela no crédito e foca varejo em 2026

Publicado em: 12/03/2026

O Banco do Brasil (BBSA3) reafirmou uma postura mais prudente na gestão de risco e crédito durante reunião recenteda equipe de Relações com Investidores (RI) com analistas, segundo o Banco Safra. O BB adotou padrões de originação mais rígidos e reforçou a disciplina na concessão de crédito, especialmente diante de um início de ano ainda desafiador para o agronegócio.

A diretoria sinalizou um tom conservador para o primeiro semestre de 2026, reconhecendo que os indicadores do crédito rural seguem pressionados. Ainda assim, não foram identificados sinais de deterioração inesperada. A expectativa é de que a visibilidade sobre a trajetória do crédito melhore ao longo do ano, com os dados de inadimplência inicial de abril e maio sendo considerados determinantes para a leitura do ciclo.

Estratégia de provisões antecipa impacto e suaviza resultados

O custo de risco deve permanecer elevado no curto prazo, refletindo uma estratégia mais antecipada de provisões. Segundo o Safra, essa abordagem busca diluir a volatilidade dos resultados ao longo do tempo, mesmo que pressione os números no início do ano.

Fora do agronegócio, o Banco do Brasil mantém uma gestão conservadora das exposições corporativas e vem realocando gradualmente o crescimento para segmentos de varejo com maior spread, com destaque para o crédito consignado privado. Paralelamente, o banco segue avançando na mudança da composição da margem financeira (NII), priorizando receitas mais estáveis e ligadas ao relacionamento com o cliente.

Ajuste no apetite de risco e uso de renegociações

No crédito rural, o BB reconhece um ambiente operacional mais complexo e vem conduzindo um esforço relevante para estabilizar a carteira. O apetite de risco foi recalibrado, com maior seletividade na originação, uso ampliado de colaterais e redução da exposição por cliente.

As renegociações têm sido utilizadas de forma estratégica, principalmente para conter a formação de novos créditos inadimplentes (NPLs) e apoiar os produtores ao longo do ciclo. Como resultado dessa postura mais equilibrada, a administração espera que a carteira de agronegócio permaneça praticamente estável em 2026.

Cerca de 25% da carteira rural teve prazos estendidos por meio de renegociações ou rollovers, medida que deve aliviar a pressão de inadimplência no curto prazo e aumentar a resiliência da carteira ao longo do ano.

Custo de risco ainda pressionado, com melhora esperada no 2º semestre

Apesar da expectativa de custo de crédito elevado no curto prazo — influenciado pelo avanço dos NPLs rurais acima de 90 dias e por exposições reestruturadas do passado —, a administração projeta uma normalização gradual a partir do segundo semestre de 2026.

Indicadores-chave devem surgir no 2T26

O segundo trimestre deve ser decisivo para a leitura do ano. A dinâmica do crédito no agronegócio segue fortemente ligada ao ciclo de caixa do setor, com melhora na qualidade dos ativos ocorrendo, em geral, após a temporada de pagamentos da colheita. Nesse contexto, os indicadores de inadimplência inicial de abril e maio devem oferecer o primeiro sinal relevante sobre a eficácia das medidas adotadas.

A avaliação do banco também incorpora um cenário mais favorável para a safra atual, com condições climáticas neutras e menor preocupação com a volatilidade recente dos custos de insumos, apesar dos riscos geopolíticos.

Fonte: O Especialista Safra