O Banco do Brasil, por meio de sua vice-presidência, autorizou o afastamento do país do especialista Jorge Andre Gildi dos Santos para uma missão oficial em Lima, no Peru. O objetivo da viagem, que ocorre entre os dias 30 de junho e 5 de julho de 2026, é representar a instituição financeira na Quinta Reunião do Comitê Técnico da Coalizão Verde de Bancos Públicos de Desenvolvimento. A medida foi oficializada por meio de um despacho publicado no Diário Oficial da União (DOU).
A autorização, assinada pelo vice-presidente do banco, Jose Ricardo Sasseron, fundamenta-se na necessidade de representação institucional em fóruns internacionais de alta relevância para a agenda de sustentabilidade. O especialista Jorge Andre Gildi dos Santos atua na área de ASG – sigla para Ambiental, Social e Governança –, setor que tem ganhado protagonismo crescente nas estratégias de investimento e concessão de crédito do governo federal e de suas autarquias. A viagem será realizada com ônus para o banco, o que inclui o custeio de passagens e diárias para o período de trânsito e permanência no exterior.
Foco em desenvolvimento e parcerias internacionais
Além da participação na Coalizão Verde, a agenda em solo peruano prevê reuniões paralelas com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e outras instituições financeiras (IFs) parceiras. Esses encontros visam estreitar laços de cooperação técnica e financeira para projetos que conciliem o crescimento econômico com a preservação ambiental, especialmente em biomas sensíveis como a Amazônia, que integra tanto o território brasileiro quanto o peruano.
A Coalizão Verde de Bancos Públicos de Desenvolvimento é uma iniciativa que reúne diversas instituições da América Latina e do Caribe com o intuito de harmonizar práticas bancárias e promover o financiamento de soluções baseadas na natureza. O comitê técnico, do qual o Banco do Brasil faz parte, é responsável por definir as métricas e os critérios de aplicação de recursos que devem impulsionar a economia de baixo carbono na região.
Base legal e governança
O afastamento foi concedido com base no Decreto nº 1.387, de 7 de fevereiro de 1995, que disciplina a viagem ao exterior de servidores públicos e empregados de empresas públicas. A decisão também observa diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Fazenda, por meio de portarias publicadas em 2016 e 2023, além de resoluções internas da presidência da instituição.
Segundo apurou O TEMPO, a participação do banco nesses eventos reforça o posicionamento da instituição como líder em finanças sustentáveis no mercado brasileiro. A governança do Banco do Brasil tem buscado alinhar suas operações aos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil no âmbito do Acordo de Paris e de outros tratados climáticos.
Os custos operacionais da missão são justificados pelo caráter estratégico dos diálogos com o BID, que é um dos principais parceiros do país no financiamento de infraestrutura sustentável. Ao final do período em Lima, o especialista deverá apresentar relatórios técnicos sobre os avanços nas negociações e as diretrizes estabelecidas pelo comitê técnico da coalizão.
A movimentação de técnicos e especialistas do escalão do governo federal para agendas internacionais integra o esforço de retomada do protagonismo brasileiro na diplomacia ambiental e financeira. A expectativa é que os resultados da reunião no Peru possam se desdobrar em novas linhas de crédito para empresas e produtores brasileiros que adotem práticas regenerativas e sustentáveis em suas cadeias produtivas.
