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Banco do Brasil joga a toalha para dividendos extraordinários

Publicado em: 14/05/2026

A piora do cenário fez o Banco do Brasil (BBAS3) descartar completamente o pagamento de dividendos extraordinários, disse o CFO do banco, Giovanne Tobias em coletiva com jornalistas. A possibilidade foi levantada no terceiro trimestre de 2025.

Na ocasião, Tobias havia afirmado que só teria clareza desse pagamento ao final de 2026. Porém, a situação, hoje, é pior que o esperado. Na noite da última quarta-feira, o banco divulgou lucro de R$ 3,4 bilhões, queda de 52%. Mais do que isso, cortou o guidance (projeções) para ano.

A principal mudança diz respeito ao lucro. Se antes o banco projetava lucrar de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões, agora tem como meta o lucro de R$ 18 a R$ 22 bilhões. Ou seja, o teto virou piso.

O custo de capital disparou: saiu da faixa de R$ 53 bi a R$ 58 bi para R$ 65 bi a R$ 70 bi. Por outro lado, a margem financeira subiu de 4% a 8% para 7% a 11%.

Entre analistas, a previsão era de que o BB teria um primeiro trimestre tão fraco que corria o risco de não conseguir atingir seu guidance (projeções), o que, de fato, aconteceu.

Para o analista da Levante, Flavio Conte, supondo um lucro líquido de R$ 18 bi em 2026 e um payout de 30%, o banco distribuiria R$ 5,4 bi, equivalente a R$ 0,9422, a ser pago durante 2026. O dividend yield seria de 4,5% em relação a cotação de fechamento de R$ 20,76.

Banco do Brasil: foco na pessoa física

Uma das apostas do Banco do Brasil para mudar o jogo é para melhorar a rentabilidade, principalmente nos segmentos de alta renda e no crédito consignado. Apesar disso, o agro ainda continua pressionado.

“Nossa estratégia de crescimento em pessoa física é a melhor forma que temos para melhorar a rentabilidade do banco, fazer mais retorno. O cuidado que temos que ter aqui é focar naquelas operações de risco/retorno mais ajustado”, afirmou o vice-presidente de gestão financeira do BB.

Ele destacou que o crédito consignado privado é um vetor de forte crescimento, enquanto em cartão de crédito apontou que o foco deve ficar na alta renda.

“Nós reduzimos muito o apetite (no segmento de cartões) para as pessoas físicas de menor renda, onde o risco está muito mais agravado”, afirmou, ponderando, contudo, que o Novo Desenrola traz expectativa de melhora na adimplência.

Segundo o banco, o cenário para pessoas físicas está mais desafiador, principalmente em função do elevado endividamento das famílias.

Esse contexto impacta especialmente os portfólios não garantidos, como cheque especial, cartão de crédito — que representa uma carteira relevante para o banco — e o crédito pessoal não consignado.

Por outro lado, o BB aposta forte no crédito consignado, o que inclui o privado e público. Atualmente, o banco é líder nesse segmento, com quase 25% de participação.

“Estamos fortemente empenhados em manter essa liderança e, paralelamente, avançamos de forma bastante relevante no crédito ao trabalhador”.

Até o momento, o banco já desembolsou cerca de R$ 18 bilhões na nova modalide, beneficiando aproximadamente 1,2 milhão de clientes e trabalhadores. “Trata-se de uma linha que oferece um retorno ajustado ao risco bastante favorável”.

Agro ainda ruim

O vice-presidente de agronegócio, Gilson Bittencourt, destacou que o abril continua um mês ruim para a inadimplência do segmento, o que pode sinalizar um segundo trimestre ainda fraco.

Desde o ano passado, porém, o BB adota medidas para diminuir esses calotes, como maior seletividade e o uso de garantias para os empréstimos: um quarto da carteira já é composto por créditos concedidos a partir da nova matriz de residência, que começou a ser operado em julho do ano passado.

“Nossa expectativa é que a adimplência melhore gradualmente ao longo dos próximos meses”.

Ainda há algum impacto daqui para frente? Para ele, certamente, até porque, explica, existem operações de investimento contratadas há um, dois ou até três anos, que continuarão afetando os resultados.

“No entanto, esses contratos terão um peso cada vez menor sobre o total de vencimentos futuros”.

Fonte: Money Times