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BB justifica R$ 31 milhões em taxas com análise de currículos e passagens

Publicado em: 16/03/2018

Quanto você pagaria para alguém fazer o serviço absolutamente simples de investir na ação de uma única empresa, que inclusive já foi escolhida? Essa pessoa não vai se preocupar se o preço do papel vai subir ou cair. Ela não vai avaliar o cenário econômico. Ela vai dar de ombros para os resultados trimestrais. Ela só vai comprar essas ações e mantê-las na carteira do fundo.

Se você disser que parece um trabalho banal, que qualquer um de nós poderia fazer, você pensa como eu e como quase todo o mercado financeiro. Mas os maiores bancos brasileiros acham que esse trabalho justifica a cobrança de taxas bastante elevadas. O Banco do Brasil cobra entre 1,5% e 2% de taxa de administração, o que rende nada menos do que R$ 31 milhões por ano aos seus cofres apenas pela gestão dos seus 4 fundos que investem em uma única ação – os chamados fundos monoativos.

O InfoMoney perguntou aos bancos por que cobrar tanto por um serviço absolutamente trivial. O único que se dispôs a responder foi o BB. O gerente executivo de fundos do banco, Jorge Ricca, disse ter gastos com uma equipe de análise, que precisa escolher entre comprar ações ordinárias ou preferencias de uma empresa. Só que um dos fundos investe em ações da Cielo, outro nas ações da Vale, e outro nas ações da BB Seguridade. E essas três empresas só negociam um tipo de ação, as ordinárias.

O último fundo do BB compra papéis da Petrobras, que tem tanto ordinárias quanto as preferenciais. Mas para o desespero dos cotistas, a avaliação da equipe de análise no ano passado foi ruim – o BB Petrobras rendeu apenas 0,5%, enquanto as ações PN da petrolífera tiveram alta de 8,5%. Já as ações ordinárias registraram queda de 0,27%.

“Não é preciso um trabalho de análise fundamentalista para decidir se compra ação ON ou PN. O fundo deveria simplesmente comprar metade de cada”, diz o gestor de um dos maiores fundos de ações ativos do país, que tem 20 anos de experiência e que pediu para não ser identificado.

Ricca também afirma que precisa de uma equipe para analisar os currículos dos candidatos ao conselho de administração das empresas em que investe e que tem gastos com as viagens para participar as votações do conselho. “Nós defendemos o interesse do cotista, o que tende a ser bom para o papel no longo prazo”, diz o executivo. Mas será que R$ 31 milhões em taxas anuais não é demais para alguém analisar uma pilha de currículos e fazer uma dúzia de viagens?

Além disso, um gestor de fundos ouvido pelo InfoMoney afirma que as assembleias não precisam mais de participação in-loco. “O investidor pode dar seu voto à distância. Ainda que ele queira ir em todas as assembleias, geralmente não são mais do que 4 em um ano. Quanto se gasta com passagem para isso?”, questiona.

Como se não bastassem as justificativas anteriores, outro “complexo” trabalho da equipe é decidir se o fundo vai deixar parte do dinheiro em caixa – lembrando que só até 5% do patrimônio pode ter esse destino e que o resto obrigatoriamente é investido em ações da empresa que dá nome ao fundo.

A grande verdade é que estes fundos monoação são vistos no mercado como uma maneira dos bancos ganharem muito dinheiro com pouco esforço. “O trabalho diário se resume em vender ou comprar ações da empresa no final do dia por conta dos resgates e aplicações. Sinceramente não demora mais do que 10 minutos para fazer isso”, diz o gestor ouvido pelo InfoMoney.

Para você ter uma ideia, a taxa de 2% que o BB arrecada para comprar unicamente ações da Petrobras é a mesma que os gestores dos melhores fundos ativos de ações do país cobram para avaliar centenas de empresas, colocar seus analistas na rua para visitar o chão de fábrica de todas elas, fazer reuniões com os diretores e entender cada detalhe do balanço.

Além disso, os fundos ativos têm economistas que avaliam o cenário macroeconômico e as possíveis influências em cada empresa. E eles compram e vendem as ações cada vez que enxergam potencial de ganhos, sempre se baseando em fundamentos bastante complexos. Você percebe que não faz o menor sentido os fundos monoativos cobrarem o mesmo que os fundos ativos?

Só o Banco do Brasil tem um patrimônio líquido de R$ 1,6 bilhão nesses fundos, com mais de 108 mil cotistas. Mas no Brasil há um total de 48 fundos monoativos, com um patrimônio líquido de R$ 6 bilhões, 330 mil cotistas e que geram receitas anuais na faixa dos R$ 113 milhões para os bancos, como mostra esta reportagem do InfoMoney que revela que esses milhares de brasileiros estão pagando taxas mais de 10.000% superiores ao que deveriam – clique aqui para ler.

Fonte: InfoMoney

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