No congresso do BB, a palestrante Cris Garbinatto, Conselheira Deliberativa da CASSI e Diretora da FETRAFI RS, apresentou a atual situação da Cassi destacando o histórico de evolução do modelo de custeio do plano de associados desde a sua criação até os dias de hoje e ressaltou os desafios que estão colocados para esse momento, ressaltando a importância de debater e apresentar uma proposta bem definida de custeio da Cassi na mesa de negociação da Campanha Salarial desse ano.
“É fundamental que a gente apresente uma proposta muito bem definida de custeio pra Cassi que garanta a sustentabilidade do nosso plano, sem dividir a categoria, pois cada vez que a gente se divide, quem ganha é o banco”, ressaltou Cris Garbinatto.
Cris também destacou os riscos que estão colocados para essa negociação junto ao Banco do Brasil considerando os atrasos na discussão sobre o custeio. “Quando eu vou discutir custeio com as provisões obrigatórias praticamente zeradas, eu vou precisar debater a antecipação de uma receita pra gerar um caixa pro nosso plano, eu vou precisar discutir um custeio precisando ainda mais de recurso porque eu tenho que recolocar as reservas, tenho que ter dinheiro para antecipação do 13° e eu tenho que começar a constituir outras reservas. Então a gente atrasar a discussão de custeio é um tiro no nosso próprio pé, esse atraso definitivamente não é bom pra nós”, afirmou Cris.
A Conselheira da Cassi finalizou sua análise reforçando que buscar o paradigma 70/30 é fundamental para resolver a questão do custeio da Cassi e apresentou um novo passo que será igualmente importante nessa discussão que é a indexação do custeio à receita do banco. “Temos que lutar para conquistar o 70/30 certamente, esse é um paradigma que temos que defender, mas precisamos de uma proposta maior. Por isso estamos dialogando sobre a necessidade de mudança no modelo de custeio da Cassi. A proposta precisa ser mais a longo prazo, pra que a gente não tenha que ficar rediscutindo o custeio com o banco a todo tempo, porque cada vez que a gente rediscute, o banco estica a corda até que a gente abra mão de alguma coisa, foi assim todas as vezes que tivemos que debater”, avalia Cris.
“Hoje nós temos todas as receitas da Cassi atreladas à folha de pagamento e quando percebemos isso vimos que é necessária uma mudança de paradigma. Continuar nossa parte na folha de pagamento é excelente, as nossas receitas são a nossa folha de pagamento, nós trabalhamos para aumentar nossas receitas, mas a folha de pagamento para o banco é uma despesa, portanto o banco trabalha para diminuir a folha. Por isso começamos a debater a possibilidade de fazer um modelo híbrido, com indexação à receita do banco, ou seja, estamos debatendo e fazendo as contas para indexar um percentual do custeio sobre a receita operacional do banco que só cresce, e esse crescimento é muito maior que a inflação. Tendo como indicador a receita operacional, a contribuição do banco seria sempre mais alta e os aumentos para os funcionários seriam sempre menores. Pois a única coisa que cresce na mesma proporção que o custo médico é a receita dos bancos”, explicou Cris.
Ao final do debate, os participantes avaliaram a possibilidade de agendar novas reuniões para debater e elaborar uma proposta para contribuir com os debates sobre a sustentabilidade da Cassi na Campanha Salarial.
No segundo momento do congresso foi a vez de debater sobre eixos da Campanha Salarial 2026. Diversas foram as propostas enviadas pelos delegados sindicais como sugestões para o debate nos grupos de organização sindical e também pelos bancários e bancárias nas agências, além das propostas que surgiram durante os diálogos no Congresso.
Também foi acolhida e aprovada a pauta específica construída pelo grupo dos caixas.
Após debater, elaborar e aprovar o documento de reivindicações que será levado para a Conferência Interestadual, foi realizada a eleição dos delegados e delegadas para o Congresso Nacional dos Funcionários e Funcionárias do BB (CNFBB), que acontecerá em SP.
Reinvindicações da Conferência Estadual Banco do Brasil 2026
- Renovação automática do ACT mesmo após o prazo limite, no caso de atraso das negociações
PLR linear (mesmo valor para todos os(as) funcionários(as)), sem bônus para executivos, incorporando o PDG, com contribuição Previ e Cassi (nas mesmas regras das contribuições salariais) - Reversão do Performa, com retorno da remuneração avançada para cargos comissionados
Incorporação automática da comissão, quando completados 10 anos de ocupação na função - Pausas no trabalho, no mesmo formato dos operadores de telemarketing, para os funcionários(as) da rede varejo
- Valorização da cesta alimentação (índice do reajuste +5%)
- Auxílio creche garantido até completar 14 anos de idade
- Valor do auxílio creche baseado no valor da mensalidade escolar
- Limitar a persistência das vagas recorrentes a 3 meses em cada unidade
- Remoções e promoções independentes da existência das vagas recorrentes
- Separa funções gratificadas de funções de confiança
- Banco de horas seguindo a mesma proporção das horas extras pagas
- Gratificação de caixa garantida a todos que abrem caixas, independente da função exercida
- Possibilidade de conversão dos abonos assiduidade
- Redistribuição das metas das carteiras com gerente de férias, no caso da impossibilidade de substituição em todo o período
- Substituição em cadeia em casos de ausências
- Cesta alimentação garantida durante todo o período de afastamento licença-saúde
- Ajuda de custo proporcional para todos os funcionários(as) em home office, independente da frequência
- Unidades afetadas por programas pilotos com metas reduzidas, e modo equivalente a agências em implantação. Adesão voluntária e com retorno garantido a função anterior
- Régua do acompanhamento da produção linear, limitada a 100% para todos os indicadores
- Autonomia para uso da verba de café mesmo para unidades em regime de condomínio
- Liberação dos dirigentes (delegados e diretores de base) para as atividades sindicais a partir da autorização da Diretoria de Pessoas (Dipes), sem necessidade de aprovação dos gestores das unidades
- Liberação de pelo menos um(a) bancário(a) de cada unidade, para um dia por ano, para participar da Conferência Estadual dos Bancários do BB
- Redução de jornada e prioridade de home office para pais e mães com filhos pequenos
- Jornada de 6 horas para todas as funcionárias, sem redução do salário e sem prejuízo para suas carreiras
