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Tem algo de errado com a ‘pechincha’ do Banco do Brasil? Citi acende alerta e corta preço-alvo

Publicado em: 19/08/2026

O Banco do Brasil (BBAS3) até parece barato na bolsa. O problema é que, para o Citi, talvez exista um bom motivo para isso.

Segundo os analistas, as ações do BB continuam negociando a um múltiplo que, à primeira vista, parece convidativo. Mas o banco norte-americano acredita que o preço pode estar escondendo uma deterioração maior do que o mercado está colocando na conta.

Por isso, o Citi colocou BBAS3 sob “monitoramento de catalisador negativo” e manteve a recomendação neutra para as ações.

Os analistas também reduziram o preço-alvo para BBAS3, de R$ 21 para R$ 18, o que implica uma leve queda potencial de 2% em relação ao último fechamento, além de cortarem suas estimativas para o Banco do Brasil em 6% para 2026 e 21% para 2027.

“A tese de investimento depende cada vez mais de premissas difíceis de conciliar com as tendências operacionais recentes”, afirma o Citi.

Crédito continua sendo a grande tormenta do Banco do Brasil

A qualidade dos ativos segue como um dos principais pontos de pressão sobre a tese de Banco do Brasil (BBAS3).

No segundo trimestre (2T26), os indicadores de saúde da carteira continuaram se deteriorando, especialmente a formação de inadimplência (NPL formation) e a criação de operações classificadas no Estágio 3, que reúne créditos com problemas mais graves de recuperação.

Embora a administração tenha destacado sinais de estabilização em algumas carteiras, o Citi avalia que as provisões continuam atrás da deterioração do crédito.

“Continuamos preocupados com a possibilidade de que os níveis atuais de provisão sejam insuficientes para absorver totalmente o enfraquecimento contínuo da qualidade do crédito”, dizem os analistas.

O guidance para 2026 também entrou na mira. Para o Citi, a projeção mantida pela administração pressupõe uma trajetória de custo de crédito “excessivamente otimista” para o segundo semestre.

Para chegar ao ponto médio do guidance, seria necessária uma queda relevante nas provisões justamente enquanto a formação de inadimplência continua avançando.

Os analistas avaliam que a nova medida provisória de apoio ao agronegócio pode ajudar, mas o Citi vê pouco espaço para uma melhora rápida.

Como as renegociações ainda não ganharam tração significativa e o terceiro trimestre já está em andamento, os benefícios mais relevantes provavelmente apareceriam apenas no 4T26, segundo o Citi.

Nível de capital entra no radar

Além do crédito, o Citi chama atenção para outro ponto de pressão do balanço: a posição de capital.

O capital principal, medido pelo CET1, continua em trajetória de queda, enquanto a operação bancária individual permanece registrando prejuízo.

Ao mesmo tempo, os ativos fiscais diferidos (DTAs) seguem crescendo, impulsionados pelas maiores provisões de crédito e pelos prejuízos recorrentes.

Para o Citi, isso faz com que o patrimônio líquido tangível mereça mais atenção do que o patrimônio contábil tradicional na hora de avaliar a solidez financeira do BB.

BBAS3 está realmente barato?

Para o Citi, o Banco do Brasil continua parecendo barato quando observado pelo múltiplo de preço sobre valor patrimonial (P/BV).

O problema, segundo os analistas, é que essa métrica pode estar dando uma impressão otimista demais sobre a real força de capital do banco.

Quando os ativos fiscais diferidos são considerados, o desconto diminui consideravelmente: pelas contas do Citi, BBAS3 negocia a 1,2 vez o patrimônio líquido tangível (P/TBV), contra apenas 0,6 vez o patrimônio líquido contábil (P/BV).

Ou seja, o que parece uma pechincha olhando apenas para o valor patrimonial pode não ser tão barato quando a qualidade desse patrimônio entra na conta.

É justamente essa diferença que sustenta o alerta do Citi. Para os analistas, o desafio agora não é apenas saber se BBAS3 está barato, mas se o desconto é suficiente para compensar os riscos que ainda podem aparecer no crédito, nos resultados e no capital do banco.

Fonte: Seu Dinheiro