Conselheiros lamentam saída de Brandão; executivo da Caixa deve presidir BB

Publicado em: 04/03/2021

Em reunião nesta semana, o presidente do conselho de administração do Banco do Brasil, Hélio Magalhães, e outros três conselheiros defenderam a permanência de André Brandão no comando da instituição. A manifestação, registrada na ata do encontro, foi publicada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Os conselheiros defenderam a “continuidade da gestão de excelência que vem sendo realizada pelo atual presidente do BB, em conjunto com toda diretoria executiva e seus mais de 90 mil funcionários”. E lamentaram a “possível e surpreendente substituição do presidente do Banco do Brasil ainda no início de seu mandato”.

“Todavia, caso o seja por qualquer razão alheia às atribuições deste Conselho, que eventual substituto esteja à altura de seu notável perfil técnico e profissional, aptidões essenciais para se liderar uma instituição com o porte e complexidade do Banco do Brasil S/A”, ponderaram.

André Brandão, segundo apurou O Antagonista, deverá confirmar sua saída da presidência do Banco do Brasil, no máximo, até o início da próxima semana.

Executivo da Caixa na presidência

O presidente da Caixa Seguridade, João Eduardo de Assis Pacheco Dacache, está entre os nomes cotados para presidir o Banco do Brasil (BB), substituindo André Brandão. A expectativa é de que a troca no BB aconteça ainda este mês.

O nome de Dacache já foi aprovado em partes e tem crivo do Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal; Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central, e o ministro da Economia, Paulo Guedes. Segundo o jornal Estadão, ainda falta a sanção do presidente Jair Bolsonaro.

O avanço do nome de Dacache sinaliza o fortalecimento do presidente da Caixa no governo Bolsonaro, ao mesmo tempo que um menor poder de fogo de Paulo Guedes. O ministro da Economia vinha tentando trazer um nome de fora do universo de Brasília, seguindo sua agenda liberal. Dentre os cotados, cogitou o do ex-Itaú Unibanco Márcio Schettini.

Troca de comando é ruim

Outro que ganhou espaço para substituir Brandão é Márcio Schettini, ex-diretor geral de varejo do Itaú (ITUB4). De acordo com informações do Valor Econômico, outros nomes como Caio Ibrahim David, ex-diretor geral de atacado do Itaú, Gustavo Montezano, presidente do BNDES e Mauro Neto, vice-presidente corporativo do BB também estão no páreo.

Para a XP Investimentos mesmo com a experiência de Schettini, a troca do atual CEO é uma sinalização negativa. A corretora cita a ampla experiência de Brandão e suas sinalizações positivas para ganho de eficiência do Banco do Brasil.

Além disso, a troca pode ser visto como uma interferência política do governo (acionista controlador) em detrimento dos acionistas minoritários. A corretora cita a ampla experiência de Brandão e suas sinalizações positivas para ganho de eficiência do Banco do Brasil.

Além disso, a troca pode ser visto como uma interferência política do governo (acionista controlador) em detrimento dos acionistas minoritários.

“Um reconhecido nome sem independência teria problemas para implementar as mudanças estruturais de que o banco precisa”, argumenta. Não bastassem esses fatores, Brandão tem o amplo apoio dos conselheiros.

Fonte: O Antagonista com Money Times e Gazeta do Povo

Presidente do Banco do Brasil sinaliza saída após crise com Bolsonaro

Publicado em: 01/03/2021

Há apenas cinco meses no cargo, o presidente do Banco do Brasil, André Brandão, tem sinalizado a pessoas próximas que quer deixar o comando da instituição, após ter sido alvo de ameaças de demissão por parte do presidente da República, Jair Bolsonaro, apurou o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) com três fontes, na condição de anonimato. Os rumores quanto a possível saída pesaram nas ações da estatal, que apresentaram queda de mais de 3% no período da tarde desta sexta-feira (26/02).

A crise da gestão de Brandão com o Planalto começou com o anúncio de reestruturação no BB, com medidas que envolvem o fechamento de 112 agências e o desligamento de 5 mil funcionários, por meio de programas de demissão voluntária.

À época, Bolsonaro foi pressionado por parlamentares em razão do plano do banco e, com receio de desgastes políticos, ameaçou demitir Brandão. O executivo, contudo, foi salvo pela equipe econômica do governo, liderada pelo ministro Paulo Guedes, que reuniu esforços para manter Brandão, chamado para assumir o banco justamente com a missão de tocar uma agenda de desinvestimentos e de enxugamento da estrutura.

Superado esse momento inicial, Brandão disse em coletiva de imprensa, para comentar os resultados mais recentes do banco, que tudo não havia passado de um problema de comunicação. Ele contou que não chegou a se reunir com Bolsonaro, mas afirmou que o presidente parecia ter compreendido o plano. Disse ainda que pretendia se reunir com o presidente, para explicar as medidas, assim que a agenda de Bolsonaro permitisse.

Quando tudo parecia ter voltado aos trilhos, Brandão se viu novamente na berlinda após uma crise iniciada em outra estatal, a Petrobras. Insatisfeito com a política de preços da petroleira, Bolsonaro decidiu tirar Roberto Castello Branco do comando da companhia e anunciar para o seu lugar o general da reserva Joaquim Silva e Luna, mais um militar convocado para ocupar um posto de alto escalão.

No último fim de semana, já depois de ter realizado a troca na Petrobras, Bolsonaro indicou que outras mudanças seriam anunciadas em estatais ao longo desta semana. O nome de Brandão, com isso, voltou a ser colocado como um possível demitido, principalmente, pelo centrão, que está de olho no cargo.

As ações da empresa despencaram, com o BB chegando a perder mais de R$ 10 bilhões em valor de mercado, na última segunda-feira, mas nenhum anúncio foi feito. O silêncio foi lido pelo mercado como um respiro. Na quinta-feira (25) o diretor financeiro do BB, Carlos André, teve uma reunião com analistas, que rendeu uma série de relatórios sobre o banco. O temor quanto à saída de Brandão, contudo, foi um dos destaques dos documentos.

Em uma tentativa de acalmar os ânimos, Brandão passou a semana em Brasília – geralmente, o executivo despachava de São Paulo. No entanto, ele já teria retornado. Por sua vez, outros integrantes da alta cúpula do BB cancelaram viagens a São Paulo de última hora, apurou o Broadcast.

Paciência perto do fim

Segundo fontes, a paciência de Brandão está perto do fim e a situação para sua permanência é quase que “impossível”.

— Há limites em todo processo de fritura — diz uma fonte próxima à equipe econômica.

Nomes especulados

Com a possibilidade da saída de Brandão cada vez mais próxima, outros nomes já são especulados no mercado. Dentre eles, conforme fontes, estão o de Gustavo Montezano, presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Outra saída, afirmam, é o Planalto promover um dos vice-presidentes do BB. Vale lembrar, porém, que o Centrão cobiça – e muito – a cadeira.

“O Banco do Brasil informa que não houve pedido de renúncia por parte de seu presidente”, afirmou a instituição financeira em fato relevante, após o fechamento do mercado nesta sexta-feira.

Pela segunda vez em semanas, especulações sobre uma saída iminente de Brandão tomaram o mercado nesta sexta-feira, provocando uma queda de 4,9% da ação do banco na Bovespa, diante da visão de investidores de ingerência governamental na gestão do BB.

Fonte: Zero Hora com Money Times

 

Despesas permanecerão sob rigoroso controle neste ano, diz presidente do BB

Publicado em: 18/02/2021

O presidente do Banco do Brasil (BBAS3), André Brandão, prometeu controle rigoroso nas despesas em 2021. Depois de uma leve alta de 0,1% no ano passado, com uma inflação de 4,5% e reajuste dos bancários, a meta é perseguir a redução nominal dos gastos.

“Mantivemos um firme controle das despesas, que cresceram abaixo da inflação anual, e permanecerão sob rigoroso controle neste ano, certamente se comportando abaixo da inflação, mas com o BB perseguindo a redução nominal das despesas”, disse Brandão, em nota à imprensa.

A sinalização ao mercado vem em um momento importante após o anúncio quanto a um plano de eficiência do BB ter desagrado o presidente Jair Bolsonaro. Na prática, o que pesou foi o fato de a iniciativa prever o fechamento de 12 agências, totalmente em linha com o que os bancos privados, mas que vai de encontro com as preferências dos parlamentares.

De acordo com Brandão, o Banco do Brasil finalizou 2020 mais preparado para continuar crescendo em seus negócios neste ano. “Mesmo com as dificuldades da pandemia, atravessamos esse período com crescimento de 9% na carteira de crédito”, disse.

Com índices de capital “ainda mais sólidos”, o BB poderá, conforme ele, continuar expandindo os empréstimos e financiamentos, desde que aprovados após “análises adequadas de avaliação de risco”.

O executivo destacou ainda a qualidade do crédito concedido. “Nossa inadimplência fechou o ano em 1,9%, patamar inferior à média dos nossos principais concorrentes”, observou, chamando atenção para a forte presença do BB em linhas de menor risco.

Outro ponto mencionado por Brandão – e que é uma das prioridades de sua gestão – diz respeito ao aprimoramento da experiência do cliente. “O setor financeiro passa por nível de competitividade que exige dos bancos estratégias totalmente focadas nos consumidores”, admitiu.

O objetivo do BB, disse, é fazer com que todos os números do resultado sejam direcionados para melhorar a experiência do cliente, priorizando soluções digitais. “Estamos trabalhando fortemente nesse sentido. Prova disso são os 4,7 milhões de usuários que nosso APP (aplicativo) ganhou em 2020. Foram realizados mais de 17 milhões de atendimentos pelo WhatsApp. Em dezembro, somaram-se mais de 21 milhões de clientes ativos nos canais digitais”, listou.

Segundo Brandão, o digital permite especializar ainda mais o atendimento. Nesse sentido, o banco prevê incluir 1,3 milhão de clientes nesse modelo, fazendo com que 100% do alto varejo siga esse padrão.

Outra agenda que o executivo tem focado é a ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança). “O Banco do Brasil já é o melhor banco nessa agenda, mas estamos indo além disso. Estamos criando compromissos claros, específicos e econômicos para que a gente possa, ainda mais, atender a sociedade de uma forma sustentável”, prometeu.

“2020 foi um ano de transformação digital e o Banco do Brasil seguiu essa linha. Mas a gente quer dar um passo além. Queremos adicionar inclusão digital. Vai ser bom para nós, do Banco do Brasil, e bom para a sociedade”, acrescentou.

De acordo com o executivo, o banco está lançando um programa, juntamente com o Ministério das Comunicações, para aumentar a maturidade digital nas cidades e no campo. “Nós vamos apoiar nossos clientes, atrair novos, ajudar a sociedade e ganhar eficiência”, concluiu.

Fonte: Infomoney

Brandão: houve falha de comunicação com Bolsonaro sobre fechamento de agências

Publicado em:

O presidente-executivo do Banco do Brasil (BBAS3), André Brandão, afirmou nesta sexta-feira (12) que houve um problema de comunicação com o presidente Jair Bolsonaro quando o banco anunciou que fecharia mais de 300 agências em todo o país.

Brandão disse a jornalistas que o BB não abandonará totalmente nenhuma cidade. Ele afirmou que se o banco decidir fechar uma agência em determinada cidade, outra agência ou correspondente bancário fornecerá os serviços básicos.

Ele reiterou o plano de reduzir o número de agência do banco e economizar R$ 10 bilhões até 2025.

Fonte: Infomoney

Banco do Brasil mantém reestruturação, com PDV e fechamento de agências

Publicado em: 29/01/2021

O Banco do Brasil (BB) decidiu manter o plano de reestruturação que prevê o fechamento de 361 unidades de atendimento e o desligamento voluntário de até 5 mil funcionários, apesar de a repercussão negativa do projeto quase ter custado a demissão do presidente do banco, André Brandão.

A manutenção do plano foi confirmada pelo Conselho de Admnistração do BB, em reunião extraordinária realizada realizada nesta semana, após os ruídos sobre a demissão de Brandão terem diminuído. Na ocasião, os conselheiros do BB confirmaram a permanência do executivo no comando do banco e negaram quaisquer revisões no plano de reestruturação, que será executado ao longo deste semestre.

O plano de reestruturação do BB foi anunciado no início do mês e irritou o presidente Jair Bolsonaro. Incomodado com a repercussão negativa do projeto de enxugamento da rede de agências do BB, Bolsonaro chegou a pedir a demissão de André Brandão. Porém, o executivo foi mantido no cargo depois que o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, alertaram o presidente da República de que a ameaça de demissão foi interpretada pelo mercado como uma interferência política no BB.

Com a manutenção de Brandão, chegou-se a cogitar uma revisão no plano de reestruturação do BB. Porém, a ata da última reunião do Conselho de Administração do BB descarta essa possibilidade, negando “qualquer espécie de interferência do acionista controlador na execução das medidas de eficiência anunciadas, que seguem sendo executadas exatamente como aprovada” e dizendo que as notícias sobre a demissão de Brandão não passaram de “graves especulações”.

O documento acrescenta que os conselheiros não aceitariam interferências políticas no banco. E explica que, em respeito à Lei das Sociedades por Ações e à Lei das Estatais, “não seria admitido a estes conselheiros anuir com qualquer prática que porventura viesse a ser adotada contrariamente aos melhores interesses da companhia e de seus acionistas”.

“Os conselheiros aqui signatários reiteram seu compromisso com as melhores práticas de governança corporativa, com a estrita observância de suas atribuições estatutárias e de seu dever de diligência, lealdade e defesa dos interesses da companhia”, ressalta a ata. “A reação dos agentes de mercado às referidas especulações noticiosas, que provocou significativa desvalorização dos preços das ações do BB, evidencia o que se espera da administração da companhia: adoção de contínuas medidas em busca de maior eficiência e permanente austeridade, com o condão de lhe conferir adequada competitividade e resultados sustentáveis ao longo do tempo, sobretudo no atual ambiente de negócios de crescente competição, complexidade, volatilidade e transformação tecnológica”, acrescenta.

O comunicado também lembra que o programa de reestruturação foi aprovado ainda em 2019 pelo conselho e está “alinhado às melhores práticas de mercado”. E destaca que, como mostrou o Correio, “a aprovação dos programas cumpriu toda governança da companhia, tendo transitado, inclusive, pela Secretaria de Coordenação e Governança das Estatais (Sest) do Ministério da Economia, conforme normas vigentes”.

A manifestação sobre a manutenção de Brandão e do plano de reestruturação foi assinada por cinco dos oito conselheiros do BB. Assinaram o documentos os conselheiros indicados pelo Ministério da Economia – Hélio Lima Magalhães, que é presidente do Conselho de Administração; Fabio Augusto Cantizani Barbosa e José Guimarães Monforte – e também os membros do Conselho que foram eleitos pelos acionistas minoritários do BB – Luiz Serafim Spinola Santos e Paulo Roberto Evangelista de Lima.

Por outro lado, não assinam o comunidado o próprio André Brandão, presidente do BB; o secretário especial da Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, que também já foi ameaçado de demissão pelo presidente Bolsonaro, durante as discussões sobre o Renda Brasil; e Débora Fonseca, que é a representante dos funcionários do BB no Conselho. Segundo a ata, “a abstenção dos demais conselheiros” foi registrada “com o fim de se elidir qualquer potencial conflito de interesses”.

Funcionários do BB seguem reticentes ao plano de reestruturação do banco, pois entendem que o fechamento de agências e a redução do quadro de pessoal do banco representa um “plano de desmonte” com vistas na privatização. Por isso, têm feito protestos em todo o país e buscado apoio de parlamentares e prefeitos para barrar o projeto.

Fonte: Correio Brazilliense

Bolsonaro quer que presidente do BB seja um “executivo político”

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Após aceitar o convite para presidir o Banco do Brasil, em setembro do ano passado, o banqueiro André Brandão gravou uma entrevista em vídeo para os servidores da instituição estatal. Em sua residência, ele falou sobre os seus planos de gestão e contou qual foi a missão que recebeu do ministro da Economia, Paulo Guedes. “O ministro pediu um gestor do banco. Ele falou assim: ‘André, tem várias coisas que a gente precisa fazer, e eu preciso de um executivo’. E é o que sou: sou um executivo”, afirmou Brandão, que atuou mais de vinte anos em bancos privados, sendo conhecido no mercado pelo perfil técnico. É justamente essa característica que Jair Bolsonaro pretende mudar.

Desde o fim do ano passado, o presidente tem recebido reclamações sobre Brandão, que, segundo seus detratores, tem pouco jogo de cintura político em Brasília. Em tom de crítica, alguns parlamentares disseram que o executivo não atendia a pedidos diversos, de indicação para cargos no BB a convites para eventos culturais patrocinados pela instituição. Até então, Brandão não era afeito à dinâmica de Brasília. Costumava declinar convites de jantares com senadores e evitava receber deputados em seu gabinete. Mais reservado, ele se tornou a antítese do presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, que tem um bom trânsito no Palácio do Planalto e no Congresso.

A gota d’água do estresse entre Bolsonaro e Brandão ocorreu em 11 de janeiro deste ano, quando o BB anunciou dois programas de demissão voluntária para cerca de 5 000 funcionários e o fechamento de 361 unidades da instituição, sendo 112 agências, 242 postos de atendimentos e sete escritórios. A notícia gerou um alvoroço entre servidores do banco e prefeitos de municípios — que passaram a pressionar parlamentares em Brasília para cobrar uma resposta do Planalto. Após receber diversas reclamações e sem antes tentar entender detalhes da medida, Bolsonaro disse para os seus auxiliares que iria “cortar a cabeça” do chefe do BB e que a ação era mais uma “manobra para sabotar” o seu governo.

A exoneração só não foi assinada porque o ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Banco Central, Campos Neto, entraram em ação. O ministro explicou para Bolsonaro que nenhuma cidade ficaria sem unidades de atendimento e que haveria apenas um enxugamento das estruturas. O próprio Brandão, antes de assumir a sua função, gravou um vídeo dizendo que não reduziria a presença do BB nos municípios, mas apenas mudaria o estilo das agências, um plano chancelado pelo Conselho de Administração e que poderá render uma economia de 2,7 bilhões de reais até 2025.

A investida deu certo. Por ora, Brandão continuará no cargo sob uma condição: adotar uma agenda mais política e estreitar os laços com parlamentares. Além disso, decisões mais delicadas do banco terão de se despachadas no Palácio do Planalto. Conforme relata reportagem de VEJA, o episódio põe em dúvida — mais uma vez — a fidelidade do presidente à agenda liberal do governo.

Fonte: Veja.com

Banco do Brasil corre risco de perder espaço para concorrentes

Publicado em: 21/01/2021

O Banco do Brasil pode rever o plano de reestruturação que irritou o presidente Jair Bolsonaro e colocou o presidente do BB, André Brandão, na berlinda. Para analistas, no entanto, a medida pode abafar a crise política e dar sobrevida ao executivo. Porém, expôs, mais uma vez, as divergências entre o Palácio do Planalto e o Ministério da Economia e só vai adiar o problema do BB. É que, diante do processo de digitalização do setor financeiro, o mercado acredita que a reestruturação do banco é inevitável e alerta que o engavetamento do plano pode deixar o banco atrás dos seus concorrentes.

O plano de reestruturação do BB prevê o fechamento de 361 unidades de atendimento, sendo 112 agências, 7 escritórios e 242 postos de atendimento, além da abertura de um Plano de Demissão Voluntária (PDV), que pode atingir até 5 mil, dos 92,5 mil funcionários do banco. Segundo o BB, a medida pode gerar uma economia de $ 2,7 bilhões até 2025, sendo R$ 353 milhões só neste ano, e visa adequar o banco ao novo perfil e comportamento dos clientes do mercado financeiro, que interagem com as finanças de forma cada vez mais digital.

Segundo fontes do BB, a reorganização da rede de atendimentos passou, portanto, pelo crivo da equipe econômica, que defende a redução de custos e o aumento da eficiência do poder público, bem como a modernização do sistema financeiro. O plano também foi apresentado com antecedência ao Palácio do Planalto. Ainda assim, fez Jair Bolsonaro pedir a demissão de André Brandão, apenas quatro meses depois de o executivo ter deixado um cargo de comando do HSBC nos Estados Unidos para assumir a presidência do Banco do Brasil no lugar de Rubem Novaes, que saiu do banco dizendo que a instituição precisava de alguém mais novo, como Brandão, para poder avançar no processo de digitalização bancária.

Bolsonaro ficou irritado com a medida, depois que parlamentares reclamaram do fechamento de agências em suas bases eleitorais e sugeriram que a repercussão negativa poderia afetar o apoio político aos candidatos do governo na eleição interna da Câmara dos Deputados e do Senado. O plano de reestruturação ainda recebeu críticas da oposição e gerou protestos dos funcionários do banco, que classificaram o projeto como o início do processo de desmonte e privatização do Banco do Brasil. As críticas lembraram que, além de buscar a rentabilidade dos seus acionistas, o BB cumpre papeis sociais importantes como a distribuição do papel-moeda e o pagamento de benefícios sociais e é o único banco de muitas cidades do interior.

Brandão, contudo, parece ter ganhado sobrevida no cargo, pois foi defendido pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, e pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. A equipe econômica entrou em campo para reverter a demissão mostrando ao Palácio do Planalto que a medida foi interpretada pelo mercado como uma interferência política que contraria a agenda liberal que ajudou a eleger Bolsonaro.

Sócio da Consultoria GO Associados e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Gesner Oliveira, por exemplo, disse que, se concretizada, a emissão poderia ser equiparada às interferências realizadas pelo governo do PT na Petrobras, criticadas pelo atual presidente da República. “Se o banco toma a decisão de implementar um plano de racionalização de custos, que já foi adotado por outros bancos, mas não pode, por conta de uma interferência do presidente, fica claro que Bolsonaro é contrário a tudo aquilo que pregou na campanha”, afirmou.

O consultor lembrou que o Banco do Brasil é uma sociedade de economia mista, com ações negociadas em bolsa. Logo, deveria seguir as regras de governança do Novo Mercado. Tanto que o próprio Ministério da Economia já disse, em nota, que a condução dos negócios do BB compete aos seus órgãos de governança, isto é, à diretoria e ao Conselho de Administração. “Esse tipo de ingerência contraria as melhores práticas de governança e contraria a filosofia econômica proposta pelo governo. O que se espera é que a gestão do BB seja tocada de forma técnica, sem ingerência política, pois há um risco de que as decisões políticas não sejam as melhores para uma sociedade de economia mista, que tem o governo como acionista majoritário, mas tem outros acionistas”, declarou Oliveira.

Analistas de mercado acrescentam que, não bastasse isso, a ameaça de demissão colocou em xeque a capacidade de o BB tocar o processo de modernização delegado a Brandão, logo após o executivo fazer o seu primeiro grande anúncio nesse sentido. “A reação de Bolsonaro trouxe uma desconfiança enorme sobre se a agenda liberal e o processo de modernização do BB vão de fato acontecer. A mensagem é que essas questões sempre vão depender do aval do presidente”, afirmou o analista de research da Ativa Investimentos, Leo Monteiro, lembrando que, até hoje, Paulo Guedes não conseguiu entregar muitas das suas pautas liberais, como as privatizações. “Preocupa, porque Brandão foi contratado há poucos meses. É um nome com grande experiência na iniciativa privada, que provavelmente colocaria em prática aquilo que foi prometido pelo governo na eleição: a redução da máquina pública e a busca de eficiência das estatais que não seriam privatizadas, como o Banco do Brasil”, acrescentou o analista da Guide Investimentos, Henrique Esteter.

Onda da revolução digital avança rápido

Além de reacender o debate sobre a ingerência política nas estatais, a ameaça de demissão de André Brandão pode custar a revisão ou o adiamento do plano de reestruturação do Banco do Brasil. A medida foi cobrada pelo Palácio do Planalto diante da permanência do executivo, mas sofre resistência da equipe econômica e também é mal vista pelo mercado, que vê o processo de renovação do setor financeiro como algo inevitável.

“O setor financeiro passa por uma grande transformação. Daqui a cinco anos, talvez não existam 50% das agências que têm hoje, pois as pessoas vão cada vez menos às agências, por conta das ferramentas digitais”, explicou o professor do Insper, Michel Viriato. Ele lembrou que o isolamento social imposto pela covid-19 e as medidas como o Pix, o sistema de pagamentos instantâneos brasileiros, só acelerou esse processo.

Segundo a Federação Brasileira de Bancos, 63% das 89,9 bilhões de transações bancárias realizadas no Brasil em 2019 já foram efetuadas por meio do celular ou da internet, mas o ritmo de crescimento das ferramentas digitais acelerou no ano passado. De janeiro a abril de 2020, as transações por celular cresceram 22% e as interações digitais dos clientes com os seus bancos avançaram 78%. Já o volume de transações realizadas em agências bancárias desabou 53%. Por isso, a expectativa é que a participação das agência nesse mercado, que já era de 6% em 2019, tenha ficado ainda menor. Foi por conta disso, por sinal, que o Bradesco anunciou o fechamento de 1,1 mil agências no Brasil no ano passado. O Itaú fechou 128 agências no país em 2020, segundo os dados do Banco Central.

Nos últimos anos, Bradesco, Itaú e Caixa Econômica Federal também já haviam anunciado planos de demissão voluntária, como o que foi anunciado pelo Banco do Brasil. E o secretário-geral da Associação Contas Abertas, Gil Castello Branco, lembrou que outras 22 estatais, como a Petrobras e a Eletrobras, implementaram planos de demissão voluntária durante o governo Bolsonaro, já que os gastos com pessoal representam um dos principais gastos do Executivo e as estatais sofreram um deficit projetado de R$ 3,97 bilhões em 2020. “As estatais devem estar comprometidas com o reequilíbrio das contas públicas. O Banco do Brasil tem uma função social pública importante, mas não pode ser o dinossauro dos bancos brasileiros, precisa atuar de forma competitiva, até para aprimorar as funções sociais que executa”, avaliou.

Viriato acrescentou que a modernização de grandes bancos como o BB é necessária e deve ocorrer de forma cada vez mais veloz. Afinal, os bancos digitais e as fintechs têm ganhado espaço no mercado brasileiro, seja por conta da atualização da agenda regulatória e de competição por parte do Banco Central ou pelo interesse dos brasileiros por essas instituições. Pesquisa realizada pela Incognia, no fim do ano passado, revelou que 75% dos brasileiros já se dizem dispostos a trocar um banco tradicional por um banco digital, pois consideram que o mais relevante hoje no sistema financeiro é a boa experiência e os baixos custos.

O risco de não avançar nesse sentido, segundo os analistas, é que o BB fique atrás dos seus pares no novo mercado financeiro. Na única apresentação de resultados que já comandou, Brandão admitiu que o Banco do Brasil tem uma rentabilidade “um pouco aquém do que poderia ter” por conta do perfil conservador.

Resistência

Funcionários do BB, porém, continuam resistindo à medida e buscando a suspensão do plano de reestruturação do banco, tanto na direção do BB, quanto no Congresso Nacional. “Qualquer reestruturação, neste momento, precisa considerar questões humanitárias e sociais, antes de — apressadamente — pensar apenas em agradar investidores privados”, defendeu o presidente Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (Anabb), Reinaldo Fujimoto.

Ele destacou que o BB exerce papeis sociais relevantes, como o financiamento da agricultura familiar e o pagamento do benefício emergencial de manutenção do emprego e da renda durante a pandemia de covid-19. E lembrou que nem todos os brasileiros têm facilidade com as ferramentas digitais. “As inovações tecnológicas são fundamentais para o sistema financeiro, mas o que temos visto é um volume enorme de trabalho nas agências, sobrecarregando os caixas e funcionários na linha de frente. Então, é preciso satisfazer os clientes, ser competitivo, investindo em pessoas e em tecnologia, com a mesma ênfase”, afirmou.

Bancários ouvidos pelo Correio disseram também que, apesar de oferecer indenizações de R$ 10 mil a R$ 450 mil, o Plano de Demissão Voluntária do BB pode gerar prejuízos em relação ao plano de saúde e de previdência de alguns funcionários. Por isso, há dúvidas sobre o alcance do plano, que está aberto até o próximo dia 5. “Acredito que apenas cerca de 2 mil pessoas vão entrar no programa devido a isso, pois muitos terão prejuízos e a indenização não compensa nesse aspecto”, disse, por exemplo, Eduardo Araújo, de 49 anos, bancário de Brasília.

Fonte: Correio Braziliense

Brandão fica no BB, mas plano para fechar agências e desligar 5 mil pode ser ajustado

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O presidente do Banco do Brasil, André Brandão, está garantido no posto, mas o pacote bilionário de redução de custos, anunciado na semana passada como uma das primeiras grandes ações de sua gestão, pode sofrer ajustes, apurou o Estadão/Broadcast. Eventuais mudanças estão sendo discutidas internamente, disseram três fontes, na condição de anonimato, e que descartam a reversão das medidas. O risco de revisão é monitorado com atenção pelo mercado, que vê em qualquer movimento nesta direção como uma nítida interferência política do governo Bolsonaro no banco, com ações listadas em Bolsa.

Internamente, executivos do BB estão em compasso de espera por eventuais ajustes. A orientação geral passada, contudo, é de que seja olhada a foto ampliada e que, na prática, “nada muda”. Dentre as possíveis mudanças, por exemplo, estaria a revisão da lista – já definida – de agências bancárias, que deve ser impactada pelo pacote. São 112 no total. Esse tipo de movimento, vale destacar, já estaria no radar – antes mesmo da repercussão do anúncio do pacote – e é visto como algo natural. Geralmente, revisões na rede de atendimento de bancos públicos podem desagradar prefeitos, com folhas de pagamentos nessas instituições e, portanto, negociações ocorrem a reboque.

Por ora, as medidas anunciadas pelo Banco do Brasil seguem o curso normal, dizem duas fontes. Hoje, por exemplo, o banco divulgou vagas para movimentação interna no âmbito da reorganização de sua rede de atendimento. A ideia da atual gestão do BB é recolocar parte do back-office, funcionários que atuam nos bastidores, para a linha de negócios da instituição.

O plano de reestruturação do banco prevê, por enquanto, o fechamento de 112 agências, sete escritórios e 242 postos de atendimento. Além disso, 243 agências seriam convertidas em postos de atendimento, 143 unidades de negócios seriam transformadas em Lojas BB (sem guichês de caixa) e ainda haveria relocalização compartilhada de 85 unidades de negócios e criação de 28 unidades de negócios.

Todo o programa, com previsão de ser completamente implementado no primeiro semestre, deve resultar em uma economia anual líquida de R$ 353 milhões só em 2021 e R$ 2,7 bilhões até 2025, sem considerar os planos de desligamentos voluntários, que, na estimativa do BB, devem gerar o corte de 5 mil pessoas. Com as medidas, o banco pretende ter uma atuação mais focada no público digitalizado e espera atrair de 5,5 milhões de novos clientes digitais em 2021, repetindo o mesmo feito do ano passado. Hoje, são 22 milhões.

Quem não gostou nada do plano foi o presidente Jair Bolsonaro, que alegou não ter sido avisado sobre as medidas e teve de dar explicações a parlamentares que o procuraram para reclamar do fechamento de agências em pequenos municípios. A lista de cidades que terão agências fechadas, contudo, ainda não foi revelada. Essa é exatamente uma das medidas que pode ser ajustada.

Sob a justificativa de que não havia sido informado do plano de eficiência do BB, Bolsonaro pediu a cabeça de Brandão, no comando do banco público desde setembro último. Vindo do HSBC, o executivo foi trazido à instituição justamente para reforçar a bandeira de um perfil de mercado e blindagem das empresas estatais no atual governo – o que, novamente, caiu por terra com o imbróglio. Fontes garantem que tanto o Ministério da Economia quanto o Planalto haviam sido informados do pacote – e do risco de imagem atrelado.

Eficiência

As medidas anunciadas pelo BB estão em estudo desde o fim do ano passado e geraram boatos de um novo programa de demissão voluntária, na época, confirmados posteriormente. Na primeira reunião anual com investidores e analistas, no fim de 2020, o próprio Brandão já havia sinalizado que eficiência era um dos pontos fortes da sua gestão. “Estamos na construção de uma agenda de eficiência”, disse, sem dar detalhes.

Após os panos quentes colocados pelo Ministério da Economia junto ao Planalto, Brandão aceitou permanecer no banco, mas, conforme pessoas próximas a ele, disse que não abriria mão do plano já desenhado. Entretanto, teria concordado em submeter à autorização prévia do Planalto ações no BB com impacto político. Essa seria, dizem fontes, a fatura que teria restado a Brandão pagar fora do banco.

Apesar da repercussão negativa do pacote, não será a primeira vez que o banco fechará agências sob a gestão Bolsonaro. Desde que o presidente assumiu, no início de 2019, o BB fechou as portas de mais de 400 agências, mais que o triplo das 112 programadas para o primeiro semestre de 2021. Em 2018, último ano do governo Michel Temer, também houve enxugamento da rede, com 127 unidades a menos. O movimento segue alinhado ao capitaneado pelos bancos privados, que têm diminuído a rede física com a maior digitalização dos clientes e a pressão da concorrência do lado das margens financeiras e rentabilidade.

A diferença entre a redução feita ao longo de 2018 e 2019 e o plano anunciado para 2021 está na velocidade e no objetivo. Lá atrás, as agências foram sendo fechadas aos poucos, uma de cada vez, para fazer ajustes na rede, sem alarde. Agora, quando a intenção é diminuir a rede como uma parte de um plano de reestruturação que envolve enxugar o quadro de funcionários via programas de desligamento voluntário, os encerramentos terão de ser feitos de maneira simultânea – o que gera um barulho maior e mais desgaste político.

No mercado financeiro, o anúncio foi recebido de forma positiva, com analistas que acompanham o BB elogiando o esforço do banco para se tornar operacionalmente mais eficiente e se alinhar às tendências de digitalização dos serviços financeiros. Eventuais mudanças no pacote, porém, preocupam.

Para o diretor de renda variável da Eleven Financial, Carlos Daltozo, qualquer revisão das medidas confirma ingerência política no BB, um problema que assombra o banco e que cobra seu preço com um desconto histórico em suas ações frente aos rivais privados. “O presidente Bolsonaro deveria se preocupar com a vacina. Uma mudança no pacote já é sinal claro de interferência política. Acho bem ruim”, afirma o analista de um banco estrangeiro, na condição de anonimato.

Fonte: Terra

 

CVM decide investigar rumores sobre saída de Brandão da presidência do BB

Publicado em:

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), responsável pela fiscalização de empresas com ações negociadas em bolsa de valores, abriu um processo para investigar os rumores sobre a suposta saída de André Brandão da presidência do Banco do Brasil.

O processo foi aberto pela Superintendência de Relações com Empresas da CVM na última sexta-feira (15).

Em nota, a CVM informou que o procedimento é rotineiro. “Processos dessa natureza são abertos rotineiramente no âmbito da supervisão das companhias abertas”, diz a nota.

Em comunicado de fato relevante divulgado no último dia 14, o Banco do Brasil informou à CVM que não recebeu nenhuma comunicação formal por parte do governo federal sobre uma eventual decisão de demitir o presidente André Brandão.

Segundo interlocutores do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro pediu ao ministro da Economia, Paulo Guedes, que demitisse Brandão da presidência do Bando do Brasil.

Bolsonaro teria se irritado com o anúncio do fechamento de cerca de 200 agências e com o plano de reestruturação do banco que prevê um programa de demissão voluntária com o objetivo de cortar 5 mil vagas.

Sanções da CVM

Caso constate alguma infração às leis ou a normas da autarquia, a CVM tem o poder de impor às companhias com ações negociadas em bolsa penalidades como advertências e multas.

Além disso, a autarquia pode considerar a empresa inabilitada para exercício da atividade pelo prazo máximo de 20 anos.

Em casos mais severos ou se a companhia for reincidente, a CVM pode temporariamente proibir a empresa de praticar determinadas operações ou mesmo de atuar no mercado de capitais, ainda que indiretamente.

Se a CVM entender que a companhia parou de praticar os atos ilícitos e corrigiu as irregularidades, a autarquia pode suspender o processo administrativo destinado a apurar eventuais infrações.

Caso recebam uma punição da CVM, as empresas podem recorrer ao Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN), órgão do Ministério da Economia.

Conhecido como “Conselhinho”, o CRSFN é responsável por julgar recursos contra sanções aplicadas pela CVM ou pelo Banco Central.

Nos processos de lavagem de dinheiro, o Conselhinho julga recursos contra penalidades aplicadas pela Unidade de Inteligência Financeira, antigo Coaf, e pela Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Fonte: Globo.com

BB: analistas defendem que saída de Brandão não afeta fundamentos da empresa

Publicado em: 14/01/2021

A proposta do Banco do Brasil (BB) de fechar 112 agências e desligar 5 mil funcionários abriu uma crise no governo e deve levar à demissão do presidente do banco, André Brandão, menos de quatro meses após sua posse. O jornal O Estado de S. Paulo apurou que o presidente Jair Bolsonaro decidiu demiti-lo pelo desgaste provocado com o anúncio, mas o ministro da Economia, Paulo Guedes, ainda tenta demovê-lo da ideia.

Embora a reestruturação do banco tenha agradado investidores e tenha sido considerada positiva pela equipe econômica para um reposicionamento do banco com enfoque no digital, o anúncio foi considerado inoportuno neste momento em que o Palácio do Planalto negocia apoio para os comandos da Câmara dos Deputados e do Senado Federal. A eleição está marcada para o início de fevereiro.

Em campanha pelo deputado Arthur Lira (PP-AL), Bolsonaro recebeu em um só dia oito deputados e ouviu reclamações sobre o fechamento de agências do BB em cidades menores. O presidente argumentou que não foi avisado antes do plano de reestruturação, embora Brandão tenha sido contratado exatamente com a missão de enxugar o banco.

Notícia no mercado

A notícia sobre uma possível saída de André Brandão no comando do Banco do Brasil (BBAS3) foi mal recebida pelo mercado, tanto que as ações da estatal apresentaram uma queda expressiva no pregão de ontem, tendo recuado 4,94% no fechamento, a R$ 37,55.

Em comunicado divulgado ao mercado nesta quinta-feira, o Banco do Brasil disse que não recebeu comunicação formal do governo sobre qualquer decisão no que diz respeito à saída do CEO. Hoje mais cedo, Bolsonaro foi questionado por um apoiador se demitiria Brandão. O presidente optou por se manter em silêncio.

Analistas de duas corretoras comentaram sobre o assunto e chegaram a um consenso: a demissão de Brandão é negativa, pois pode ser vista como interferência política do governo.

Segundo a Ativa Investimentos, a notícia coloca em xeque qualquer possibilidade de o Banco do Brasil assumir uma gestão mais liberal no momento. Na avaliação da XP Investimentos, ela sinaliza de maneira positiva para o mercado que o mandato de Brandão seria voltado para ganho de eficiência por meio de uma reestruturação organizacional. Ainda assim, à espera de uma confirmação, a corretora manteve recomendação de compra para o papel, com preço-alvo de R$ 43.

“Acreditamos que tal mudança não afetará os fundamentos do banco, devido a: i) um desconto de 15% ao valor patrimonial e 7 vezes P/L 2021 (preço sobre lucro), o que já poderia implicar em uma gestão abaixo da média; ii) defendido com uma boa carteira de crédito, menor exposição a receitas de serviços, elevados índices de liquidez e adequação de capital e tesouraria passiva; iii) digitalmente competitivo com o maior número de usuários ativos mensais de aplicativos e uma estratégia omnichannel; e iv) com vitaminas de curto prazo que poderiam aumentar os ganhos por meio de um menor custo de captação e provisões operacionais”, explicou.

As ações do Banco do Brasil seguem em trajetória de queda nesta quinta. Por volta das 12h05, os papéis caíam 0,21% a R$ 37,47.

Presidente quer continuar

Com sua permanência no cargo ameaçada, o presidente do Banco do Brasil, André Brandão, cumpre agenda “normalmente” e está “tranquilo”, disseram à CNN auxiliares diretos do executivo na instituição. Segundo executivos do BB, “Brandão está trabalhando normalmente com a tranquilidade de quem não deve nada”, relatou à coluna um auxiliar direto.

Segundo esse auxiliar, o executivo já esperava “desconforto político” com os recentes cortes anunciados. Auxiliares de Brandão afirmam que ele já esperava a reação política, mas que a medida era “necessária”. Dizem também que o executivo planejou algumas medidas para tentar amortecer esse impacto, como ampliação do número de correspondentes bancários.

Equipe econômica tenta segurar presidente 

A equipe econômica do governo federal busca uma “Solução Waldery” para o presidente do Banco do Brasil, André Brandão. Ficou ainda mais incomodado quando foi informado que o ministro da Economia, Paulo Guedes, sabia do movimento havia pelo menos um mês.

Como o ministro da economia, Paulo Guedes, tem muito apreço por Brandão, a operação em curso agora é para que ele saia dos holofotes como fez o secretário especial da Fazenda, Waldery Rodrigues Junior.

Fonte: Money Times com IstoÉ e CNN Brasil

 

 

 

Banco do Brasil vai priorizar parcerias em vez de venda de ativos, diz Brandão

Publicado em: 13/11/2020

O novo presidente do Banco do Brasil, André Brandão, afirmou nesta quinta-feira (5) que quer mudar a dinâmica de desinvestimentos da instituição para priorizar parcerias em negócios em vez da venda de ativos, como preconizado pelo seu antecessor no cargo, Rubem Novaes.

“Quero diminuir e tirar essa dinâmica de que é só venda de ativos. Quero discutir parcerias e voltar a discussão na centralidade dos clientes. Se tem algo que não é ‘core business’ do banco, está na esteira para vender. Mas a maioria das coisas que temos fazem parte do core e precisaremos melhorar a experiência do cliente”, afirmou o executivo em entrevista com jornalistas.

No comando do BB deste setembro, André Brandão assumiu a gestão do banco público após Rubem Novaes entregar seu pedido de renúncia do cargo a Paulo Guedes, em julho.

Segundo ele, a área de cartões — que estava em revisão à mando de Alves — é estratégica para o BB. Brandão também afirmou que deve buscar um novo sócio para o BB DTVM, braço de gestão de recursos do banco.

“Cartões e tudo o que é segmento de pagamentos é core business para o banco, então a discussão é sobre melhoria. Para BB DTVM, as discussões são sobre qual a melhor forma de atuar para ter melhores serviços e recomendações para clientes. Talvez a solução possa passar por uma parceria da mesma forma que aconteceu entre BB e UBS”, disse.

A parceria do banco público com o UBS foi formalizada em setembro e, segundo o vice-presidente de relações com investidores do BB, Carlos Hamilton, deve contribuir para melhorar as experiências na plataforma da instituição.

“Deve melhorar para pessoas jurídicas na perspectiva de captação e para pessoas físicas sob a ótica de captação. Ambos terão soluções mais completas no segmento de bancos de investimentos”, disse.

O novo presidente do BB também afirmou que um dos desafios de sua nova gestão é fazer com que o banco seja mais rentável. “Temos um banco resiliente e que teve resultados muito positivos neste ano, mas um dos efeitos colaterais é a rentabilidade um pouco aquém do que podemos ter. Um dos desafios será ter um posicionamento mais agressivo, com critérios claros de crédito para ativos com um pouco mais de risco. Há apetite e capital para isso”, afirmou.

Brandão afirmou que para melhorar a rentabilidade do banco deve reduzir despesas e aumentar a atuação do BB no crédito, integrando as diversas linhas de negócio.

“Tenho insistido para termos metas cruzadas, porque podemos fazer a integração dos modelos de negócio. Extrair mais valor de um cliente de atacado no varejo, por exemplo, ou de um cliente do governo no atacado. Tem extração de valor que vai além do empréstimo”, afirmou Brandão.

O executivo disse ainda que a dinâmica de integração também é válida para o segmento do agronegócio. “Nenhum outro banco tem tanta informação sobre o setor, o que é bem importante para nós. Podemos fazer muita coisa em conjunto, entrar na cadeia produtiva com clientes do atacado e middle Market [médias empresas] para o financiamento, vincular produtos a pessoas físicas e até private banking. Tem extração de valor que vai além do empréstimo e não quero mais ver o BB perder share [participação] nesse setor”, afirmou Brandão.

Fonte: Click PB

 

Perto de André Brandão, Rubem Novaes ficou um nanico à frente do BB

Publicado em: 24/09/2020

Comparações são inevitáveis. E os funcionários do Banco do Brasil não estão fazendo por menos. Já no primeiro dia de André Brandão na presidência da instituição, a percepção foi clara: Rubem Novaes, que deixou o comando do BB nesta semana, transformou-se em um nanico.

Para os funcionários do Banco do Brasil, a primeira grande diferença entre Brandão e Novaes é a humildade. No primeiro dia de trabalho, o novo presidente do BB abriu espaço na agenda para visitar uma agência de varejo, para ver como é o atendimento ao público. Novaes tinha horror a isso.

Brandão foi caminhando da sede do Banco do Brasil até uma agência próxima para conversar com os funcionários. Também interagiu com os empregados da instituição, agradecendo as boas-vindas por meio de comentários feitos na agência de notícias interna.

Novaes falava muito mal de Brasília

Rubem Novaes não prezava por essa proximidade. Na verdade, sempre que se aproximava de funcionários era para falar mal de Brasília, cidade que, na visão dele, só abriga corruptos. Isso incomodava muito os subordinados.

As comparações entre Brandão e Novaes foi visível em todos os níveis da empresa. E houve quem afirmasse, de forma enfática, que Novaes foi um dos piores presidentes que o Banco do Brasil já teve. Por isso, a sensação de alívio.

Segundo os funcionários, em vez de se focar na gestão do banco, Novaes só se preocupava em criar polêmicas, como a privatização do banco, além de ser extremamente ideológico. O próprio ministro da Economia, Paulo Guedes, quando convidou Brandão para assumir a presidência do Banco do Brasil, disse que precisava de um gestor, de um executivo.

Fonte: Blog Correio Braziliense

André Brandão é confirmado no comando, em meio à gula do Planalto por cargos no BB

Publicado em: 20/08/2020

O Banco do Brasil recebeu no dia 14 de agosto a comunicação formal do Ministério da Economia sobre a indicação de André Guilherme Brandão para a presidência da instituição. Agora, o BB vai iniciar os procedimentos de governança necessários para confirmar a elegibilidade do executivo – ex-presidente do HSBC no Brasil e que era head de Global Banking e Markets para as Américas da instituição.

Brandão vai entrar no lugar de Rubem Novaes, que deixou o posto no mês passado. Em entrevistas, Novaes alegou que sua saída estava atrelada à necessidade de “dar lugar a alguém da geração digital”. Mas ele criticou também o que chamou de “cultura apodrecida de Brasília”, referindo-se a dificuldades para fazer aprovar propostas de cunho liberal dentro do governo.

Recentemente, em meio a comentários sobre a demora para a oficialização do nome de Brandão no cargo, o ministro da Fazenda, Paulo Guedes, teve de acalmar os ânimos do mercado. Nesta semana, ele disse que o executivo estava confirmado no cargo, mas precisaria de mais alguns dias para se desvincular da sua função no setor privado. Brandão ainda teria, por exemplo, de vender as ações que detinha no HSBC antes de começar a trabalhar no banco público.

Planalto de olho em cargos

A saída de Rubem Novaes da presidência do Banco do Brasil reacendeu, entre integrantes do Palácio do Planalto, o apetite para abocanhar algumas funções estratégicas na instituição, em especial, nas áreas de comunicação e marketing. Para isso, tiraram da gaveta o discurso de que, passados quase dois anos de governo Bolsonaro, ainda não houve a despetização total do maior banco público do país.

Citam, como exemplo, Paulo Rogério Caffarelli, que presidiu o BB e, hoje, está no comando da Cielo, empresa de maquininhas de cartões na qual a instituição tem participação acionária, mas é controlada pelo Bradesco.

Na cabeça desse povo, Cafarelli, que foi secretário executivo de Guido Mantega no Ministério da Fazenda, é petista e deixou uma série de seguidores no Banco do Brasil. Em nota enviada ao Blog, diz que é um técnico e sempre exerceu, de forma profissional, todos os cargos pelos quais passou, seja no governo, seja na iniciativa privada.

Veja a nota de Caffarelli:

“Gostaria de registrar que sou técnico concursado e exerci vários cargos no Banco do Brasil por mais de 37 anos de carreira. Ocupei a secretaria executiva do Ministério da Fazenda entre 2014 e início de 2015, presidi o Banco do Brasil na gestão do presidente Michel Temer por um ano e meio, como ocupei cargos importantes no BB na gestão Fernando Henrique Cardoso. Portanto, é totalmente descabido e leviano tentar vincular o meu nome a qualquer partido político. Sempre exerci minhas funções de forma profissional, seja no governo ou na iniciativa privada. Registro ainda que não tenho qualquer ingerência na atual gestão do Banco do Brasil.”

Fonte: IstoÉ Dinheiro (com Blog do Correio Braziliense)