Era digital fecha bancos e deixa clientes “órfãos” em Campinas

Publicado em: 06/03/2020

Quem costuma frequentar a região central de Campinas já percebeu a mudança de endereço de algumas agências bancárias e o fechamento de outras. Isso tem ocorrido com mais frequência no últimos meses, e a desativação de duas delas em plena Avenida Francisco Glicério e na Avenida Moraes Sales evidenciou ainda mais essa mudança.

O fechamento da agência do Santander e a mudança de uma unidade do Bradesco na Glicério, além do fechamento da agência do Itaú, na Moraes Sales, é uma tendência não só em Campinas, mas em todo o Brasil e tem afetado os principais bancos do país.

A maior parte dos principais bancos não fala em fechamento de agências, mas sim de “readequação de endereço” com “foco em atender a transformação da demanda dos clientes”. Porém, no ano passado, os grandes bancos privados fecharam as portas de 430 agências em todo o país.

Em Campinas, desde 2017, foram encerradas as operações de ao menos nove agências bancárias dos principais bancos: Santander, Bradesco, Itaú e Banco do Brasil, algumas delas na região central.

No país, a redução das agências físicas foi mais visível no Banco do Brasil, que diminuiu 11% suas estruturas tradicionais nos últimos anos, para 3.684 agências. Em Campinas, no mesmo período, o BB fechou três agências, uma no distrito de Sousas, outra no aeroporto Internacional de Viracopos e no São Quirino.

No Brasil, o Santander seguiu na contramão e teve uma alta de 1,8% no número de instalações no Brasil. Em Campinas, o banco encerrou a atividade em duas unidades, na Glicério e outra na Rua General Osório, ao lado do Palácio da Justiça.

O encerramento das operações se deve a vários fatores, mas o aumento das operações digitais, que diminui a dependência de profissionais, e a preocupação com a concorrência das fintechs (empresas que usam tecnologia para oferecer serviços financeiros) ligaram o alerta para o ajustamento das gigantescas estruturas dos bancos para essa nova realidade que tem o custo bem mais baixo de operação.

NO DIA A DIA

A vendedora Carolina Araújo, que trabalha em uma banca de produtos eletrônicos na Avenida Francisco Glicério, passou a atender diariamente clientes “perdidos” em busca de uma agência bancária que já não existe mais na via. A agência do Santander fechou no mês passado, mas muitas pessoas chegam ao local sem saber do fechamento.

“A gente atende muitas pessoas, porque elas olham e ficam sem entender. Vêm perguntar para gente o que aconteceu. Eles colocaram o aviso indicando que agora a agência foi realocada junto a outra, então a gente mostra onde fica”, disse a funcionária. O novo local fica também na mesma avenida, porém cerca de quatro quarteirões adiante.

O mesmo ocorre na Rua General Osório. Lá, a agência do Santander foi encerrada e muita gente quando procura dá de cara com uma financeira. “Levei um susto porque tem uma outra empresa. Sempre aproveitei essa agência, mas agora passei a usar outra”, afirmou a contadora Elisa Sares.

Na Avenida Moraes Sales, uma agência do Itaú fechou há cerca de quatro meses. Segundo o comerciante Odemir Toledo, que tem uma banca de salgados em frente à antiga agência, muitas pessoas aparecem no local procurando informações sobre o banco. “Eu acabei de atender uma mulher que estava perdida e não sabia do fechamento. Por dia, são pelo menos umas três pessoas que vem aqui pedindo informações, e a gente indica para as duas agências mais próximas daqui”, disse o comerciante.

Segundo Toledo, antes de sair, o banco justificou o fechamento por causa do aumento serviços digitais, feitos por aplicativos e na internet. “Eles falaram que a tendência é essa, que estavam fechando essa e mais 200 por causa que hoje em dia o serviço é mais digital. A gente fica com dó dos funcionários né? E dos idosos que usam mais a agência, mas pelo jeito a tendência é essa”, comentou.

EMPREGO

O setor bancário brasileiro eliminou 9.463 postos de trabalho em 2019. Somente em dezembro foram extintas 680 vagas. Os dados são do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), compilados pelo Ministério da Economia. Fechamento de posto de trabalho caracteriza a extinção de uma vaga (demissão de um trabalhador sem que outro seja contratado para a mesma função).
A presidente do Sindicato dos Bancários de Campinas e Região, Ana Stela Alves de Lima, afirmou que esse novo cenário já vem de um bom tempo. “Antes dessa onda digital houve muitas fusões e aquisições dos grandes bancos no país. Com isso enxugaram agências próximas que passaram a ter o mesmo gerenciamento. Infelizmente no Brasil temos uma concentração bancária muito grande”, analisou.

“No começo, alegam que o trabalhador da agência comprada vai continuar atuando na nova bandeira, mas com o tempo, as demissões acontecem. É natural. Mas isso reflete na cadeia toda, porque você tem também os vigilantes e o pessoal da faxina e do café. Então, reflete no emprego de forma geral e dificulta a vida das pessoas, principalmente as que não são digitalizadas”, argumentou.

Até setembro de 2019 (o lucro do quarto trimestre ainda não foi divulgado), os cinco maiores bancos do país (Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal) lucraram R$ 80 bilhões, aumento de 23,6% em relação ao mesmo período de 2018. Essas cinco instituições financeiras representam 90% do total de empregos no setor bancário.

OUTRO LADO

Por meio de nota o Bradesco informou que não houve fechamento de agências e sim uma reestruturação das unidades que passaram a ter um novo modelo de atendimento. Os clientes do banco continuam a ter acesso aos mesmos serviços prestados anteriormente

Já o Santander disse que no ano passado no país, foram abertas 45 agências, passando de 2.283 para 2.328 locais. Além disso, o banco afirma que as agências físicas conviverão com o digital, sejam como espaços de atendimento especializados/vocacionados.
Ainda segundo o Santander, em Campinas, está previsto uma nova agência no Campo Grande e um work/café no shopping Iguatemi ambos com previsão de abertura ainda neste ano.

O Itaú afirmou que a redução do número de unidades físicas é um movimento de reposicionamento da rede de agências, coerente com as novas necessidades dos clientes e com o aumento da procura por atendimento em outros canais como internet, celular e agências digitais.

O Banco do Brasil informou que revê, permanentemente, a dotação de sua rede de agências. A principal intenção é aprimorar a experiência do cliente e esse movimento surge a partir da contínua melhoria e digitização de processos e produtos, a revisão e o aperfeiçoamento do modelo de atendimento e de relacionamento e o desenvolvimento de soluções para os canais digitais. No BB, mobile e internet já respondem por 80% de todas as transações, levando mais comodidade e conveniência aos clientes. (Com informações da Folhapress)

Fonte: Cidade Aon

Por segurança, BB quer reduzir horário de terminal eletrônico

Publicado em: 02/12/2016


Por medida de segurança, o Banco do Brasil irá reduzir o horário de atendimento dos caixas eletrônicos em algumas agências de Americana, Capivari, Limeira, Piracicaba e Santa Bárbara d’Oeste a partir do dia 28. Os equipamentos só irão funcionar das 9h às 18h e em dias úteis. A instituição não descarta estender a restrição para outras praças.
Consumidores reclamam da medida, já que a finalidade desses dispositivos é justamente atender fora do horário comercial. Para especialistas em segurança, a providência é paliativa e não resolve o problema, que, para ser sanado, depende de investimentos dos bancos em segurança patrimonial e de patrulhamento ostensivo por parte da polícia. Além disso, para os profissionais do setor, é um atestado de que não está havendo um controle desse tipo de crime, o que é preocupante.
Segundo a Federação dos Bancos (Febraban), as salas de autoatendimento são uma facilidade oferecida voluntariamente aos clientes, não havendo normativa que estabeleça um horário obrigatório de funcionamento para os terminais. A federação cita a Resolução 2.932, de 28/02/2002, do Conselho Monetário Nacional (CMN), que define como obrigação dos bancos apenas o atendimento nas agências de cinco horas diárias ininterruptas.
No entanto, para o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) Campinas, essa leitura é restrita e equivocada e, se a limitação nos horários dos caixas eletrônicos for adotada na cidade, o órgão tomará as medidas cabíveis. “O consumidor não pode ser prejudicado por um risco já embutido na atividade bancária. O banco não pode negar o serviço depois do costume já imposto. Não pode mudar um atendimento já consolidado e que já foi contratado com o pagamento das taxas de serviço. Não pode mudar as regras no meio do jogo. Não se abstrai uma oferta já contratada”, informa Francisco Togni, responsável pelo órgão.
Além desses aspectos, Togni ressalta que as alternativas de atendimento propostas pelo Banco do Brasil (internet e telefone) não suprem a necessidade do dispositivo físico. “O valor em espécie não pode ser pego on-line.” Quanto às casas lotéricas, elas não funcionam até as 22h.
A orientação de Togni para os clientes é de que façam as queixas ao Procon, cujo aplicativo eletrônico conta inclusive com um dispositivo para o envio de fotografias.
Para a atendente Aline Gomes da Silva, de 27 anos, caso a medida seja adotada em Campinas será “de fato muito ruim”. “Eu sou contra porque trabalho e aproveito esse horário para poder vir ao banco.” De mesma opinião é o autônomo Luiz Augusto Brito, de 33 anos, que usa frequentemente os caixas eletrônicos. “Vai piorar para quem? Para o cliente. As taxas já são caras, e o banco só abre às 10h. Agora imagine se só funcionar até às 18h. Como vai ser?”.
Para o aposentado Tadeu Godoy, de 71 anos, “o que previne assaltos é positivo, mas, por outro lado, é questionável uma regra que vai prejudicar justamente o consumidor”.
O especialista em segurança pública José Henrique Spécie, professor da Faculdade de Direito da PUC-Campinas, aponta que a restrição atrapalha o usuário mesmo sob a justificativa de que diminuirá os assaltos. “É um atestado de que não está havendo um controle desse tipo de crime, o que é preocupante.”
De acordo com o especialista, são necessárias medidas amplas e efetivas, resultantes de uma ação entre os bancos — que precisam investir maciçamente em segurança patrimonial — com os órgãos de segurança pública, que precisam dispor de um patrulhamento ostensivo. Para ele, a existência de portas de vidro rentes às calçadas são um dos vários exemplos de vulnerabilidade que podem ser facilmente apontados e que precisam mudar.
O Correio entrou em contato nesta quinta-feira com o Banco do Brasil e com a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP-SP), por e-mail e telefone, mas ambos não se pronunciaram sobre os questionamentos da reportagem até o fechamento desta edição.
MUDANÇAS
Em Americana, a restrição do horário dos caixas eletrônicos será tomada nos terminais da Avenida Cillos e da Praça XV; em Santa Bárbara, na agência da Rua 15 de Novembro; e, em Piracicaba, nos terminais da Rua Prudente de Moraes, no Centro; da Avenida Madre Maria Teodora, no Jardim Paulista; e no da Avenida Rui Barbosa, na Vila Rezende. Em Limeira, ainda não há data prevista nem informações sobre os dispositivos que serão afetados.
Fonte: http://correio.rac.com.br/_conteudo/2016/11/campinas_e_rmc/457000-bb-quer-reduzir-horario-de-terminal-eletronico.html