BB aposta em carteira de pessoa física para melhorar margem financeira

Publicado em: 12/03/2026

O Banco do Brasil sempre teve um perfil um pouco diferente dos rivais privados, com sua carteira dividida basicamente em três partes iguais entre pessoa física, pessoa jurídica e agronegócio. Isso lhe garantia, inclusive, uma inadimplência média menor que os rivais, já que as operações no agro têm mais garantias. Agora, no entanto, com uma situação conjuntural bem complexa no campo, o banco estatal quer crescer mais em pessoa física, onde vê um melhor retorno ajustado ao risco.

A projeção (“guidance”) do BB é ampliar sua carteira de crédito este ano entre 0,5% e 4,5%, mas com uma boa diferença entre os portfólios. Enquanto em PF a expansão deve ser de 6% a 10%, em PJ deve ficar entre queda de 3% e alta de 1%; e no agro, entre baixa de 2% e crescimento de 2%, isso mesmo em um ano em que se espera uma nova safra recorde.

No fim de 2025, da carteira total expandida de R$ 1,296 trilhão do BB, 27,5% eram de PF; 35,8%, de PJ; e 31,3%, agro. Dentro da carteira para famílias, 31,3% do portfólio do banco está no consignado público, em que já é muito forte. Nos últimos anos, tem expandido também a atuação no consignado INSS, e em meados do ano passado entrou com força no novo consignado privado lançado pelo governo. Só nessa vertical, já originou R$ 13 bilhões.

Recentemente, ao divulgar os resultados do quarto trimestre, a presidente do BB, Tarciana Medeiros, comentou que o banco quer chegar a uma participação de mercado de 20% no consignado privado. Ela lembrou ainda a aprovação da isenção do imposto de renda (IR) para quem ganha até R$ 5 mil, “que, na prática, aumentou a renda disponível para milhões e milhões de brasileiros” e vai gerar um espaço para uma expansão de até R$ 28 bilhões em limite de crédito no consignado. “A gente vai buscar o ajuste do fluxo financeiro desses clientes ao longo do ano, mas, na expansão do crédito, traz oportunidades muito interessantes”, afirmou.

O vice-presidente financeiro do BB, Geovanne Tobias, afirmou que a instituição terá uma sala VIP exclusiva no terminal 3 do Aeroporto de Guarulhos, que deve começar a operar em maio, e também outra em Brasília. “Ainda estamos avaliando outras localidades.” A novidade faz parte da estratégia do BB para ampliar a carteira de pessoa física, delimitando o público-alvo, inclusive o alta renda. O banco lançou em novembro um novo cartão premium, o Visa Altus Liv, e também reformulou recentemente o segmento de alta renda, chamado BB Estilo.

Expansão em pessoa física deve ser de até 10%; agro pode ficar entre baixa de 2% e avanço de igual magnitude. “Vamos focar em públicos estratégicos, em perfis de clientes que conhecemos”, comentou Tarciana. Tobias lembrou ainda que o banco começou a permitir, no fim do ano passado, que clientes parcelassem as faturas do cartão de crédito que estão em atraso, seguindo o exemplo de outros bancos que já fazem isso.

No início da pandemia de coronavírus, em 2020 e 2021, o BB, assim como os outros grandes bancos incumbentes e os players digitais, acelerou muito a emissão de cartões, e depois viu um aumento da inadimplência, sendo obrigado a rever essa estratégia de conquistar novos relacionamentos no chamado “mar aberto’.

Questionada sobre esse ponto, Tarciana explicou que o banco será mais conservador desta vez, focando em quem já é cliente da base e especialmente no público de alta renda. “No crédito não consignado, que é onde no passado nós tivemos algumas questões, o foco vai ser em públicos estratégicos.” Mas também emendou com um verso de Lulu Santos: “nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia”.

Sobre a recomposição do caixa do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), após os desembolsos em função do caso Master, Tobias afirmou que a antecipação de cinco anos de contribuição ao fundo deve custar cerca de R$ 5 bilhões ao banco. Além disso, a alíquota extraordinária que o FGC deve cobrar custará mais cerca de R$ 450 milhões ao BB por ano. Segundo ele, todo esse contexto vai gerar uma perda de receita financeira para o setor bancário em geral, “e o regulador está ciente disso”. Ainda assim, ele evitou defender publicamente uma redução dos compulsórios. “Isso tem de ser perguntado à Febraban”, limitou-se a dizer.

Fonte: Televendas e Cobrança

BB oferece carência em linhas de crédito para clientes Pessoa Física

Publicado em: 02/04/2020

Para apoiar os clientes em eventuais necessidades financeiras durante este período de impacto econômico em virtude do coronavírus, o Banco do Brasil disponibiliza linhas de Crédito Direto ao Consumidor – CDC, com carência para o pagamento:

  • BB Crédito Salário: carência de até 180 dias para pagar a primeira parcela, e até 72 meses para pagar;
  • BB Crédito Automático: carência de até 60 dias para pagar a primeira parcela, e até 96 meses para pagar;
  • BB Crédito Consignado: carência de até 180 dias para pagar a primeira parcela, conforme condições de cada convênio, e até 96 meses para pagar.

As renovações de operações já contratadas poderão ter os mesmos prazos de carência. Há também a possibilidade de flexibilizar o cronograma de pagamento (Pula Parcela), ficando 1 ou 2 meses sem pagamento de parcela em todos os anos da vigência do contrato.

A possibilidade de renovação está disponível nos canais digitais (App BB e internet).

No App BB: Acesso pelo menu Empréstimos – Crédito Consignado/Pessoal – Contratar – Renove seu crédito.

Na Internet: Acesso pelo menu Empréstimo – Renovação de empréstimos.

Mais informações estão disponíveis em https://www.bb.com.br/emprestimo

Reforço em linhas de crédito

O Banco do Brasil já havia disponibilizado, no último dia 18 de março, R$ 24 bilhões para reforçar suas linhas de crédito voltadas para pessoas físicas.

O reforço de recursos ocorre nas linhas de crédito pessoal (crédito consignado, crédito salário e crédito automático). Os recursos podem ser contratados por todos os clientes que possuam limite de crédito definido no BB para essas linhas, até o valor aprovado para cada cliente. Como medida adicional, o BB também ampliou os limites de crédito de 13 milhões de clientes pessoas físicas, o que adicionou mais R$ 18 bilhões aos limites atualmente concedidos.

Fonte: Banco do Brasil

Diretor do BB diz que inadimplência na alta renda é menor

Publicado em: 02/12/2016


As condições gerais de crédito custam a apresentar alguma melhora, mas a fonte não seca para um grupo de mais alta renda que, pelo bom histórico de pagamento, está sempre na mira dos bancos. Enquanto as concessões gerais do crédito direto ao consumidor caíram 8,3% nos 12 meses até setembro, o varejo de alta renda – atendido por meio de bandeiras como Personnalité, Prime, Premier, Estilo, Van Gogh e Select – segue recebendo ofertas de crédito, muitas vezes de maneira bastante insistente, por diferentes canais.

É um tipo de abordagem comum, dizem especialistas, mas que se acentua em cenário de risco elevado, no qual o bom histórico de pagamento da alta renda fala mais alto e favorece o grupo. O Banco Central não abre as informações sobre inadimplência por faixas, mas um exemplo do que ocorre em algumas linhas de crédito do Banco do Brasil (BB) ilustra bem esse movimento.

No cheque especial, por exemplo, enquanto o índice de inadimplência do banco está ao redor de 7%, entre os clientes com renda acima de R$ 8 mil não chega a 1%, diz Edmar Casalatina, diretor de empréstimos e financiamentos do Banco do Brasil. No consignado, a inadimplência está em 1,3% na linha geral. Para esse público, ela cai para 0,7%.

Para João Augusto Salles, da consultoria Lopes Filho, a inadimplência nas faixas mais baixas de renda está mais elevada, especialmente em razão do desemprego. Como os gerentes de banco continuam sendo extremamente cobrados para engordar a carteira, acabam voltando suas baterias à alta renda. “O banco refuta a base da pirâmide e faz estratégia agressiva na outra ponta”, afirma.

Mesmo tendo vendido suas operações de varejo para o Itaú e aguardando apenas a chancela do regulador ao negócio, o Citibank entrou outubro com ofertas agressivas de crédito pessoal. Para um cliente com renda mensal a partir de R$ 10 mil, os valores chegavam a R$ 50 mil ou R$ 60 mil. Tudo em 48 meses, ou dez meses acima da média registrada pelo crédito pessoal geral, segundo o BC.

O Valor teve acesso a propostas com taxas de juros de 3,9% ao mês, ou taxa efetiva de 63,72% ao ano. O percentual fica muito abaixo da taxa média cobrada em empréstimo pessoal feito com recursos livres que, segundo o BC, subiu quase três pontos percentuais de agosto para setembro, chegando a 135,1% ao ano – de longe, a maior da série histórica iniciada em 2011.

Um pouco antes do Dia das Crianças, o Bradesco oferecia uma linha especial a seus clientes Prime reforçando a ideia de “tornar a data inesquecível”. Um deles, recebeu uma oferta, por mala direta, de um limite de crédito pessoal capaz de marcar o dia de não uma, mas de várias crianças. O folheto oferecia R$ 24,8 mil e indicava que as condições do empréstimo precisavam ser consultadas na agência ou por telefone – algo que o cliente não fez.

Bastante agressivo, o Santander tem buscado convencer os seus clientes de alta renda, especialmente por telefone, a aceitar ofertas que chegam a R$ 100 mil. A insistência do banco tem incomodado parte dos clientes que, na tentativa de se desvencilhar da oferta, não querem nem ouvir as condições do empréstimo. “Sinto que meu banco tenta me pegar pelo braço. Aperto o botão para sacar R$ 100 e tem R$ 30 mil disponíveis para mim”, conta uma fonte.

Os bancos se defendem dizendo que, mesmo em um cenário difícil, não deixam ninguém, nem mesmo os clientes de menor renda, na mão. “Não fizemos nenhuma restrição quanto à renda”, diz Casalatina, do BB. Segundo o executivo, o que existe são taxas de juros diferenciadas para clientes que têm grau de relacionamento maior com o banco, o que é comum no mercado.

Cássio Schmitt, diretor de produtos de créditos e recuperação para pessoa física do Santander, explica que o banco tem mantido e estimulado o crédito independentemente da faixa de renda, após um período de ajustes internos no segmento. A taxa de inadimplência da carteira de pessoa física, diz Schmitt, saiu de 7% em 2012 e hoje está em 4,5%.

Schmitt reconhece que o banco faz aproximações com clientes sem que tenha sido provocado, mas diz que boa parte das ofertas tenta, na verdade, detectar as vontades do público. “Se o cliente faz a cotação de crédito em um dos nossos canais faz mais sentido ofertar para ele”.

Segundo o executivo do Santander, o objetivo é retomar de uma maneira que chama de “consciente” as ações de estímulo ao crédito, em especial os menos voláteis, como o imobiliário ou com garantia de imóvel ou veículo. O balanço do terceiro trimestre banco sinalizou melhora do crédito nessas linhas.

No geral, as condições de crédito pessoal com recursos livres pioraram de uma maneira significativa nos últimos dois anos. Uma olhada mais atenta aos números mostra, porém, que os juros subiram bem mais rápido do que os atrasos. Enquanto a inadimplência subiu pouco mais de dois pontos, de 7,24% em setembro de 2104 para 9,61%, os juros cobrados ao ano saltaram quase 40 pontos, de 96% para 135,1%.

Salles, da Lopes Filho, avalia que a inadimplência só não é maior porque os bancos estão empenhados em renegociar dívidas e repactuar o crédito para outras linhas mais baratas, como o consignado privado. Mas a retomada das operações deve ficar para o segundo trimestre do ano que vem. “Os bancos têm abundância de recursos e querem emprestar, mas a demanda está muito reprimida. Não vemos melhoria no curto prazo”.

Fonte: http://www.valor.com.br/financas/4765029/oferta-de-credito-alta-renda-vira-estrategia