O que esperar do Banco do Brasil em 2026? Recuperação lenta e gradual

Publicado em: 08/01/2026

Após um período de desempenho excepcional entre 2021 e meados de 2024, o Banco do Brasil (BBAS3) entrou em uma fase bem mais desafiadora em 2025, marcada por deterioração do crédito rural, queda expressiva da rentabilidade e forte correção das ações.

A melhora desse cenário ainda não deve vir toda em 2026, segundo Daniel Utsch, gestor de renda variável da Nero Capital, que classifica o momento atual como resultado de uma “tempestade perfeita” após um ciclo extraordinariamente favorável.

Segundo o gestor, o banco colheu frutos relevantes nos anos recentes. “O Banco do Brasil teve um desempenho excelente, muito acima da expectativa, entre 2021 e meados de 2024”, afirma. Esse resultado foi impulsionado por um ciclo do agronegócio bastante positivo, pela forte presença da carteira de funcionários públicos federais e por um retorno sobre patrimônio (ROE) que superou os 20%, patamar historicamente elevado para a instituição.

O cenário começou a mudar há cerca de um ano e meio. A piora significativa do agronegócio levou a inadimplência a níveis recordes, pressionando a rentabilidade. “Agora tem um ano e meio que passa, entre aspas, por uma tempestade perfeita, puxada pelo agro, que piorou demais”, diz Utsch. Como consequência, o ROE recuou para cerca de 8,5%, bem abaixo do observado no auge do ciclo.

Na avaliação do gestor, o problema atual do agro é majoritariamente conjuntural. Apesar de os preços das commodities agrícolas ainda estarem relativamente favoráveis quando comparados ao câmbio em uma perspectiva histórica, o setor sofreu forte aumento de custos nos anos anteriores. “Muitos produtores talvez tenham investido mais do que deveriam e assumiram uma alavancagem mais alta”, explica.

Esse movimento foi mais intenso entre pequenos e médios produtores, especialmente no Sul do país, com destaque para o Rio Grande do Sul. “O produtor enorme do Mato Grosso não teve tanto essa característica, mas os pequenos e médios do Sul, sim”, afirma. É justamente nesse segmento que o Banco do Brasil possui maior exposição, o que, segundo Utsch, não é inesperado, dado o papel histórico da instituição. “É exatamente onde o Banco do Brasil tem a sua maior exposição naturalmente, porque ele tem o seu objeto social de fomentar o negócio.”

Além do choque de custos e de preços menos favoráveis, o cenário climático adverso da última safra contribuiu para o pico de inadimplência observado. Para enfrentar esse quadro, o banco vem adotando uma série de medidas internas. “O banco está com uma série de iniciativas de renegociação, extensão de prazo e rolagem”, diz o gestor, ressaltando que a estratégia busca permitir uma reação efetiva da inadimplência ao longo do tempo, e não apenas adiar o problema.

A expectativa, segundo Utsch, é de alguma melhora com a acomodação do ciclo do agronegócio, mas sem uma recuperação plena no curto prazo. “A gente espera uma melhora, mas ainda não vem toda provavelmente nesse ano de 26”, afirma. Um retorno sobre capital acima do custo de capital, na visão do gestor, deve ficar mais para frente. “Isso deve vir mais para 27, 28 talvez.”

Enquanto isso, o mercado segue refletindo esse cenário nos preços das ações. O papel do Banco do Brasil acumula queda de cerca de 35% a 40% em relação às máximas e hoje negocia próximo de 0,7 vez o valor patrimonial, com múltiplos entre 4,5 e 5 vezes o lucro. “É uma queda relevante, óbvio que aconteceu, mas a gente acha que vai ter uma reversão”, diz Utsch, ressaltando que a tese é voltada ao longo prazo. “Talvez a reversão não ocorra rapidamente, então não há do nosso lado um otimismo de curtíssimo prazo.”

Além dos desafios operacionais, o gestor destaca o risco político associado ao fato de o Banco do Brasil ser uma estatal. “A gente tem um ano eleitoral, uma eleição que muito provavelmente para o mercado vai ser bastante binária, polarizada, e isso reflete também nas ações”, afirma.

Embora o banco não seja visto hoje como um ativo político tão sensível quanto em outros momentos, esse fator tende a ganhar peso ao longo de 2026, especialmente à medida que o calendário eleitoral avança.

Ainda assim, na visão da Nero Capital, o valuation deprimido e a perspectiva de normalização gradual sustentam uma posição construtiva para quem tem horizonte mais longo. “A gente gosta da posição olhando para um prazo mais longo”, conclui Utsch, mesmo reconhecendo que o caminho até a recuperação deve ser lento e sujeito a volatilidade.

A XP acredita que uma melhora nos indicadores de inadimplência pode ocorrer em 2026; no entanto, não há expectativa de reversão de provisões, que só devem acontecer quando os produtores demonstrarem comportamento de pagamento consistente, menor alavancagem, garantias mais robustas e ciclos de fluxo de caixa mais saudáveis.

“As melhorias serão graduais, pois a reversão de provisões depende de reduções mensuráveis ​​e progressivas nas perdas esperadas. No longo prazo, o crédito rural continua sendo um negócio essencial, mas a carteira deve crescer em um ritmo mais lento, com disciplina de risco mais rigorosa e maior seletividade na concessão de crédito”, apontam os analistas. A XP tem recomendação neutra para os ativos BBAS3, com preço-alvo de R$ 25.

Fonte: Infomoney

Banco do Brasil amarga 2025 dramático, mas pode ser a ação para 2026

Publicado em: 12/12/2025

O motivo da euforia faz sentido. Durante quatro anos, entre 2021 e 2024, o BB foi um fenômeno da bolsa, atraindo uma gama de mais de 1 milhão de investidores — a estatal tem uma das maiores bases acionárias do mercado.

Impulsionado pelos seus gordos proventos e pela resiliência operacional, o Banco do Brasil surfou o excelente momento do agronegócio brasileiro, beneficiado pela disparada dos grãos, como soja e milho.

A invasão da Rússia à Ucrânia — importante produtor agrícola — bagunçou os preços globais, impulsionando o setor e, consequentemente, o maior financiador do agro: o BB.

Para se ter uma ideia do salto, o lucro anual pulou de R$ 12,6 bilhões, em 2020, para o recorde histórico de R$ 38 bilhões, em 2024 — alta de 200%, suficiente para deixar qualquer investidor mal-acostumado.

Mas, ao que parece, o banco gastou toda a “sorte” nesse período. Se os anos anteriores foram de bonança, 2025 foi um ano para esquecer — ou “desastroso”, nas palavras de um gestor ouvido pelo Money Times.

O ROE (retorno sobre patrimônio líquido) despencou dos desejados 20% para 8%. O lucro caiu 60%, para R$ 3,8 bilhões. Nos tempos áureos, o banco chegou a registrar quase R$ 10 bilhões em um único trimestre.

Na bolsa, enquanto outros bancos — como Itaú, Bradesco e BTG — dispararam mais de 50%, o Banco do Brasil deve encerrar o ano com queda de 10%. Em relação à máxima de 2025, o tombo chega a 29%.

Tempestade perfeita

Como na queda de um avião, um desastre raramente tem um único motivo — e, no caso do BB, não é diferente.

A primeira peça desse dominó foi a mudança nas regras do CMN (Conselho Monetário Nacional). A resolução nº 4.966/21, que passou a valer neste ano, alterou a forma de provisionamento das carteiras.

Se antes os bancos registravam provisões quando as perdas aconteciam, agora são obrigados a antecipar riscos. Em outras palavras: trocaram as perdas realizadas pelas perdas esperadas.

A regra mais dura veio justamente quando o agronegócio — antes o bastião do banco — enfrentou uma explosão de inadimplência.

Em 2025, o índice atingiu 8%, nível recorde, segundo a Serasa. E, para piorar, a maior parte dos calotes veio do setor financeiro.

O resultado foi um salto no colchão contra a inadimplência, o PDD, que subiu de “elevador”, como os executivos do banco descrevem.

Só no terceiro trimestre, o BB foi obrigado a elevar a provisão em 52%, para R$ 100 bilhões, afetando diretamente o lucro.

Nos cálculos de um gestor que conversou com o Money Times, considerando a inflação, isso representou uma perda real de 11% no desempenho das ações. E, comparado à bolsa — que renovou recordes —, o BB deixou quase 40% de performance na mesa.

Para completar, sem os lucros robustos do passado, o banco reduziu o payout (parcela do lucro distribuída como dividendos) para 30%. Nos tempos de bonança, esse número já foi de 45%.

Erro de quem?

Na visão de um gestor ouvido pelo Money Times, a administração errou no acompanhamento, monitoramento e construção da gestão de risco.

A mudança do CMN foi anunciada em 2021 — ou seja, os bancos tiveram quatro anos para se adequar às novas regras.

“Subestimou problemas conhecidos e deveria ter feito trabalhos adicionais de ativos e passivos, com o objetivo de alongar e adequar o risco gerado pelo agronegócio, que já era sabido.”

O gestor lembra que todos os bancos estavam expostos ao mesmo risco e vinham ampliando a carteira no agro.

“Por esses fatores, é possível, sim, classificar 2025 como um ano desastroso.”

Resposta à crise

O governo reagiu com uma Medida Provisória (MP 1314) para permitir renegociação de dívidas rurais em condições especiais. Ao todo, são R$ 12 bilhões para apoiar até 100 mil produtores, principalmente pequenos e médios.

O Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) dará acesso a até R$ 250 mil em crédito, com taxa de 6% ao ano.

Outra ajuda veio do Banco Central, que alterou a Resolução nº 4.966/21, suavizando os critérios de cura para empréstimos com parcelas vencidas há mais de três meses.

A instituição já renegociou R$ 13 bilhões em contratos sob a MP 1314 e projeta chegar a R$ 20 bilhões a 25 bilhões.

“A administração enfatizou que não prevê reversão de provisões neste momento, e a data-chave a acompanhar é abril, quando os empréstimos do Plano Safra começam a ser pagos”, diz o JPMorgan.

Além do agro, houve deterioração nas carteiras de cartões de crédito vinculadas a produtores rurais. Os desafios em pequenas e médias empresas também persistem.

“Para 2026, o banco espera crescimento de empréstimos na faixa de um dígito médio, impulsionado principalmente por pessoas físicas.”

Oportunidade de ouro para 2026

Crises costumam revelar oportunidades — e muitos investidores se perguntam se este seria o caso do Banco do Brasil. O consenso é de que o agronegócio ainda enfrentará dificuldades.

Para o analista Flavio Conte, da Levante, porém, trata-se de uma boa janela para investir no banco. Em sua visão, a queda neste ano, junto com um cenário eleitoral favorável, pode criar uma oportunidade de ouro.

“Quem tem deve manter, e quem não tem deve comprar”.

De todas as formas, Conte recomenda não ter mais que 10% da carteira em ações do BB, para evitar exposição excessiva.

O preço-alvo é de R$ 29 — potencial de alta de 35% —, mas pode ser maior caso o cenário eleitoral contribua.

“Se vencer um candidato de centro-direita, provavelmente haverá euforia pós-eleição. E, conforme as pesquisas, caso surja um candidato competitivo numa simulação de segundo turno, o mercado tende a reagir.”

Ele lembra que as estatais são extremamente sensíveis ao “risco político” — e hoje só restam duas relevantes: Petrobras (PETR4) e Banco do Brasil.

Conte recorda, ainda, que várias ações já subiram 40%, 50%, 70% e até 80% em 2026.

“Por isso, vejo o Banco do Brasil como uma excelente ação — tanto pela avaliação atual quanto por essa opção gratuita: se houver avanço de um candidato de centro-direita nas pesquisas ou se ele empatar numericamente com o presidente Lula, o BB tende a ser a ação que mais reage.”

Vai depender do agro

Para o gestor ouvido pelo Money Times, a recuperação do banco dependerá diretamente da melhora do agronegócio.

A equação é simples: se o agro reagir, alivia a pressão de risco e reconstrói parte da carteira.

“O banco precisa resolver a questão do risco. Sem isso, 2026 seguirá desafiador. Se o ajuste vier de forma definitiva — passando uma régua —, é possível recuperar a rentabilidade para dois dígitos. Mas ainda muito longe dos 20%.”

Sobre o agro, ele acredita em melhora. Já houve avanço nos preços, no risco financeiro dos produtores e na saúde operacional.

“Isso pode dar fôlego e melhorar a perspectiva. Se for um ano de condições perfeitas — safra, safrinha, exportações, câmbio —, a recuperação pode ser mais rápida.”

Mas ressalva: “No caso do Banco do Brasil, porém, ele ainda não ajustou o risco principal. Portanto, não espero um ano melhor para a instituição. Resolver o risco agora daria maior visibilidade à ineficiência de gestão — algo que nem diretoria nem conselho parecem querer neste momento.”

Fonte: Federação dos Bancários do Paraná

Bancos voam na bolsa em 2025 — mas 2026 não será igual para todos, aponta JPMorgan

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Os bancos terminam 2025 com fôlego capaz de fazer inveja a qualquer setor. Com exceção do Banco do Brasil (BBAS3), todos subiram pelo menos 30%. O Bradesco (BBDC4) disparou 60%, enquanto o Itaú (ITUB4) acumula alta de 50%.

É verdade que a base de comparação ajuda: os papéis começaram o ano nas mínimas. Mas os bons resultados, somados ao forte fluxo de estrangeiros que impulsionou a bolsa, criaram um ambiente favorável para o disparo das ações.

Contar apenas com o macro, porém, pode ser um problema. As instituições também precisam fazer sua parte para conquistar a confiança dos investidores.

Em relatório, o JPMorgan detalhou o que cada banco está preparando para encarar 2026. Confira:

Itaú: corte de gastos no radar

No Itaú, um dos favoritos dos investidores e com gestão constantemente elogiada, o corte de custos segue como prioridade.

A instituição pretende fechar entre 350 e 400 agências até o fim do ano e reduzir o ritmo de crescimento das despesas em 2026.

Até aqui, o varejo tem sido o principal motor, com avanços nos empréstimos consignados do INSS, que se recuperam após um período desafiador nos primeiros nove meses de 2025.

Os consignados para pessoas físicas e os financiamentos imobiliários também registraram bons números.

‘A qualidade dos ativos permanece estável, apesar do cenário macroeconômico desafiador’, destaca o JPMorgan.

Bradesco: três frentes para 2026

Em fase distinta do Itaú, a gestão do Bradesco compartilhou três pilares para 2026:

  • a instituição segue observando melhorias operacionais, com perspectiva positiva para receitas;
    a administração acelera o plano de transformação, o que pode gerar custos mais elevados no curto prazo;
  • a mensagem segue focada em evolução gradual, em vez de ganhos rápidos de rentabilidade, embora exista potencial de crescimento com o avanço dos índices de eficiência.

Segundo o JPMorgan, o crescimento do crédito pode desacelerar em 2026. Ainda assim, o banco permanece otimista.

A expectativa é que as receitas e a margem financeira (NIM) se mantenham estáveis — ou até cresçam — à medida que o Bradesco busca captar mais passivos e melhorar o custo de financiamento.

‘No lado das despesas operacionais, o foco será em investimentos estratégicos e de longo prazo, reconhecendo que as eficiências estão amadurecendo a partir da otimização atual dos canais.’

Banco do Brasil: agro continua pesando

No Banco do Brasil, após um ano de ajuste, o clima segue pessimista. O vilão continua sendo o agronegócio, que deve pressionar novamente em 2026.

A instituição já negociou R$ 13 bilhões em empréstimos sob a MP 1314, e espera que o valor chegue a R$ 20–25 bilhões.

‘A administração enfatizou que não prevê reversão de provisões neste momento, e a data-chave a acompanhar é abril, quando os empréstimos do plano de safra começam a ser pagos’, diz o relatório.

Além do agro, houve deterioração nas carteiras de cartões de crédito vinculadas a produtores rurais. Os desafios no segmento de pequenas e médias empresas também persistem.

‘Para 2026, o banco espera crescimento de empréstimos na faixa de um dígito médio, impulsionado principalmente por pessoas físicas.’

Santander: imposto vira o grande vilão

Para o Santander Brasil, o principal desafio para 2026 é a possível alíquota de imposto mais alta, normalizando-se após níveis artificiais de 2025.

A subsidiária do banco espanhol também vê espaço para melhora nas despesas no próximo ano, ‘refletindo a otimização das agências realizada nos anos anteriores’.

Embora a mensagem sobre a qualidade dos ativos seja majoritariamente positiva, ainda pode haver agravamento em alguns casos corporativos, considerando a Selic ainda elevada.

Fonte: Money Times

Artigo: Começaram a falar mal do BB: então você já sabe o que virá, certo?

Publicado em: 23/07/2025

Vitor Miziara

De maio de 2025 até quase final de julho a ação do Banco do Brasil (BBAS3) caiu mais de 30% – um movimento bem atípico para a ação que reportou um resultado de R$ 7.4 bilhões de lucro líquido no primeiro trimestre deste ano.

Como eu sempre falo, o mercado trabalha com expectativa x realidade – ou seja, não adianta o resultado vir bom, precisa estar acima do que o mercado estava esperando senão tudo já estará no preço. Quando olhamos o resultado do BB por essa ótica, entendemos a queda de mais de 30% acumulado em poucos dias após o balanço – o banco trouxe lucro, mas 20% abaixo da média do mercado. Ainda na linha de expectativa, a pergunta mais feita após o 1T25 do Banco do Brasil foi “quão ruim será o 2º trimestre”?

A parte que eu mais gosto disso é que depois de um resultado pior do que o esperado todo mundo corre pra rever suas projeções com medo de que o movimento continue. Por conta disso, a projeção afundou para o lucro que agora projeta um resultado 50% menor que o mesmo intervalo de 2024 – algo próximo a R$ 4,5bi.

O ponto é que eu falei que o mercado trabalha com expectativa x realidade: se já jogaram a expectativa para baixo, o preço da ação já corrigiu também. Boa parte dos 30% de queda após o resultado tem mais a ver com as projeções e preocupações com a área de crédito para o agro do que uma análise de engenheiro de obra feita do resultado que foi entregue.

Mesmo que o Banco do Brasil apresente esse resultado de R$ 4.5bi isso ainda representa um lucro de 4% versus o valor de mercado ou um resultado de R$ 0,79 por ação, equivalendo a 3,15% de lucro por ação ao preço de hoje perto dos R$ 20.

Exercendo um pouco mais a matemática, se ele mantiver esse resultado por 4 trimestres seria o equivalente a um lucro de 15% sobre o valor de mercado – que poderiam virar dividendos inclusive.

Quando falamos sobre o indicador de Preço/Lucro. que tende a mostrar em quanto tempo você pode receber seu capital investido de volta via lucro, estamos falando em 3 a 4 anos – muito abaixo do mesmo múltiplo do Ibovespa, que tem média de 11 anos.

Esqueça a matemática, meu ponto resumindo é que mesmo com um resultado horrível, 50% abaixo do mesmo período um ano antes e com projeções não tão otimistas, a ação já caiu tanto que mesmo com um resultado ruim ela parece ser interesse se olharmos pela ótica de dividendos ou de “payback” em anos – ou seja, em quanto tempo a empresa lucra por ação o mesmo montante que você pagou por ação.

Sendo assim, vamos comprar? Não… Não estou indicando nada disso. Quero abrir os olhos para mostrar como o mercado às vezes dá oportunidade em decorrência de revisão de projeções e um ou mais resultados que podem ser afetados por um prazo que chega a ser insignificante se você é um investidor de longo prazo.

Para os investidores “buy and hold” são em momentos assim que os aportes começam a ser feitos. Independente do preço da ação depois das compras, o lucro distribuído (dividendos) ajuda a comprar mais ações aumentando a quantidade e consequentemente mais dinheiro via dividendo.
Exercício: ‘o que o mercado está falando da empresa’

Voltando aos múltiplos, indicadores fundamentalistas para analisar uma ação, foram poucas as vezes em que os múltiplos do Banco do Brasil estiveram tão baixos (e baratos) como está agora.

Outro “exercício” que gosto de fazer é pesquisar no Google para ver o que “o mercado está falando da empresa” e basta dois segundos para achar como destaque:

Qual o estrago previsto por ‘bancões’ para o Banco do Brasil (BBAS3) no 2º tri?
BBAS3: quão ruim o 2T será? Mercado piora projeções e vê outro “vilão” além do agro
O que esperar dos dividendos do Banco do Brasil (BBSA3) com o pessimismo do mercado?
Entre outros…

Ai a questão é: se todos já estão pessimistas, será que o pior cenário já não está no preço? Será que mesmo com o cenário ruim para o banco os resultados atuais já não seriam interessantes para quem visa o longo prazo?

Para ajudar a desenhar melhor o cenário e mostrar os múltiplos eu vou fazer uma Live lá na Comunidade do Whatsapp – (clique aqui pra entrar )

Nunca vamos acertar o ponto mais baixo para comprar ou mais alto para vender, mas é sempre no caos e na incerteza que boas oportunidades aparecem e daqui eu te deixo com a pergunta…

Será que já está tudo precificado ou e o dividendo já vale a posição ou o “barato de hoje, caro de amanhã”.

Fonte: Estadão

Banco do Brasil: vale comprar ações após resultados do 1° trimestre?

Publicado em: 02/06/2024

O Banco do Brasil (BBAS3) encerrou recentemente a temporada de resultados financeiros do primeiro trimestre de 2024, apresentando um lucro líquido ajustado de R$ 9,3 bilhões. Este resultado representa uma leve queda de 1,5% em comparação ao trimestre anterior, porém mostra um aumento de 8,8% se comparado ao mesmo período do ano anterior.

Apesar de uma pequena redução no lucro em relação ao último trimestre de 2023, o Banco do Brasil conseguiu superar as projeções de lucro de analistas financeiros, que esperavam cerca de R$ 9,132 bilhões. Esta performance é um indicativo robusto de uma gestão eficaz e de uma operação resiliente frente aos desafios econômicos atuais.

O que os especialistas estão dizendo?

Segundo análises de especialistas do mercado financeiro, como José Daronco, da Suno Research, o Banco do Brasil está posicionado como uma das oportunidades mais atrativas no setor bancário para investimento na bolsa. Daronco destaca a política de distribuição de dividendos do banco, que chega a quase metade do lucro líquido.

Além disso, o relatório do BTG Pactual sublinha a manutenção de um Retorno sobre o Patrimônio (ROE) acima de 20%, apoiando a perspectiva de que as ações do banco possuem bom suporte. No entanto, nota-se uma preferência moderada pelos papéis do Itaú em comparação com os do Banco do Brasil.

O Banco do Brasil mostrou uma expansão notável em sua carteira de empréstimos, com especial destaque para o segmento do agronegócio, que apresentou um crescimento de 15,5% em um ano. Esse avanço é crucial, visto que o agronegócio é um pilar fundamental da economia brasileira.

No entanto, a inadimplência neste setor aumentou, alcançando o maior patamar desde setembro de 2020. O banco atribui este aumento a condições conjunturais que afetaram a liquidez dos produtores rurais, especialmente os que cultivam soja.

Desafios e oportunidades para o Banco do Brasil

Crescimento consistente: O crescimento da carteira de crédito e a boa performance no segmento do agronegócio são indicativos de uma estratégia robusta.

Dividendos atrativos: A política de dividendos do banco é um ponto forte para atrair investidores.

Inadimplência no agronegócio: Este é um desafio que necessita de atenção especial, sobretudo com as variações de mercado e condições climáticas adversas.

Em conclusão, apesar de alguns desafios, como a inadimplência crescente no setor do agronegócio, o Banco do Brasil continua a ser uma opção de investimento atraente, graças à sua sólida performance financeira e estratégica. O cenário para os próximos trimestres sugerem cautela, mas também revelam um potencial significativo de crescimento e rentabilidade para os investidores.

Fonte: BMC News

BB sobe no ano, mas passa agora por movimento de lateralização, aponta análise

Publicado em: 11/10/2023

As ações Banco do Brasil (BBAS3) acumulam alta de 46% em 2023, mas passaram a andar de lado, em um movimento de “lateralização”, conforme a análise técnica define, desde o início deste semestre – período em que acumulam queda de 1,6%.

Na abertura do pregão desta quinta-feira (5), os papéis abriram em alta, de 1,6%, com as ações cotadas em R$ 47,54, levando os ganhos em outubro a 0,7%. O papel acompanha, hoje, a alta de 0,4% do Ibovespa e de 1,3% do IFNC (índice financeiro da Bolsa).

Para Rodrigo Cohen, analista de investimentos e co-fundador da Escola de Investimentos, com base no gráfico diário, que segue abaixo, é possível observar “uma grande lateralização”, que se iniciou em julho, no dia 5 daquele mês.

Assim, explica Cohen, a ação vem “batendo em cima do intervalo que vai de R$ 45,40 até R$ 48,93”. “Neste momento não há tendência nem de alta, nem de baixa”, explica.

Conforme o analista, a ação se aproximou, no último dia 26 de setembro, da mínima desta lateralização, quando atingiu os R$ 45,57. Na outra ponta, BBAS3 foi à máxima dessa lateralização, no dia 29 de agosto, ao valer R$ 48,94.

BBAS3: Análise técnica

“Em termos de indicadores gráficos, para quem utiliza médias móveis, temos a de 200 períodos – muito utilizada –, batendo agora em R$ 41,84. A gente sabe que os ativos tendem a buscar essas médias e BBAS3 está, de certa forma, um pouco longe, inclusive, dessa média no momento. Está a 10% de distância dela. Então, isso sugere que BBSA3, se começar a perder essas mínimas, se bater R$ 45,30, em torno disso, pode querer buscar essa média em R$ 48,84”, diz.

“De qualquer forma, isso só aconteceria se tivéssemos uma notícia muito ruim de BBAS3. Poderia ser divulgação de algum resultado ruim trimestral ou poderia ser algo do cenário mais macro. A gente chama isso de risco sistêmico, que é uma queda das bolsas em todo o mundo, no Brasil também. E aí, sim, poderia buscar esse ponto, caso BBAS3 caísse”, pondera ele.

BBAS3: resistência

No sentido inverso, ele pontua que o topo anterior foi tocado em 21 de junho, quando BBAS3 testou a máxima, em R$ 50,90, que pode ser “o próximo objetivo de alta”.

“Se olharmos para um período mais para trás, BBAS3 até que não está tão mal assim, porque, nesse ano, o ativo bateu a máxima histórica, exatamente nesse ponto, dos R$ 50,90.”

“Então, mesmo que ainda esteja longe da máxima histórica, estando bem lateral, BBAS3 ainda tem o upside superior a 10%, o que seria próximo à máxima histórica e um ponto de resistência bem interessante para ele vir testar, caso suba”, completou.

Em relação ao gráfico semanal, o analista pontua que a ação “fez um fundo” em janeiro deste ano, nos R$ 30,31 e, desde então, chegou a subir 67%, antes de entrar em “lateralização”.

“Essa lateralidade pode trazer uma figura chamada bandeira. A gente teve uma alta grande, que está sublinhada por essas duas linhas azuis paralelas para cima diagonais [veja no gráfico acima]. Essa alta a gente chama de mastro e agora o BBAS3 perdeu e lateralizou.”

Conforme ele, se BBAS3 romper o topo, de R$ 49,10, que é o topo da linha azul paralela [do gráfico acima], “aí sim BBAS3 pode subir e projetar a máxima histórica, de R$ 50,90, e até subir mais, buscando a casa dos R$ 62 – topo do canal paralelo.

“Então, assim, mesmo no gráfico semanal, BBAS3 está lateral no momento, mas num prazo maior, BBAS3 está em tendência de alta”, conclui.

Fonte: Infomoney

Ação do Banco do Brasil: desconto em bolsa é exagerado, diz Guide

Publicado em: 24/08/2023


A Guide Investimentos considera que o desconto da ação do Banco do Brasil (BBAS3) na bolsa de valores brasileira é exagerado. A avaliação acontece em análise do desempenho dos resultados do segundo trimestre de 2023 dos quatro principais bancos listados na B3 (B3SA3): Santander (SANB11), Bradesco (BBDC4), Itaú Unibanco (ITUB4) e Banco do Brasil.

“O banco é punido por seu controle estatal, mas acreditamos que há uma superestimação do poder de interferência estatal nos moldes que o banco está estruturado atualmente, de forma muito mais independente e com alinhamentos de interesse entre gestão e acionistas”, diz a Guide em relatório.

A Guide diz ver o Banco do Brasil com o maior potencial de retorno no curto prazo, mas também com um pouco mais de risco do que Itaú, dada a influência do noticiário político e especulações.
Principais resultados

O Banco do Brasil reportou lucro líquido ajustado de R$ 8,8 bilhões no segundo trimestre deste ano, alta de 11,7% ante o mesmo período em 2022. No período, o banco teve retorno sobre o patrimônio líquido de 21,3%, contra 20,8% um ano antes.

A margem financeira líquida do banco foi de R$ 15,711 bilhões, com crescimento anual de 11,3%. Já a margem financeira com clientes foi de R$ 20,049 bilhões, e a margem com mercado, de R$ 2,838 bilhões.

As receitas com prestação de serviço somaram R$ 8,286 bilhões, alta de 5,6%. A carteira de crédito ampliada da instituição financeira atingiu R$ 1,045 bilhão, crescimento de 13,6% na comparação com um ano antes.

Já a inadimplência acima de 90 dias do Banco do Brasil foi a 2,73%, de 2,62% no fim do primeiro trimestre e 2% no encerramento do segundo trimestre do ano anterior.

Análises

A Guide Investimentos avaliou que a rentabilidade mensurada pelo ROE de Bradesco e Santander caíram de forma abrupta no segundo trimestre de 2023. Por outro lado, segundo a corretora, o Banco do Brasil está no seu melhor momento histórico, enquanto o Itaú vem conseguindo mostrar trajetória de recuperação desde o início da pandemia.

A corretora também destacou o diferencial entre a tendência da margem financeira com clientes de Itaú e Banco do Brasil, que desempenharam de forma superior em relação a Santander e Bradesco.

Preferências

No relatório, a Guide diz reforçar sua preferência por Itaú e Banco do Brasil. “Enquanto o nosso lucro líquido de ambos os bancos foi reafirmado pela atualização do guidance, o Bradesco já fez revisões que deixaram nossas perspectivas para o banco mais pessimista. O banco reduziu as projeções de crescimento da carteira e consequentemente da margem financeira, em paralelo reafirmou a manutenção dos mesmos níveis de PDD, ou seja, uma NIM líquida inferior ao que foi fornecido no último guidance. O Santander não forneceu guidance para o ano”, cita a corretora.

A Guide aponta ainda que, diante de poucos indicadores que aspirem otimismo para revisões para cima no lucro projetado para os próximos 12 meses, enxerga, além do desconto do Banco do Brasil, outros destaques nos múltiplos de negociação dos bancos.

Para os especialistas da casa, o prêmio do Itaú é justificável e vem sendo reafirmado nos diferenciais de performance que vem sendo entregues nos últimos resultados.

“O banco, com excelente track record e ótima governança, consegue crescer sua margem financeira, expandir a carteira de crédito e realizar tudo isso com um controle de inadimplência acima da média do setor”, destaca a Guide.

“Até vermos melhorias mais claras de resultado e se tivermos um viés mais positivo que justifique revisões de lucro para cima, vemos os valuations de Bradesco e Santander como pouco atrativos, tendo recomendação neutra para ambos os bancos.”

Fonte: InvestNews

BB e Itaú devem seguir liderando ganhos do setor na Bolsa, segundo especialistas

Publicado em: 18/08/2023


A divulgação dos balanços do segundo trimestre de 2023 pelos grandes bancos brasileiros reforçou a visão positiva dos analistas para o desempenho das ações do Itaú e do BB (Banco do Brasil) na Bolsa de Valores. A dupla entregou os melhores resultados do setor, com crescimento saudável da carteira de crédito e controle da inadimplência, o que abre espaço para que os papéis sigam na recente trajetória positiva —no ano, até 11 de agosto, Itaú acumula alta de 13%, enquanto BB sobe 42,4%.

Bradesco e Santander, por outro lado, mostraram números negativos e ainda mais pressionados, com a atuação agressiva no mercado quando os juros estavam nas mínimas se refletindo agora em maior necessidade de reservas para se proteger contra calotes, o que pressiona a lucratividade das operações. Nesse cenário, as ações do Bradesco têm alta de 6,9% em 2023 e as do Santander sobem 0,11%. O Ibovespa avança 7,6% no período.

José Eduardo Daronco, analista da Suno, afirma que o ritmo dos últimos meses quanto ao desempenho das ações dos grandes bancos deve se manter no restante do ano, com performances mais positivas de Itaú e BB, e mais fracas para Bradesco e Santander.

Segundo ele, o BB tem se destacado principalmente pela atuação relevante no agronegócio, que tem sido o maior responsável pelo crescimento da economia, e também pela base relevante de clientes formada por servidores públicos. “Neste ano, os funcionários públicos federais receberam um aumento salarial, o que aumenta os pedidos de empréstimos e financiamentos”, diz Daronco.

Chefe de análise de ações da Órama, Phil Soares pondera que, apesar do forte resultado do banco público, o risco político intrínseco ao ativo, por estar sob controle do governo, o faz preferir as ações do Itaú dentro do setor.

Sócio e analista de ações da Nord, Guilherme Tiglia acrescenta que, embora não tenha havido até aqui indícios claros de interferência política do governo Lula, o risco por se tratar de uma estatal sempre estará presente no caso do BB. Por isso, apesar dos bons resultados do banco público, a preferência do analista da Nord também recai sobre o Itaú.

Considerando os números apresentados pelo maior banco privado do país, Soares estima que as ações têm potencial de se valorizar entre 20% e 30% ao longo dos próximos 12 meses. “É um patamar bastante bom de valorização, em especial se levarmos em conta que o setor financeiro já está bem consolidado e não tem grandes pernadas de crescimento”, afirma o especialista.

Daronco acrescenta que o Itaú tem uma carteira mais voltada para um público de alta renda, de modo que o aumento da inadimplência não tem impactado tanto o banco quanto os pares privados. “Além disso, o Itaú possui uma maior exposição a outros países, principalmente o Chile, que tem se traduzido em bons resultados”.

Em sentido totalmente distinto, prossegue o analista da Suno, Bradesco e Santander possuem uma carteira de crédito mais arrojada, focada nas classes C,D,E, e, após uma gestão mais agressiva na concessão de crédito durante a pandemia, acabaram sendo muito mais afetados pelo momento de alta da inadimplência.

Eduardo Siqueira, analista da Guide, afirma que Bradesco e Santander aumentaram nos anos recentes a oferta de crédito de “maneira desenfreada”, sem o devido controle de risco, em linhas mais arriscadas como cartões, empréstimo pessoal e cheque especial. “Isso fez com que os dois bancos tivessem que aumentar muito o provisionamento [reservas contra calotes]”, afirma Siqueira. Ele acrescenta que agora a postura da dupla é de uma seletividade maior nas concessões, mas ressalta que ainda deve demorar alguns meses até que a carteira seja renovada com créditos de melhor qualidade. “A gente prefere entrar em bancos que estão em momentos operacionais fortes”, diz o analista da Guide, citando Itaú e BB como os preferidos.

Analista da Levante, Matheus Nascimento afirma que a recomendação é evitar as ações de Bradesco e Santander por enquanto, tendo em vista que o nível de rentabilidade de ambos, que já ficou mais próximo de 20%, hoje oscila ao redor de 11%.

Embora a expectativa do mercado seja de uma melhora do indicador conforme os atrasos comecem a recuar, essa melhora deve vir ainda um pouco mais à frente, em meados de 2024, prevê Nascimento, que também tem uma visão mais positiva para Itaú e BB.

Itaú e BB conseguiram navegar melhor o ambiente macroeconômico dos últimos anos, em especial no período em que a pressão inflacionária corroeu o poder de compra da população, com maior seletividade na concessão de crédito e aumento antecipado dos provisionamentos, afirma o analista da Levante. Ele estima um preço justo em torno de R$ 33 para Itaú e de R$ 61 para BB, o que embute um potencial de valorização de 20% e 28%, respectivamente.

Em linha com os pares, Milton Rabelo, analista da VG Research, diz que, para o segundo semestre de 2023, Banco do Brasil e Itaú devem continuar com dinâmicas mais positivas. Porém, para um horizonte de médio e longo prazo, diante da transição do ciclo monetário, ele avalia que Santander e Bradesco podem surpreender positivamente, com a queda dos juros impactando positivamente a inadimplência e o ritmo de crescimento das carteiras de crédito.

Soares, da Órama, também vê espaço para uma recuperação de Santander e Bradesco um pouco mais à frente. Para o investidor que tem estômago para aguentar uma eventual deterioração adicional das ações no curto prazo, para se aproveitar posteriormente de uma possível retomada, o chefe de análise diz que prefere a aposta em Bradesco, por considerar que os papéis do banco negociam com um desconto maior em relação ao seu potencial do que o Santander.

Soares diz que o banco da Cidade de Deus, em Osasco, nunca negociou a níveis tão descontados como os atuais. “O momento é bastante favorável para investir nas ações do Bradesco, se o investidor acredita que o banco vai realmente se recuperar.”

Fonte: Folha de S.Paulo

BB Seguridade: em dez anos na Bolsa, companhia retornou mais de R$ 40 bi a acionistas

Publicado em: 27/06/2023


Uma década após ter realizado a maior oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) do mundo no ano de 2013, a BB Seguridade calcula ter retornado mais de R$ 40 bilhões aos acionistas, entre dividendos e restituição de capital, além de um crescimento de 78% no valor de mercado. Avaliada em R$ 61,2 bilhões no fechamento de sexta-feira, 23, a holding de seguros, previdência e capitalização do Banco do Brasil é uma das 20 empresas mais valiosas da Bolsa brasileira.

Realizada em abril de 2013, a oferta da BB Seguridade movimentou R$ 11,5 bilhões em valores da época, e até hoje, é uma das dez maiores vendas de ações do mercado brasileiro desde 2004, ano da reabertura da Bolsa a ofertas. Ajudada pela distribuição pela rede do banco e pelo interesse de estrangeiros, foi a maior oferta de ações do mundo naquele ano, e deu à companhia uma avaliação de R$ 34 bilhões.

Na última década, a empresa afirma que o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE, na sigla em inglês) da operação mais que dobrou.

“A valorização [desde então] é fruto do aprimoramento constante da operação, o que permitiu que o lucro triplicasse no período de dez anos, alcançando a marca histórica de R$ 6 bilhões no ano passado”, diz em nota o CEO da holding, Ulisses Assis. A companhia fará o “toque da campainha” na B3 nesta segunda para comemorar os dez anos de listagem.

A BB Seguridade nasceu oficialmente em 2012, com o BB consolidando sob seu guarda-chuva as empresas de seguridade que possuía sozinho, como a BB Corretora, ou em sociedade com outras companhias, como a Brasilprev (com a Principal como sócia) e a Brasilseg (com a Mapfre). O objetivo era que, ao abrir o capital, a companhia ganhasse um valor que, dentro do banco, não tinha.

Essa estrutura permanece. Nas empresas, a BB Seguridade tem participações majoritárias no capital, sendo que detém a maior parte das ações com direitos econômicos, as preferenciais, o que aumenta o fluxo de dividendos que a holding recebe – e que, por consequência, distribui aos próprios acionistas. O BB detém dois terços de seu capital.

O modelo foi tão bem-sucedido que inspirou outro banco público: a Caixa, que em 2015 criou a Caixa Seguridade com o mesmo objetivo. A abertura de capital da companhia, que marcou a estreia do conglomerado da Caixa na Bolsa, aconteceu em 2021. Hoje, a Caixa Seguridade negocia próxima das máximas na B3, avaliada em R$ 31 bilhões.

Fonte: Estadão

 

Banco do Brasil “tem crédito” para superar efeitos da queda dos juros

Publicado em: 19/06/2023


Enquanto para boa parte do mercado a queda da taxa básica de juros é bastante aguardada, no que diz respeito aos bancos, a perspectiva do início de um novo ciclo de baixa abre caminho para a preocupação sobre possíveis impactos nas margens dessas operações.

Entretanto, nesse contexto, há quem tenha boas expectativas sobre alguns desses ativos. É o caso do Itaú BBA, que publicou relatório na sexta-feira, 16 de junho, traçando um panorama otimista para o Banco do Brasil.

O banco elevou o preço-alvo da ação, de R$ 48 para R$ 56 (aumento de 16,7%), reiterando a classificação como outperform e o papel como sua principal escolha no setor. Além de prever um crescimento de dois dígitos no lucro e um retorno sobre o patrimônio líquido (ROE) em torno de 20% para 2023 e 2024.

Entre outros pontos, o Itaú BBA ressaltou que, no caso do Banco do Brasil, os temores sobre o efeito de uma taxa Selic mais baixa são exagerados. O argumento foi embasado por uma análise das carteiras de ativos e dos custos de captação da instituição.

“O BB pode mais do que compensar o impacto negativo de uma taxa Selic mais baixa sobre a margem financeira de mercado apenas transferindo parte de seus R$ 430 bilhões em títulos não creditícios para ativos de crédito”, escreveram os analistas Pedro Leduc, Mateus Raffaelli e William Barranjard.

Eles ressaltam que, hoje, apenas 47% dos ativos rentáveis do banco estão relacionados à crédito, o que rende um spread sobre o CDI bem abaixo da média histórica na faixa de 50% a 55%. Para o trio, nesse cenário, uma mudança nessa carteira é bastante provável.

“Nosso estudo mostra que qualquer valor acima de 52% pode garantir um crescimento da margem financeira de dois dígitos em 2024. Portanto, estamos fora do consenso e projetando uma outra rodada de crescimento do lucro no próximo ano”, observam.

Na visão dos analistas, a queda nas margens da operação atrelada ao recuo da taxa de juros é “muito simplista e pode ser enganosa”, dado que ela não considera essa provável mudança do mix de ativos, acompanhada de um crescimento “robusto” da carteira de empréstimos.

“Uma mudança de mix para mais ativos de crédito pode, portanto, ser uma poderosa força motriz para compensar os impactos negativos da taxa Selic mais baixa sobre a margem financeira”, destaca outro trecho do relatório.

O Itaú BBA projeta que a participação dos ativos de crédito no mix total do banco cresça para 53% em 2024, impulsionando um salto anual de 12% na margem total. O banco ressalta ainda que a concessão de mais crédito também gera vendas cruzadas de serviços, contribuindo para uma melhora do ROE.

Em relação à carteira de crédito, a estimativa é de um crescimento de 12% em 2024. Já no que diz respeito ao lucro, a projeção aponta para uma expansão de 10% no período, contra 7% anteriormente, alcançando o patamar de R$ 38,8 bilhões.

Os papéis do Banco do Brasil estavam sendo negociados com ligeira baixa de 0,48% na B3, por volta das 12h30. Em 2023, as ações do banco, que está avaliado em R$ 141,6 bilhões, registram uma alta de 42,8%.

Fonte: NeoFeed

Ação do BB já subiu 53% em 2023, mas ainda pode entregar retorno de dois dígitos e dividendo gordo, diz BofA

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Amplamente conhecido por ser um dos tradicionais pagadores de dividendos da bolsa, o Banco do Brasil (BBAS3) tem chance de agraciar ainda mais os investidores neste ano — e não apenas com proventos, segundo o Bank of America (BofA).

Com ruídos de interferência política mais baixos e uma transição mais suave do que o esperado para o governo Lula, o interesse dos investidores nas ações do banco aumentou.

Desse modo, as ações BBAS3 acumularam valorização de 53% até agora em 2023, superando o desempenho de seus principais concorrentes, como Bradesco (BBDC4) e Itaú (ITUB4), e até mesmo do Ibovespa neste ano.

Porém, na visão do Bank of America, apesar do desempenho superior, a ação ainda está atraente e há espaço para novos ganhos.

Os analistas reforçaram a recomendação de compra para os papéis do banco e elevaram o preço-alvo das ações BBAS3, que passou de R$ 54 para R$ 62.

As ações do Banco do Brasil operam em alta no pregão desta quinta-feira (15). Por volta das xxhxx, os papéis BBAS3 subiam 1,82%, negociados a R$ 49,75.

Visão otimista para Banco do Brasil (BBAS3)

Os analistas do Bank of America preveem dois cenários para o Banco do Brasil (BBAS3), divididos entre touros e ursos.

A visão mais otimista, dos “touros”, tem base em três pilares principais: valuation, exposição agrícola, melhoria estrutural.

O banco enxerga que o Banco do Brasil possui um valuation descontado, com a ação sendo negociada a um múltiplo de 4,1 vezes o preço sobre lucro, 48% abaixo de seus pares privados, em 7,7 vezes.

Excluindo as participações do Banco do Brasil na Cielo e na BB Seguridade, o papel BBAS3 está sendo negociado a 3,3 vezes o preço/lucro.

Enquanto isso, em uma base de preço sobre valor patrimonial (P/VPA), o Banco do Brasil ainda está sendo negociado a um múltiplo de 0,8x, o que implica em uma rentabilidade (ROE) de 14,5%.

Segundo o BofA, a rentabilidade pode ser sustentada acima dos níveis históricos, que teve uma média de 19,4% nos últimos dois anos.

Isso porque, na visão dos analistas, o banco fez melhorias estruturais em sua estrutura de custos, o que permite espaço para aumentar a alavancagem do balanço.

Já do lado da exposição agrícola, os analistas do BofA acreditam que o banco apresenta- se como uma forma atraente para os investidores participarem do setor agropecuário no Brasil, uma vez que “é o maior credor do segmento e tem espaço para reconquistar mercado compartilhar”.

A carteira de agronegócios do Banco do Brasil representa 32% da carteira total do banco, no maior patamar dos últimos 10 anos.

No cenário mais otimista, o BofA prevê um lucro líquido de R$ 36,4 bilhões para este ano e de R$ 40,9 bilhões para 2024, com rentabilidade de 20,8% e 20,6%, respectivamente.

Desse modo, os analistas projetam que o valor justo por ação BBAS3 aumentaria para R$ 65.

Os riscos ao Banco do Brasil (BBAS3)

Por sua vez, do lado do cenário de baixa, dos “ursos”, o Bank of America enxerga a taxa Selic como um dos principais pontos de risco para o Banco do Brasil (BBAS3).

Entre os argumentos citados pelos economistas para uma visão mais defensiva em relação à ação, estão os níveis de lucro e rentabilidade do banco diante de um cenário de juros mais baixos.

Na visão do BofA, a Selic mais baixa pode impactar o Banco do Brasil, que se beneficiou do ciclo de alta dos juros, ainda mais do que seus principais concorrentes.

Os analistas projetam que o Banco Central comece a afrouxar o aperto monetário e cortar as taxas a partir de agosto de 2023.

“O Banco do Brasil registra pela primeira vez os maiores lucros líquidos e rentabilidade do setor, que não são sustentáveis”, afirmam os analistas. “Lucros são mais vulneráveis a um ambiente de taxas mais baixas, e o ciclo de flexibilização [da Selic] deve começar no 3T23.”

Desse modo, dentro do cenário de baixa, o BofA prevê um lucro líquido de R$ 32,4 bilhões para 2023 e de R$ 34,4 bilhões para o próximo ano, o que renderia um retorno sobre patrimônio de 18,6% e 17,7%, respectivamente.

Com isso, os analistas avaliam que o preço justo por ação BBAS3 passaria para R$ 58.

Riscos para o preço-alvo

Os analistas revelaram os principais riscos para o preço-alvo fixado para as ações do Banco do Brasil (BBAS3), de R$ 62 por ativo.

Os riscos de alta, que fariam a ação do banco subir para além do estimado pelo BofA, estão:

  • Crescimento da carteira de empréstimos mais forte do que o previsto
  • Encargos de provisão menores do que o esperado
  • Maior resiliência na margem de lucro do mercado.

Enquanto isso, os riscos negativos para o preço-alvo incluem uma possível interferência do governo nas operações do banco, uma potencial má execução da administração e uma concorrência mais forte do que o esperado no setor agrícola.

Fonte: Seu Dinheiro

Banco do Brasil dispara e se aproxima de máxima histórica; hora de comprar?

Publicado em: 12/06/2023


As ações do Banco do Brasil (BBAS3) dispararam na sessão desta sexta-feira em dia de valorização do Ibovespa. O papel fechou negociado a R$ 47,74, alta de 4,88%. Dessa forma, a ação acumula salto de 43% no ano e se aproxima da sua máxima histórica, quando atingiu R$ 54 em 2019.

De acordo com Daniel Abrahão, assessor na iHUB Investimentos, os ganhos são resultado não apenas de fatores internos, como um balanço trimestral robusto, com um crescimento de lucro de mais de 28% em relação ao ano anterior, mas também de fatores macroeconômicos, como a melhora das perspectivas futuras e da expectativa de cortes na taxa Selic ainda está ano, “embora de forma mais moderada, com uma redução mais significativa prevista para 2025”.

“Esses elementos atraíram recursos estrangeiros para o Brasil, principalmente por meio de investidores institucionais desde o início do ano, resultaram em um aumento da demanda por ações tendo impulsionando o desempenho da empresa”, discorre.

Além disso, Abrahão diz que diversos jogadores do mercado já destacaram a empresa como “overweight” (expectativa de desempenho acima da média) no primeiro trimestre. “Em um momento de alta da bolsa (mesmo que com cautela e ainda a ser consolidado), grandes empresas, especialmente aquelas com boa liquidez e que apresentam um valuation descontado, tendem a ser as primeiras a se beneficiar, o que é bastante observado por investidores estrangeiros”, completa.

É hora de comprar Banco do Brasil?

O Banco do Brasil foi a ação mais recomendada pelos analistas para o mês de junho quando o assunto é distribuição de dividendos. O banco estatal recebeu 13 indicações nas carteiras recomendadas, segundo levantamento feito pelo Money Times com 22 corretoras.

De acordo com os analistas, o BB surfa um bom momento de lucros visto em 2022, além de ter projeções otimistas para o decorrer de 2023.

Além disso, o banco deve garantir vantagem em um cenário de crescimento na concessão de crédito e retomada acelerada da economia.

Os analistas de mercado também consideram que o valuation de BBAS3 é atraente.

Fonte: Money Times

Banco do Brasil tem o maior número de investidores pessoa física da B3

Publicado em: 19/09/2022


A B3 (B3SA3) divulgou um levantamento sobre o número de pessoas que investem em ações à vista na Bolsa brasileira. A empresa campeã em investidores pessoas físicas foi o Banco do Brasil (BBAS3).

Veja quais são as 10 empresas com mais acionistas PF:

  • Banco do Brasil (BBAS3);
  • Bradesco (BBDC4);
  • Itaúsa (ITSA4);
  • Magazine Luiza (MGLU3);
  • Oi (OIBR3);
  • Petrobras (PETR4);
  • Sanepar (SAPR11);
  • Taesa (TAEE11);
  • Vale (VALE3);
  • Via (VIIA3).

Segundo o levantamento da B3, houve um crescimento de 15% no segundo trimestre de 2022 sobre o mesmo período do ano passado. De acordo com a pesquisa de B3, o total de CPFs registrados era de 2,8 milhões no 2T21 e passou para 3,2 milhões neste ano.

Mesmo com o aumento no número de investidores, a análise indica uma baixa de 25% no valor em custódia: a posição total dos investidores foi de R$ 436 bilhões para R$ 328 bilhões.

Houve uma diminuição de 61% no saldo mediano em custódia, na comparação anual. O saldo mediano passou de R$ 7,5 mil para R$ 2,9 mil. Segundo a B3, o aumento no número de investidores acompanhado da queda do saldo mediano “mostra a força e o avanço da democratização do mercado de capitais nos últimos anos”.

Fonte: Suno Research

 

Ações: BB amplia lista sugerida do “mix doméstico” e limita commodities

Publicado em: 04/08/2022


O BB Investimentos realizou uma única mudança em sua carteira fundamentalista de ações para agosto. Incorporando uma “ligeira” acomodação de pesos entre os setores e já tendo capturado a “parcela mais relevante dos resultados” com a alta dos preços das commodities, o BB decidiu excluir os papéis da Suzano (SUZB3).

No lugar, foram incluídas as ações da Lojas Renner (LREN3) para elevar o peso do “mix doméstico” no portfólio.

Com isso, o peso relativo de commodities na carteira passa a ser de 20%, agora só com Petrobras (PETR4) e Vale (VALE3), as maiores pagadoras de dividendos da Bolsa. A parcela do “mix doméstico” aumentou para 40%. Além de Renner, compõem a carteira Hypera (HYPE3), Localiza (RENT3) e Multiplan (MULT3). Segundo o BB, esses quatro nomes têm volatilidade mais controlada em relação aos pares.

A carteira para agosto segue com 10% direcionados ao setor de utilidades básicas, que é mais defensivo, via Alupar (ALUP11). Os 30% restantes são formados por bancos: ABC Brasil (ABCB4), BTG Pactual (BPAC11) e Itaú Unibanco (ITUB4).

Bolsa barata

A carteira do BB acumulou uma valorização de 6,51% em julho, superando a performance do Ibovespa no mesmo período. O índice de referência encerrou o mês com ganhos de 4,69%.

O BB destaca que, sob múltiplas métricas, a Bolsa brasileira ainda está barata.

De acordo com a instituição, a relação preço-lucro do Ibovespa segue “muito abaixo” do intervalo de dois desvios-padrão em relação à sua média histórica de longo prazo.

Atualmente, o patamar de desconto do Ibovespa supera ao nível registrado em março de 2020, início da pandemia de Covid-19.

Além disso, a instituição acredita que os próximos meses devem ser de destaque para o mercado local.

“Enxergamos, para os próximos meses, que mesmo com os desafios trazidos pelo contexto global, o Brasil ganha uma posição de destaque para capturar uma parcela relevante da alocação de portfólios globais direcionados à América Latina e demais mercados emergentes”, afirma.

Fonte: Money Times

 

Investidores “compram” privatização do BB e ações sobem mais de 10%

Publicado em: 28/05/2020

No primeiro pregão da Bolsa de Valores de São Paulo depois da exibição do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, na qual discutiu-se a intervenção do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal, os investidores “compraram” com tudo a possibilidade de privatização do Banco do Brasil (BB). As ações da instituição registram alta de mais de 10%.

Os investidores se empolgaram com as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que o BB está pronto para ser vendido. “Tem que vender a porra do Banco do Brasil logo”, disse ele. Bolsonaro ressaltou, porém, que a privatização do BB só ocorrerá em 2023, caso ele seja reeleito.

Não é de hoje que se sabe que o Banco do Brasil vem sendo preparado para a privatização. Essa, por sinal, foi a principal missão dada por Paulo Guedes a Rubem Novaes, quando convidou o executivo para comandar o banco controlado pelo Tesouro Nacional.

Novaes deu passos importantes para enxugar o BB e entregá-lo, de preferência, ao capital estrangeiro com o argumento de que o governo quer aumentar a concorrência bancária no país. O BB, por sinal, já vendeu a participação que tinha na resseguradora IRB Brasil e na Neoenergia. Anunciou acordo para privatizar o BB Banco de Investimentos e avisou que venderá a BB DTVM e o BB Américas.

O presidente do BB é um dos mais radicais defensores de Bolsonaro. Tanto que endossa todo o discurso reacionário do chefe do Executivo. Não é só: a fidelidade de Novaes a Bolsonaro é tão canina, que o filho 02 do presidente, o vereador Carlos, obrigou a instituição a voltar a anunciar em sites especializados em espalhar fake news. Ao ser denunciado, o BB suspendeu as propagandas.

Para especialistas, o Banco do Brasil sempre pagou um preço alto por sob controle do Tesouro e por ser usado politicamente em troca de apoio ao governo no Congresso. Com a perspectiva de privatização, no entanto, uma outra perspectiva se abre. Às 16h51, as ações ordinárias do BB estavam cotadas a R$ 31,43, com valorização de 10,24%. No ano, porém, caem 39,78%.

Banco amarrado

O Banco do Brasil é uma empresa de economia mista e faz parte da administração pública indireta. O banco tem capital aberto, mas a maior parcela das ações com direito a voto pertence ao governo. Nas palavras de Paulo Guedes, “não é tatu nem cobra, porque ele não é privado, nem público”.

O ministro reclamou que não consegue fazer as coisas que o governo quer. Guedes diz que o presidente do BB, Rubem Novaes, é “superliberal”, mas se pedir para ele baixar os juros, ele vai dizer que não pode, porque os acionistas minoritários serão contrários. Se pedir para subir os juros, ele vai dizer que não pode porque o governo é contra. “O Banco do Brasil é um caso pronto de privatização”, afirmou o ministro.

Guedes insistiu três vezes com o presidente do Banco do Brasil: “Confessa o seu sonho [de privatizar]”. Bolsonaro tentou impedi-lo duas vezes: “Faz assim: só em [dois mil e] vinte e três você confessa, agora não”. Até que Rubem Novaes cede: “Em relação (risos) à privatização, eu acho que fica claro que com o BNDES, cuidando do desenvolvimento, e com a Caixa cuidando da área social, o Banco do Brasil estaria pronto para um programa de privatização, né?”

Rubem Novaes concluiu o diálogo sobre o banco, propondo a criação de um seminário. Afirma que o BB tem privilégios históricos — como administrar folhas de pagamento do funcionalismo e depósitos judiciais. Diz ainda que a instituição paga “muito caro por antigos privilégios” e que “fica só o lado ruim de ser estatal, pesando no Banco do Brasil”.

“A gente não tem a mesma facilidade de contratação, a gente não tem a mesma facilidade de demissão de maus funcionários. Quer dizer, tudo tem que submeter ao governo, tem o Tribunal de Contas travando tudo, não é? Tribunal de Contas é, hoje em dia, é uma usina de terror”, afirmou o presidente do BB.

Fonte: Correio Braziliense com Uol

Pagamentos de contas em bancos digitais e agenda do BC afetam ações de bancões na Bolsa

Publicado em: 15/01/2020


Itaú (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB3) amanheceram em queda superior ao Ibovespa nesta quarta-feira (15) após o Valor revelar que Banco Central (BC), Receita Federal e Secretaria do Tesouro Nacional buscam viabilizar o pagamento de contas e tributos a partir de bancos digitais – as fintechs.

Limitados aos grandes bancos, os serviços de cobrança e arrecadação são uma barreira entre o consumidor e o abandono completo dos grandes bancos. Essas atividades representaram 8,3% da receita total de prestação de serviços dos cinco maiores bancos do país. Portanto, a liberação para todas as empresas do segmento financeiro ameaça parte relevante da receita dos “bancões”.

Repercutindo a notícia, algumas casas de análise reforçaram um recado que vêm passando desde o início do ano: com uma lista de iniciativas em prol da competição bancária nas mãos do BC, não parece um bom momento para investir em ações dos grandes bancos.

A saber, o regulador promete, para os próximos meses, avanços importantes em frentes como o open banking, que garante acesso a informações de consumidores brasileiros por instituições menores, diminuindo a assimetria das informações (que favorecia os grandes bancos) e potencialmente diminuindo os juros bancários.

Outra frente de estudos é o fast payment, uma tecnologia em nuvem que permite pagamentos e transferências instantâneas sem intermediação de bandeiras ou credenciadoras, diretamente entre duas contas (seja de pessoas físicas ou de empresas).

“As notícias neste sentido não serão favoráveis àqueles que apostam em um bom ano para as ações de bancos”, escreveu o Bradesco BBI em relatório. “Preferimos cautela e mantemos a visão que vimos defendendo desde setembro de 2019”.

Para a equipe da XP Research, a liberação de pagamentos “pode pressionar o setor, dado que a ampliação da oferta de serviços pelos bancos digitais é um forte diferencial competitivo”. Marcel Campos, analista da XP, disse durante o evento Onde Investir 2020, do InfoMoney, que, excetuando o Banco do Brasil, nenhum dos grandes bancos deve ver aumento de margem financeira neste ano.

No acumulado do ano, as ações do Santander perdem 2,12%; papéis do Bradesco veem queda de 4,53%; as ações PN do Itaú caem 6,37% e o Banco do Brasil derrete 7,15%.

Fonte: Infomoney

Banco do Brasil vira ação preferida de investidor com Bolsonaro

Publicado em: 10/01/2019


A ascensão de Jair Bolsonaro à presidência tornou o Banco do Brasil favorito entre os investidores que esperam lucrar com a nova administração. Maior banco estatal do país em ativos, o papel caiu no gosto de gestores e de analistas que apostam que melhorias de gestão e vendas de ativos podem aproximar os múltiplos do banco de seus pares não estatais. Outra vantagem é que, diferentemente da Petrobras, o banco não é dependente de preços de commodities.

Enquanto o governo já disse que o BB não será privatizado, o novo presidente da instituição financeira Rubem Novaes mencionou que venderia ativos não “core” e possivelmente buscará parceiros para algumas das “jóias da coroa” da instituição. No passado, quando o banco precisava levantar capital, ele se desmembrou e vendeu parte de seus negócios de seguros e de cartão de crédito. “As privatizações seriam a cereja do bolo, mas não são necessárias para uma valorização nas empresas estatais”, disse João Braga, co-diretor de ações da XP Asset Management.

O otimismo é generalizado entre analistas de buyside e de sellside. Felipe Guerra, um dos sócios fundadores da Legacy Capital Gestão de Investimentos, disse que as vendas de ativos podem “desbloquear valor oculto” e fazer o banco subir mais que os rivais. Os analistas do Morgan Stanley citaram razões semelhantes na inclusão do banco como uma das 10 principais escolhas na América Latina, enquanto uma pesquisa do Bank of America Merrill Lynch com gestores de fundos mostrou que as apostas mais “concorridas” na região eram montar posição “comprada no setor financeiro do Brasil” e “comprada em empresas estatais brasileiras ” – com o Banco do Brasil se encaixando nas duas.

O Banco do Brasil já avançou para se tornar mais eficiente nos últimos dois anos. A rentabilidade aumentou para mais que o dobro do que foi quando Michel Temer assumiu o cargo de presidente em 2016, com o banco implementando um programa de demissão voluntária, recuando no crédito corporativo e dando um impulso a seus negócios geradores de tarifas.

Nem todos os analistas estão convencidos de que vender ativos é uma coisa boa. Os analistas do Citigroup Jörg Friedemann e Gabriel Nobrega rebaixaram o banco para neutro no mês passado, dizendo que os desinvestimentos podem prejudicar a rentabilidade. Eles observam que, depois que o banco vendeu uma participação na BB Seguridade, nunca retornou aos níveis de seus pares não estatais.

Fonte: Portal Uol

Com o olho na rentabilidade, BB descarta cortar juro logo

Publicado em: 02/12/2016


Para tentar reverter o longo ciclo de queda da rentabilidade, o Banco do Brasil vai concentrar esforços nos próximos trimestres no controle de custos administrativos e na redução das despesas com provisões para calotes. Corte de juro, por enquanto, nem pensar.

“Não estamos satisfeitos com a rentabilidade que temos hoje”, disse nesta quinta-feira o diretor financeiro e de relações com investidores do banco, Maurício Coelho, ao comentar os resultados do terceiro trimestre.

Como resultado da decisão de anos atrás de atender o pedido do governo federal, seu controlador, de ampliar a oferta de crédito na fracassada tentativa de reanimar a economia, o BB tem agora enfrentado perdas crescentes com calotes.

Como resultado, a rentabilidade sobre o patrimônio, que mede como os bancos remuneram o capital do acionista, foi de 9,6 por cento no terceiro trimestre, queda de 4,6 pontos percentuais sobre mesma etapa do ano passado. Assim, o BB piorou pela segunda vez no ano a previsão de rentabilidade em 2016, de 9 a 12 por cento para 8 a 10 por cento.

“Nossa meta é nos aproximarmos de índices de rentabilidade mais próximos aos de nosso rivais privados”, disse Coelho, mas sem apontar quando isso poderá acontecer.

Para comparação, o índice do Bradesco no terceiro trimestre foi de 17,6 por cento, enquanto o do Itaú Unibanco chegou a 19,9 por cento.

Em relatórios, analistas, na maioria, consideraram o balanço do terceiro trimestre do BB construtivo, uma vez que a despesa com provisão para calotes já caiu em relação ao trimestre anterior, o que ajudou o lucro a ficar acima da previsão média.

“Os números do trimestre sugerem que o pior em termos de provisões ficou para trás”, escreveram os analistas Eduardo Nishio e Marcelo Atallah, do Brasil Plural.

Simultaneamente, o BB teve maiores margens com crédito, mesmo num período de contração dos empréstimos, significando que repassou aos tomadores taxas de juros mais altas.

E os executivos sinalizaram que esse rumo não será revertido tão cedo, mesmo com o início do ciclo de corte da taxa básica de juros pelo Banco Central no mês passado.

“Além da queda da Selic, é preciso uma melhora da percepção de risco”, disse Coelho a jornalistas durante apresentação dos resultados do BB referentes ao terceiro trimestre.

Em outubro, o BC cortou a Selic de 14,25 para 14 por cento ao ano, primeira redução em quatro anos.

De acordo com Coelho, a demanda por crédito seguirá fraca no último trimestre deste ano e os níveis de inadimplência do banco só vão parar de subir ao longo de 2017.

A despeito da ênfase declarada dos executivos do banco na melhora da rentabilidade e de uma recepção majoritariamente positiva de analistas, os investidores não mostram a mesma leitura. Num dia bastante negativo da bolsa paulista, às 17:28, a ação do BB caía 5,5 por cento, mais que a queda de 2,4 por cento do Ibovespa no mesmo horário.

Fonte: http://exame.abril.com.br/negocios/como-olho-na-rentabilidade-bb-descarta-cortar-juro-logo/

Patrimônio do fundo soberano quase dobra com ações do BB

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O patrimônio do Fundo Soberano do Brasil (FSB) praticamente dobrou devido à valorização ao longo deste ano das ações do Banco do Brasil que compõem a maior parte de sua carteira. A posição mais recente, relativa ao dia 9 de novembro, do patrimônio do FSB era de R$ 3 bilhões, ante R$ 1,6 bilhão no fim do ano passado. Mesmo com as quedas recentes, a ação do BB, que representa 95% do patrimônio do fundo, sobe mais de 66% neste ano.

O governo contabiliza R$ 2,4 bilhões de receitas com o FSB na proposta de orçamento de 2017, recurso que obterá com a venda desses papéis e a liquidação do fundo. O problema é que terá de tomar cuidado quando despejar as ações no mercado para que não haja uma desvalorização excessiva do patrimônio do fundo, o que, na prática, reduziria essa receita. O valor previsto no orçamento é ligeiramente inferior ao saldo que havia na carteira do fundo em agosto, quando a peça foi enviada ao Congresso Nacional.

A estratégia para a redução da carteira de ações ainda não está definida e o assunto é tratado com sigilo pelo Tesouro Nacional. Procurada, a instituição se limitou a dizer que “não se manifesta sobre estratégia de gestão de ativos precificados em mercado”. Uma fonte do governo disse que está se procurando uma alternativa que não gere impacto relevante nos preços das ações. Uma outra fonte disse que uma alternativa que chegou a ser discutida no Banco do Brasil, ainda no governo Dilma Rousseff, seria a venda em bloco dos papéis do BB a um grupo restrito de investidores, como forma de ter maior controle sobre o preço.

Em junho deste ano, a BBDTVM, responsável por gerenciar o Fundo Fiscal de Investimento e Estabilização (FFIE), o braço privado do FSB, fez, sem alarde, consulta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para ter respaldo jurídico de que não precisaria seguir uma instrução do órgão regulador (Instrução CVM 286/98) que vale para entidades públicas e estabelece regras mais rígidas em operações de ativos, inclusive obrigando-as a seguir, em determinados casos, a lei de licitações.

“Em sua consulta, a BB manifesta o entendimento de que a Instrução 286, que dispõe sobre a alienação de ações de propriedade de pessoas jurídicas de direito público e de entidades controladas direta ou indiretamente pelo Poder Público, não seria aplicável ao FFIE, que possui natureza privada e cujos direito, bens e obrigações não se comunicam com os de seu cotista exclusivo, a União”, informa a ata da reunião do colegiado que discutiu o assunto e aceitou a tese da gestora.

A consulta tinha por objetivo obter uma garantia formal de que a gestora terá liberdade para agir com o fundo do governo como pode atuar com qualquer fundo privado. Com isso, a gestora pode, por exemplo, contratar um prestador de serviços para auxiliar nas diferentes modalidades de venda de ações que podem ser acionadas para ter o menor impacto no mercado, garantindo ao máximo o valor dos ativos. Michael Viriato, coordenador do laboratório de finanças do Insper, considera que, embora o FSB tenha a opção de vender as ações fora do mercado, esta alternativa não seria a melhor por ser menos transparente “No final do dia, o fundo é público.”

Para ele, o caminho é fazer um processo organizado e padronizado, passando pela bolsa, e em um modelo parecido com uma oferta primária ou secundária de ações. Viriato explica que, mesmo com o BB sendo uma empresa largamente conhecida, seria o caso de se contratar uma corretora para fazer “road show” e atrair investidores, explicando o potencial de valorização e ganhos com os papéis. Ele acredita que em um processo aberto e transparente pode até haver algum impacto de curtíssimo prazo no preço, mas que seria passageiro e corrigido à medida que as informações fossem sendo apresentadas ao mercado.

No ano passado, durante a gestão de Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, o Tesouro mandou que o FFIE iniciasse a venda das ações do BB sem avisar o mercado. A operação, contudo, foi notada e teve que ser interrompida após a venda de R$ 134 milhões e os preços serem derrubados.

Fonte: http://www.valor.com.br/financas/4775147/patrimonio-do-fundo-soberano-quase-dobra-com-bb