Investidores “compram” privatização do BB e ações sobem mais de 10%

Publicado em: 28/05/2020

No primeiro pregão da Bolsa de Valores de São Paulo depois da exibição do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, na qual discutiu-se a intervenção do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal, os investidores “compraram” com tudo a possibilidade de privatização do Banco do Brasil (BB). As ações da instituição registram alta de mais de 10%.

Os investidores se empolgaram com as declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, de que o BB está pronto para ser vendido. “Tem que vender a porra do Banco do Brasil logo”, disse ele. Bolsonaro ressaltou, porém, que a privatização do BB só ocorrerá em 2023, caso ele seja reeleito.

Não é de hoje que se sabe que o Banco do Brasil vem sendo preparado para a privatização. Essa, por sinal, foi a principal missão dada por Paulo Guedes a Rubem Novaes, quando convidou o executivo para comandar o banco controlado pelo Tesouro Nacional.

Novaes deu passos importantes para enxugar o BB e entregá-lo, de preferência, ao capital estrangeiro com o argumento de que o governo quer aumentar a concorrência bancária no país. O BB, por sinal, já vendeu a participação que tinha na resseguradora IRB Brasil e na Neoenergia. Anunciou acordo para privatizar o BB Banco de Investimentos e avisou que venderá a BB DTVM e o BB Américas.

O presidente do BB é um dos mais radicais defensores de Bolsonaro. Tanto que endossa todo o discurso reacionário do chefe do Executivo. Não é só: a fidelidade de Novaes a Bolsonaro é tão canina, que o filho 02 do presidente, o vereador Carlos, obrigou a instituição a voltar a anunciar em sites especializados em espalhar fake news. Ao ser denunciado, o BB suspendeu as propagandas.

Para especialistas, o Banco do Brasil sempre pagou um preço alto por sob controle do Tesouro e por ser usado politicamente em troca de apoio ao governo no Congresso. Com a perspectiva de privatização, no entanto, uma outra perspectiva se abre. Às 16h51, as ações ordinárias do BB estavam cotadas a R$ 31,43, com valorização de 10,24%. No ano, porém, caem 39,78%.

Banco amarrado

O Banco do Brasil é uma empresa de economia mista e faz parte da administração pública indireta. O banco tem capital aberto, mas a maior parcela das ações com direito a voto pertence ao governo. Nas palavras de Paulo Guedes, “não é tatu nem cobra, porque ele não é privado, nem público”.

O ministro reclamou que não consegue fazer as coisas que o governo quer. Guedes diz que o presidente do BB, Rubem Novaes, é “superliberal”, mas se pedir para ele baixar os juros, ele vai dizer que não pode, porque os acionistas minoritários serão contrários. Se pedir para subir os juros, ele vai dizer que não pode porque o governo é contra. “O Banco do Brasil é um caso pronto de privatização”, afirmou o ministro.

Guedes insistiu três vezes com o presidente do Banco do Brasil: “Confessa o seu sonho [de privatizar]”. Bolsonaro tentou impedi-lo duas vezes: “Faz assim: só em [dois mil e] vinte e três você confessa, agora não”. Até que Rubem Novaes cede: “Em relação (risos) à privatização, eu acho que fica claro que com o BNDES, cuidando do desenvolvimento, e com a Caixa cuidando da área social, o Banco do Brasil estaria pronto para um programa de privatização, né?”

Rubem Novaes concluiu o diálogo sobre o banco, propondo a criação de um seminário. Afirma que o BB tem privilégios históricos — como administrar folhas de pagamento do funcionalismo e depósitos judiciais. Diz ainda que a instituição paga “muito caro por antigos privilégios” e que “fica só o lado ruim de ser estatal, pesando no Banco do Brasil”.

“A gente não tem a mesma facilidade de contratação, a gente não tem a mesma facilidade de demissão de maus funcionários. Quer dizer, tudo tem que submeter ao governo, tem o Tribunal de Contas travando tudo, não é? Tribunal de Contas é, hoje em dia, é uma usina de terror”, afirmou o presidente do BB.

Fonte: Correio Braziliense com Uol

Pagamentos de contas em bancos digitais e agenda do BC afetam ações de bancões na Bolsa

Publicado em: 15/01/2020


Itaú (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4) e Santander (SANB3) amanheceram em queda superior ao Ibovespa nesta quarta-feira (15) após o Valor revelar que Banco Central (BC), Receita Federal e Secretaria do Tesouro Nacional buscam viabilizar o pagamento de contas e tributos a partir de bancos digitais – as fintechs.

Limitados aos grandes bancos, os serviços de cobrança e arrecadação são uma barreira entre o consumidor e o abandono completo dos grandes bancos. Essas atividades representaram 8,3% da receita total de prestação de serviços dos cinco maiores bancos do país. Portanto, a liberação para todas as empresas do segmento financeiro ameaça parte relevante da receita dos “bancões”.

Repercutindo a notícia, algumas casas de análise reforçaram um recado que vêm passando desde o início do ano: com uma lista de iniciativas em prol da competição bancária nas mãos do BC, não parece um bom momento para investir em ações dos grandes bancos.

A saber, o regulador promete, para os próximos meses, avanços importantes em frentes como o open banking, que garante acesso a informações de consumidores brasileiros por instituições menores, diminuindo a assimetria das informações (que favorecia os grandes bancos) e potencialmente diminuindo os juros bancários.

Outra frente de estudos é o fast payment, uma tecnologia em nuvem que permite pagamentos e transferências instantâneas sem intermediação de bandeiras ou credenciadoras, diretamente entre duas contas (seja de pessoas físicas ou de empresas).

“As notícias neste sentido não serão favoráveis àqueles que apostam em um bom ano para as ações de bancos”, escreveu o Bradesco BBI em relatório. “Preferimos cautela e mantemos a visão que vimos defendendo desde setembro de 2019”.

Para a equipe da XP Research, a liberação de pagamentos “pode pressionar o setor, dado que a ampliação da oferta de serviços pelos bancos digitais é um forte diferencial competitivo”. Marcel Campos, analista da XP, disse durante o evento Onde Investir 2020, do InfoMoney, que, excetuando o Banco do Brasil, nenhum dos grandes bancos deve ver aumento de margem financeira neste ano.

No acumulado do ano, as ações do Santander perdem 2,12%; papéis do Bradesco veem queda de 4,53%; as ações PN do Itaú caem 6,37% e o Banco do Brasil derrete 7,15%.

Fonte: Infomoney

Banco do Brasil vira ação preferida de investidor com Bolsonaro

Publicado em: 10/01/2019


A ascensão de Jair Bolsonaro à presidência tornou o Banco do Brasil favorito entre os investidores que esperam lucrar com a nova administração. Maior banco estatal do país em ativos, o papel caiu no gosto de gestores e de analistas que apostam que melhorias de gestão e vendas de ativos podem aproximar os múltiplos do banco de seus pares não estatais. Outra vantagem é que, diferentemente da Petrobras, o banco não é dependente de preços de commodities.

Enquanto o governo já disse que o BB não será privatizado, o novo presidente da instituição financeira Rubem Novaes mencionou que venderia ativos não “core” e possivelmente buscará parceiros para algumas das “jóias da coroa” da instituição. No passado, quando o banco precisava levantar capital, ele se desmembrou e vendeu parte de seus negócios de seguros e de cartão de crédito. “As privatizações seriam a cereja do bolo, mas não são necessárias para uma valorização nas empresas estatais”, disse João Braga, co-diretor de ações da XP Asset Management.

O otimismo é generalizado entre analistas de buyside e de sellside. Felipe Guerra, um dos sócios fundadores da Legacy Capital Gestão de Investimentos, disse que as vendas de ativos podem “desbloquear valor oculto” e fazer o banco subir mais que os rivais. Os analistas do Morgan Stanley citaram razões semelhantes na inclusão do banco como uma das 10 principais escolhas na América Latina, enquanto uma pesquisa do Bank of America Merrill Lynch com gestores de fundos mostrou que as apostas mais “concorridas” na região eram montar posição “comprada no setor financeiro do Brasil” e “comprada em empresas estatais brasileiras ” – com o Banco do Brasil se encaixando nas duas.

O Banco do Brasil já avançou para se tornar mais eficiente nos últimos dois anos. A rentabilidade aumentou para mais que o dobro do que foi quando Michel Temer assumiu o cargo de presidente em 2016, com o banco implementando um programa de demissão voluntária, recuando no crédito corporativo e dando um impulso a seus negócios geradores de tarifas.

Nem todos os analistas estão convencidos de que vender ativos é uma coisa boa. Os analistas do Citigroup Jörg Friedemann e Gabriel Nobrega rebaixaram o banco para neutro no mês passado, dizendo que os desinvestimentos podem prejudicar a rentabilidade. Eles observam que, depois que o banco vendeu uma participação na BB Seguridade, nunca retornou aos níveis de seus pares não estatais.

Fonte: Portal Uol

Com o olho na rentabilidade, BB descarta cortar juro logo

Publicado em: 02/12/2016


Para tentar reverter o longo ciclo de queda da rentabilidade, o Banco do Brasil vai concentrar esforços nos próximos trimestres no controle de custos administrativos e na redução das despesas com provisões para calotes. Corte de juro, por enquanto, nem pensar.

“Não estamos satisfeitos com a rentabilidade que temos hoje”, disse nesta quinta-feira o diretor financeiro e de relações com investidores do banco, Maurício Coelho, ao comentar os resultados do terceiro trimestre.

Como resultado da decisão de anos atrás de atender o pedido do governo federal, seu controlador, de ampliar a oferta de crédito na fracassada tentativa de reanimar a economia, o BB tem agora enfrentado perdas crescentes com calotes.

Como resultado, a rentabilidade sobre o patrimônio, que mede como os bancos remuneram o capital do acionista, foi de 9,6 por cento no terceiro trimestre, queda de 4,6 pontos percentuais sobre mesma etapa do ano passado. Assim, o BB piorou pela segunda vez no ano a previsão de rentabilidade em 2016, de 9 a 12 por cento para 8 a 10 por cento.

“Nossa meta é nos aproximarmos de índices de rentabilidade mais próximos aos de nosso rivais privados”, disse Coelho, mas sem apontar quando isso poderá acontecer.

Para comparação, o índice do Bradesco no terceiro trimestre foi de 17,6 por cento, enquanto o do Itaú Unibanco chegou a 19,9 por cento.

Em relatórios, analistas, na maioria, consideraram o balanço do terceiro trimestre do BB construtivo, uma vez que a despesa com provisão para calotes já caiu em relação ao trimestre anterior, o que ajudou o lucro a ficar acima da previsão média.

“Os números do trimestre sugerem que o pior em termos de provisões ficou para trás”, escreveram os analistas Eduardo Nishio e Marcelo Atallah, do Brasil Plural.

Simultaneamente, o BB teve maiores margens com crédito, mesmo num período de contração dos empréstimos, significando que repassou aos tomadores taxas de juros mais altas.

E os executivos sinalizaram que esse rumo não será revertido tão cedo, mesmo com o início do ciclo de corte da taxa básica de juros pelo Banco Central no mês passado.

“Além da queda da Selic, é preciso uma melhora da percepção de risco”, disse Coelho a jornalistas durante apresentação dos resultados do BB referentes ao terceiro trimestre.

Em outubro, o BC cortou a Selic de 14,25 para 14 por cento ao ano, primeira redução em quatro anos.

De acordo com Coelho, a demanda por crédito seguirá fraca no último trimestre deste ano e os níveis de inadimplência do banco só vão parar de subir ao longo de 2017.

A despeito da ênfase declarada dos executivos do banco na melhora da rentabilidade e de uma recepção majoritariamente positiva de analistas, os investidores não mostram a mesma leitura. Num dia bastante negativo da bolsa paulista, às 17:28, a ação do BB caía 5,5 por cento, mais que a queda de 2,4 por cento do Ibovespa no mesmo horário.

Fonte: http://exame.abril.com.br/negocios/como-olho-na-rentabilidade-bb-descarta-cortar-juro-logo/

Patrimônio do fundo soberano quase dobra com ações do BB

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O patrimônio do Fundo Soberano do Brasil (FSB) praticamente dobrou devido à valorização ao longo deste ano das ações do Banco do Brasil que compõem a maior parte de sua carteira. A posição mais recente, relativa ao dia 9 de novembro, do patrimônio do FSB era de R$ 3 bilhões, ante R$ 1,6 bilhão no fim do ano passado. Mesmo com as quedas recentes, a ação do BB, que representa 95% do patrimônio do fundo, sobe mais de 66% neste ano.

O governo contabiliza R$ 2,4 bilhões de receitas com o FSB na proposta de orçamento de 2017, recurso que obterá com a venda desses papéis e a liquidação do fundo. O problema é que terá de tomar cuidado quando despejar as ações no mercado para que não haja uma desvalorização excessiva do patrimônio do fundo, o que, na prática, reduziria essa receita. O valor previsto no orçamento é ligeiramente inferior ao saldo que havia na carteira do fundo em agosto, quando a peça foi enviada ao Congresso Nacional.

A estratégia para a redução da carteira de ações ainda não está definida e o assunto é tratado com sigilo pelo Tesouro Nacional. Procurada, a instituição se limitou a dizer que “não se manifesta sobre estratégia de gestão de ativos precificados em mercado”. Uma fonte do governo disse que está se procurando uma alternativa que não gere impacto relevante nos preços das ações. Uma outra fonte disse que uma alternativa que chegou a ser discutida no Banco do Brasil, ainda no governo Dilma Rousseff, seria a venda em bloco dos papéis do BB a um grupo restrito de investidores, como forma de ter maior controle sobre o preço.

Em junho deste ano, a BBDTVM, responsável por gerenciar o Fundo Fiscal de Investimento e Estabilização (FFIE), o braço privado do FSB, fez, sem alarde, consulta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para ter respaldo jurídico de que não precisaria seguir uma instrução do órgão regulador (Instrução CVM 286/98) que vale para entidades públicas e estabelece regras mais rígidas em operações de ativos, inclusive obrigando-as a seguir, em determinados casos, a lei de licitações.

“Em sua consulta, a BB manifesta o entendimento de que a Instrução 286, que dispõe sobre a alienação de ações de propriedade de pessoas jurídicas de direito público e de entidades controladas direta ou indiretamente pelo Poder Público, não seria aplicável ao FFIE, que possui natureza privada e cujos direito, bens e obrigações não se comunicam com os de seu cotista exclusivo, a União”, informa a ata da reunião do colegiado que discutiu o assunto e aceitou a tese da gestora.

A consulta tinha por objetivo obter uma garantia formal de que a gestora terá liberdade para agir com o fundo do governo como pode atuar com qualquer fundo privado. Com isso, a gestora pode, por exemplo, contratar um prestador de serviços para auxiliar nas diferentes modalidades de venda de ações que podem ser acionadas para ter o menor impacto no mercado, garantindo ao máximo o valor dos ativos. Michael Viriato, coordenador do laboratório de finanças do Insper, considera que, embora o FSB tenha a opção de vender as ações fora do mercado, esta alternativa não seria a melhor por ser menos transparente “No final do dia, o fundo é público.”

Para ele, o caminho é fazer um processo organizado e padronizado, passando pela bolsa, e em um modelo parecido com uma oferta primária ou secundária de ações. Viriato explica que, mesmo com o BB sendo uma empresa largamente conhecida, seria o caso de se contratar uma corretora para fazer “road show” e atrair investidores, explicando o potencial de valorização e ganhos com os papéis. Ele acredita que em um processo aberto e transparente pode até haver algum impacto de curtíssimo prazo no preço, mas que seria passageiro e corrigido à medida que as informações fossem sendo apresentadas ao mercado.

No ano passado, durante a gestão de Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, o Tesouro mandou que o FFIE iniciasse a venda das ações do BB sem avisar o mercado. A operação, contudo, foi notada e teve que ser interrompida após a venda de R$ 134 milhões e os preços serem derrubados.

Fonte: http://www.valor.com.br/financas/4775147/patrimonio-do-fundo-soberano-quase-dobra-com-bb