BB diz que nova regra ambiental para crédito rural reduz riscos

Publicado em: 09/04/2026

O Banco do Brasil, principal financiador do agronegócio brasileiro, afirmou que a nova regra de monitoramento socioambiental para concessão de crédito rural fortalece a agenda de sustentabilidade do país e reduz riscos nas operações de financiamento.

“Entendemos que a iniciativa aprimora a destinação dos recursos, fortalece a agenda de sustentabilidade e contribui para a redução de riscos na concessão de crédito ao mitigar a exposição a produtores que possam vir a sofrer embargos ou restrições futuras. Sua implementação tende, ainda, a estimular uma postura mais pro-ativa dos produtores no processo de regularização ambiental”, informou o BB, em resposta à reportagem.

Há receios no setor produtivo de que a regra poderá travar o acesso a produtores que cumprem a legislação.

A nova norma, que entrou em vigor no dia 1º de abril, promoveu ajustes no sistema de avaliação de desmatamento ilegal, que passou a considerar a base oficial de dados consolidada pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), a partir das informações do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

“O direcionamento da medida é a mitigação do desmatamento ilegal. Nesse sentido, produtores que comprovem a regularidade da intervenção, mediante a apresentação da documentação prevista no próprio normativo, poderão dar prosseguimento à proposta de crédito”, avaliou o BB.

O Ministério do Meio Ambiente já disponibilizou orientações sobre o tema e ferramentas de consulta ao Cadastro Ambiental Rural (CAR) a ser considerado nas operações.

Fonte: Canal Rural

BB vê recuperação em andamento na agropecuária do Rio Grande do Sul

Publicado em: 20/03/2026

Após cinco safras frustradas, com seca, estiagem severa e enchente, a agropecuária do Rio Grande do Sul encontra-se em recuperação, avalia o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil (BB), Gilson Bittencourt. “O Rio Grande do Sul ainda vai demorar alguns anos para a recuperação. Em outras regiões, onde o problema foi mais pontual, o tempo de recuperação é muito mais rápido. Agora No Rio Grande do Sul, o processo vai demorar um pouco mais, e, por isso, a necessidade do melhor planejamento, do produtor olhar a sua atividade do ponto de vista produtivo e econômico em um prazo maior”, disse Bittencourt, em entrevista exclusiva ao Broadcast Agro , nos bastidores da Expodireto Cotrijal, feira agropecuária realizada em Não-me-Toque, no norte do Rio Grande do Sul.

Para Bittencourt, uma das necessidades dos agricultores gaúchos será a busca da constância. “Não adianta ter uma produtividade em uma determinada região de 60 a 70 sacas de soja por hectare em um ano, que é uma boa produtividade, e nos dois, três anos seguintes, obter com 20 a 30 sacas de soja”, apontou. Isso perpassa o investimento em solos, em tecnologia ou até mesmo a mudança de atividade, segundo ele, pra que os produtores possam manter renda constante no longo prazo. “O Rio Grande do Sul ainda tem muito trabalho a fazer, que não é somente um trabalho do produtor. Os produtores têm mostrado essa resiliência, mas é um trabalho que envolve também assistência técnica das instituições financeiras, dos órgãos governamentais, para incentivar cada vez mais adoção de tecnologias e mecanismos de redução e mitigação dos efeitos climáticos que o Estado tem vivenciado nesses últimos anos”, observou.

Na análise do vice-presidente do BB, o Estado tem produtores em diferentes situações quanto a regiões, culturas e perfil de produtor. “Em determinadas regiões, o impacto foi menor. Há um conjunto de produtores que está em uma situação razoável, não estão endividados, estão com operações de investimento vigentes e adimplentes. Talvez este grupo seja a maior parte dos produtores”, apontou Bittencourt.

Outro grupo de produtores foi afetado pelos eventos climáticos adversos e prorrogou as dívidas, com as renegociações afetando seu fluxo de caixa. “Esse grupo de produtor é o que tem maior dificuldade hoje. Estamos que parte importante desses produtores tenham sido atendidos pela Medida Provisória 1314 de renegociação de dívidas”, pontuou o executivo do BB. O banco registrou R$ 3,3 bilhões em operações de renegociação com juros controlados, sendo grande fatia referente a débitos de produtores do Rio Grande do Sul. “Acreditamos que esse fôlego vai dar condição de recuperação desses produtores que estavam com um problema maior de fluxo de caixa por renegociações anteriores”, pontuou Bittencourt.

Ele destacou, ainda, que parcela das perdas verificadas nos últimos anos no Estado foi coberta pelo Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), o que evitou a necessidade de rolagem de financiamentos.

Uma terceira parcela de produtores, entretanto, ainda enfrenta dificuldades financeiras mesmo com a postergação dos financiamentos, apontou Bittencourt. “O maior desafio é buscar alternativas. Parte desses produtores precisará reestruturar os seus ativos e terá necessidade de repensar mecanismos de reduzir o seu endividamento, às vezes se desfazendo de um ativo que tenha sido adquirido, para permitir a manutenção na atividade”, avaliou o vice-presidente do BB.

A mitigação dos eventos climáticos extremos, que têm sido frequentes no Rio Grande do Sul, deve ser outra prioridade dos produtores, segundo Bittencourt, com o usos de novas tecnologias, desde irrigação à proteção do solo. “Não se trata de eliminar o risco, mas reduzir a perda, porque um solo melhor tem condições de suportar uma pequena seca. Em alguns casos, a possibilidade pode ser mudar o ciclo das culturas, em outros até mesmo mudar a atividade ou repensar as atividades dentro de cada área da propriedade”, acrescentou. O seguro é um dos instrumentos necessários na conjuntura da agropecuária gaúcha, completou.

Fonte: Investalk BB

BB diz que crédito privado ganha espaço no agro, mas tendência é equilíbrio

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Os instrumentos do mercado financeiro, como LCAs, CRAs, CPRs e Fiagros, têm ampliado participação no financiamento da safra brasileira nos últimos anos, mas o sistema tende a voltar ao equilíbrio histórico entre diferentes fontes de recursos, segundo o Vice-Presidente de Agronegócios do Banco do Brasil (BB), Gilson Bittencourt.

“Historicamente, o mercado financeiro é responsável por cerca de um terço do custeio da safra brasileira. Um terço o próprio produtor utiliza recursos próprios, um terço ele vai buscar seja em revendas de insumos ou em tradings, e um terço junto às instituições financeiras. Esse patamar vem se mantendo”, afirmou ao CNN Agro durante o Expodireto Cotrijal, no Rio Grande do Sul.

As linhas de crédito e outros instrumentos do mercado financeiro têm ganhado espaço como alternativa de funding para o agronegócio, em um cenário de maior custo do crédito e pressão financeira sobre parte dos produtores após eventos climáticos e oscilações de preços nos últimos anos.

Segundo dados do BC (Banco Central), entre julho e janeiro do ciclo atual, as contratações via instituições financeiras de CPR cresceram quase 50% na comparação anual, saltando de cerca de R$ 104 bilhões para aproximadamente R$ 154,8 bilhões.

O próprio desenho do Plano Safra já vem ganhando contornos nos quais esses instrumentos passam a ter participação maior no financiamento da atividade.

“Houve até um aumento da participação do sistema financeiro nos últimos anos. Agora a tendência é ter um retorno ao equilíbrio de um terço, um terço, um terço”, disse Bittencourt.

Desta forma, a avaliação dele é que as linhas com taxas controladas dentro do crédito bancário seguem operando normalmente, especialmente para agricultores familiares e médios produtores.

“Quando a gente olha os recursos controlados de custeio, especialmente Pronaf e Pronamp, além de uma parte para os demais produtores, eles estão fluindo normalmente. Tanto que essa semana o governo divulgou aumento na concessão de crédito para esses produtores”, disse.

Já as linhas com taxas livres, mais sensíveis ao patamar elevado da taxa básica de juros, têm apresentado maior retração.

“Onde houve uma redução foi especialmente nas linhas com taxa livre, que estão mais elevadas, considerando a Selic em 15%. Isso acaba penalizando ou dificultando o financiamento”, afirmou, dizendo que é esperado um corte na taxa básica de juros ainda no copom de março – como vem sendo sinalizado pelo próprio BC.

Endividamento e reorganização

Bittencourt afirmou que o cenário financeiro do setor varia conforme região e atividade. Enquanto parte dos produtores segue investindo, outros enfrentaram aperto no fluxo de caixa após eventos climáticos ou queda de preços.

“Bem, o Brasil é diverso e tem uma produção distinta, seja em relação a produtos, seja em relação à situação dos produtores. Então nós temos produtores que estão numa situação muito boa e estão conseguindo investir cada vez mais. E aí, seja pela região, seja pelo produto — café é um exemplo —, como a gente tem produtores que, em função de problemas climáticos ou de preços nos últimos anos, tiveram aperto no fluxo de caixa. Este é o momento em que eles estão mais cautelosos. Eu acho que é um bom momento de refletir e reorganizar as finanças”, afirmou.

Segundo ele, medidas recentes ajudaram produtores a reorganizar o fluxo de caixa.

“A Medida Provisória 1314, na qual o banco fez um grande número de operações, seja com recursos controlados, com taxa subsidiada vinda diretamente do governo, seja com recursos livres do banco, foi uma forma de contribuir para que os produtores reorganizassem seu fluxo de caixa e pudessem se reestruturar para os próximos anos, voltando a investir”, disse.

Ele destacou ainda que a maior parte dos produtores segue adimplente.

“O que é importante destacar é que a maior parte dos produtores, inclusive clientes do Banco do Brasil, estão adimplentes e vêm se mantendo adimplentes, sejam pequenos, médios ou uma parte importante dos grandes produtores”, afirmou.

Seguro e investimento em tecnologia

O diretor do BB afirmou que, no caso do Rio Grande do Sul, o seguro rural teve papel importante para manter a capacidade de pagamento de parte dos agricultores após eventos climáticos recentes.

“Quando a gente olha, inclusive pelos problemas que o Rio Grande do Sul teve nos últimos anos, em função de seca e da própria enchente, o seguro — especialmente o Proagro — teve um papel fundamental na manutenção da adimplência e, em muitos casos, inclusive zerando a dívida dos produtores com as instituições financeiras”, disse.

“Só nos últimos cinco anos foram quase R$ 30 bilhões pagos pelo Proagro para produtores, grande parte disso no Rio Grande do Sul”, acrescentou.

Para ele, além do seguro, será necessário ampliar investimentos em tecnologia para reduzir impactos climáticos.

“Eventos climáticos não são resolvidos apenas com seguro. Se o produtor acha que vai perder, o seguro sozinho não resolve. Nós precisamos investir em tecnologia para mitigar esses impactos”, afirmou.

“No Rio Grande do Sul há necessidade de investimento em recuperação de solos, melhoria da camada de proteção do solo para dar maior resistência a pequenas secas e veranicos, além de avanços em irrigação”, disse.

Segundo Bittencourt, o banco pretende apoiar esses investimentos.

“O Banco do Brasil quer ser parceiro nesse processo, financiando soluções e tecnologias que aumentem a resiliência do produtor”, afirmou.

Fonte: CNN Brasil

BB renegocia R$ 35,5 bilhões em dívidas rurais com base na MP 1.314/25

Publicado em: 26/02/2026

O Banco do Brasil atingiu a marca de R$ 35,5 bilhões em dívidas rurais renegociadas com base na Medida Provisória 1.314/25, que estabeleceu regras especiais para produtores rurais liquidarem e amortizarem operações de custeio, investimento e CPR. Ao todo, 29 mil operações de crédito foram prorrogadas, beneficiando 21 mil clientes. Do total renegociado, R$ 32,2 bilhões são referentes a operações com recursos livres e R$ 3,3 bilhões com fontes supervisionadas.

“Durante toda a vigência da MP, trabalhamos forte e conduzimos as operações com elevado rigor técnico, avaliando cuidadosamente a capacidade de pagamento dos produtores e a qualidade das garantias envolvidas. Nossa estratégia foi muito clara: apoiar os clientes na recomposição do fluxo de caixa, analisando caso a caso, e assegurando a continuidade da atividade produtiva. Com a renegociação, reafirmamos o papel do Banco do Brasil como parceiro estratégico do agro”, afirma Tarciana Medeiros, presidenta do BB.

Em 2025, a carteira agro do Banco do Brasil atingiu o montante de R$ 406,1 bilhões, com crescimento de 2,1% em 12 meses. Até dezembro, o BB desembolsou R$ 103,9 bilhões no âmbito do Plano Safra 2025/26, além de R$ 12,3 bi em linhas para a cadeia de valor. Do total de 281 mil operações contratadas, 73% foram destinadas à agricultura familiar (Pronaf) e médios produtores (Pronamp).

Fonte: Banco do Brasil

BB afasta cenário de crise para o agronegócio; desafios são pontuais

Publicado em: 29/01/2026

O Banco do Brasil (BBAS3) descartou a avaliação de que o agronegócio vive um momento de crise e afirmou que o setor enfrenta, na verdade, desafios pontuais.

Segundo o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do banco, Gilson Alceu Bittencourt, há produtores que passaram por dificuldades de fluxo de caixa. A situação é influenciada pela Selic mais elevada, prorrogações de custeio, condições climáticas adversas, problemas de preços e, principalmente, falhas de gestão.

“Quando você olha o agro como um todo, não vê uma crise. Os problemas estão concentrados nos grandes produtores, em função de decisões tomadas no passado, em um momento de margens muito favoráveis. O desafio é superar essas dificuldades no médio e longo prazo. A crise não está nos pequenos e médios”, afirmou.

As declarações foram feitas durante um painel sobre grãos e infraestrutura, no segundo dia do Latin America Investment Conference, evento promovido pelo UBS, em São Paulo.

Para enfrentar os problemas de liquidez, o Banco do Brasil tem atuado de forma intensa na renegociação de dívidas por meio da Medida Provisória (MP) 1.304.

“Com a MP, trouxemos uma solução para os produtores que realmente tiveram problemas de fluxo de caixa. Vale destacar que a grande maioria não precisou recorrer à renegociação, mesmo com a Selic mais elevada”, disse Bittencourt.

No médio e longo prazo, o vice-presidente mantém uma visão positiva para o agronegócio, sustentada por três pilares: o aumento estrutural da demanda global por alimentos, proteínas e energia; a crescente exigência por sustentabilidade; e a vantagem competitiva do Brasil na produção sustentável.

Fonte: Money Times

Bancos públicos vão passar por auditoria para verificar práticas de venda casada

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O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu abrir uma auditoria operacional junto ao Banco Central e aos bancos públicos para inspecionar se há conformidade na concessão do crédito rural. Os ministros da corte aprovaram nesta quarta-feira, 28, o acórdão que prevê a medida. Entre os focos da auditoria, estará a verificação de vendas casada.

A lista das instituições que vão passar pelas inspeção relacionada ao crédito rural engloba:

  • Banco do Brasil;
  • Caixa Econômica Federal;
  • Banco da Amazônia (Basa);
  • Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES);
  • Banco do Nordeste (BNB).

Além de possíveis práticas abusivas, a decisão prevê análise sobre “transparência de taxas e encargos cobrados dos produtores rurais e adequação da governança e dos controles internos das instituições financeiras públicas federais na execução dessa política pública”. No Banco Central, a medida vai ser para verificar “a atuação supervisora” que a instituição tem.

No acórdão com deliberação dos ministros, não há previsão de que as instituições financeiras privadas sejam auditadas. No entanto, o voto do relator do processo, ministro Benjamin Zymler, aponta que o TCU tem competência para analisar bancos privados somente no âmbito das operações de crédito rural que envolvem recursos públicos, como os provenientes dos fundos constitucionais ou do Tesouro Nacional para fins de subsídios — Plano Safra.

O processo começou depois que a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou, em dezembro, um requerimento que solicita ao TCU a realização da auditoria. O escopo do pedido tinha uma abrangência mais ampla, mas a Corte reduziu alguns pontos da inspeção já que alguns outros processos recentes resultaram em relatórios para esses pontos. Aspectos como verificação de desvio de finalidade do uso do crédito rural e a transparência com as subvenções econômicas já foram auditadas anteriormente.

No fim, a decisão também aponta que os resultados da auditoria, bem como as medidas que o TCU adotará posteriormente à conclusão, serão comunicados ao presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS).

Fonte: Agro Estadão

Banco do Brasil desafia o mercado e vê recuperação do agro, mas números acendem alerta para 2026

Publicado em: 08/01/2026

O Banco do Brasil sustenta que o agronegócio já dá sinais de recuperação, mas dados de mercado e relatos de produtores indicam um cenário mais delicado. A inadimplência no crédito rural segue em alta, o crédito ficou mais restritivo e a carteira prorrogada do banco saltou para níveis recordes, criando riscos relevantes para resultados e dividendos em 2026.
Inadimplência no agro sobe e pressiona o crédito

O agronegócio brasileiro enfrenta um ciclo adverso marcado por queda nos preços das commodities agrícolas, aumento dos custos de produção e margens comprimidas. Nesse ambiente, a inadimplência rural avançou e forçou os bancos a endurecer as exigências de garantias.
No caso do Banco do Brasil, líder absoluto no crédito ao agro, a consequência direta é a redução da oferta de novos financiamentos, justamente em um momento em que o produtor depende de capital para plantar a próxima safra.

Carteira prorrogada dispara e vira ponto crítico

Um dos principais sinais de alerta está na chamada carteira prorrogada — créditos que ultrapassaram 90 dias sem pagamento e foram renegociados. Esse volume saiu de cerca de R$ 10 bilhões para mais de R$ 50 bilhões, transformando-se em um problema estrutural.

Embora essa carteira não apareça imediatamente como perda no balanço, ela representa risco real: em algum momento, o dinheiro precisa retornar ao banco. Com produtores descapitalizados e sem acesso a novo crédito, a capacidade de pagamento futuro fica comprometida.

Safra recorde não garante recuperação

O argumento de que safras recordes resolveriam o problema ignora um ponto central: volume sem preço não gera lucro.

Mesmo com produção elevada, a manutenção dos preços em patamares baixos impede que o produtor gere caixa suficiente para honrar dívidas antigas e novas. Esse descompasso mantém a pressão sobre o sistema financeiro rural e reduz a eficácia de planos de estímulo ao crédito.

Recuperações judiciais aumentam no campo

Diante da falta de perspectiva, cresce o número de produtores que recorrem à recuperação judicial. Ao contrário da narrativa de oportunismo, esse movimento reflete incapacidade real de pagamento.

O efeito colateral é grave: produtores em RJ ficam praticamente excluídos do sistema de crédito, reforçando um ciclo de queda — menos financiamento, menor produção rentável e menor chance de recuperação financeira.

Impacto direto nos resultados e dividendos

Com maior risco de crédito, aumento das provisões e crescimento limitado da carteira agro, o impacto tende a aparecer nos resultados do banco.

Para 2026, o cenário aponta lucro pressionado e dividendos mais fracos, contrariando expectativas de investidores que apostam em forte geração de caixa no curto prazo. O desempenho de bancos costuma cair rapidamente em ciclos de crédito adversos e levar anos para se recuperar.

Eleições podem mexer com a ação, mas não com os fundamentos

O debate eleitoral de 2026 adiciona volatilidade ao papel. Como estatal, o Banco do Brasil pode reagir positivamente a mudanças de humor político, independentemente dos fundamentos.

No entanto, movimentos de preço motivados por eleição tendem a ser desconectados da realidade operacional. Sem melhora efetiva nos preços das commodities agrícolas, a recuperação estrutural do banco permanece limitada.

Apesar do discurso otimista, os dados indicam que o agro ainda atravessa um ciclo difícil. Inadimplência elevada, carteira prorrogada bilionária e crédito restrito tornam o cenário do Banco do Brasil mais desafiador para 2026.

A recuperação sustentável depende menos de discursos e mais de uma virada no ciclo de preços das commodities — condição que, até agora, ainda não se confirmou.

Fonte: A Revista

Justiça do MA concede liminar e suspende cobrança de crédito rural do BB

Publicado em: 19/12/2025

Em caso patrocinado pela banca LCB Advogados, a Justiça do Maranhão concedeu tutela de urgência em favor de produtores rurais da pecuária de corte, reconhecendo o direito ao alongamento da dívida rural e suspendendo imediatamente a exigibilidade de financiamentos bancários contratados junto ao Banco do Brasil.

A decisão também impediu a negativação dos produtores, afastou a cobrança de encargos moratórios e preservou as garantias, assegurando a continuidade da atividade rural enquanto o mérito da ação é analisado.

Os produtores rurais exercem atividade de recria e engorda de gado de corte. Para fomento da atividade, contrataram três operações de crédito rural formalizadas por meio de Cédulas de Crédito Bancário.

Entretanto, a atividade foi severamente impactada por fatores adversos e imprevisíveis. Houve queda abrupta no preço da arroba do boi gordo, elevação extraordinária dos custos de produção e, ainda, um fato de força maior que agravou significativamente a situação financeira: o colapso de uma ponte interestadual, peça essencial da infraestrutura logística regional.

O evento comprometeu a logística regional, dificultando o escoamento da produção pecuária, circunstância que levou à decretação de Estado de Calamidade Pública tanto pelo município afetado, quanto pelo Estado do Maranhão.

Diante desse cenário, os produtores buscaram administrativamente a prorrogação das dívidas, apresentando laudos técnicos e documentação comprobatória. O banco, contudo, exigiu o pagamento de entrada e impôs significativa majoração dos juros.

Ao analisar o pedido de tutela de urgência, o juízo reconheceu a presença dos requisitos do art. 300 do CPC.

Quanto à probabilidade do direito, destacou que a legislação especial do crédito rural (Lei nº 4.829/65 e Manual de Crédito Rural) assegura ao produtor o direito ao alongamento quando comprovadas dificuldades temporárias decorrentes de fatores adversos. O magistrado citou expressamente a Súmula 298 do STJ, ressaltando que o alongamento da dívida rural não constitui faculdade da instituição financeira, mas direito do devedor.

A decisão ressaltou que os documentos apresentados — decretos de calamidade pública e laudo técnico — demonstraram que o inadimplemento não decorreu de má-fé, mas de risco sistêmico, justificando a readequação do cronograma de pagamento à capacidade real de geração de caixa dos produtores.

Quanto ao perigo de dano, o juízo reconheceu que a negativação e o vencimento antecipado das dívidas inviabilizariam a continuidade da atividade pecuária, comprometendo a própria fonte pagadora e conduzindo à insolvência da empresa rural.

Diante disso, a Justiça:

  • determinou a suspensão da cobrança das três cédulas de crédito bancário;
  • impediu a negativação dos nomes dos produtores em cadastros restritivos de crédito.

A liminar concedida no Maranhão reafirma que o crédito rural é instrumento de política agrícola e não mera relação bancária comum. Quando preenchidos os requisitos legais, o produtor tem direito à readequação de suas dívidas e à preservação de sua atividade.

A decisão também demonstra sensibilidade do Judiciário à realidade do campo, reconhecendo que a restrição de crédito, em tais circunstâncias, pode levar ao colapso da atividade produtiva.

Decisões como essa oferecem segurança jurídica aos produtores rurais e sinalizam que o Judiciário está atento aos efeitos reais das crises que atingem o setor agropecuário.

Fonte: Direito Rural

BB renegociou R$ 1,8 bilhão de dívidas de produtores rurais do RS

Publicado em: 12/12/2025

O Banco do Brasil (BB) renegociou R$ 1,8 bilhão em dívidas de produtores rurais no Rio Grande do Sul, informou a instituição financeira em nota. As renegociações ocorrem pelas condições da Medida Provisória 1.314/25, com regras especiais para produtores rurais liquidarem e amortizarem operações de custeio, investimento e Cédulas de Produto Rural (CPRs).

Do montante, R$ 672 milhões são referentes a operações com recursos livres e R$ 1,2 bilhão em operações com fontes controladas.

Produtores com perdas mínimas de 30% em duas ou mais safras a partir de 2020, com fluxo de caixa comprometido e que estejam localizados nos municípios elegíveis podem acessar os financiamentos com recursos operados pelo BNDES, prazo de pagamento de até nove anos.

De acordo com o banco, mais de 30 mil produtores rurais do Rio Grande do Sul estão aptos a regularizar suas dívidas com base nas condições da MP.

“Há produtores que se enquadram na MP e ainda não nos procuraram”, disse o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do BB, Gilson Bittencourt, em nota. “Sabemos que cada um deles vive uma combinação diferente de fatores, como preço, clima, juros e prorrogações anteriores. Por isso é importante nos procurar para ajustar parcelas e dar fôlego imediato ao fluxo de caixa”, acrescenta.

Fonte: Infomoney

BB e Mapa vão ao Paraná destravar as renegociações de dívidas rurais

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O Banco do Brasil e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) iniciaram, nesta quarta-feira, 10, e segue durante essa quinta-feira, 11, mais uma rodada de reuniões para destravar a renegociação de dívidas rurais prevista na MP 1.314/2025.

Depois do Rio Grande do Sul, agora, os gestores vão ouvir o setor produtivo no Paraná. A largada aconteceu no fim da tarde desta quarta, na sede da Federação da Agricultura do Estado (Faep). Nesta quinta-feira, os encontros agendados na Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), na Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores Familiares (Fetaep) e no Sindicato e Organização das Cooperativas (Ocepar) são também para discutir alternativas que ampliem o acesso aos recursos subsidiados.

Conforme a última atualização do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), apenas R$ 4,1 bilhões dos R$ 12 bilhões disponíveis foram utilizados após mais de 50 dias de operação. Desse montante, cerca de R$ 670 milhões foram negociados no Banco do Brasil, pouco mais de 10% do total reservado pelo governo à instituição — que é o maior operador rural de crédito do País.

Até esta quarta-feira, o BNDES aprovou R$ 60,6 milhões no Paraná em operações realizadas no âmbito da MP. Já o Banco do Brasil liberou R$ 41 milhões em operações com equalização e outros R$ 1,1 bilhão em linhas de crédito livre.

Regras muito restritivas, aponta FAEP

Assim como no Rio Grande do Sul, as entidades do Paraná apontam que os critérios definidos após a publicação da MP dificultam o acesso às renegociações. Segundo Jefrey Albers, gerente do Departamento Técnico e Econômico do Sistema Faep, a exigência de decretos de emergência pelos municípios e a metodologia de cálculo das perdas reduziram drasticamente o número de produtores enquadrados.

“Essas regras acabaram sendo muito restritivas. Muitos municípios não decretaram emergência no período da perda, e o índice de produtividade utilizado prejudicou ainda mais o enquadramento. O resultado é que muito poucos produtores estão conseguindo acessar esses 12 bilhões”, afirmou.

Albers também ressalta que, quando o produtor não consegue enquadramento na linha subsidiada, acaba migrando para o crédito mais caro. “Se o banco usa recurso próprio com juros livres, o custo maior pode potencializar ainda mais o endividamento. Ao invés de resolver o problema, piora”, destacou.

Flexibilização

A Faep solicitou às entidades ligadas ao Conselho Monetário Nacional a flexibilização imediata dos critérios. A proposta é que um laudo técnico individual, emitido por engenheiro agrônomo ou assistência técnica especializada, substitua a necessidade de decreto municipal de emergência. “Se o produtor comprovar a perda, não faz sentido exigir que todo o município tenha sido afetado”, afirmou.

Outro entrave é o ponto de corte de adimplência até junho de 2024, que excluiu agricultores já pressionados por dívidas acumuladas.” Infelizmente, os produtores do Paraná vêm acumulando perdas de vários anos e esse ano já não está boa a condição de safra também. Então, a colheita da primeira safra de soja e milho provavelmente já vai indicar alguma perda”, explicou.

Para ele, o setor deve discutir soluções mais amplas, como um programa de renegociação de longo prazo, semelhante às securitizações dos anos 1998 e 2000. “Há passivos no sistema financeiro, nas trades e nas revendas. A gente tem que considerar o mercado como um todo e a gente está numa rota de colisão, de inadimplência geral”, disse.

O dirigente afasta a expectativa de anistia. “O produtor financia com o compromisso de pagar. O que se busca são condições melhores, com taxas compatíveis e prazos longos para que as próximas safras gerem caixa”, afirmou.

Além da repactuação, a Faep planeja colocar na mesa também questões ligadas ao Seguro Rural, considerado peça-chave para mitigar novas perdas e evitar o agravamento da crise. “É outro braço importante. Precisamos de soluções combinadas para evitar que a situação piore”, afirmou Albers.

Fonte: Agro Estadão

BB defende criação de mecanismos para garantir ‘colchão de liquidez’ no agro

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Escalado para acelerar medidas de contenção e evitar uma crise com o salto da inadimplência na carteira de crédito rural do Banco do Brasil, o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar, Gilson Bittencourt, vê espaço para o setor agropecuário assimilar aprendizados no contexto de maior dificuldade financeira vivida por parcela dos produtores nos últimos anos e promover uma reorganização mais concreta para enfrentar percalços futuros sem tanta vulnerabilidade.

Ele defende que o setor agropecuário, em conjunto com o governo federal, o parlamento e o sistema financeiro, tente criar mecanismos que garantam um “colchão de liquidez” fomentado pelos rendimentos dos “anos de bonança” para suportar as crises cíclicas enfrentadas no campo, com clima mais extremo e sobressaltos nos preços das commodities, quando a gangorra se inverter.

“De tempos em tempos, uma parte dos produtores sofre, seja por problema climático, seja por problema de preços. Temos o desafio de criar algum colchão de liquidez para que os anos bons possam ajudar em anos ruins”, afirmou em conversa com jornalistas.

A medida – uma espécie de educação financeira setorial – pode ajudar a “equilibrar” o fluxo de caixa dos produtores, completou Bittencourt. “O setor empresarial urbano tem isso um pouco mais estruturado do que o rural”, citou. Ele não indicou qual seria o mecanismo para criar essa liquidez.

Bittencourt é crítico das escolhas feitas por parte dos produtores brasileiros nesses anos de bonança. Ele aponta que parcela majoritária das dívidas que afetam carteiras e balanços de várias instituições financeiras, não só do BB, é fruto de alavancagem acelerada, abertura de áreas, arrendamentos caros e compras de máquinas e equipamentos a preços inflacionados – decisões tomadas no afã do boom das commodities, dos preços recordes dos produtos agrícolas na pandemia e da Selic baixa – e não de adversidades climáticas.

O cálculo, nesse caso, foi feito considerando que os preços iriam se manter em patamares elevados “para sempre” e que os juros não subiriam na velocidade apurada desde então.

“O setor rural tem uma característica muito forte de que quando há um ano bom, todo o ganho vai para uma outra caixa, que pode ser mais terra, pode ser bens imóveis, etc. No outro ano, você tem um ano ruim, parece que aquele ano bom morreu e o ano ruim tem que ser tratado como uma especificidade. É um desafio que temos como um um país agrícola”, disse.

O problema é ainda maior para quem é arrendatário. “O custo do crédito do arrendamento está pesando no fluxo de caixa dos produtores. A inadimplência verificada em produtor arrendatário é quase o dobro da inadimplência verificada no produtor que é proprietário da área”, citou.

Recentemente, o Banco Central afirmou que produtores arrendatários que financiam 100% do seu custo operacional ficarão no vermelho nesta safra.

Impacto da inadimplência

A inadimplência do setor não é generalizada, destacou Bittencourt, mas afeta grandes produtores de regiões importantes, como o Centro-Oeste e o Matopiba (confluência dos Estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o que é significativo em termos de valores para as instituições financeiras.

“É uma situação muito localizada, em determinados setores, em determinados perfis de produtores e não é uma situação generalizada do agro. Logicamente, como pega produtores de maior porte, o impacto econômico passa a ser maior”, afirmou.

Nem a massificação do atual Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) seria capaz de evitar essa situação, apostou ele. “São situações que têm a ver com o fluxo de caixa. No geral, os preços não caíram tanto abaixo do que o seguro cobriria”, apontou.

“Quanto mais seguro, seja de preço ou climático, melhor para o produtor e para as instituições que financiam, mas ele não é a solução de todos os problemas”, completou.

Do lado das instituições financeiras, ele vê espaço para mudanças no tratamento dados nas prorrogações de dívidas, com apuração mais acurada do real impacto de uma frustração de safra ou de preço no fluxo de caixa do produtor. A ideia é dosar o tamanho dessa prorrogação para que uma medida de ajuda não piore o endividamento.

Segundo ele, perdas parciais têm sido tratadas com alongamento total das prestações. Assim, há injeção de liquidez em momento de renda menor no campo. No entanto, se houver nova quebra na safra seguinte, a situação fica mais apertada, com o custeio atual e a parcela do anterior a serem pagas pelo produtor descapitalizado. “Se dividir 100% de um custeio em três parcelas, no ano seguinte o produtor terá que pagar um custeio mais um terço, vai virar uma bola de neve”, disse.

A conjuntura da safra 2025/26 mostra um cenário de estabilidade de produção e de preços, disse Bittencourt, com recuos no desembolso de crédito a juros livres e pé no freio dos investimentos.

Fonte: Globo Rural

Banco do Brasil repactuou R$ 13,5 bilhões com recurso livre

Publicado em: 04/12/2025

O Banco do Brasil já aprovou R$ 13,5 bilhões em renegociações de dívidas rurais com recursos livres no âmbito da Medida Provisória 1.314/2025. Outros R$ 4,8 bilhões estão em análise, totalizando R$ 18,3 bilhões. O apetite continua baixo na linha com recursos públicos. Até agora, foram aprovados R$ 1,2 bilhão dos R$ 4,3 bilhões de saldo que o BB tem para operar. Outros R$ 522 milhões estão em análise.

Com a flexibilização que o Conselho Monetário Nacional (CMN) deu aos bancos para que eles cumpram a exigibilidade de aplicação de recursos direcionados das Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) por meio das renegociações, o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do BB, Gilson Bittencourt, espera alcançar os R$ 24 bilhões em operações a juros livres para repactuar as dívidas nas próximas semanas.

A demora para o início das operações, no fim de outubro, atrasou também uma melhora mais rápida no quadro de inadimplência do BB. “Em outubro, ainda vai ter uma inadimplência elevada. Ainda não fechamos os dados de novembro, mas a expectativa é que haja estabilidade no crescimento, talvez tenha alta, mas em um patamar menor. Já em dezembro, a expectativa é que consigamos ter um arrefecimento desses números”, afirmou o executivo.

Nesta semana, Bittencourt e representantes dos ministérios da Agricultura e Desenvolvimento Agrário vão ao Rio Grande do Sul para se reunir com associações de produtores para tentar entender os entraves no acesso aos recursos e os motivos de a demanda não estar dentro das expectativas iniciais. Representantes do banco também irão ao Paraná posteriormente. O executivo acredita que os recursos começarão a fluir em breve. O prazo para adesão é fevereiro de 2026.

Segundo Bittencourt, 40% das operações a juros livres têm sido contratadas a taxas pós-fixadas, medida que aposta na queda da taxa Selic a partir do ano que vem, entendimento incentivado pelo banco. “Tudo indica que haverá uma redução da Selic a partir do primeiro semestre do ano que vem, o que tende a seguir ocorrendo nos próximos anos. Quem optar pela taxa pós-fixada tem uma vantagem que o ganho efetivo da redução da Selic vai ser repassada para o produtor”, afirmou.

Ele admitiu que a taxa livre fixa para a renegociação, atualmente, é alta, em torno de 18% a 20% ao ano. “Mesmo que a Selic tenha alguns soluços nos próximos nove anos, eu diria que a probabilidade de a média da Selic ficar abaixo dos 15% é muito maior do que igual ou acima dos 15%”, afirmou. “Para nós é super positivo, porque levamos ao produtor esse ganho e, ao mesmo tempo, ele tem uma melhor capacidade de pagamento futura”, completou. O prazo máximo da linha de renegociação é de nove anos, com um de carência para pagamento dos juros.

Fonte: Globo Rural

BB espera arrefecimento da inadimplência do agronegócio ainda neste ano

Publicado em:

Após a inadimplência do agronegócio atingir o recorde de 5,34% do total da carteira de crédito do setor ao fim do terceiro trimestre deste ano, o Banco do Brasil espera começar a ver redução do indicador de atrasos em pagamentos de operações ainda neste ano. “A expectativa é de que a partir de dezembro, com as renegociações de crédito rural, consigamos ter um arrefecimento nesses números. O fato de ter demorado mais tempo que esperado para iniciar o processo de operação tardou um pouco nessa perspectiva”, disse o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do banco, Gilson Bittencourt, em conversa com jornalistas.

Em outubro, o indicador, que mensura atrasos superiores a 90 dias, ficou similar ao verificado ao fim de setembro, em virtude de as renegociações terem iniciado efetivamente somente no fim daquele mês, observou Bittencourt. “Em outubro, estávamos vivenciando a inadimplência que ocorreu em setembro. Portanto, ainda teremos uma inadimplência elevada em outubro. Em novembro, números ainda não fechados, a expectativa é de que haja estabilidade no crescimento, talvez em patamar menor de crescimento”, explicou o vice-presidente.

A inadimplência da carteira de agronegócio pressionou o desempenho do banco nos últimos trimestres, levando à queda expressiva nos resultados. “Parte da inadimplência vai para a provisão (de ativos problemáticos), sobre a qual há um processo posterior de recuperação de crédito, mas neste momento ela impacta diretamente o balanço do banco”, resumiu o executivo.

Em entrevistas recentes, a presidente do banco, Tarciana Medeiros, observou que o aumento da inadimplência do agronegócio levou a trimestres mais “estressados” e anteviu uma melhora a partir do quarto trimestre deste ano com inflexão da inadimplência a partir do primeiro trimestre de 2026. “De forma geral, o que foi apresentado no terceiro trimestre se mantém na mesma linha, pode ser um pouco mais para cá, um pouco mais para lá, mas em linha com o que foi divulgado”, apontou Bittencourt.

Bittencourt destacou que o aumento da inadimplência nos financiamentos relacionados ao setor agropecuário se espelha na maior parte das instituições financeiras e reflete a conjuntura atual do agronegócio. “O banco é mais um ator, um ator importante nesse cenário. O agro tem um peso na carteira do banco maior do que o agro tem na carteira de outros bancos”, pontuou. A carteira de agronegócio do BB somou R$ 398 bilhões ao fim de setembro, dados mais recentes, o que representa um terço da carteira total de crédito do banco. De acordo com o executivo, atualmente o atraso nos pagamentos de parcelas de crédito rural é concentrado, sobretudo, em operações de taxas livres – aquelas sem taxas subsidiadas pelo Tesouro.

Para Bittencourt, a disparada na inadimplência do setor está atrelada a uma conjuntura de fatores que pesaram com maior intensidade sobre determinadas cadeias e perfis de produtores. “Não é uma situação generalizada do agro. Logicamente, como atinge produtores de maior porte, o impacto econômico passa a ser maior”, observou. O executivo cita seis elementos que ajudam a explicar o atual panorama do setor e afetam os produtores individualmente ou de forma conjunta. Um deles é o aumento da alavancagem dos produtores entre 2020 e 2023, impulsionados por um ciclo de preços remuneradores de commodities e taxas atrativas de juros. Com a queda dos preços dos produtos agrícolas nestes dois últimos anos, produtores tiveram a capacidade de pagamento dos compromissos anteriores comprometida, observou Bittencourt.

Outro fator foram os eventos climáticos extremos que afetaram lavouras no Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, o que demandou a necessidade de prorrogações de dívidas pelos produtores rurais. “Seja pela enchente, seja pela seca, temos produtores pagando uma ou duas dessas parcelas prorrogadas somada a uma Selic mais alta nesse período, com taxas livres ficando em média de 18% a 20% hoje”, observou Bittencourt. O arrendamento com custos elevados acordados pelos produtores durante o período de maior rentabilidade nos anos de 2020 a 2023 também pesa no fluxo de caixa dos produtores, segundo o executivo. “A inadimplência verificada em produtores arrendatários é quase o dobro da inadimplência verificada em produtores que possuem a terra”, disse.

Um sexto elemento mencionado por Bittencourt para explicar o crescimento da inadimplência no agronegócio é o investimento por produtores em atividades fora do setor, o que diminuiu a disponibilidade de recursos próprio e fez com que eles demandassem mais crédito privado a custos maiores. “Quando são somados todos esses fatores se verifica que o problema central que vivemos hoje não é um problema de rentabilidade, porque a rentabilidade na maior parte das atividades agropecuárias está próxima dos níveis históricos bem como os preços estão próximos do patamar histórico”, afirmou Bittencourt. “A conta é mais apertada porque neste momento ele tem de pagar muitos compromissos e maiores do que a sua capacidade.”.

Na análise do executivo, há produtores com combinação de dois, três a quatro desses fatores, o que reduz a capacidade de pagamento das dívidas e a liquidez. “O restante da nossa carteira, a grande maioria dela, está super bem. Portanto, não é uma situação que afetou igualmente todos os produtores de todas as atividades, mas teve um peso num banco, como o Banco do Brasil, que um terço da sua carteira é do agronegócio”, ponderou. A entrada em vigor da resolução 4.966/2021 do Banco Central sobre a provisão de ativos problemáticos integra ainda essa equação para disparada da inadimplência no BB.

Além de buscar renegociar as dívidas dos produtores inadimplentes, o BB, segundo o vice-presidente, vem monitorando financiamento a financiamento. “Isso vai desde um olhar mais apurado sobre cada financiamento, sobre a fluidez dos setores e sobre regiões com perdas recorrentes na produção que podem gerar um endividamento maior, ao aperfeiçoamento no modelo de análise de risco até a exigência de garantias mais robustas”, pontuou. Em outra frente, o banco faz uma busca ativa de clientes ainda adimplentes, mas com sinalizações de que podem apresentar dificuldades de pagamento dos financiamentos para se antecipar a um eventual atraso no pagamento.

Fonte: Invest Talk BB

BB ameaça banir crédito a produtor rural que pedir recuperação judicial

Publicado em: 06/11/2025

O Banco do Brasil (BBAS3), maior financiador do agronegócio no país, ameaça suspender novos empréstimos a produtores que entrarem com pedido de recuperação judicial, em meio a uma onda de calotes nas regiões rurais.

“Eles não terão crédito hoje, amanhã nem nunca mais”, afirmou Felipe Prince, vice-presidente de controles internos e gestão de riscos, em entrevista. “A recuperação judicial é uma armadilha para o produtor — ele perde acesso ao crédito e não consegue plantar a próxima safra.”

O banco também vem adotando postura mais rígida nas negociações de dívida e maior cautela na concessão de crédito, exigindo pagamentos mais rápidos e garantias mais sólidas. A mudança ocorre após decisão judicial que permitiu a produtores individuais pedir proteção contra credores e após ajustes contábeis que levaram o banco a registrar, no segundo trimestre, o menor lucro em quase cinco anos.

Segundo dados do próprio banco, R$ 5,4 bilhões em empréstimos não estão sendo pagos devido a pedidos de recuperação judicial de 808 produtores rurais, num universo de 1 milhão de clientes e uma carteira de crédito para o setor agropecuário que somava R$ 404,9 bilhões em junho.

Prince, que trabalha no Banco do Brasil há mais de 25 anos, afirmou que o agronegócio passa por uma transformação profunda.

“Para se ter uma ideia da mudança de comportamento, 75% dos produtores inadimplentes estão nessa situação pela primeira vez”, disse.

Mesmo entre os que não buscaram proteção judicial, o atraso nos pagamentos cresceu. A taxa de inadimplência da carteira rural subiu 2,2 pontos percentuais em um ano, chegando a 3,5% em junho.

O aumento das provisões para perdas com crédito reduziu o retorno sobre o patrimônio líquido do banco de 21,6% para 8,4% no mesmo período. A queda no lucro do Banco do Brasil é um dos sinais mais claros das dificuldades enfrentadas por produtores e instituições financeiras em um dos maiores polos agrícolas do mundo.

Os custos maiores do crédito rural deixaram o Banco do Brasil com o pior desempenho entre os grandes bancos do país no primeiro semestre. Analistas esperam que essa diferença se mantenha.

“O Banco do Brasil deve ser o último a divulgar resultados e provavelmente o mais fraco do grupo”, escreveu Pedro Leduc, analista do Itaú BBA, em relatório sobre o terceiro trimestre. O balanço está previsto para 12 de novembro.

Gustavo Schroden, analista do Citigroup, afirmou em nota que o terceiro trimestre deve ser o pior do ano para o Banco do Brasil, diante da continuidade dos desafios no agronegócio.

Um programa de renegociação de dívidas lançado pelo governo ainda não deve ter impacto, já que o banco começou a oferecê-lo apenas no fim de outubro. Mesmo assim, eventuais sinais de adesão dos clientes serão um indicador relevante, segundo Schroden.

Mudança de relação

Produtores costumavam priorizar o pagamento ao Banco do Brasil, que responde por cerca de 60% do crédito rural no país — parte com juros subsidiados — e era visto como um parceiro de longo prazo.

“Fomos sempre o banco que voltava, negociava, prorrogava vencimentos e não cortava linhas de crédito”, disse Prince.

Quando não havia acordo, o risco era a perda da terra, já que muitos empréstimos eram garantidos por hipoteca.

O fortalecimento do agronegócio, especialmente durante e após a pandemia, atraiu novos financiadores que antes não atuavam no setor, como os Fiagros — fundos que investem em títulos lastreados em recebíveis do campo.

“Entrou mais crédito, mas foi justamente esse crédito que superalavancou o segmento”, afirmou Prince.

Depois vieram a queda nos preços das commodities, a alta dos juros e o aumento dos desastres climáticos. Com isso, os calotes cresceram e os Fiagros passaram a cobrar antecipação dos pagamentos, segundo o executivo.

Muitos produtores passaram a priorizar os títulos detidos por Fiagros ou recorreram à recuperação judicial, o que impede o Banco do Brasil de tomar as terras dadas em garantia.

“Há uma mudança de comportamento”, disse Prince. “E essa mudança nos obriga a nos adaptar a uma nova realidade.”

O banco agora exige uma camada extra de segurança para garantir que as terras dadas como garantia não sejam protegidas em processos de recuperação judicial. A instituição substituiu as hipotecas pela alienação fiduciária, modalidade em que o credor mantém a propriedade do bem até o pagamento integral da dívida.

Esse tipo de garantia encarece o crédito, elevando o custo para os produtores.

As mudanças também afetam o ritmo de liberação dos financiamentos, segundo relatório de analistas do JPMorgan liderado por Yuri Fernandes.

“Os novos desembolsos estão ocorrendo, mas de forma mais lenta, porque há exigência de mais garantias, o que demanda mais tempo”, escreveram.

O Banco do Brasil também reduziu o prazo para entrar em contato com o produtor após atraso de pagamento, de 30 para 5 dias. E encurtou o período antes de recorrer à Justiça, de 90 a 180 dias para 30 dias.

A instituição passou ainda a usar inteligência artificial para classificar clientes segundo sua capacidade de pagamento, mapeando onde pode ampliar crédito, renegociar dívidas ou suspender empréstimos.

As iniciativas de renegociação para evitar calotes também aumentaram.

“Não existe dívida que não possa ser negociada conosco”, afirmou Prince. “O produtor tem toda nossa disposição para conversar, não importa a complexidade da situação — exceto se ele pedir recuperação judicial.”

Fonte: Infomoney

BB dá início à renegociação de dívidas rurais com base na MP 1.314/2025

Publicado em: 23/10/2025

O Banco do Brasil deu início nesta terça-feira, 21 de outubro, à contratação de operações com base na MP 1.314/25, que prevê condições especiais para o produtor rural liquidar e amortizar operações de custeio, investimento e CPR. Produtores rurais, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas, e cooperativas agropecuárias já podem procurar as unidades de atendimento do BB para viabilizar a contratação de operação com recursos livres.

Com a nova linha BB Regulariza Agro, com fonte de recursos livres do Banco do Brasil, o produtor vai poder liquidar, amortizar e alongar dívidas de custeio, investimento e CPRs, inclusive as que já foram prorrogadas, renegociadas ou que estejam adimplentes, em regiões impactadas com perdas de safra decorrentes de eventos adversos e que causaram aumento do endividamento no Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR).

A regularização de operações com o uso de recursos subsidiados terá início em breve.

O valor a ser regularizado será definido conforme a necessidade e situação de cada cliente. O prazo pode chegar a até 9 anos, incluído aí até 1 ano de carência.

“São condições que trazem alívio no fluxo de caixa e previsibilidade financeira para o produtor rural, seja ele um agricultor familiar, médio ou grande produtor. Agora, o objetivo do BB é ajudar as famílias e as empresas do campo a renegociar suas dívidas, regularizar suas obrigações e retomar a produção. O agro é estratégico para o Banco e vamos seguir apoiando o setor com responsabilidade e visão de longo prazo”, afirma Gilson Bittencourt, vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do BB.

Para os produtores ou cooperativas cujos débitos não se enquadrem nos critérios da MP, o BB oferece outras possibilidades de soluções de dívidas.

Fonte: Banco do Brasil

BB vê ano de ajuste para o agronegócio: um grande desafio

Publicado em: 16/10/2025

O Banco do Brasil (BBAS3), que se autoproclama o maior parceiro do agronegócio, enxerga no ano de 2025 um momento de ajuste para o setor e para instituição. A avaliação é de Alberto Martinhago Vieira, diretor de agronegócios e agricultura familiar do BB. Esse ajuste, segundo ele, vem após dois anos de margens reduzidas e quebras climáticas em várias regiões.

“É um ano de rebalanceamento da capacidade de pagamento dos produtores, de muita proximidade dos bancos para entender a situação do produtor, para não colocar todos eles numa caixa só. O grande desafio é não colocar todo mundo nessa caixa de crise do agro, porque ainda temos muitas oportunidades na mesa”, disse Vieira ao Money Times.

O BB conta com uma carteira de crédito de R$ 400 bilhões no agronegócio, que representa um terço do crédito do banco. O aumento da inadimplência no setor foi um dos fatores que afetou o balanço e as ações do BB ao longo de 2025 e levantou preocupações entre os investidores.

Os créditos em atraso de 90 dias do banco saíram da média histórica de 1% para algo entre 3% e 4%. No final de junho, a inadimplência no setor chegou a 3,49%, comparada a 1,32% no ano anterior.

Com isso, o BB reportou lucro líquido de R$ 3,8 bilhões no segundo trimestre deste ano, um tombo de 60% em relação ao mesmo período do ano passado. Além disso, o ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) despencou 13 pontos percentuais, encerrando o trimestre a 8,4%.

As ações BBAS3 reagiram aos dados e, no acumulado do ano, têm perdas de cerca de 15%.

Impacto da resolução 4966 do BC

Uma das questões que impactou os dois últimos resultados do Banco do Brasil foi uma resolução do Banco Central (CMN 4966) que endureceu a forma de declarar perdas no balanço.

Na prática, as regras ficaram mais rígidas em relação às provisões para créditos duvidosos. Os bancos passaram a provisionar as perdas esperadas, e não mais as perdas que efetivamente ocorreram.

De abril a junho, por exemplo, as provisões para créditos duvidosos do BB chegaram a R$ 94,7 bilhões, salto de 50,6% ano a ano.

Vieira explica que a nova metodologia traz um agravamento mais rápido das provisões. “É como se as provisões subissem de elevador, e quando o produtor fica em dia com os pagamentos, ela demora mais para reduzir”.

Segundo analistas de mercado afirmaram após os resultados do 2T25, realmente a deterioração do Banco do Brasil veio de “elevador”, mas a recuperação deverá “subir de escada”.

Ajuda do governo com a MP da “salvação da lavoura”

De olho na situação difícil enfrentada pelo agronegócio, especialmente no BB, o governo anunciou, em meados de setembro, a Medida Provisória (MP) 1314. A medida garante renegociação de dívidas rurais em condições especiais e soma R$ 12 bilhões para apoiar até 100 mil produtores, principalmente pequenos e médios agricultores.

Na época do lançamento da MP, a presidente do BB, Tarciana Medeiros, estimou que o banco ficaria com cerca de metade dos recursos: “Temos mais ou menos 48 mil clientes inadimplentes no período entre 15 e 90 dias […] Estou fazendo a estimativa de [recebermos] metade dos valores”.

Vieira afirma que a medida beneficia o setor como um todo. “Mais do que para o Banco do Brasil, a MP é positiva para o setor, porque dá um fôlego para o produtor continuar na atividade. De maneira indireta, todo mundo ganha: o produtor, banco, fornecedores e cidades que dependem do agronegócio”.

O fôlego veio também para as ações BBAS3, que, após o anúncio, recuperaram parte relevante das perdas registradas no ano.

Recursos do Plano Safra

Para o Plano Safra 2025/2026, o governo federal anunciou um montante de R$ 516,2 bilhões, R$ 8 bilhões acima do ano anterior. Desse total, R$ 230 bilhões foram direcionados ao BB, valor 2% acima do ciclo anterior.

Dos recursos do BB, R$ 54 bilhões devem ir para pequenos e médios produtores e R$ 106 bilhões para a agricultura empresarial, que inclui grandes produtores, cooperativas e agroindústria. Os outros R$ 70 bilhões serão direcionados a títulos, como Cédula de Produtor Rural (CPR), e negócios da cadeia de valor do agro.

O ritmo de concessão de crédito, no entanto, está reduzido em relação ao ano passado. “Já atingimos algo em torno de R$ 50 bilhões [concedidos] no Plano Safra (contra R$ 81 bilhões de outubro de 2024)”, estimou Vieira.

“Estamos percebendo que o produtor está escolhendo o momento adequado para tomar seu endividamento e decidir sobre investimentos”.

Uso inadequado da recuperação judicial

O diretor do BB criticou o número alto de recuperações judiciais (RJ) que tem atingido o agronegócio nos últimos anos, avaliando que pode haver um uso inadequado do instrumento.

“Há um estímulo para os produtores procurarem uma RJ rural sem compreensão do que está por trás disso. Como se ele procurasse a RJ e fosse ter um perdão das dívidas”, afirma o executivo. “Da maneira que vem acontecendo, a RJ compromete a confiança na concessão de crédito”.

Os pedidos de RJ no agronegócio brasileiro atingiram números recordes no segundo trimestre, com aumento de 31,7% em relação ao ano passado, impulsionados por solicitações de produtores rurais que atuam como PJ (pessoa jurídica), de acordo com os dados mais recentes da Serasa Experian.

Ainda segundo a Serasa, a maioria dos requerentes de RJ foram produtores de soja e pecuaristas, entre os CNPJ, e arrendatários e pequenos e médios produtores, entre os CPF, além de empresas (agroindustriais) processadoras de açúcar, etanol, farelo e óleo de soja, além de laticínios.

O que levou ao momento atual?

Para o BB, assim como o Santander, o maior aperto financeiro do setor surge após o fim dos “dias de ouro”, que foram anos de margens melhores para o agronegócio. Com isso, muitos dos produtores, principalmente do setor empresarial de grande porte, se endividaram sem se preocupar com o que aconteceria quando as margens voltassem ao patamar normal.

“Não há um problema de margem, mas, sim, um cenário de normalização. Só que muitos fizeram contas de endividamento com base nas margens antigas, além de arrendar novas áreas, comprar novas terras e, muitas vezes, com dívidas travadas em produtividade. Tudo isso se somou a um cenário de Selic mais alta e eventos climáticos no Centro-Oeste e RS”, opina Vieira.

Na visão do executivo, durante os anos de melhores margens, houve uma oferta de crédito no agronegócio “como nunca antes”, um movimento bem diferente do que o setor estava habituado.

“Não adianta eu dobrar o crédito porque ele é um bom pagador. Alguns produtores, quando tiveram acesso a esse nível maior de crédito, acabaram pegando de duas a três vezes o crédito da safra e abriram novas áreas de arrendamento.”

O diretor afirma que os bancos não estão menosprezando o risco de calote no setor e diz que o risco de crédito sempre existiu. “Mesmo no melhor momento, eu tinha uma inadimplência. O banco trabalha sempre com risco de crédito. O que aconteceu é que muitas variáveis tomadas no momento da concessão foram rapidamente estressadas, o que fez com que a gente revesse estratégias”.

Para ele, muitos produtores vão conseguir, com a própria produção, reajustar seu fluxo de caixa e capacidade de pagamento. No entanto, o diretor do BB diz que alguns produtores vão precisar pensar em devolver áreas arrendadas e vender ativos.

“Temos produtores que estão numa situação financeira bastante delicada, mas que possuem uma situação econômica muito estável. São produtores com muitas terras, que, eventualmente, a partir de uma decisão de um pequeno passo para trás, conseguem acelerar essa reorganização da capacidade de pagamento”.

Fonte: Money Times

Cade investiga possível venda casada no crédito rural do Banco do Brasil

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O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu um inquérito administrativo para investigar o Banco do Brasil por suposta prática de venda casada na concessão de crédito rural. A apuração, solicitada pela Associação Brasileira de Defesa do Agronegócio (Abdagro), busca determinar se o banco estatal condicionava a liberação de financiamentos à contratação de seguros de empresas sob seu controle, o que seria considerado uma prática anticompetitiva.

Segundo o Globo Rural, caso o Cade encontre indícios suficientes de irregularidades, o inquérito poderá evoluir para um processo administrativo formal. Caso contrário, o processo será arquivado sem penalidades. A investigação ocorre em um momento em que o Banco do Brasil reforça sua presença no agronegócio, setor estratégico e um dos motores do crédito rural no país.

O Banco do Brasil negou as acusações, afirmando que a venda casada é expressamente proibida em suas operações. Em nota, a instituição declarou que “a escolha dos produtos financeiros é totalmente livre para o cliente, sem qualquer condicionante vinculada à concessão de crédito”.

Nesta sexta-feira (10/10), as ações BBAS3 operam em queda de 1,75%, cotadas a R$ 20,82, após abrirem o pregão a R$ 21,25. No dia, os papéis oscilaram entre R$ 20,80 e R$ 21,28, refletindo a reação cautelosa do mercado à abertura da investigação. Nos últimos 12 meses, as ações acumularam uma variação entre R$ 18,12 e R$ 30,04, mostrando alta volatilidade em meio às discussões sobre crédito agrícola e juros.

O Banco do Brasil S.A. é uma das maiores instituições financeiras do país, com forte atuação em crédito, investimentos, agronegócio, seguros e serviços bancários digitais. Fundado em 1808, o banco disputa mercado com players como Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil.

Fonte: ADVFN

Com R$ 5,6 bilhões prorrogados, BB diz que segue regras para concessão e renegociação de crédito rural

Publicado em: 09/10/2025

O Banco do Brasil afirmou, em nota, que acompanha as necessidades dos produtores rurais e oferece soluções para a prorrogação das dívidas de acordo com o Manual do Crédito Rural (MCR). Principal financiadora do setor agropecuário no país, a instituição disse que também segue as medidas legais adotadas pelo governo para a renegociação de débitos, concessão de créditos emergenciais e descontos.

Segundo o BB, até setembro deste ano, o montante de crédito rural em prorrogação na sua carteira atingiu R$ 5,6 bilhões, em 28,6 mil operações. O banco informou ainda que vai disponibilizar, em breve, linhas para contratação do crédito para renegociação das dívidas criadas pela Medida Provisória nº 1.314/2025 e pela resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) 5.247/2025.

O posicionamento foi enviado à reportagem em resposta ao requerimento aprovado nesta quarta-feira (8/10) pela Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados para que o Tribunal de Contas da União (TCU) investigue irregularidades das instituições financeiras na concessão de crédito rural e no acesso à renegociação de dívidas pelos agricultores.

Leia a nota completa:

“O Banco do Brasil, parceiro histórico do agronegócio brasileiro, acompanha de perto as diferentes regiões e cadeias produtivas rurais, em especial as necessidades dos produtores, para melhor atendê-los e assegurar a continuidade de suas atividades produtivas.

De forma permanente, o BB oferece aos produtores rurais soluções para prorrogação de suas dívidas, na forma do MCR 2.6.4, permitindo adequar o cronograma de pagamento das operações de custeio e investimento ao fluxo de receitas, em consonância com a sua capacidade de pagamento. O Banco também operacionaliza medidas legais, quando disponibilizadas e regulamentadas, inclusive no contexto de concessão de linhas de crédito emergenciais.

Para as questões climáticas que atingiram algumas regiões do Brasil, onde foram decretadas situações de calamidade ou emergência, foram publicadas, pelo Governo, medidas emergenciais de apoio aos agricultores dessas regiões que tiveram seus empreendimentos afetados. Essas medidas contemplaram desde a prorrogação do prazo de pagamento, até a concessão de descontos para parcelas vencíveis no período. Como exemplo, temos os Decretos 11.530/2023, 11029/2022, a Lei 14.166/2021, a Resolução 5.123/2024, bem como a legislação aplicada ao Rio Grande do Sul (Resoluções: 5.123, 5.132, 5.162, 5.164, 5.173 e 5.181 e MP 1.247).

O BB foi uma das primeiras instituições financeiras a anunciar ações de apoio aos afetados pelas enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, conduzindo medidas negociais de emergência que ajudaram milhares de produtores rurais de todo o estado. Passado um ano da tragédia, o Banco continua presente nas discussões sobre reconstrução e apoio social.

Além dessas medidas, foi publicada pelo Governo Federal, no dia 05.09.2025, a Medida Provisória nº 1.314, que trata sobre linhas de crédito rural destinadas ao atendimento de produtores rurais prejudicados por eventos adversos. Em breve, o BB disponibilizará linhas para contratação.

Em 2025, até setembro, o volume prorrogado atingiu R$ 5,6 bilhões, em 28,6 mil operações.

A parceria do BB com o setor produtivo rural garante que as agências estejam próximas dos produtores e possam atender às demandas de crédito e à prorrogação de financiamentos.”

Fonte: Globo Rural

Estrangeiro questiona BB sobre retomada após salto em calotes do agro

Publicado em:

A principal preocupação dos investidores estrangeiros em relação ao Banco do Brasil é o ponto de virada nos resultados, impactados pela disparada da inadimplência no agronegócio. Durante Investor Day realizado em Nova York, na semana passada, a alta cúpula do conglomerado foi indagada, de várias formas, sobre o que o mercado pode esperar do BB neste e no próximo ano.

A resposta da presidente do BB, Tarciana Medeiros, é que 2025 ainda é um ano de ajustes. O próximo ano, diz, marcará o início da recuperação dos resultados do banco. “2026 é um ano que vamos deixar alicerçada a retomada de crescimento para os próximos anos, para retomar o patamar do tamanho do Banco do Brasil”, disse a presidente do BB em entrevista exclusiva à Coluna, durante passagem por Nova York.

O guidance (projeção) atualizado para este ano aponta lucro líquido entre R$ 21 bilhões e R$ 25 bilhões. A previsão original ia de R$ 37 bilhões a R$ 41 bilhões, mas o guidance do BB foi retirado pela primeira vez na história do banco, em meio à disparada da inadimplência no agronegócio, o que ajudou a pesar nas ações do BB.

Medeiros diz que não se arrepende. “De jeito nenhum. Era necessário e, apesar de ter sido uma decisão muito difícil, foi acertada”, avalia. No primeiro semestre, o resultado foi de R$ 11,2 bilhões, um tombo de mais de 40% ante o mesmo período de 2023, quando a cifra foi de R$ 18,8 bilhões.

Media Provisória

Um fator que ainda não está refletido no guidance é o efeito da Medida Provisória (MP) de renegociação das dívidas de produtores rurais. O banco lida hoje com 808 casos de recuperação judicial no agronegócio, um recorde em sua história. O número soma R$ 5,4 bilhões em dívidas em uma carteira de crédito de cerca de R$ 400 bilhões.

Quanto à polêmica da “indústria de recuperações judiciais” no setor agro, a presidente do BB afirma que o banco não pode questionar processos já aceitos pela Justiça. No entanto, defende que o produtor conheça a fundo o processo de recuperação judicial.

“Diferente do que acontece com a pessoa jurídica, em que os bens são os bens da empresa, em uma recuperação judicial no agro, a pessoa física se confunde com a jurídica”, explica Medeiros. “Então, os bens de família foram adquiridos com aquele negócio, e eles entram nesse processo de negociação, mas muitos produtores não sabem disso”, acrescenta.

De acordo com ela, o banco tem feito um trabalho de orientação junto aos produtores e já nota menor demanda por novos pedidos de recuperação judicial. Por isso, a MP de renegociação rural é “tão importante”, avalia. Metade dos R$ 12 bilhões em recursos do Tesouro Nacional liberados para as tratativas deve beneficiar o BB.

Medeiros espera ainda que a MP ajude a acelerar a retomada de resultados do BB, mas avalia que não haverá grande impacto imediato. Por causa dos calotes no agro, o banco precisou fazer uma provisão adicional de cerca de R$ 16 bilhões, equivalente ao lucro de um trimestre. E, neste caso, vale a máxima: a provisão sobe de elevador e desce de escada, afirma.

Luz no fim do túnel

O mercado começa a enxergar um fim no luz do túnel. No último mês, as ações do BB na B3 acumulam alta de mais de 8%. No ano, porém, os papéis ainda acumulam queda de 5,50%. Às vésperas do Investor Day, em Nova York, o americano Citi elevou a recomendação para o BB, de neutra para compra, citando a MP do governo de renegociação de dívidas do agro. O resultado, no entanto, ainda deve piorar antes de melhorar, na visão de gigantes de Wall Street.

“O terceiro trimestre continua desafiador”, reforça o analista do Goldman Sachs, Tito Labarta, em relatório a clientes obtido pela Coluna. O banco manteve recomendação neutra para as ações. O Citi, por sua vez, vê julho como o mês potencial do patamar mais baixo em termos de lucratividade para o BB.

Dados do BC divulgados nesta semana confirmaram as expectativas. O BB teve lucro líquido de R$ 780 milhões em julho, abaixo da cifra de junho, de R$ 976 milhões, conforme o Citi. Mas, no próximo ano, o resultado deve voltar a crescer. O banco americano projeta lucro líquido de R$ 29,3 bilhões, um aumento de 17,2% frente à ponta alta do guidance deste ano, e também mais otimista que o consenso de mercado.

Alta renda e Magnitsky

O disputado setor de alta renda é uma das apostas do BB para turbinar os resultados à frente. A expectativa do banco é crescer em 25% a base de clientes. O BB não revela o tamanho dessa carteira, nem o ritmo de crescimento. Para atingir seu objetivo, capitaneia uma repaginada completa das marcas Estilo e Private, mas descarta a criação de um novo segmento intermediário, a exemplo do que concorrentes fizeram. E também vai atacar o portfólio da concorrência. “Vamos buscar ser o principal banco do cliente, mas sem a ilusão de exclusividade”, afirma Medeiros.

Quanto ao “risco Magnitsky”, a presidente do BB reafirma que o banco cumpre as legislações americana e brasileira, com apoio jurídico nos dois países. O encontro dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump às margens da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, foi recebido pelo setor como um alívio diante do temor de sanções a bancos brasileiros, como mostrou a Coluna. O “risco Magnitsky” ainda está precificado nas ações do BB, mas o problema mesmo é o “resultado ruim”, diz um experiente analista, sob anonimato.

Fonte: Federação dos Bancários do Paraná

BB tem alívio com MP para reduzir inadimplência do agro

Publicado em: 25/09/2025

As ações do Banco do Brasil têm encontrado algum alívio após meses de fortes perdas, enquanto investidores apostam que uma medida provisória anunciada pelo governo com foco na inadimplência no agronegócio ajudará a conter as consequências para a massiva carteira de empréstimos rurais do banco.

As ações subiram cerca de 8,2% desde que o governo anunciou a MP em 5 de setembro, que autoriza novas fontes de financiamento para quitar ou reduzir dívidas agrícolas.

A alta se compara a um avanço de 3% no Ibovespa no mesmo período, e ajudou a diminuir para cerca de 25% uma queda dos papéis que começou em maio, quando o banco divulgou os resultados do primeiro trimestre e retirou as projeções dadas no início do ano.

A partir da nova medida do governo, o analista do Citi Gustavo Schroden elevou a recomendação das ações de neutra para compra na quarta-feira.

“Uma adição relevante ao programa poderia normalizar o custo de risco do Banco do Brasil, o que poderia se traduzir em lucros maiores do que as estimativas de consenso para 2026”, disse Schroden em um relatório.

Em resposta a dificuldades nas safras devido a questões climáticas e às altas taxas de juros, o governo lançou uma linha de crédito com garantia do Tesouro Nacional de R$ 12 bilhões para ajudar a renegociar as dívidas do setor do agronegócio.

Espera-se que outros R$ 20 bilhões venham de recursos próprios dos bancos, onde cada real renegociado se traduzirá em um crédito tributário que poderá ajudar a aliviar as pressões de capital.

O Banco do Brasil espera ser beneficiário de cerca de metade da linha com garantia do Tesouro Nacional, dado que atende a metade dos produtores rurais a quem a medida é direcionada, disse a presidente do banco, Tarciana Medeiros, em uma entrevista ao Broadcast.

“Entendemos que esses últimos anúncios podem ser bastante favoráveis ​​para o Banco do Brasil”, escreveram analistas do Banco BTG Pactual liderados por Eduardo Rosman em relatório de 9 de setembro.

Apesar da recente alta nas ações, a relação preço/valor patrimonial do Banco do Brasil ainda está abaixo do de seus pares do setor privado.

O Banco do Brasil tem passado por meses difíceis. O que começou como uma ameaça a um de seus principais negócios foi agravado por tensões políticas.

Os problemas se agravaram depois que o governo americano aplicou a Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), adicionando ainda mais incerteza ao Banco do Brasil. O banco estatal administra a folha de pagamento de funcionários do governo federal, incluindo Moraes.

Fonte: Bloomberg Línea

BB vê inadimplência resiliente em agro, mas estabilização no 4º tri

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O Banco do Brasil (BBAS3) ainda observa uma inadimplência resiliente no crédito para o agronegócio, afirmou a presidente-executiva, Tarciana Medeiros, nesta quarta-feira, ressaltando, porém, previsão de arrefecimento nos números em meio a uma série de medidas para mitigar riscos e melhorar os resultados.

“Estamos observando essa inadimplência resiliente agora, mas com algumas notícias muito boas…com previsão de arrefecimento e de controle do crescimento dessa inadimplência”, afirmou em evento do banco em Nova York.

No final de junho, a inadimplência no setor chegou a 3,49%, de 1,32% um ano antes.

“Continuaremos observando uma deterioração na carteira de crédito, principalmente vinda da carteira do agronegócio…vocês devem esperar um terceiro trimestre semelhante ao segundo”, reafirmou o vice-presidente de gestão financeira, Geovanne Tobias, no evento a analistas e investidores.

“Os números do terceiro trimestre tendem a ser semelhantes aos do segundo, mas, a partir do quarto trimestre, esperamos uma estabilização da inadimplência na carteira do agronegócio”, acrescentou, citando medidas regulatórias e governamentais anunciadas recentemente como parte do apoio para essa visão.

Às 13h31, as ações do Banco do Brasil exibiam alta de 0,4%, cotadas a R$22,21. No mesmo horário, o Ibovespa mostrava baixa de 0,2%.

Tarciana reforçou que o BB é o “banco do agro” e continuará sendo e que tem trabalhado muito na seletividade na originação de crédito para o segmento, assim como em outras áreas.

A executiva disse que a estratégia neste ano e em 2026 é mais direcionada para concessão de recursos controlados, mas com “cuidado muito grande” para buscar a revitalização e a recomposição da capacidade de pagamento dos produtores. “Vamos descontar em recursos controlados, mas também vamos ajudar o nosso produtor a renegociar suas dívidas com o banco e a recompor a sua capacidade de pagamento.”

A executiva citou que o BB também tem trabalhado com alienação fiduciária, mas sem desprezar as demais garantias, citando o conhecimento sobre o cliente e o modelo de trabalho que ajudou a criar uma carteira de R$405 bilhões no segmento rural. A alienação fiduciária já representa metade das novas contratações no segmento produtor rural.

“No agro, por exemplo, eu continuo desembolsando, mas eu troco a minha garantia por uma garantia reconhecidamente mais robusta”, afirmou o vice-presidente de controles internos e gestão de riscos do BB, Felipe Prince.

O executivo também destacou que o BB reduziu o apetite para concessão de crédito a produtores rurais na safra atual, enquanto reforçou a esteira de cobrança, dentro da estratégia para atacar a inadimplência do produtor rural. “Esse passo de recuperação já está bastante acelerado.”

A apresentação do BB preparada para o evento, divulgada mais cedo, mostrou que o banco teve aumento no percentual de desembolso com vinculação de garantia real de imóvel no segmento agro na safra 2025/2026, para 60%, de 31% na safra 2024/2025.

AJUSTE

Tarciana reiterou que 2025 tem sido um dos anos mais desafiadores da história do BB. “É um ano de ajustes para alicerçar o crescimento do banco”, afirmou durante a apresentação a analistas e investidores em Nova York.

A presidente do BB citou que o banco está fazendo um ajuste tático da operação como um todo, com a adoção de medidas voltadas à mitigação de riscos. “Temos uma nova matriz de resiliência e toda concessão de crédito, em qualquer um dos pilares, passa por ela…Nós fizemos uma revisão completa das nossas esteiras de cobrança…Isso fez uma diferença muito grande para nós.”

De acordo com a executiva, o BB tem observado neste ano “uma qualidade muito grande” na concessão de crédito da safra de 2025.

A executiva também citou o uso intensivo de inteligência artificial no processo de concessão de crédito e reafirmou que o banco reforçou sua atuação judicial nas cobranças para garantir a sustentabilidade das operações.

Fonte: Infomoney

Tarciana Medeiros: MP de renegociação rural deve acelerar retomada de resultado

Publicado em: 11/09/2025

O Banco do Brasil espera que a Medida Provisória (MP) de renegociação das dívidas de produtores rurais, publicada pelo governo na última sexta-feira, acelere seu processo de recuperação de resultados. A presidente do banco, Tarciana Medeiros, afirma que o texto deve ajudar a reduzir gradualmente a inadimplência na carteira do agronegócio, que atingiu máximas históricas no segundo trimestre deste ano.

“Eu acredito, sim, numa redução gradual da inadimplência, e também na retomada da possibilidade de concessão de crédito, de concessão do Plano Safra, a partir da renegociação”, diz a presidente do BB, em entrevista à Broadcast . Ela espera que, dos R$ 12 bilhões em recursos do Tesouro liberados para a renegociação, ao menos metade sirva para atender ao banco.

Indagada sobre as sanções da Lei Magnitsky, aplicada contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Tarciana ressaltou que o BB – assim como o restante do sistema financeiro brasileiro – tem estudado a abrangência das sanções. “Temos tratado como sempre tratamos as questões de legislação dos países onde estamos inseridos, e os Estados Unidos é um deles”, ela disse, falando publicamente sobre o tema pela primeira vez.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista.

Broadcast: A MP editada pelo governo na última sexta-feira, 5, prevê o uso de até R$ 12 bilhões de recursos do Tesouro Nacional para a liquidação ou amortização de dívidas rurais. Qual porcentagem deve ser direcionada para o Banco do Brasil?

Tarciana Medeiros: Temos mais ou menos 48 mil clientes inadimplentes no período entre 15 e 90 dias. Considerando que a MP visa atender em torno de 100 mil clientes inadimplentes no mercado, estou fazendo a estimativa de [recebermos] metade dos valores. Mas ainda não temos um número fechado, porque depende desse período de desembolso e recebimento das parcelas em vencimento. Vamos trabalhar bastante para não só utilizar os recursos da MP, mas também ver o espaço negocial com grandes produtores de áreas onde houve seca ou cheia que prejudicou a produção, mas não por duas produções seguidas. Com a renegociação de recursos livres, vamos poder incluir esses produtores.

Broadcast: Depois do segundo trimestre, a senhora previu que o resultado do BB continuaria ‘estressado’ no terceiro trimestre, por causa dos vencimentos e da inadimplência da carteira agro, com previsão de melhora a partir do quarto trimestre. Como a MP afeta esse cenário? Ela pode acelerar a melhora prevista?

Tarciana: A gente tem, com certeza, a expectativa de que acelere o nosso processo de retomada de resultado. Mas ainda é uma expectativa, a gente tem que entender como vai se dar a velocidade da renegociação. Eu mantenho a informação de que está previsto um resultado mais estressado no terceiro trimestre, com retomada a partir do quarto. E a minha expectativa é que a retomada a partir do quarto trimestre seja acelerada, a partir do momento em que a gente entenda como vai se dar essa velocidade de renegociação dos produtores. Nós seremos incansáveis na busca da renegociação da regularização para que os produtores retomem a capacidade de produzir e a capacidade de crédito, e que o banco aumente a velocidade de regularização e de concessões.

Broadcast: Existe uma expectativa de valores para essa renegociação com recursos livres, e de como vai ficar a taxa de juros?

Tarciana: Os preços de mercado vão variar com base no perfil de risco de cada cliente. Nós teremos preços adequados para os clientes que estão fora dos perfis previstos na MP [para uso dos recursos do Tesouro], com o recurso livre do banco, para que a gente faça a renegociação com eles também. Esses clientes já estão sendo contatados, porque têm perfis muito específicos e que a gente precisa estudar caso a caso. E o prazo de até nove anos para a renegociação é muito interessante, porque alguns produtores vão precisar dos nove anos, e outros vão precisar só de três ou quatro. Essa flexibilidade da MP, de poder organizar a dívida do produtor com base na capacidade de pagamento, também é algo muito interessante.

Broadcast: A inadimplência na carteira agro do BB chegou ao maior nível da série histórica no segundo trimestre deste ano. A sra. espera que a MP ajude a diminuir a inadimplência?

Tarciana: Sim. Para nós é uma oportunidade nas duas frentes: renegociar as dívidas e acabar com essa pressão de inadimplência na carteira do agro, de um lado; e, do outro, voltar a conceder crédito para esse produtor. O produtor volta a ter possibilidade de produzir condizente com a sua capacidade de fato, não mais premido por necessidade de pagamento das dívidas.

Broadcast: Como está o apetite do BB para conceder crédito agro nesta safra? O banco se tornou mais seletivo? A MP ajuda a destravar as concessões?

Tarciana: O apetite do banco para concessão de crédito no agro está na linha do guidance, de um intervalo revisado entre 3% e 6% de crescimento da carteira. Isso significa a concessão de todo o recurso que nós disponibilizamos no Plano Safra 2025/2026. No segundo semestre de 2025, vamos continuar fazendo uma concessão mais seletiva, a partir da análise dos clientes que tomaram crédito e ficaram mais alavancados em recursos livres. E concedendo crédito naqueles perfis que são beneficiários das linhas do Plano Safra. De outro lado, continuamos a concessão de crédito com recursos livres, mas com mais parcimônia, com análise de risco mais estreita, mas sem redução da carteira. Nós já concedemos R$ 36,5 bilhões no nosso Plano Safra, um número em linha com o que tínhamos feito em 2024. Com essa linha de renegociação, entendemos que, no quarto trimestre, podemos ver um número maior de concessões e, por consequência, um número menor de novos produtores entrando em inadimplência.

Broadcast: A sra. já mencionou que o BB passaria a executar as garantias dos clientes inadimplentes. Esse permanece sendo o cenário?

Tarciana: Sim, até por uma questão de diligência. A gente tem um perfil de clientes que vai fazer a renegociação rapidamente, mas há alguns em que, infelizmente, vai ser preciso buscar a execução da garantia. É óbvio que vamos trabalhar para que não chegue nesse ponto.

Broadcast: No último dia 15, a sra. mencionou a possibilidade de acionar judicialmente escritórios de advocacia que orientem clientes agro a pedir recuperação judicial (RJ). Essa ainda é a estratégia?

Tarciana: Nós sempre estamos analisando. Eu não falei de escritórios sérios. Inclusive, até falei que a RJ é um instrumento legítimo para a proteção de credores e produtores, se usada de forma adequada. O que eu discordo é do uso inadequado da RJ. Nós vamos continuar trabalhando para combater a advocacia abusiva, junto à AGU, à OAB, ao CNJ, para que se tenha uma padronização de decisões.

Broadcast: Os bancos brasileiros já foram notificados pelo governo americano sobre o cumprimento das sanções previstas na Lei Magnitsky contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Quais providências estão sendo tomadas pelo BB?

Tarciana: A primeira providência é cumprir à risca a lei do sigilo bancário, e não foi o banco que forneceu essas informações em nenhum instante. Temos tratado como sempre tratamos as questões de legislação dos países onde estamos inseridos, e os Estados Unidos é um deles. A gente observa as leis americanas, as leis dos países em que estamos, e a legislação brasileira. É importante entender quais são as sanções, qual é a abrangência das sanções. A gente é um banco, tem de ter diligência. Como em qualquer outra situação do cenário macroeconômico, microeconômico, ou dos 20 países em que estamos inseridos, é óbvio que temos de estudar. E estamos projetando cenários para todo o momento macroeconômico do mundo. Não diz respeito especificamente a uma situação, mas ao banco ter estudo de cenário e entender os próximos passos a serem dados. Principalmente, acho que o ponto de diligência não é só do Banco do Brasil, é de todos os bancos, do sistema financeiro como um todo. Com as pressões macroeconômicas do mundo como um todo – em um momento em que você tem guerras acontecendo, tem pressões comerciais de exportação entre países -, eu creio que todo sistema financeiro brasileiro está estudando cenários.

Fonte: Invest Talk BB

Estratégia do BB de restringir crédito ao agronegócio é “suicida”, diz sócio da Riza

Publicado em:

A leitura de que “o agro está quebrado” por causa da inadimplência é equivocada, afirma Paulo Mesquita, sócio da Riza. Ele cita que olhar para os “cerca de 3%” de default na carteira do Banco do Brasil (BBAS3) e concluir que todo o setor vai mal não condiz com o que se vê no dia a dia: “Tenho produtores que, na semana passada, compraram uma fazenda de R$ 1 bilhão. A maioria do agronegócio brasileiro ainda está bastante tranquila”, falou.

Ele foi o convidado no terceiro episódio do Raiz do Negócio – parceria entre o InfoMoney e The AgriBiz, a sua estrada entre o campo e a Faria Lima.

Estratégia suicida

De acordo com Mesquita, “até o meio do ano” houve um nível maior de inadimplência, mas que, “do meio do ano para cá”, houve acomodação. E o caso do Banco do Brasil, afirma, é específico: “Foram 100 anos financiando o agronegócio brasileiro e eu nunca tinha visto isso. Produtores com histórico de décadas chegaram em julho e não tinham limite [de crédito].”

Para Mesquita, “isso é uma estratégia suicida do BB”, pois expõe a instituição a uma maior vulnerabilidade em recuperações judiciais, já que, na maioria dos casos, a garantia é a hipoteca.

Ele acrescenta que bancos restringiram crédito ao setor, o que tirou liquidez e “forçou a inadimplência”. E grandes multinacionais, após resultados ruins em 2023 e 2024, também ficaram mais restritas. Com isso, “o produtor teve que refinanciar com dinheiro próprio e alguma coisa que veio do mercado”.

Estabilidade

Mesmo assim, Mesquita avalia que a situação do crédito “diminuiu consideravelmente” no segundo semestre e “tende a voltar para uma estabilidade”. A inadimplência, diz, “foi um pouco além da conta”, mas “está longe de indicar que o setor está com problema”. “Não foi algo absurdo.”

Ainda segundo ele, houve uma virada a partir da safrinha, descrita por ele como de produtividade altíssima “no Brasil inteiro”. Os preços do milho “estão remunerando bem” e a perspectiva para a soja de 2025 é “boa”: “Se a gente consegue fixar hoje a soja no Tocantins a 120 para a safra que vem, na hora que você olha o custo de produção e uma produtividade média, isso dá uma margem de 30% ao ano.” Para ele, “as margens do setor estão se recuperando” e “o próximo ciclo é muito positivo”.

Fonte: Infomoney

Crise agro do Banco do Brasil abre caminho para bancos privados? Entenda

Publicado em: 28/08/2025

Calcanhar de Aquiles do Banco do Brasil (BBAS3), o agronegócio se tornou a principal fonte de preocupação para a empresa neste ano. O índice de inadimplência da carteira acima de 90 dias alcançou 3,49% no segundo trimestre de 2025 (2T25), quase o triplo de 1,32% registrado há um ano, e se destacou como o principal vilão do balanço financeiro da estatal. Pior, a crise abre brecha para bancos concorrentes avançarem sobre o crédito agrícola para conquistar parte do mercado até agora cativo ao BB.

O BB lida hoje com 808 clientes em recuperação judicial, somando dívidas de R$ 5,4 bilhões, em sua maioria produtores de alta renda do Centro-Oeste e do Sul do País, afetados por seca e enchentes no Rio Grande do Sul. Além desse grupo, 20 mil clientes da carteira agro estão inadimplentes, de um total de um milhão.

Os pedidos de recuperação judicial se intensificaram após a atualização da Lei de Falências em 2020, que autorizou produtores rurais pessoas físicas a recorrerem ao instrumento. Apenas no primeiro trimestre deste ano (1T25), 389 produtores solicitaram recuperação judicial ao banco, um aumento de 21,5% em relação ao fim de 2024.

Parte desse movimento, segundo especialistas ouvidos pelo E-Investidor, vem de escritórios de advocacia regionais que incentivam o uso do mecanismo, o que pode ter gerado um problema de risco moral – leia mais aqui. O Itaú BBA, em relatório, alertou que produtores rurais podem ter condições de honrar as dívidas, mas estariam menos dispostos a fazê-lo diante da facilidade de renegociar ou entrar em recuperação.

Para a reportagem, especialistas disseram que o quadro atual é resultado de um acúmulo de fatores. A queda dos preços das commodities agrícolas, o aumento dos custos com insumos e eventos climáticos adversos já haviam reduzido a capacidade de pagamento dos produtores nos últimos anos. De acordo com eles, a raiz do problema começou em 2020, quando muitos produtores se alavancaram durante a pandemia da covid-19.

Naquele período, o crédito abundante do governo e dos bancos evitou uma quebradeira generalizada, mas deixou uma herança pesada em dívidas. A alta da taxa básica de juros, que saltou de 2% para 15% ao ano, corroeu a capacidade financeira dos produtores e levou muitos a atrasar compromissos.

A crise do BB abre espaço para outros bancos no agro?

Para Leonardo Roesler, gestor de empresas e sócio do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), a crise no Banco do Brasil evidencia uma fragilidade que favorece a entrada de bancos privados no agro. De acordo com ele, o problema com o setor deixou de ser pontual e passou a comprometer a posição histórica da instituição como principal financiadora do crédito agrícola.

Roesler vê bancos privados como Itaú, Bradesco e Santander em condições de ocupar parte do espaço deixado pelo Banco do Brasil. Com maior estabilidade financeira, acesso a instrumentos modernos de captação de recursos e capacidade de estruturar produtos competitivos, essas instituições podem ampliar a presença no crédito rural, especialmente em um momento em que o financiamento ao setor vem se diversificando.

“O avanço, contudo, depende do apetite de risco, da disposição em assumir a complexidade de atendimento ao produtor rural e da capacidade de criar linhas adequadas de financiamento em um setor extremamente sensível a fatores externos”, diz.

Robson Casagrande, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, também acredita que o espaço deixado pelo Banco do Brasil no crédito agro pode ser ocupado por outros bancos privados, mas de forma seletiva e gradual.

Procurados pela reportagem, Itaú, Bradesco e Santander não se manifestaram sobre o tema.

Ele observa que o agronegócio mantém papel central na economia brasileira e os bancos privados demonstram interesse em ampliar participação no setor, concentrando-se em grandes produtores com histórico de crédito positivo e boas garantias.

“O problema é que a presença do Banco do Brasil é difícil de ser substituída no curto prazo devido à sua capilaridade e expertise acumuladas ao longo dos anos. Os bancos privados terão que ser seletivos e atuar principalmente em nichos de menor risco, dado o desafio de conquistar a confiança dos produtores, que são conservadores e valorizam o relacionamento de longo prazo”, avalia.

No mercado financeiro, oportunidades raramente permanecem abertas por muito tempo, diz Felipe Sant’Anna, especialista em investimentos da mesa proprietária Axia Investing. Isso quer dizer que qualquer espaço deixado pelo BB, segundo ele, tende a ser rapidamente ocupado por outra instituição.

A diferença é que, diante dos elevados índices de inadimplência no crédito agro, os bancos que entrarem no setor devem exigir garantias maiores ou cobrar taxas de juros mais altas para assumir o mesmo risco.

“O agro é uma tradição do Banco do Brasil. Outros bancos privados podem até ‘tapar um buraco’ do setor, principalmente na parte de máquinas e equipamentos, mas não vejo os bancos privados, hoje, focados no financiamento para produtor rural”, analisa Sant’Anna.

O que o Banco do Brasil pode fazer para virar o jogo da inadimplência

Na visão de Roesler, o Banco do Brasil precisa ir além da simples renegociação de dívidas.

Para conseguir dar a volta por cima, a estatal vai ter de ampliar o uso de seguros agrícolas, ajustar condições de crédito de acordo com o perfil e histórico de cada produtor e investir em programas de orientação financeira e de gestão. Além disso, não deve se limitar a prorrogar vencimentos, mas desenvolver soluções que integrem risco e produção, para previsibilidade e suporte aos clientes.

Casagrande, por outro lado, diz que entre as ações que o Banco do Brasil precisa implementar para reduzir a inadimplência no crédito agrícola estão a revisão dos critérios de concessão, com prioridade para a qualidade em vez de volume.

A celeridade na execução das garantias, por exemplo, é necessária para preservar o valor dos ativos e o estreitamento da relação com os produtores contribui para evitar novos atrasos. Já o uso de tecnologias como big data (processamento de dados) e inteligência artificial (IA), diz ele, pode reforçar a avaliação de crédito e o monitoramento da saúde financeira dos clientes.

O Plano Safra, anunciado pelo governo e que vai disponibilizar recursos bilionários até 2026, está sendo visto como um possível salvador do cenário caótico do banco. Segundo especialistas, tem potencial para reduzir a pressão sobre o agronegócio, mas depende de aplicação ágil e direcionamento adequado. Sem isso, a inadimplência pode continuar crescendo, principalmente diante de altos custos de produção e juros elevados.

De acordo com eles, o benefício real para o setor só ocorrerá se os créditos forem liberados rapidamente e adaptados às necessidades dos produtores.

Gustavo Rabello, sócio de mercado de capitais do SouzaOkawa Advogados, concorda que o Plano Safra dá liquidez e taxa de juros mais competitiva, um fôlego importante ao produtor. Mas não resolve sozinho riscos de preço ou de clima.

“Por isso é fundamental combinar o crédito subsidiado com operações estruturadas no mercado de capitais — bem avaliadas, com garantias sólidas e prestadores de serviço qualificados. É essa engenharia financeira que reduz de fato o risco de inadimplência”, diz.

Fonte: Federação dos Bancários do Paraná

Banco do Brasil anuncia R$ 230 bilhões para o Plano Safra 2025/26

Publicado em: 04/07/2025

O Banco do Brasil anunciou no dia 3 de julho, que destinará R$ 230 bilhões para o financiamento da safra 2025/26. O valor representa um crescimento de 2% em relação ao desembolsado na safra anterior e consolida o BB como o maior parceiro do agronegócio e da agricultura familiar.

Serão destinados R$ 54 bilhões para pequenos e médios produtores. E para a agricultura empresarial, abrangendo grandes produtores, cooperativas e agroindústria, estão destacados R$ 106 bilhões de recursos.

Quanto às finalidades, sob a ótica do crédito rural, o volume será distribuído nas modalidades de custeio (R$ 97 bilhões), investimento (R$ 44 bilhões), comercialização e industrialização (R$ 19 bilhões).

Somam-se ainda outros R$ 70 bilhões a serem direcionados para títulos, como CPRs, e negócios da cadeia de valor do agro.

Na safra 2024/25, o Banco do Brasil desembolsou R$ 225 bilhões, valor em linha com o observado no ciclo anterior, abrangendo 600 mil operações e mais de 200 atividades agropecuárias financiadas, fazendo o crédito chegar a mais de 5,1 mil municípios, contribuindo para fomentar a economia e o desenvolvimento social e ambiental do país.

“O Banco manteve a liderança nos financiamentos para a agricultura familiar e empresarial, registrando crescimento em todos os programas do plano safra do Governo Federal e executando o melhor desempenho entre as instituições financeiras, tendo distribuído 100% dos R$ 63 bilhões recebidos de recursos equalizáveis, incluídos os volumes remanejados”, destaca Tarciana Medeiros, presidenta do BB.

“O Banco do Brasil tem orgulho de atuar lado a lado dos produtores rurais, das cooperativas e da agroindústria, oferecendo, para além do crédito, soluções financeiras completas, assessoria especializada e capacitação para apoiar a cadeia de valor do agro, levando mais modernização, inovação e sustentabilidade para o campo. O BB reforça sua atuação para tornar o agro cada vez mais resiliente, competitivo e relevante para o Brasil, e reafirma seu compromisso de parceria com os clientes e o campo”, complementa o vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do BB, Luiz Gustavo Braz Lage.

Fonte: Banco do Brasil

Gestora vê riscos crescentes no BB com inadimplência no agronegócio

Publicado em: 12/06/2025

O setor financeiro volta ao centro dos debates no Stock Pickers. No episódio mais recente do programa, Lucas Collazo, especialista institucional da XP, e Matheus Guimarães, analista de financials da casa, receberam Pedro Gonzaga, sócio e analista da Mantaro Capital, para uma conversa profunda sobre os bancos brasileiros – com foco especial no Banco do Brasil (BBAS3).

De acordo com Collazo, o papel atingiu 11% de short interest em maio, o que equivale a R$ 8,55 bilhões em posições vendidas – 2,5 desvios padrões acima da média de 12 meses. Já institucionalizaram a venda do papel.

Pedro Gonzaga explicou que a Mantaro Capital teve uma posição comprada entre novembro de 2021 e março de 2024, mas que a tese foi perdendo força com o tempo. “Na virada de governo, era contra o consenso estar comprado. Mas a gente via um ROE forte, balanço conservador e valuation descontado”, disse.

Com o passar dos trimestres, no entanto, começaram os sinais de alerta. “O lucro desacelerou, e mais do que isso, a qualidade do lucro começou a piorar”, afirmou. Gonzaga destacou mudanças na postura do banco: “Ele passou a provisionar menos, teve alíquotas de imposto abaixo do normal e começou a não discriminar resultados não recorrentes.”

O risco oculto

Para Gonzaga, o maior risco atual está na carteira do agronegócio. “O Banco do Brasil tem uma prerrogativa de prorrogar dívidas do agro com autorização do governo. Isso não é uma renegociação clássica, mas mostra que o produtor rural está com dificuldade”, explicou.

Segundo ele, essa carteira prorrogada tem crescido de forma contínua. “Ela chegou a quase 15% da carteira total. É um patamar inédito nos últimos 15 anos”, alertou. O percentual é preocupante, considerando que o normal seria inadimplência de 2%.

“O produtor rural que prorroga não está saudável financeiramente. E como boa parte dos contratos é bullet, com pagamento concentrado no fim da safra, temos um risco elevado se houver inadimplência”, disse. “É a tempestade perfeita”, completou.

Hora da verdade

Gonzaga deixou claro que os próximos meses serão decisivos. “Essa carteira prorrogada ainda não começou a cair e já estamos de novo próximos do pico. O problema é que, na última vez que essa carteira caiu, houve repique de inadimplência”, lembrou.

“O mercado pode estar subestimando o risco. A gente ainda não sabe o tamanho do problema, mas abril, maio e junho vão trazer essa resposta. Estamos falando de uma safra gigante com um calote potencial concentrado”, analisou.

Assim, a Mantaro preferiu sair da posição. “Não vemos mais a simetria de risco-retorno que existia lá atrás. O balanço robusto que sustentava a tese se deteriorou”, concluiu Gonzaga.

Fonte: Infomoney

Inadimplência no agro força ‘acerto de contas’ no Banco do Brasil

Publicado em: 30/05/2025

O domínio do Banco do Brasil em empréstimos para o agronegócio sempre foi visto como uma fortaleza. O banco responde por metade do financiamento que flui para o setor — uma vantagem competitiva em um país que, em linhas gerais, alimenta o mundo.

Mas as taxas de juros, que atingiram o patamar mais alto em quase duas décadas, e os sucessivos reveses nas colheitas deixaram os produtores rurais em uma situação difícil.

Eles entraram com pedidos de recuperação judicial no ritmo mais rápido já registrado em 2024, um sinal de crise que repercutiu em todo o setor e ainda não mostra sinais de reversão.

Para piorar a situação, uma nova regra do Banco Central agora obriga os bancos a provisionar as perdas esperadas e a parar de contabilizar os juros sobre empréstimos em atraso.

O Banco do Brasil (BBAS3) historicamente era mais conservador do que seus pares, provisionando mais do que o necessário — mas isso mudou recentemente, à medida que buscava melhorar os lucros, de acordo com uma pessoa com conhecimento do assunto que falou com a Bloomberg News.

Quando a regra entrou em vigor em janeiro, atingiu duramente a carteira de empréstimos do banco para o agronegócio, de cerca de R$ 400 bilhões.

Um relatório da instituição mostrou que a inadimplência acima de 90 dias para empréstimos do agronegócio mais que dobrou, chegando a 3% — um número que o banco havia projetado para o ano inteiro, não para o primeiro trimestre.

O banco colocou em revisão seu guidance (projeção) sobre algumas das principais métricas, alegando que precisa de mais tempo para avaliar o cenário.

Felipe Prince, vice-presidente de Riscos e Controles Internos do Banco do Brasil, disse em entrevista à Bloomberg News que o banco fez provisões “significativas”, mas a inadimplência ficou bem acima do esperado.

A reação do mercado foi brusca.

O maior banco estatal da América Latina perdeu cerca de US$ 4 bilhões em valor de mercado em 16 de maio, após divulgar os resultados do primeiro trimestre.

A queda praticamente apagou o avanço que o Banco do Brasil tinha registrado neste ano, em meio a uma ampla recuperação das ações brasileiras.

As ações do banco agora sobem apenas 2% este ano, bem abaixo do Ibovespa; os pares Bradesco, Itaú e Santander subiram pelo menos 25% no período.

Os resultados do primeiro trimestre foram “piores do que o esperado, e acreditamos que a teleconferência de resultados não abordou todas as preocupações levantadas por investidores e analistas”, escreveu Eduardo Rosman, analista do BTG Pactual, em nota a clientes. Ele rebaixou a recomendação para a ação para neutra.

“O fato é que a deterioração foi pior do que o próprio BB havia indicado anteriormente e ainda não parece ter atingido o pico”, acrescentou.

Pressão sobre a CEO

O resultado ruim é um problema para a CEO Tarciana Medeiros. Primeira mulher a liderar a instituição bicentenária, ela ocupa uma cadeira que tem sido tradicionalmente um reduto de partidos políticos, que nomeiam aliados de confiança para cargos importantes.

Medeiros sempre enfrentou críticas dentro do banco por priorizar políticas que não necessariamente estão ligadas à principal atividade, como a área de diversidade, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas ao discutir assuntos particulares.

E os resultados ruins do primeiro trimestre afetaram sua imagem bem como a do banco, acrescentaram.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Medeiros discutiram os resultados do banco, disseram as pessoas. Ele foi informado de que os recursos do Plano Safra e da colheita melhorarão as perspectivas para o segundo semestre.

Lula não tem intenção de substituir a CEO, acrescentaram as pessoas, mas ela precisará reverter a situação o mais rápido possível — especialmente em um momento em que o governo enfrenta baixos índices de aprovação e resultados econômicos mistos.

Em uma resposta por escrito à Bloomberg News, o BB afirmou: “A instituição reforça o seu comprometimento com as projeções financeiras divulgadas ao mercado, buscando fortalecer um quadro que reflita toda a pluralidade do nosso país como forma de ampliar o nosso olhar para identificar e construir soluções mais completas e oportunidades negociais. Ratificamos nossa crença de que diversidade e geração de valor não são excludentes. Pelo contrário, a diversidade é diferencial competitivo e alavanca de resultados”.

Novas regras

O BB financia cerca de 50% do setor do agronegócio, segundo o banco, segmento que representa cerca de 23% da economia. O agronegócio representa cerca de um terço de sua carteira de crédito total — significativamente maior do que a de seus concorrentes —, o que o torna mais exposto a novas regras contábeis.

A nova regra, anunciada pela primeira vez em 2021, tem o objetivo de alinhar os bancos do país aos padrões internacionais.

A norma impede os bancos de contabilizar juros sobre empréstimos a menos que sejam efetivamente pagos. Concorrentes como o Itaú, alguns dos quais já utilizavam a nova metodologia, tiveram impacto mínimo quando a regra entrou em vigor. Para o BB, isso resultou em uma redução de R$ 1 bilhão na receita.

Agora, os bancos também são obrigados a provisionar para perdas esperadas, que geralmente eram contabilizadas somente após um evento real de não pagamento.

Estresse financeiro

A qualidade dos ativos no portfólio do agronegócio — em que o BB é muito maior do que seus pares — continuou a se deteriorar ao longo do primeiro trimestre.

O segmento do agronegócio é muito peculiar, com muitos empréstimos reestruturados, períodos de carência e empréstimos com o chamado pagamento em bullet (pagamento único no vencimento).

Em teleconferência com analistas, Medeiros disse que o banco abriu conversas com o regulador para um “tratamento diferente” para a carteira agrícola, que tem “questões específicas”.

Esse, acrescentou, é um dos motivos pelos quais o guidance do banco está sob revisão, afirmando que “tudo depende de um possível ajuste”.

Procurado, o Banco Central não quis comentar.

O impacto das novas regras é muito particular ao mix de crédito de cada banco, e a grande exposição do Banco do Brasil ao setor o amplificou, de acordo com Raphael Nascimento, analista da Fitch Ratings.

“Há uma questão contábil, mas prejuízo é prejuízo”, disse Nascimento. “O agro está no seu pior momento dos últimos anos, e tem um nível de incerteza para os próximos trimestres.”

O Brasil produz cerca de quatro quintos das exportações mundiais de suco de laranja, metade das exportações de açúcar, mais de um terço das exportações de café e está entre os cinco maiores fornecedores globais de soja e milho usados ​​para alimentar galinhas poedeiras e outros animais.

Mas os produtores têm enfrentado dificuldades após anos de expansão impulsionada por dívidas, seguidos por uma queda nas principais safras e pelo aumento nas taxas de juros. Muitos assumiram altos níveis de dívida com taxas pós-fixadas para financiar investimentos em terras, máquinas e tecnologia.

O governo conta com uma super safra para trazer algum alívio. Mas isso por si só não será suficiente para cobrir as dívidas dos agricultores, considerando o alto endividamento durante os anos de expansão, especialmente diante das altas taxas de juros e da queda dos preços das commodities, disse Eduardo Nishio, analista da Genial Investimentos.

Práticas jurídicas que incentivam produtores a pedir recuperação judicial também se tornaram um problema, acrescentou Nishio. O segundo trimestre do BB deve ser tão ruim, ou pior, que o primeiro, disse ele.

A inadimplência acima de 90 dias para empréstimos do agronegócio na carteira do BB subiu para 3,04% no primeiro trimestre, ante 2,45% no trimestre anterior e 1,19% no ano anterior. O BB espera uma queda na inadimplência até o final do ano, disse Prince.

Os produtores precisam estar em dia com seus contratos de dívida para receber recursos do Plano Safra, do governo federal, que será anunciado em junho. Isso pode ajudar, disse Prince, embora tenha alertado que o grande número de pedidos de falência no setor pode impactar o processo.

“Vamos trabalhar bastante contra a inadimplência, mas vamos carregá-la até o final do ano”, disse ele.

Fonte: Bloomberg

BB firma parceria com startups finalistas de edital de inovação no agronegócio

Publicado em: 25/04/2025

O ecossistema digital Broto, voltado ao agronegócio e vinculado ao Banco do Brasil, firmou protocolos de intenção com duas startups finalistas do Edital Inovação e Negócios. As empresas selecionadas, AQUi9 e Vankka, passam agora para uma nova etapa de estudos em busca de possíveis sinergias com as soluções oferecidas pela plataforma.

O edital foi promovido em conjunto pela Fundação de Estudos Agrários Luiz de Queiroz (Fealq), pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP) e pela empresa de tecnologia Mastera. O encerramento oficial ocorreu na sede do Broto, em São Paulo, e contou com a presença de representantes das instituições organizadoras e das startups finalistas.

As iniciativas escolhidas atuam em áreas estratégicas para o agronegócio. A startup AQUi9 desenvolve uma plataforma digital voltada à gestão da produção de peixes, com foco em eficiência, rastreabilidade e sustentabilidade. Já a Vankka oferece soluções baseadas em dados ambientais, conectando métricas de emissões e remoções de carbono a estratégias de negócio que visam gerar valor e facilitar o acesso a novos mercados e financiamentos.

Durante a cerimônia de encerramento, Francisco Martinez, diretor-executivo do Broto, destacou a importância da colaboração com empresas inovadoras. Segundo ele, o objetivo do ecossistema é integrar produtores, academia, empresas e governo, promovendo avanços no setor por meio da tecnologia.

O presidente do Broto, José Evaldo Gonçalo, também enfatizou o papel da inovação aberta para o desenvolvimento sustentável da plataforma. “Buscamos conexões que nos façam aprender e melhorar continuamente. Essas parcerias têm grande potencial para beneficiar todas as partes envolvidas”, afirmou.

O edital teve como meta estimular o desenvolvimento de soluções tecnológicas para o setor agropecuário. Das nove startups que participaram da fase final de entrevistas, cinco apresentaram seus projetos em um pitch day realizado em fevereiro. A banca avaliadora contou com representantes do Broto, do fundo internacional de venture capital Danta Fund (Costa Rica) e do Taylor Geospatial Institute (Estados Unidos).

Para os organizadores, a iniciativa representa um avanço na integração entre ciência e mercado. “O objetivo sempre foi promover negócios reais e duradouros. Já observamos negociações concretas com as startups envolvidas”, disse Tainan Lamas, fundador da Mastera. Paula Arigoni, gerente de relacionamento e projetos da Fealq, ressaltou que o modelo de parceria adotado proporciona segurança jurídica e estimula a inovação.

Com a assinatura dos protocolos de intenção, Broto, AQUi9 e Vankka iniciam agora uma nova fase de análise conjunta, voltada à integração de tecnologias e ao fortalecimento da inovação no Agronegócio brasileiro.

Fonte: Revista Capital Econômico

Com safra recorde, BB espera queda da inadimplência do agro, diz CEO

Publicado em: 20/03/2025

Os indicadores econômicos já apontam para uma colheita recorde no Brasil neste ano, um alívio bem-vindo para os consumidores que enfrentam um aumento dos preços dos alimentos que tem pesado na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Depois de graves secas e enchentes em 2024, as chuvas se normalizaram este ano. Isso provavelmente significa alimentos mais baratos, de acordo com Tarciana Medeiros, CEO do Banco do Brasil, o segundo maior banco do país e maior credor de empresas agrícolas.

“Quando você olha para o histórico de anos de safra recorde, você vê uma cesta básica controlada”, disse Medeiros em entrevista à Bloomberg News em seu escritório em Brasília na quinta-feira (27).

Isso é uma boa notícia não só para Lula. O Banco do Brasil (BBAS3), que tem uma carteira de crédito agrícola de R$ 400 bilhões, também será beneficiado.

A estatal espera que a taxa de inadimplência para empréstimos vencidos há mais de 90 dias caia este ano, depois de subir para 3,32% em 2024, principalmente devido a empréstimos ao agronegócio.

“O ano passado foi difícil para muitos produtores, mas esperamos que a inadimplência se acomode em 2025″, disse Medeiros.

A popularidade de Lula caiu para o nível mais baixo de todos os tempos, principalmente devido ao aumento dos preços dos alimentos que levou o Banco Central a aumentar a taxa de juros.

A instituição liderada por Gabriel Galípolo elevou a taxa Selic para 13,25% ao ano este mês e prometeu um aumento de um ponto percentual pela terceira vez consecutiva no próximo mês.

O presidente pediu à sua equipe econômica que apresentasse medidas para reduzir os preços e ajudar os brasileiros a obter crédito mais barato.

Vários ministérios, incluindo Fazenda, Agricultura e Desenvolvimento e Comércio, têm discutido alternativas como a redução de impostos de importação para alguns itens. Mesmo assim, o governo também conta com a safra recorde para trazer algum alívio.

Recuperação judicial no agro

Os agricultores brasileiros enfrentaram tempos difíceis no ano passado devido à queda nos preços das principais culturas e ao aumento dos juros.

Os pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre de 2024 triplicaram em comparação com os primeiros três meses do ano passado e depois caíram 51% no trimestre seguinte, de acordo com os últimos números do Serasa Experian.

Apesar das perspectivas positivas para uma safra recorde este ano, os produtores provavelmente continuarão a procurar proteção contra os credores, uma vez que as margens de lucro deverão permanecer apertadas enquanto os custos de financiamento aumentam juntamente com a Selic, de acordo com André Pessôa, presidente da Agroconsult.

A produção agrícola brasileira deverá saltar 9,4%, para um recorde de 325,7 milhões de toneladas na safra 2024-25, impulsionada pela colheita de soja, seguida por milho, arroz, trigo e feijão.

O governo também anunciou um plano para incentivar os empréstimos consignados para o setor privado, o que deve reduzir as taxas de juro para os trabalhadores que precisam pedir dinheiro emprestado ou renegociar empréstimos existentes.

Isso oferece outra oportunidade de mercado para o Banco do Brasil, que também possui a maior carteira de empréstimos consignados para servidores públicos, de R$ 137 bilhões. Segundo Medeiros, a expertise do banco nessa área pode ser estendida ao setor privado.

O governo estima que o novo programa aumentará esses empréstimos para R$ 120 bilhões, dos atuais R$ 40 bilhões. “Temos um oceano azul para navegar nesse segmento”, disse Medeiros.

O Banco do Brasil reportou um lucro líquido de R$ 37,9 bilhões em 2024, um aumento de 6,6% em relação ao ano anterior. Este ano, o banco espera um lucro entre R$ 37 bilhões e R$ 41 bilhões, enquanto enfrenta uma perspectiva mais adversa para as taxas de juros.
Pressão política

A iniciativa de Lula para estimular o crédito não deve ser confundida com pressão política ou uma tentativa de intervenção no banco, segundo Medeiros. “O presidente Lula tem consciência de que o crédito crescerá de acordo com as condições do mercado”, disse ela. “Não há e nunca houve qualquer apelo para fazer algo fora das boas práticas de mercado.”

Mesmo assim, o mercado desconta as ações do Banco do Brasil por preocupações de que o governo possa intervir na instituição, algo que Medeiros considera injusto.

“Somos seguidos de perto por acionistas públicos e privados e seguimos protocolos rígidos de governança”, disse ela.

Os mercados também olham para o banco com “preconceito”, disse ela, devido ao seu elevado nível de crédito no setor agrícola. “A carteira de crédito do agronegócio tem garantias muito maiores”, disse ela, “o que dá segurança ao banco e mitiga riscos”.

Fonte: Bloomberg Línea

O plano do Broto, do Banco do Brasil, para chegar aos R$ 10 bi

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Uma startup que já nasceu entre gigantes e que mostra disposição para avançar na digitalização do agro, mesmo que o momento ainda traga desafios.

“O Broto”, como é chamada (assim no masculino) a plataforma digital do Banco do Brasil, começa a dar novos passos para avançar no financiamento do agronegócio, aproveitando oportunidades que surgem a partir de um problema, que é a oferta insuficiente de recursos subsidiados no crédito agrícola.

O projeto foi lançado em 2020 junto com o Plano Safra. Na época, o foco era oferecer serviços não financeiros, como cursos, atrelados ao universo dos seguros da Brasilseg, que até hoje é uma das acionistas da plataforma.

Era o ano da pandemia, quando as grandes feiras do agronegócio foram suspensas, fazendo surgir uma oportunidade: vender máquinas e equipamentos via plataforma digital.

“A gente fez naquele ano a primeira feira virtual de agronegócio do Banco Brasil, algo que nunca tinha sido feito. Foi muito bacana, fizemos na ocasião cerca de R$ 800 milhões em negócios”, contou o diretor executivo do Broto, Francisco Roder Martinez, em entrevista exclusiva ao AgFeed. Ele acompanha o projeto desde o início.

Atualmente, o Broto tem 19 categorias diferentes em seu marketplace, com mais de mil empresas que vendem produtos e serviços, incluindo o tradicional negócio de máquinas e equipamentos agrícolas. Desde a criação até agora, já foram transacionados R$ 9,18 bilhões na plataforma, com a participação de 250 mil produtores rurais cadastrados.

Em 2023 foi criada uma nova empresa, a Broto S.A, que tem como acionistas o Banco do Brasil, com 50%, e a Brasilseg, seguradora do banco, com a outra metade. “Desde 2023, nós somos o que a gente chama aqui de uma coligada, uma empresa do conglomerado do Banco do Brasil”, explicou Martinez.

Um dos alicerces desta história é que, desde o início, a plataforma conta com as linhas de crédito do Banco do Brasil, instituição que segue disparada como a maior financiadora do agronegócio brasileiro – responde por quase a metade todo o crédito rural no País.

“Contamos não só as linhas de crédito do Banco do Brasil, mas todas as esteiras de processamento. O banco tem hoje cerca de mil pessoas processando crédito do agronegócio. Então junto com as linhas de crédito a gente tem acesso essas esteiras conectadas aqui na plataforma”, explicou o diretor do Broto.

Não bastasse isso, tem a Brasilseg, considerada líder de mercado, com 60% de market share em seguros. O Broto conta ainda com a oferta de produtos da BB Consórcios e até serviço de telemedicina para o produtor rural, da empresa Ciclic.

“Mas sempre com esse foco em ser uma plataforma de negócio digital agro, mirando a condição de ecossistema”, reforçou.

Francisco Martinez disse ao AgFeed que hoje trabalha quatro linhas de negócio principais: o marketplace, os serviços financeiros e as duas iniciativas mais recentes, que são a oferta de operações de barter (troca de insumos pelo produto agrícola) e algo que está prestes a ser lançado oficialmente, o Clube Broto, um programa de benefícios que deve atrair principalmente as agtechs, além de médias e grandes empresas.

Os números de 2024 não foram totalmente fechados e divulgados, mas o diretor estima que o volume de negócios tenha alcançado R$ 5 bilhões, bem acima dos cerca de R$ 3 bilhões transacionados no ano anterior.

“Temos crescido ano a ano e, geralmente, desde a criação da empresa, mais de 100% ano a ano. Em 2025, a gente acredita também no crescimento robusto, aproveitando essa perspectiva positiva do crescimento da produção agro brasileira”, afirmou.

A previsão é dobrar o volume de negócios este ano, chegando próximo aos R$ 10 bilhões.

Segundo ele, desde o início da plataforma já são mais de 8 milhões de acessos. “Para esse ano, a gente acredita que, com o lançamento desses novos modelos de negócios, o barter e o clube Broto, a gente deve chegar, no final do ano, com um patamar ainda maior”.
Aposta no barter

O maior volume de negócios do Broto ainda é gerado pelo marketplace de máquinas e equipamentos agrícolas. O desafio agora é gerar mais receita em outras frentes.

Com as transformações no crédito agrícola, que convive com taxas de juros mais altas e orçamento limitado do governo para subsidiar as linhas tradicionais, o mercado tem observado uma maior procura pelo barter, que são as operações de troca em que a compra de insumos é “travada” em sacas de milho ou soja, por exemplo.

O pagamento ocorre na colheita, mas, por meio das linhas do Banco do Brasil, as revendas e fabricantes de insumos podem repassar esse risco de crédito – que hoje não é pequeno, em tempos de alta nas recuperações judiciais – para a instituição financeira.

Pensando nisso, o Broto começou a fazer operações de barter na plataforma.

“Nós lançamos em novembro do ano passado uma plataforma de comercialização em barter, onde a gente tokeniza ativos reais, tokeniza grãos. Estou falando, nesse primeiro momento, de soja, milho e café, sendo que o café é um piloto ainda. A gente troca o grão, como uma operação de barter tradicional, pelo insumo. Nós desenvolvemos isso junto com outras empresas parceiras”, explicou Martinez.

O executivo destaca que os economistas do Banco do Brasil projetam uma alta de 6% no PIB do agronegócio em 2025 e, consequentemente, uma maior necessidade de crédito para a compra de insumos. “Então a gente acredita que essa solução vai estar apoiando toda a cadeia do agro, em especial os produtores rurais”.

Ele não revela qual seria a meta de negócios via barter na plataforma, mas diz que vê grande potencial de se tornar mais um pilar importante para o Broto.

“Hoje estima-se que 60% do que se compra numa propriedade rural sejam insumos. Portanto, é um mercado bastante promissor, mas também bastante competitivo”, ressaltou.

A solução de barter do Broto está conectada às linhas de custeio do Banco do Brasil e as CPRs. “É o que permite a gente assumir o risco de crédito que hoje quem toma são as revendas, as cooperativas e as tradings”.

Até agora 10 empresas já assinaram contrato com o Broto para as operações de barter. Os nomes dos parceiros ainda não são divulgados, mas Martinez admite que há revendas, fabricantes de insumos e também tradings. Outras 30 empresas estão em fase de negociação.

Para produtores e revendas que estão operando o sistema de barter da plataforma, um dos diferenciais, seria o custo mais baixo, ele admite. “A gente tem condições financeiras privilegiadas por conta do acesso às linhas de crédito do Banco do Brasil”.

São usados recursos do próprio Plano Safra ou então um mix com recursos livres, até mesmo LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio). “Por isso, conseguimos baratear o custo final da operação no formato que é feito tradicionalmente”.

Nos demais serviços financeiros, o Broto não chega a oferecer taxas de juros mais baixas do que aquelas acessadas nas agências físicas do banco. Na visão do executivo, o grande diferencial, inclusive no barter, é a facilidade que a plataforma digital oferece. “O processo atual envolve cartórios, envolve idas e vindas, tanto da parte das revendas, do produtor rural e das tradings. A gente conseguiu criar uma forma de facilitar e digitalizar tudo isso”.

A expectativa de Martinez, “num espaço de tempo não muito distante”, é também conseguir oferecer mais alternativas de crédito rural ligadas ao mercado de capitais.

“Nós temos mais de R$ 1 trilhão de reais em necessidade de crédito todo ano e um terço disso a gente acredita que é privado, boa parte disso é barter e um terço são recursos próprios, o que é uma distorção”.

Outra esperança de conquistar mais mercado é o Clube Broto, que deve ser lançado em abril. Foram mapeadas startups do agro e empresas que oferecem serviços dentro e fora da porteira. O clube deve oferecer tarifas reduzidas na contratação de tecnologias como drones, estações climáticas, sensoriamento remoto e até regularização fundiária. Em paralelo, o Broto seguirá oferecendo cursos gratuitos na plataforma.

No caminho do breakeven

A Broto S.A hoje é uma empresa de capital fechado e não divulga dados de faturamento. No final de 2022, época em que estava sendo criada a plataforma, um comunicado ao mercado sinalizou que Banco do Brasil e BB Seguridade colocaram, cada um, R$ 31,2 milhões para a constituição da nova empresa, totalizando R$ 62,4 milhões.

Martinez disse ao AgFeed que a empresa ainda está na etapa de investimento, mas que possui um plano de negócios com previsão de que o breakeven seja atingido “antes do que é o padrão do mercado de startups”, que seria de cinco anos.

A monetização ocorreu com a criação da empresa, em janeiro de 2023, portanto, poderia haver este equilíbrio nas contas em alguma data até 2028.

“Estamos trabalhando para isso. A gente tem colocado de pé, como qualquer empresa de inovação, modelos de negócios inovadores que desafiam o cenário tradicional”, afirmou.

Para chegar lá, o diretor executivo do Broto confia bastante na transformação digital do agronegócio.

Não é divulgada uma meta sobre qual seria a fatia “digital” das operações do Banco do Brasil no agro via Broto. Martinez ressalta que o objetivo é ser algo complementar, dar mais essa opção aos produtores rurais.

“A gente já viu isso nos bancos, no sistema financeiro. Havia uma certa resistência para os clientes saírem da agência física, Hoje em dia, a gente vê que todos os bancos foram por esse caminho e, muitas vezes, o cliente de banco prefere ser atendido no digital. Acreditamos que isso pode acontecer no agro, por tudo que a gente tem visto aí nesse movimento de sucessão, nessa velocidade da adoção das tecnologias digitais, mas a gente não sabe quando isso vai acontecer”, avaliou.

Até 2028, que é o prazo do plano de negócios do Broto, a previsão é que cerca de 16% das transações vão acontecer em ambientes digitais, lembra ele.

“Hoje, 70% dos produtores rurais usam o digital, mas 11% compram na plataforma. Então, a gente acredita que esse número num espaço curto de tempo, ele deve subir para pelo menos 16%”.

Embora não haja um diferencial fixo nas taxas de juros via Broto, para atrair mais clientes de forma mais rápida, Martinez não descarta que parcerias venham a ser feitas para viabilizar condições especiais. É algo que o Broto costuma fazer nas chamadas feiras digitais, com o Banco do Brasil.

Também contam a favor de uma visão otimista, já a partir deste ano, o sentimento de que o setor de máquinas de voltar a se recuperar. O diretor admite que no final do ano passado a plataforma chegou a ser prejudicada pela retração das vendas nesse segmento, mas ainda assim conseguiu seguir crescendo em função dos outros produtos principais como seguros e serviços financeiros.

Os executivos do Broto participaram da Expodireto Cotrijal, no Rio Grande do Sul, neste mês de março, por exemplo, e dizem que a percepção foi de um reaquecimento nos negócios.

Fonte: Agfeed