Os bancos públicos devem crescer mais do que os privados em 2024?

Publicado em: 11/01/2024

Os bancos públicos devem continuar a crescer mais forte que os pares privados em 2024, de acordo com as previsões de mercado. Banco do Brasil (BBAS3) e Caixa Econômica Federal (CEF), que sustentaram um aumento de dois dígitos nas carteiras de crédito ao longo de 2023, devem manter uma expansão mais forte graças ao perfil dos negócios em que atuam e do maior conservadorismo dos concorrentes do setor privado.

Nos nove primeiros meses do ano, a carteira da Caixa cresceu 11,4% em relação ao mesmo período de 2022, batendo em R$ 1,091 trilhão. No BB, a expansão foi de 10%, para R$ 1,066 trilhão. A título de comparação, o Itaú Unibanco (ITUB4), que também tem mais de R$ 1 trilhão em operações, cresceu 5,7% no mesmo intervalo.

“Acredito que no primeiro semestre, o ‘W.O.’ (expressão típica dos esportes, quando o rival não aparece para a disputa) deve continuar, pelo menos em linhas direcionadas, e o mercado deve vir com mais parcimônia [que nós]”, afirma o vice-presidente de Finanças e Controladoria da Caixa, Marcos Brasiliano. Foi uma modalidade direcionada, o crédito imobiliário, que garantiu a “largada” do banco em 2023, com crescimento de 14,6% até setembro.

O vice-presidente de Controles Internos e Gestão de Riscos do BB, Felipe Prince, diz que o mercado tende a crescer mais no próximo ano, ainda que de forma mais tímida que no período da pandemia. O banco, segundo ele, se beneficia por ter mantido o apetite de risco ao longo de 2023. “O que fizemos foi selecionar os mercados com melhor retorno ajustado ao risco”, afirma o executivo.

Com capital aberto, o BB deve divulgar apenas em fevereiro as expectativas de crescimento da carteira em 2024. Entretanto, tem sinalizado que pode crescer um dígito porcentual alto ou dois dígitos baixos em relação a 2023.

Fatores

A manutenção do apetite de Caixa e BB ao longo do ano se originam de alguns fatores. Primeiro, os dois bancos têm como principais carteiras mercados que têm garantias e inadimplência mais baixa, o imobiliário e o agrícola. Nos bancos privados, há uma maior presença de linhas de financiamento ao consumo, que têm maior risco.

Matheus Amaral, analista do Inter, afirma que a liderança dos dois bancos nessas linhas ajuda a explicar porque eles mantiveram o apetite enquanto os bancos privados restringiram as torneiras.

O BB tem mais da metade do mercado no crédito agrícola, que tem crescido junto com a produção rural no País. A Caixa detém quase 70% do crédito imobiliário, uma liderança que tem aumentado desde o ano passado. “É mais uma questão de o mercado desacelerar e esses bancos manterem o ritmo de concessão”, diz.

No começo do ano, o mercado esperava que os dois bancos crescessem de forma mais acelerada em 2023 após a troca de governo, dado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é favorável à expansão da presença das instituições públicas no mercado de crédito.

O vice-presidente e analista sênior da Moody’s, Alexandre Albuquerque, afirma que a expansão encontra bases técnicas no balanço dos bancos. “Os bancos públicos estão em uma posição melhor em relação a capital, que continua a ser acima dos pares privados, e esse é um fator que auxilia nesse crescimento”, diz. Outro ponto positivo, segundo ele, é o acesso a fontes de financiamento baratas – a poupança, no caso da Caixa, e depósitos à vista e judiciais, no do BB.

Uns foram, os dois ficaram

Brasiliano, da Caixa, afirma que em momentos de juro alto os bancos privados tendem a reduzir as concessões em carteiras como a do crédito imobiliário, que tem um prazo longo e margens mais baixas. “A carteira cresce nesse patamar acima de dois dígitos muito mais pela ausência do mercado competindo nessas duas linhas que fazemos bastante [habitação e infraestrutura]. Fazemos praticamente 100% do orçamento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)”, afirma.

Prince, do BB, diz que o banco não mudou a estratégia de concessão de crédito em 2023. “Concentramos o crescimento em linhas mais rentáveis, com melhor retorno ajustado ao risco e que estavam crescendo, não é contracíclico”, afirma o executivo.

Além do crédito rural, a instituição observou crescimento próximo a dois dígitos em linhas não direcionadas, como o consignado, que subiu 8,9% em setembro em relação ao mesmo período do ano passado. O vice de Controles e Riscos diz que o banco conseguiu ganhar espaço no consignado para beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) diante do menor custo de operação.

Com as reduções no teto de juros da modalidade pelo governo, os bancos privados reduziram as concessões do produto, alegando que as taxas não cobrem os custos. No caso do BB, a origem é feita majoritariamente por meio da rede própria, sem correspondentes, que formam um fator de custo importante para os rivais. “Estruturalmente, o nosso consignado INSS é menos custoso que os dos outros bancos”, afirma Prince.

Fonte: eInvestidor

Frente Parlamentar em defesa dos bancos públicos é relançada na Câmara

Publicado em: 19/05/2023


A ANABB, que tem como missão a defesa do Banco do Brasil e de seus funcionários, marcou presença no relançamento da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Bancos Públicos, realizado na manhã desta terça-feira (16) no Salão Nobre da Câmara dos Deputados.

O objetivo da Frente – composta por deputados e senadores – é o de “promover o debate sobre a importância dos bancos públicos para o desenvolvimento econômico e social do Brasil, bem como articular estratégias para defender essas instituições dentro do Congresso Nacional.”

A iniciativa é da deputada Erika Kokay (PT/DF), em conjunto com mais de 190 parlamentares – entre os quais, Luiz Carlos Motta (PL/SP) e Tadeu Veneri (PT/PR), este ex-funcionário do BB. Os três parlamentares estiveram presentes no evento e, de modo geral, destacaram o compromisso de retomar o debate sobre o papel social do Banco do Brasil, Caixa e outras instituições financeiras ligadas ao Estado.

Para saber mais sobre a atuação da ANABB no Congresso Nacional e os principais projetos em tramitação relacionados ao BB e aos interesses de seus funcionários, acesse a 1ª edição da Agenda Legislativa ANABB – disponível aqui.

Fonte: Agência ANABB

Bancos públicos emprestam mais do que privados pela 1ª vez em 7 anos

Publicado em: 12/05/2023


O crescimento da carteira de crédito dos bancos públicos ultrapassou neste ano o ritmo dos privados pela primeira vez desde 2016. Para analistas, a estratégia de estímulo ao crescimento via instituições estatais pode dificultar o início do corte de juros pelo Banco Central (BC). A expansão da carteira de crédito dos bancos públicos foi de 13,78% nos 12 meses encerrados em março, contra 10,89% dos privados de controle nacional (ou seja, sem considerar instituições de natureza estrangeira como o Santander), segundo os dados mais recentes da autoridade monetária.

A última vez em que os bancos sob controle estatal haviam registrado um crescimento acima dos privados na janela de um ano foi em julho de 2016 -de 2,8% e 2,2%, respectivamente. Analistas de mercado assinalam que, embora o resultado tenha sido alcançado durante os primeiros meses do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a maior parte do período considerado na janela de comparação corresponde à gestão do governo anterior, de Jair Bolsonaro (PL).

“O intervalo de 12 meses até março abarca um bom período do governo anterior, que também já vinha nessa toada de incentivar a economia, que estava patinando”, afirma João Frota Salles, analista da Senso Investimentos. Analista da Austin Rating, Luis Miguel Santacreu acrescenta que o período analisado de três meses do governo petista ainda é muito curto para cravar que a expansão das carteiras dos bancos públicos se deveu à adoção de uma política voltada à expansão monetária.

“Pela curta janela de atuação do novo governo, acredito que ainda não é possível afirmar que essa maior expansão dos bancos públicos se deve a ele”, concorda Christopher Galvão, analista da Nord Research. Galvão afirma que o ritmo de crescimento dos bancos públicos começou a aumentar ainda em meados de 2022, como provável reflexo da alta da Selic, uma vez que eles têm uma atuação maior no crédito direcionado, voltado para linhas como agronegócio e habitação, que sente menos o efeito do aumento dos juros do que as linhas de crédito livre.

Os dados do BC mostram que, nos 12 meses encerrados em março, o saldo do crédito direcionado registrou expansão de 14,2%, enquanto o livre cresceu 10,5%. “A gente percebe nitidamente que tem tido um aumento maior do crédito direcionado”, diz Santacreu, acrescentando que BB (Banco do Brasil) e Caixa são conhecidos no mercado pela atuação destacada em linhas de crédito para o agronegócio e o mercado imobiliário.

No caso do BB, que divulga os dados de janeiro a março no dia 15, a expectativa dos analistas é de uma forte expansão do lucro no período, impulsionado em boa medida pela carteira agro. Os números do banco público poderão servir como uma primeira sinalização das reais intenções do governo de se valer das instituições financeiras estatais para estimular o crescimento econômico, diz Salles.

Ele afirma que os resultados do BB têm potencial para alimentar o debate sobre a condução da política monetária pelo BC, já que sinais de uma política creditícia expansionista podem dificultar o início do ciclo de corte dos juros defendido pelo presidente da República. “Se há uma desancoragem das expectativas [de inflação], uma postura mais ‘hawkish’ [pró-aperto monetário] do BC, o governo indo contra esta estratégia só gera descasamento [entre política fiscal e monetária]”, afirma Julio Hegedus Netto, economista-chefe da Mirae Asset Wealth Management.

Ele diz que não descarta uma espécie de “remake” dos anos da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), quando o governo optou por estimular a demanda de forma artificial. “Os bancos públicos podem ganhar participação de mercado, mas, de forma concreta, não observamos uma demanda mais forte.” Galvão, da Nord, afirma que sinalizações recentes do governo já indicaram o uso de políticas parafiscais para estimular a economia por meio da oferta de crédito subsidiado pelos bancos públicos.

Em declarações no início de março, Lula afirmou que vai lançar um programa para que os bancos públicos e de desenvolvimento sejam usados para a promoção de investimentos, gerando empregos e contribuindo para um melhor desempenho da economia. Os bancos públicos “vão voltar a investir dinheiro para gerar emprego, gerar desenvolvimento e gerar a distribuição de renda efetiva para esse país”, afirmou o presidente na ocasião.

A depender da magnitude dessa atuação, é uma situação que pode causar distorções no mercado de crédito, diz o analista da Nord. Galvão afirma que, na ata do Copom (Comitê de Política Monetária) divulgada nesta terça-feira (9), o colegiado destaca que o uso de políticas parafiscais tende a elevar o juro neutro da economia, que é aquele que estimula o crescimento sem causar inflação.

“É importante que a política fiscal e monetária atue na mesma direção para controlar a inflação. As sinalizações [do governo] até o momento não corroboram muito essa visão.” Procurados, Caixa e BB não comentaram por estarem em período de silêncio antes da divulgação dos resultados do primeiro trimestre, previstos para os próximos dias 11 e 15, respectivamente.

BANCOS PRIVADOS APERTAM FREIO DIANTE DE JUROS E INADIMPLÊNCIA

Salles, da Senso, afirma que, no caso dos privados, a alta dos juros, com a Selic em 13,75% ao ano, e o consequente avanço da inadimplência, fez com que eles apertassem o freio na concessão do crédito. Episódios envolvendo grandes empresas, como Americanas e Light, também acenderam o alerta entre os bancos, diz o especialista. “Com a taxa de juros permanecendo elevada, os bancos privados vão continuar sendo comedidos e muito cautelosos.”

O analista da Senso afirma também que, nos resultados do primeiro trimestre, já foi possível identificar uma queda no ritmo de expansão dos bancos privados, com aumento nos níveis de provisionamento para possíveis calotes. Ao comentar os resultados do primeiro trimestre em conversa com jornalistas, o presidente do Bradesco afirmou que a inadimplência deve seguir em alta e que o momento ainda exige uma postura cautelosa do banco na concessão de crédito.

Já o presidente do Itaú afirmou que o crescimento da carteira de crédito no período refletiu uma postura mais cautelosa por parte do banco, assim como uma menor procura das empresas. “A gente continua sendo bastante cauteloso, mas não é só uma questão de oferta do banco. Muito pelo contrário. A demanda tem caído e temos percebido em vários segmentos uma redução importante, sobretudo nas empresas”, afirmou Milton Maluhy Filho. (LUCAS BOMBANA/Folhapress)

Fonte: O Tempo

Bancos públicos devem ter disposição para emprestar dinheiro, diz Lula

Publicado em: 09/04/2023


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que bancos públicos, como o Banco do Brasil, deve ter muita disposição para oferecer crédito e impulsionar o crescimento.

Lula afirmou ainda que o presidente do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, está “com a faca e o queijo na mão” para que a instituição volte a atuar pelo desenvolvimento do país.

O apelo veio após Lula comentar que os governadores devem ser chamados em breve com os resultados da Casa Civil sobre suas propostas de retomada de projetos prioritários, destacando a importância do pacto federativo.

Em cerimônia de assinatura de decretos sobre o setor de saneamento básico, o presidente afirmou que estava chamando o Brasil “à responsabilidade” para implementar, até 2033, a universalização do saneamento básico.

Fonte: Yahoo

Rombo da Americanas pode abocanhar até 30% do lucro dos bancos, calcula XP

Publicado em: 27/01/2023


A Americanas (AMER3) divulgou, nesta amanhã (25 de janeiro), a sua lista de credores, cumprindo uma importante etapa da sua recuperação judicial. O valor assusta e pode trazer impactos para os bancos, calcula a XP em relatório publicado nesta quarta-feira (25).

A maior dívida da Americanas é com o Deutsche Bank, de R$ 5,22 bilhões, na sequência, vem a dívida bilionária com o Bradesco (BBDC4), de R$ 4,5 bilhões.

Veja a lista dos bancos:

Deustche Bank: R$ 5,2 bilhões
Bradesco: R$ 4,5 bilhões
Santander Brasil (SANB11): R$ 3,6 bilhões
BTG Pactual (BPAC11): R$ 3,5 bilhões
Votorantim: R$ 3,2 bilhões
Itaú (ITUB4): R$ 2,7 bilhões
Safra: R$ 2,5 bilhões
Banco do Brasil (BBAS3): R$ 1,3 bilhão
Caixa Econômica Federal: R$ 501 milhões

Os analistas dizem que os bancos podem optar por provisionar esse valor já no quarto trimestre ou nos resultados do primeiro trimestre de 2023.

“Em ambos os casos, esperamos que o impacto nos resultados seja mais significativo para BTG, Santander e Bradesco (em torno de 20-30% de seu lucro líquido)”, calcula.

Por outro lado, Banco do Brasil e Itaú devem ser os bancos menos afetados (menos de 10% do lucro líquido).

Os analistas Renan Manda e Matheus Guimarães, que assinam o relatório, também não descartam provisões adicionais do valor nos trimestres seguintes, caso o novo cronograma de pagamentos da empresa sofra atrasos ou os bancos façam rebaixamentos adicionais em sua classificação de risco.

O Inter Research também vai na mesma linha ao dizer que Santander e o Bradesco são os mais impactados, representando 0,8% e 0,5% da carteira, respectivamente, enquanto o Itaú e o BB apresentaram 0,2% de exposição da carteira total em saldo com a Americanas.

“Em termos de impactos no patrimônio líquido destes bancos, o Santander sofreria com 4,5% do PL total, seguido pelo Bradesco com 3,1%, Itaú com 1,8% e BB com 0,9%”, coloca.

O Inter diz, porém, que o efeito Americanas tem impactos limitados ao setor, “não ocasionando maiores prejuízos no médio e longo prazo que possa afetar substancialmente o valor destas instituições”.

Fonte: Money Times

 

Bancos públicos estão entre os principais credores da Americanas

Publicado em: 20/01/2023


Na última semana, um escândalo financeiro de grandes proporções trouxe à tona algo que estava escondido por trás do alegado bom exemplo de gestão de grandes empresas privadas. Tendo como sócios alguns dos homens mais ricos do Brasil, defensores incansáveis das privatizações, a Americanas teve reveladas “inconsistências contábeis” de R$ 20 bilhões – chamadas abertamente de “fraude multibilionária” pela representação dos acionistas minoritários. Entre os principais credores, cujos recursos ficam ameaçados pelo rombo, estão bancos públicos – ou seja, o prejuízo atinge um perímetro muito maior do que os acionistas da Americanas.

Para além do prejuízo que pode repercutir nos bancos públicos, esse fato coloca em questão (mais uma vez) a propaganda falsa baseada na premissa “se é privado, é melhor”, protagonizada justamente por aqueles que estão diretamente envolvidos na privatização de estatais. Não se trata, portanto, de um problema “da Americanas”.

Entenda o caso

Na virada de ano, o CEO Sergio Rial assumiu a Presidência da Americanas. Porém, apenas dez dias depois, Rial renunciou ao cargo. O motivo? Ele descobriu um rombo de R$ 20 bilhões nas contas da empresa. Esse valor refere-se a dívidas que estavam sendo erroneamente contabilizadas: a empresa pediu empréstimos para pagar os fornecedores (em operações chamadas de “risco sacado” e, em vez de essas dívidas serem contabilizadas como tal, foram registradas como despesas com fornecedores. Isso esconde as dívidas acumuladas, apresentando a potenciais acionistas e possíveis credores uma realidade financeira que não existe, como se a empresa tivesse menos dívidas do que na realidade possui.

Chamada de “inconsistência contábil” por alguns, a prática foi caracterizada como uma “fraude multibilionária” pela Abradin, associação que reúne acionistas minoritários de empresas de capital aberto. Em nota, a Abradin afirmou que o caso “não só destruiu patrimônio dos acionistas da companhia como, e principalmente, mina a credibilidade do mercado de capitais brasileiro, afugentando investidores justamente em um momento em que a economia nacional tanto precisa de investimentos diretos na produção para retomar sua trajetória de crescimento”.

As contas da Americanas são auditadas pela PwC, uma das maiores multinacionais de consultoria e auditoria do mundo, que está há mais de 100 anos no Brasil. Em seus relatórios, a PwC não apontou qualquer inconsistência. Agora, as revelações sobre o rombo colocam em xeque a atuação da PwC, que faz parte do grupo apelidado de “big four” de empresas de consultoria e auditoria, e, por consequência, devem lançar dúvidas sobre a credibilidade também das demais integrantes do grupo.

Caixa fez empréstimo no apagar das luzes do governo anterior

Dos R$ 20 bilhões em dívidas que estavam escondidos nos balancetes da Americanas, R$ 6,4 bilhões têm como credores bancos públicos: Banco do Brasil, Banco Econômico de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Banco da Amazônia, Banco do Nordeste e Caixa Econômica Federal. No dia 21 de dezembro, no apagar das luzes do governo de Jair Bolsonaro (PL) e menos de três semanas antes do anúncio do rombo, a Caixa concedeu à empresa um empréstimo de R$ 450 milhões. Todos correm agora para minimizar os prejuízos que podem sofrer.

Quem são os acionistas majoritários da Americanas?

Especialistas têm dito ser improvável que o rombo tenha passado despercebido pelas gestões anteriores e pelos acionistas majoritários. Os bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira possuem cerca de um terço das ações da Americanas. Lemann, que vive na Suíça, é o homem mais rico do Brasil, com uma fortuna estimada em quase R$ 80 bilhões. Ele e seus sócios – que são proprietários da 3G Capital – atuaram diretamente para a privatização da Eletrobras, da qual também são acionistas.

Reportagem do jornalista Luis Nassif denuncia, sobre Lemann, que “a forma como se apropriou da Eletrobras é indecente, fruto de lobby direto na veia do poder público. Entrou como minoritário, no golpe do impeachment passou a ter poder de indicação dos gestores. Estes reduziram investimentos – que eram relevantes para o país – para garantir dividendos polpudos. A 3G, controlada por ele, produziu uma avaliação do preço da Eletrobras indecente, tomando como base o valor contábil da empresa. O golpe da privatização ocorreu com a empresa emitindo ações, que diluíram a participação estatal, e impuseram um acordo de acionistas pelo qual a União só tem direito a 10% dos votos, independentemente de sua participação acionária”.

Riscos para fundos de pensão e trabalhadores

Os fundos de pensão que se vinculam ao mercado financeiro também podem ser – e alguns já estão – sendo afetados direta ou indiretamente pela crise desencadeada pela “inconsistência” da Americanas. Reportagem do jornal O Globo aponta que dois fundos da Fundação dos Economiários Federais (Funcef), que administra as pensões de funcionários da Caixa Econômica Federal, foram afetados, embora de forma apenas marginal. A desconfiança sobre a confiabilidade dos balancetes de grandes empresas e até mesmo sobre empresas de auditoria como a PwC, porém, pode trazer efeitos futuros também sobre outros fundos de pensão. São os riscos assumidos pelos fundos de pensão que se vinculam às dinâmicas instáveis do mercado financeiro.

Além dos riscos para os trabalhadores e trabalhadoras que têm suas aposentadorias vinculadas a fundos de pensão, também não está afastado o risco de demissões na Americanas, onde trabalham 44 mil pessoas. Isso porque a situação financeira da empresa ainda é incerta, assim como a forma como ela irá lidar com o possível estrangulamento. Nos próximos dias, especula-se que a Americanas irá mover processo de recuperação judicial, pedindo à Justiça o congelamento dessas dívidas que não estavam sendo contabilizadas até que ela apresente um plano de recuperação – que poderá incluir demissões.

Fonte: Sintrajufe

 

Bancos públicos voltam a ter papel central nas políticas para o desenvolvimento

Publicado em: 06/01/2023


O governo Lula iniciou o mandato cumprindo uma das promessas de campanha: reverter processos de privatização de empresas públicas. O “Diário Oficial da União” publicou nessa segunda-feira (2 de janeiro) o despacho assinado pelo presidente da República no domingo, dia da posse do petista, determinando o fim dos trâmites para a venda de oito estatais, entre elas Petrobras e Correios. Dois dias antes, ainda dentro do período de transição, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, cumpria a promessa do novo governo de colocar duas mulheres no comando das principais instituições financeiras do país, Caixa e Banco do Brasil.

“Estamos diante da retomada do que é o papel fundamental dos bancos públicos: a missão como instrumento para o desenvolvimento econômico e redução da pobreza”, destaca a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira.

A representante da Contraf-CUT na Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), Fernanda Lopes, também observa que, afastada a trajetória de desmonte que estava em andamento com a venda de subsidiárias, caso da Caixa, e redução significativa de funcionários e agências, caso do BB, os bancos públicos terão agora “papel importante para colocar o Brasil de volta aos trilhos do desenvolvimento”, com ampliação de crédito a juros mais baixos para “tirar famílias do endividamento e dinamizar a economia para agricultura familiar, micro e pequenas empresas”.

Rafael de Castro, empregado da Caixa e diretor da Contraf-CUT, lembra que, ainda no período de transição, o governo Lula foi bastante receptivo às propostas de fortalecimento dos bancos públicos. “Em relação à Caixa, a equipe que hoje está no Planalto recebeu das mãos das entidades que representam os trabalhadores bancários o documento ‘Uma nova Caixa para um novo Brasil’, com dados sobre o processo de descapitalização que o banco sofreu nos últimos anos e que reduziu sua capacidade de execução de políticas sociais. O documento também traz propostas de como a Caixa pode contribuir para o desenvolvimento social e econômico do país”, destaca.

Em entrevista ao canal TVT, em novembro passado, Maria Rita Serrano, recém chamada para assumir a presidência da Caixa, lembrou que foi durante os governos anteriores de Lula e Dilma que “os bancos públicos e as empresas públicas” foram instrumentos importantes para “fazer investimentos no país e com isso, lógico, contribuir na geração de emprego e para tirar a população da miséria”.

Ela explicou que os bancos públicos, “primeiro, contribuem para o desenvolvimento do país, sendo um braço do governo, fornecendo as ferramentas ao desenvolvimento do país, com investimentos de médio e longo prazo para infraestrutura, habitação, agricultura, agronegócio”. Em segundo lugar, “os bancos públicos podem gerar programas sociais, no sentido de melhoria da qualidade de vida da população, por exemplo, com a oferta de microcrédito para nichos da sociedade que os bancos privados não atendem”, completou.

Análise do Citi

Analistas do Citi afirmaram nesta terça-feira que veem mudanças nas tributação e o comportamento dos bancos públicos como temas que devem ganhar a atenção do setor bancário brasileiro em 2023. Em relatório a clientes, eles citaram que as discussões sobre o fim do mecanismo de juros sobre o capital próprio devem voltar à mesa, mas esperam que haja algumas compensações.

O plano do PT prevê que a reforma do Imposto de Renda inclua a taxação sobre a distribuição de lucros e dividendos –medida proposta pelo governo de Jair Bolsonaro, mas que não foi implementada pelo Congresso.

Quando aos bancos controlados pelo governo, a equipe do banco norte-americano liderada por Rafael Frade não espera alteração significativa nas rotas, mas ressaltou que “isso pode ser um risco para o setor”.

Fonte: Contraf-CUT com Investing.com

 

Banco do Brasil: o impacto da mudança na Lei das Estatais

Publicado em: 15/12/2022


A semana tem sido bastante conturbada para as estatais, com anúncios de equipe econômica e medidas que podem abalar a governança corporativa das empresas. Um grande passo para isso foi dado na noite da última terça-feira (13), quando a Câmara dos Deputados aprovou, por 314 a 66, o texto-base de um projeto de lei que modifica a Lei das Estatais. Ele diminui o período “sabático” que uma pessoa tem de esperar para assumir um cargo em uma estatal após participar de decisões partidárias de três anos para um período de apenas um mês.

Uma eventual mudança na Lei das Estatais que facilite a indicação de nomes políticos pode prejudicar a rentabilidade do Banco do Brasil (BBAS3), disse a Guide Investimentos. A avaliação é feita com base na mudança positiva que teve a rentabilidade da empresa após a criação da lei – que impede que pessoas que tenham participado da organização de campanhas eleitorais assumam cargos de direção ou diretoria de estatais em 36 meses.

O texto aprovado na Câmara muda a “quarentena” para em 30 dias. “No caso do Banco do Brasil, a rentabilidade atualmente é maior do que a dos bancos privados, o que não acontecia antes da lei”, destacou o analista Gabriel Araujo Gracia.

Ele lembra que o atual presidente do banco é funcionário de carreira e a presidente do conselho de administração é funcionária de carreira da procuradoria da Fazenda. Em novembro, executivos do Banco do Brasil defenderam sua política de remuneração a acionistas e o uso da “meritocracia” para definir a sucessão no comando, na esteira de resultados trimestrais surpreendentemente fortes.

A instituição registrou lucro líquido ajustado de R$ 7,8 bilhões no segundo trimestre de 2022, em um salto de 54,8% em relação ao mesmo período do ano passado. De acordo com o BB, o resultado foi influenciado pelo aumento da margem financeira bruta, diversificação das receitas com serviços e disciplina na gestão das despesas.

Resultados imediatos

Cabe destacar que, na última segunda, as ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3;PETR4) caíram, respectivamente, 2,71% 3,24%, e as ações ordinárias do Banco do Brasil (BBAS3), por sua vez, recuaram 3,40%. A baixa se deu, justamente, na esteira de notícias de que o governo eleito, liderado pelo petista Luiz Inácio Lula da Silva, pretendia revogar a Lei das Estatais já em seus primeiros dias de mandato, através de uma Medida Provisória (MP).

Com a Lei das Estatais em vigor nos moldes atuais, a nomeação de Aloizio Mercadante como presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) não seria possível. Ela proíbe, até então, a indicação de pessoas que atuaram em processos decisórios de partidos políticos ou em campanhas eleitorais nos últimos 36 meses aos conselhos de administração e a cargos em diretorias dessas empresas. Com a mudança na Câmara, assim, abriu-se espaço para Mercadante comandar o banco de fomento.

A legislação é vista, já há algum tempo, como um obstáculo para nomeações do governo e também para a promoção de mudanças de gestão nas estatais. A sua alteração, desta forma, assusta investidores, fazendo crescer a perspectiva de que haverá interferência política dessas companhias.

Agora, a mudança no texto da lei tem de ser aprovada no Senado. Se ela sair do papel, o que é provável por conta da sua rápida tramitação na Câmara, Mercadante poderá ocupar o cargo de presidente do BNDES já no começo do novo governo e Lula poderá indicar outros políticos para as estatais. Já circularam rumores, por exemplo, de que o Senador Jean Paul Prates (PT) deve comandar a petroleira brasileira.

Com isso, após os papéis ordinários e preferenciais da Petrobras tiveram um dia de derrocada, intensificada durante a tarde. Os ativos PETR3 fecharam com queda de 9,80%, a R$ 24,29, enquanto os papéis PETR4 caíram 7,93%, a R$ 21,47. Com isso, em apenas uma sessão, a Petrobras perdeu R$ 30 bilhões de valor de mercado em apenas uma sessão, de R$ 331 bilhões para R$ 301 bilhões. As ações do Banco do Brasil caíram menos, mas ainda fecharam em queda de 2,48%, a R$ 31,07, destoando do dia de ganhos no setor.

Na véspera, logo após o anúncio de Mercadante como novo comandante do BNDES, os ativos das duas empresas aceleram as perdas, fechando com queda de 1,36% para PETR3, 2,47% para PETR4, enquanto BBAS3 caiu 4,90%. Assim, em apenas três sessões, os ativos de BB caíram 10,41% e os papéis de Petrobras tinham derrocada de cerca de 13%.

“Se a repercussão de Mercadante no BNDES acabou derrubando o Ibovespa durante o pregão desta terça, a aprovação, feita a toque de caixa, de alterações na Lei das Estatais renova o pessimismo por parte do cenário político. Ainda que não tenham sido modificadas normas relacionadas à governança e accountability de estatais, a possibilidade de novas mudanças preocupa investidores”, apontou a equipe de análise da Levante Ideias de Investimentos.

Retrocesso

Especialistas apontam a mudança em Lei das Estatais como um retrocesso. “A lei das estatais estabelece uma série de limitações aos ocupantes de cargos em empresas públicas. Muito festejada à época, foi introduzida ao ordenamento jurídico como forma de estabelecer contornos mais racionais e corporativos às empresas que tenham vinculação com o Poder Público”, diz Cristiano Vilela, Sócio do escritório Vilela, Miranda e Aguiar Fernandes e especialista em direito constitucional.

De acordo com o especialista, além de evitar o apadrinhamento político, a lei estipulou uma série de outras medidas que passaram a ser seguidas por essas companhias, como a implementação de uma série de pré-requisitos para a contratação de licitações públicas – que evita casos de corrupção.

Para Anna Florença Anastasia, advogada administrativista no GVM Advogados, as normas em questão foram criadas em um momento em que havia uma desconfiança de investidores quanto às indicações políticas para cargos de direção (após os escândalos da Lava Jato) e foi bem sucedida em ajudar na recuperação do descrédito que havia se instalado sobre as estatais.

“Com a edição da Lei, considerou-se superado o problema, uma vez que os membros do conselho e os indicados para os cargos de diretor, inclusive presidente,são escolhidos entre cidadãos de reputação ilibada e de notório conhecimento. Vimos um movimento de profissionalização da administração das empresas públicas”, contextualiza.

Luiz Marcatti, presidente da Mesa Corporate Governance, também afirma que os benefícios criados pela Lei das Estatais “são claros” para todo o mercado e administradores.

“Ela criou uma espécie de blindagem, uma proteção, para as companhias quanto às administrações com viés político e eleitoreiro. No fundo, o patrimônio dessas empresas não é do governo eleito, mas sim da população, da sociedade. O governo tem de fazer uma administração séria, mantendo o valor da empresa, e não realizar políticas populistas”, defende. “O governo é um ente político e a questão é que há grandes chances de as coisas serem misturadas. Mexendo nessa lei, teremos um enfraquecimento da governança das estatais, que pode deixá-las vulneráveis a interesses de grupos específicos”.

Para Marcati, efeitos negativos da mudança tendem a pesar sobre o próprio governo eleito.

Apesar da polêmica da paridade internacional de preços, a Petrobras distribuiu R$ 180 bilhões através dos dividendos, sendo quase 40% desses direcionados aos cofres da União. Além disso, a própria alteração na lei tende a criar insegurança jurídica, com investidores ficando mais receosos de investir nas estatais brasileiras.

“Há um ambiente favorável que sinaliza a revogação ou alteração substancial da Lei das Estatais. A intenção parece ser conceder influência política direta nas atividades desenvolvidas por essas empresas”, diz Renan Albernaz, advogado do escritório Daniel Gerber Advogados. “Contudo, os cenários populares e econômicos podem não refletir a mesma tranquilidade, já que se provou que com o advento da referida lei as ações e confiança de mercado na Petrobras aumentaram”.

Visão mais negativa do mercado

Já vislumbrando as mudanças no radar, até mesmo antes da eleição, especialistas do mercado financeiro diminuíram as suas projeções para Petrobras e Banco do Brasil, notoriamente para a primeira companhia, que é citada constantemente por futuros integrantes do governo eleito e que deve ter grandes mudanças de suas políticas.

O Itaú BBA viu a notícia de ameaça à Lei das Estatais como negativa, uma vez que a legislação em questão introduziu, segundo eles, um conjunto de regras destinadas a melhorar a regulação entre a relação entre o Estado, como acionista controlador, e as empresas estatais, com foco em governança corporativa e regras de aquisição para as companhias.

“Acreditamos que os investidores terão uma reação negativa a uma reviravolta nessa legislação, pois poderia facilitar as nomeações políticas para os cargos de diretoria e executivos da Petrobras, ao mesmo tempo em que potencialmente enfraqueceria outros aspectos importantes da governança da empresa, especialmente os relacionados à independência da área de compliance e requisitos para contratos e licitações”, apontaram os analistas na segunda-feira, quando surgiram as notícias sobre o tema.

Desde o fim do segundo turno das eleições, os papéis caíram, na mesma ordem, mais de 22% e 24%. As ações ordinárias do Banco do Brasil, mais de 17,5%. Mas, para alguns analistas, há espaço para mais recuo.

Como resultado do recente noticiário político envolvendo as estatais, os analistas do Bradesco BBI anunciaram, em relatório divulgado nesta terça, que cortaram a recomendação para as ações e para os ADRs (American Depositary Receipts, na prática, os ativos negociados na Bolsa americana) da Petrobras de compra para neutro. O preço-alvo dos ativos preferenciais, por sua vez, saíram de R$ 53 para R$ 26.

No texto do documento, os especialistas do BBI apontam que o “o fluxo de notícias sobre a tese de investimento continua se deteriorando a cada dia”. Eles mencionam as possíveis mudanças na política de dividendos, nos preços de combustíveis, novos investimentos e as mudanças nas lei das estatais, que teve o primeiro passo feito na véspera pela Câmara.

“Se confirmado, isso seria um sinal muito negativo para a governança geral no Brasil, uma vez que a lei implantada durante o governo de Michel Temer garante diversos pontos de maior governança, incluindo a nomeação de gerentes com formação técnica (não política) na Petrobras”, disseram ontem. Em breve nota após a aprovação pela casa, os analistas reiteraram a sua visão mais negativa para o papel.

Fernando Siqueira, head da área de research da Guide Investimentos, vai na mesma linha. “Percebemos que depois que a Lei das Estatais foi aprovada a rentabilidade do Banco do Brasil e da Petrobras aumentou muito. Se tirarmos essa lei, e voltarmos a ter muitas nomeações políticas, isso deve mudar e, no pior dos cenários, retroceder. No governo Dilma, por exemplo, a Petrobras deu muito prejuízo”, diz Fernando Siqueira, head da área de research da Guide Investimentos.

A casa de research, por conta do risco político, diz que evita atualmente as estatais brasileiras. “Antes das eleições, tiramos o Banco do Brasil do portfólio para colocar o Itaú, que é parecido e que não tem risco político. No caso da Petrobras, não tiramos de todos os portfólios, por não ter um substituto claro, mas de alguns”, defende Siqueira. O BB, por sinal, apesar de ter apresentado os resultados mais robustos do setor nos últimos trimestres, tem perdido espaço nas carteiras e na preferência dos analistas justamente pelo risco político.

Em nota, Alexandre Albuquerque, analista sênior da Moody’s para o setor de bancos no Brasil, destacou que o anúncio da mudança na Lei das Estatais é negativa para os bancos públicos porque pode elevar os riscos de governança dessas instituições, uma vez que a intervenção política pode impactar suas estratégias de negócios e geração de resultados. “Apesar de haver uma indicação clara de que o novo governo aumentará a concessão de crédito por meio dos bancos públicos no Brasil, essas instituições têm forte capitalização no momento para apoiar essa estratégia. No entanto, o risco de conceder crédito com taxas mais baixas que os preços do mercado poderia resultar em pressões de rentabilidade em meio a um cenário de aumento do risco de crédito de 2023”, avaliou.

Já no caso da Petrobras, há quem defenda a realocação do capital antes aportado na estatal para as juniors oils como a PRIO (PRIO3) e a PetroRecôncavo (RECV3).

Algumas casas chegaram a, recentemente, recomendaram a venda dos papéis da petroleira estatal, por conta do risco político. “Enxergamos a possível alteração como negativa para as companhias. Após a Lava Jato, tivemos a criação de um arcabouço de proteção para as estatais e o que vemos nessa ideia circulada é o enfraquecimento dessas medidas, que se mostraram efetivas”, comenta Phil Soares, Chefe de análise de ações da Órama. “A nossa visão não é positiva, apesar de as mudanças pretendidas levarem tempo. Apesar das ações estarem baratas frente aos recentes resultados, vemos que existe uma possibilidade grande de os avanços serem revertidos. Em função disso, o preço pode ficar desfavorável. Estamos, inclusive, recomendando a venda dos papéis da Petrobras”.

O Citi, em relatório, defendeu estar menos otimista com o investimento em Petrobras, devido ao “crescimento do potencial de interferências do governo na companhia”. O Goldman Sachs foi no mesmo caminho.

“Conforme observado em nosso relatório de rebaixamento de Petrobras, vemos a Lei de Estatais como uma das camadas de proteção contra possíveis intervenções na empresa”, explicam os analistas do Goldman, que cortaram a recomendação para os ativos da petroleira no início de novembro. “Além disso, destacamos que este projeto foi aprovado por ampla maioria na Câmara dos Deputados (314 votos a favor contra apenas 66 contra), mostrando que o novo governo pode ter capital político suficiente para obter apoio do Congresso e fazer novos ajustes na a lei, corroborando assim nossa visão de que, embora no curto prazo a lei e os estatutos da Petrobras ofereçam algum nível de proteção contra intervenções, no longo prazo continuamos a ter pouca visibilidade”.

Já a Genial Investimentos, logo após a aprovação da mudança na lei na Câmara, afirmou ter “jogado” a toalha e cortou a recomendação das ações PETR4 de compra para manutenção, com preço-alvo de R$ 30 (ainda um upside de 29% frente o último fechamento). “A lei das estatais era uma das ‘linhas de defesa’ da empresa em relação à más indicações para o seu corpo executivo e a empresa é um dos principais nomes negativamente afetada por tal decisão”, aponta a casa.

Para João Daronco, da Suno Research, por fim, ainda é cedo para afirmar a que ritmo as coisas irão mudar, apesar de ser necessário cautela. “Estamos do lado de manter a calma, entender o que irá acontecer e a forma que irá se dar. Isso se realmente houver mudanças. Acho que ainda é cedo para definir as proporções e o que irá acontecer. As medidas levam tempo e não devem sair logo no começo do governo, mas sim de forma gradual, com impacto no médio prazo”, finaliza o especialista.

Fonte: Infomoney com Money Times

Mercado espera bancos públicos moderados mesmo que Lula ou Bolsonaro

Publicado em: 19/09/2022


A atuação dos bancos federais brasileiros não deve ser muito distinta a partir de 2023 se a eleição presidencial for vencida por Jair Bolsonaro ou Luiz Inácio Lula da Silva, mesmo que defendam orientações políticas divergentes, dizem especialistas do setor financeiro.

Na visão deles, embora hoje não digam isso na campanha, o que vencer nas urnas vai encarar um cenário que exigirá de BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica uma postura mais ativa em algumas atividades do que têm feito recentemente, como em empréstimos a pequenas e médias empresas e investimentos em alguns projetos de infraestrutura, mas não em larga escala como no passado, como fizeram gestões petistas.

“Pode ter algum diferença pontual, mas não enxergo uma diferença acentuada na gestão dos bancos controlados pelo governo federal”, disse o presidente no Brasil de uma grande gestora de recursos norte-americana.

A visão majoritária dos executivos é de que limitações no orçamento da União, ajustes na governança dos próprios bancos e o maior escrutínio de órgãos de controle, como do Tribunal de Contas da União (TCU), devem impedir injeção de recursos na magnitude ocorrida na última década, no caso de vitória de Lula.

Dos cerca de 500 bilhões de reais injetados nos governos petistas no três bancos, eles têm um saldo conjunto de cerca de 150 bilhões de reais para devolver, em valores corrigidos, segundo dados divulgados pelas próprias instituições.

“Tem pouco espaço para capitalizar bancos como no passado, o espaço fiscal é limitado”, disse o consultor e ex-economista-chefe da Febraban, Roberto Troster.

Sob condição de anonimato, dois atuais e dois ex-executivos de bancos federais afirmaram à Reuters partilhar dessa visão.

“O modelo de subsídios tem impacto fiscal e reduz a capacidade do Banco Central segurar a inflação e fazer a política monetária”, disse uma fonte próxima ao BNDES.

Alguns membros da equipe responsável pela elaboração do programa econômico de Lula admitem que a volta da prática de injetar dinheiro público no capital bancos é pouco provável.

“Não está prevista transferência do Tesouro (para os bancos)”, disse Guido Mantega, ex-ministro da Fazenda nos governos Lula e Dilma e presidente do BNDES sob Lula.

Para um executivo do setor privado e ex-vice-presidente do BB, há hoje um entendimento nas áreas técnicas dos bancos controlados pelo governo de que a política de fomentar “campeões nacionais”, com empréstimos maiores a grandes conglomerados, trouxe práticas contra-indicadas pela boa administração bancária, porque concentrou os riscos num pequeno número de clientes.

Entre outros fatores, falhas na contabilização de perdas com algumas dessas operações deixaram os balanços de Caixa e BNDES com ressalvas de auditores independentes por anos.

“Há também a visão de que o cenário atual é diferente do de uma década atrás, as prioridades mudaram”, disse essa fonte sob condição de anonimato porque não é autorizado a falar publicamente sobre o tema. “Um foco atual é aumentar o crédito para empresa média e pequena, uma missão não concluída no país.”

É uma visão partilhada por membros da campanha de Lula e por expoentes do governo Bolsonaro, tanto pelo aspecto técnico quanto pelo político, como manifestado recentemente pelo presidente do BNDES, Gustavo Montezano.

“Em vez de dar 10 bilhões de reais para empresas grandes, dar 1 bilhão para empresas pequenas é mais desenvolvimento social, mais desenvolvimento econômico, e mais voto no final do dia”, disse Montezano durante evento do BTG Pactual.

De alguma forma, isso já vem sendo feito pelos bancos, mais como resultado dos efeitos da Covid-19 do que de planejamento. O Pronampe, programa de auxílio a pequenas e médias empresas criado durante a pandemia, já liberou cerca de 80 bilhões de reais nas duas fases do programa, o que tem despertado planos de expansão de linhas de crédito para esse público.

“Os bancos públicos precisam alcançar áreas mal cobertas pelo setor privado, como financiamento a pequenas empresas”, disse Guilherme Mello, da equipe do programa econômico do Lula.

Embora BB e Caixa tenham sido os principais repassadores de recursos, o Pronampe teve também a participação dos grandes bancos privados, outra tendência que executivos do mercado avaliam que deve se estender para quaisquer políticas que o governo que emergir das urnas em outubro deve perseguir.

O ex-executivo do BB citou exemplos de linhas que antes eram altamente concentradas em bancos estatais, como agronegócio com o BB e o crédito imobiliário com a Caixa, mas têm atraído maior interesse de concorrentes privados.

Em outra frente, Guilherme Mello, um dos economistas responsáveis pela elaboração do programa econômico do Lula, também mostra-se contrário ao uso de bancos federais para fazer o custo do crédito cair em todo o sistema, como feito durante o segundo mandato do próprio ex-presidente, em 2018.

“A agenda da redução do custo de crédito é muito maior do que isso”, afirmou ele.

MAIS BANCO PÚBLICO EM INFRAESTRUTURA

Por outro lado, tem crescido a pressão para que bancos federais exerçam um papel mais ativo, hoje mais capitalizados, diretamente em nichos nos quais há pouco ou nenhum interesse do capital privado, como em projetos em infraestrutura, e isso tende a ser absorvidos mesmo com Bolsonaro reeleito.

De maneira geral, profissionais do mercado avaliam que houve melhora de modelo nos últimos anos, com o BNDES atuando mais como um estruturador de projetos em vez de usar recursos próprios subsidiados, como fez até meados da década passada.

“A participação do BNDES como financiador seria um passo atrás”, disse Karin Yamauti Hatanaka, sócia na área de Infraestrutura do escritório de advocacia TozziniFreire. “Isso fazia os projetos ficarem artificialmente viáveis”.

Por outro lado, mesmo profissionais e entidades privados têm cobrado que o BNDES use capital próprio em segmentos para os quais há pouco ou nenhum interesse do capital privado, como concessões de presídios e alguns projetos de escolas, iluminação pública, algumas rodovias, entre outros.

“Não tinha mundo perfeito nem antes nem agora”, disse o diretor de Infraestutura no Banco Fator, Ewerton Henriques. “É importante não voltar para o modelo anterior, mas há setores em que a participação dele é importante”, disse. “Vamos precisar fazer um meio a meio”.

O banco de fomento fechou 2021 com rentabilidade superior inclusive em relação aos bancos privados, refletindo em parte o ciclo de desinvestimento em ações detidas pela BNDESPar, que desde 2018 já lhe rendeu quase 80 bilhões de reais.

Segundo o ex-ministro Mantega, nesses casos, o BNDES tem que voltar a financiar projetos de longo prazo que não sejam financiados pelo mercado ou pelos bancos privados. “Os empresários do setor estão demandando isso”, afirmou.

De fato, essa visão foi manifestada pelo diretor da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base (ABDIB) e ex-secretário do Tesouro Nacional, Roberto Guimarães, para quem ainda há “hiatos de investimentos” em setores como transportes, saneamento básico e mobilidade urbana.

Entre interlocutores ligados à atual gestão do BNDES parece também haver esse entendimento. “Linhas especificas podem ter, sim, subsídios como mobilidade urbana”, disse uma fonte. “Tem que ser pontual e direcionado”.

Fonte: IstoÉ Dinheiro

 

Privatização de bancos públicos leva a demissões e desmonte de planos de saúde e previdência

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O resultado das privatizações do Banco do Estado do Paraná (Banestado) e do Banco do Estado de São Paulo (Banespa) comprovam o alerta dos movimentos de trabalhadores que lutam para afastar os riscos de privatização do Banco do Brasil e de outras importantes empresas públicas.

“Perdas de direitos, demissões em massa, desmonte dos planos de saúde e de previdência complementar. Esses foram os resultados das privatizações do Banestado e do Banespa, prestes a completarem 22 anos agora, em outubro e em novembro”, lembra o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) e membro do Comitê de Luta em Defesa do Banco do Brasil, João Fukunaga. “Ou seja, além de não resultarem no tão prometido aumento de investimentos, expansão econômica e modernização, as vendas que sepultaram as duas empresas destruíram direitos dos funcionários incorporados aos bancos compradores”, completa.

Caso Banestado

“O processo de privatização em si é muito estressante. A empresa precisa desmoralizar-se e quebrar a confiança dos empregados no futuro da instituição”, explica o ex-funcionário do Banestado e ex-presidente da CUT Paraná e da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Beto von der Osten, o Betão.

Ele lembra que, três anos antes da privatização, em 1997, a então diretoria do Banestado, orientada pelo governo estadual, avisou aos funcionários que a empresa passava por uma grave crise financeira.

“Na ocasião, o banco contava com mais de 12 mil empregados. No final do ano, a Assembleia Legislativa do estado aprovou uma lei para sanear o banco e foi aberta uma sala de dados para informação da real situação da empresa para interessados na sua compra”, destaca. Em 1999, a empresa pública foi submetida a dois programas de demissão voluntária que reduziram o número de funcionários para 8 mil.

No processo para sanar as dívidas, o Estado do Paraná desembolsou R$ 5,1 bilhões pelo Banestado, em valores da época, para depois entregar a instituição por apenas R$ 1,6 bilhão, em outubro de 2000, por leilão ao banco Itaú. Dois anos após a privatização, 76% das agências que antes eram do Banestado estavam encerradas. Em 2019, restavam apenas 500 funcionários oriundos do banco público na folha de pagamento do Itaú.

“O Banestado foi privatizado quando tinha quase 72 anos. Durante décadas foi uma das instituições financeiras mais sólidas do Brasil. Foi o grande parceiro dos ciclos econômicos e sociais, permitindo um nivelamento de desenvolvimento entre as regiões”, relembra Betão. “A revista Exame fez, em 1998, uma pesquisa apontando que mais de 90% dos empreendimentos econômicos e de infraestrutura do Paraná eram financiados pelo Banestado. A instituição era também um banco contemporâneo, introduzido na automação bancária desde anos 70. Pioneiro com cartões de múltiplas funções e Caixas Automáticos de saques”, completa.

Caso Banespa

Antes da privatização, o Banespa também passou por um processo de desmoralização. Chegou a ser o maior banco estadual e o terceiro maior banco comercial do país. Nas décadas de 60 e 70, foi responsável pela expansão do parque industrial paulista e de grandes investimentos sociais e produtivos dentro e fora do país. Foi nos anos 90 que começou a apresentar complicações financeiras.

“Antes da privatização, o Banespa era um banco em que todo mundo gostaria de trabalhar. Havia uma política de integração social, esportiva, cultural. Então, é um banco que deixou muita saudade, tanto para os funcionários como para os clientes”, destaca e ex-funcionário do Banco Estadual de São Paulo e atual presidente da Associação dos Funcionários do Grupo Santander Banespa, Banesprev e Cabesp (Afubestp), Camilo Fernandes dos Santos.

Em novembro de 2000, o Santander comprou o Banespa por R$ 7,05 bilhões, em leilão realizado na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. “Em seguida, vieram os programas de demissão voluntária, com mais de 8 mil adesões, e sucessivos processos de fechamento de agências”, lembra Camilo. “Depois da privatização, o relacionamento com os clientes no Banespa deixou de ser o mais importante, passando a ser a cobrança de metas, de resultados, como um banco comercial comum. E isso resultou no adoecimento dos funcionários que ainda continuaram”, observa ainda.

Fundos de pensão e planos de saúde

Os históricos de privatizações de empresas públicas mostram que, praticamente, em todas as empresas vendidas ocorrem ataques aos planos de saúde e de previdência complementar para reduzir direitos dos associados e as contribuições e compromissos das empresas patrocinadoras.

Camilo e Betão pontuam que, nos casos Banespa e Banestado, os ataques foram profundos, com fechamento dos planos de previdência, ficando restrito somente aos antigos funcionários, abertura de outro plano para os novos trabalhadores, com contribuições muito reduzidas dos patrocinadores, transferindo a responsabilidade com a formação da reserva previdenciária quase exclusivamente aos funcionários.

“O novo controlador, banco Santander, enfraqueceu a governança dos funcionários nas entidades de saúde e previdência, acabou com os comitês gestores e de investimentos e com as eleições de trabalhadores para as diretorias. Ou seja, a participação dos representantes eleitos pelos funcionários foi reduzida, e o Santander aumentou seu controle para cortar direitos dos trabalhadores”, destaca Camilo.

Ele conta ainda que o Santander proibiu a entrada de novos funcionários oriundos do banco público no plano de saúde, comprometendo seu equilíbrio e sobrevivência futuros. E, no Fundo Banespa de Seguridade Social (Banesprev), o plano para aposentadoria dos trabalhadores do antigo banco público, os associados têm, atualmente, que arcar com contribuições extraordinárias cada vez maiores para a cobertura de déficits.

Ameaças contra o BB

O ministro da Economia do governo Bolsonaro, Paulo Guedes, nunca escondeu sua vontade de privatizar as empresas públicas, incluindo Caixa e Banco do Brasil. “Qual é o plano para os próximos 10 anos? Continuar com as privatizações. Petrobras, BB, todo mundo entrando na fila, e isso sendo transformado em dividendos sociais”, chegou a dizer em evento virtual da International Chamber of Commerce Brasil, realizando ano passado.

“Assim como aconteceu com outras importantes empresas públicas que sofreram privatização, o BB vem passando por um processo de desmonte. Nos últimos cinco anos, a empresa fechou 1.400 agências e reduziu 23 mil funcionários. Temos ainda a entrega de subsidiárias importantes do banco para outras empresas do mercado, como o caso da BB DTVM, administradora do BB de R$ 1,4 trilhão no mercado financeiro, para o banco suíço UBS, sob o manto da ‘parceria’”, conclui Fukunaga.

O membro do Comitê de Luta em Defesa do Banco do Brasil lembra que, como banco público, o BB age de forma diferente dos bancos do mercado até mesmo quando passa a controlar outras empresas.

“Em 2009, o Banco do Brasil incorporou o Banco Nossa Caixa que, na época, tinha 15 mil funcionários e 547 agências. Ao contrário do que foi feito nas privatizações do Banestado e Banespa, o BB não demitiu ninguém, nem fechou agências, manteve os planos de saúde e de previdência sem reduzir direitos dos funcionários. E os novos funcionários puderam aderir ao plano de cargos e salários do BB, mantendo sua evolução na carreira”, finaliza.

Fonte: Contraf-CUT

População mais carente é a mais prejudicada com privatização dos bancos públicos

Publicado em: 06/05/2021


O presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), Sergio Takemoto, participou de uma live com os Jornalistas Livres neste domingo (2). O assunto foi o ataque do governo aos bancos públicos e quais os prejuízos para a população brasileira.

Para o presidente da Fenae, a privatização da Caixa a partir do fatiamento do banco em subsidiárias vai esvaziar a capacidade financeira da instituição. O lucro do banco nos últimos anos não significa fortalecimento da Caixa, pois foram obtidos com a venda de patrimônio.

“Em 2019, a Caixa vendeu ações de participação que tinha na Petrobras, da Vale. Em 2020, os lucros foram obtidos com as vendas no balcão da Caixa, de seguros. São lucros artificiais. Daqui a dois ou três anos não vai mais existir porque a Caixa está vendendo o que sustentava o lucro do banco”, disse Takemoto, citando a Caixa Seguridade, que foi listada na Bolsa de Valores B3 na última sexta-feira (29).

Além dos prejuízos ao banco, a privatização vai afetar a população de um modo geral, pois devem ser alteradas as taxas de juros, empréstimos, financiamentos e as políticas que induzem o desenvolvimento do país. No entanto, quem mais deve sofrer é a população mais carente das políticas públicas que são operadas pelo banco.

Na área habitacional, por exemplo, a Caixa é responsável por mais de 90% dos financiamentos para a população que ganha até R$ 1.800. Mas o governo cortou 98% dos recursos que eram destinados a este público, que atendia à Faixa 1 do antigo Minha Casa Minha Vida. De R$ 1,540 bilhão previsto para 2021, o valor a ser repassado será de somente R$ 27 milhões – R$ 1,513 bilhão a menos. “É o fim do sonho da casa própria para quem ganha até R$ 1.800”, disse Takemoto.

Outro dado apresentado pelo presidente da Fenae aponta para o esvaziamento das funções públicas da Caixa e das políticas sociais. “Em 2014, a Caixa financiou 732 mil bolsas de estudo; em 2021 serão somente 93 mil bolsas. São dados que infelizmente não são noticiados na grande imprensa”, ressaltou.

Estatais na pandemia

As empresas estatais têm sido fundamentais para ajudar o Brasil a enfrentar a crise econômica, social e sanitária causada pela pandemia, avaliou Takemoto na live. Ele citou a importância do Sistema Único de Saúde (SUS), da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Caixa. Mas em vez de valorizar as estatais e fortalecer o Estado, o governo aproveita as realizações das empresas para vendê-las.

No caso da Caixa, os empregados desenvolveram o aplicativo Caixa TEM, que permitiu o pagamento do Auxílio Emergencial. Agora o presidente do banco quer fazer deste aplicativo a base de uma subsidiária chamada Banco Digital, que já tem objetivo de ser privatizada. “Já sabemos que o banco digital é o futuro do sistema financeiro. Ou seja, vão tirar isso da Caixa e entregar de mão beijada, como fizeram com a Caixa Seguridade”, alertou.

Takemoto informou que a união e uma grande resistência das estatais serão fundamentais para defender as empresas públicas antes que as ações de privatização sejam irreversíveis, como aconteceu com a Vale e outras empresas públicas. “Só quem ganha é o grande capital. A população sempre perde. Por isso as empresas estatais são fundamentais para minimizar a desigualdade social tão profunda deste país”.

Além de Takemoto, participaram da live o coordenador da Comissão dos Funcionários do Banco do Brasil, João Fukunaga e a presidente do Sindicato dos Bancários de Santos e Região, Eneida Koury.

Fonte: Fenae

 

Maioria dos brasileiros defende análise prévia antes de vender estatais

Publicado em: 11/02/2021


A privatização das empresas estatais deve ser avaliada caso a caso. É o que mostra resultado de pesquisa do Instituto Ideia Big Data encomendada pelo movimento liberal Livres. Para 45% dos entrevistados, a privatização deveria depender do setor e considerar também se a empresa em análise fecha suas contas no azul ou no vermelho. Apenas 19% dos entrevistados são favoráveis à privatização de qualquer empresa, independentemente das suas condições.

Já o total de entrevistados contrários à venda das empresas chegou a 21% – portanto, um porcentual maior do que os que são favoráveis à privatização geral. Um grupo de 15% não soube responder. O Livres é uma associação civil sem fins lucrativos que atua como um movimento político suprapartidário em defesa de bandeiras do liberalismo.

A pesquisa entrevistou 1.688 pessoas por telefone celular entre os dias 6 e 11 de janeiro, com recortes de classe social, faixa etária, gênero, escolaridade e região. O público entrevistado foi 52% de mulheres e 48% de homens. A maior parte dos entrevistados (44%) tem idade acima de 45 anos, e 44% escolaridade do ensino fundamental. A margem de erro é de 2,25 pontos porcentuais para mais ou para menos.

A sondagem também ouviu a opinião sobre a venda de estatais específicas. O maior apoio está na privatização dos Correios, que tem o monopólio postal no País, e está na lista apresentada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, para este ano.

Já a privatização dos bancos públicos (Banco do Brasil e Caixa Econômica) e da Petrobras teriam resistência da população. A venda da Eletrobrás, que também está na lista de prioridades do governo Jair Bolsonaro para ser privatizada, divide opiniões com empate técnico.

Para Paulo Gontijo, diretor executivo do movimento Livres, quanto mais as pessoas se deparam com a ineficiência do serviço público, mais são favoráveis à privatização. “Quanto mais as pessoas se deparam com a ineficiência do serviço, mais elas querem privatizar, e quanto mais elas têm a empresa como parte do dia a dia, menos elas querem privatizar. A população não têm noção de quanto custa o grau de eficiência”, disse ele.

O levantamento também questionou os entrevistadores se eles seriam favoráveis à privatização se as agências públicas cuidassem para que os novos donos dessas empresas não cobrassem preços considerados abusivos da população e oferecessem serviços de qualidade. Nesse caso, o porcentual de pessoas a favor da venda das estatais subiu para 39%. Mesmo assim, outros 15% ficaram contrários e 30% responderam que depende de cada empresa.

Quatro entre dez entrevistados defenderam uma oferta de ações para a população em geral das empresas a serem vendidas. O levantamento também mostrou que 38% defenderam o uso do dinheiro da venda das estatais para o pagamento de programas sociais. Dependendo da empresa vendida, o dinheiro arrecadado também poderia ser usado para pagar a dívida pública e gastos do governo, na opinião de 41% dos entrevistados.

Fonte: Correio do Povo

ANABB defende valorização do Banco do Brasil em reunião com parlamentares

Publicado em: 18/12/2020


A ANABB participou nesta quinta-feira (10/12) de reunião virtual com diversos parlamentares e outras entidades em defesa das instituições públicas brasileiras. A Associação foi representada pelo presidente Reinaldo Fujimoto, que novamente lutou pela preservação e valorização do Banco do Brasil e de seus funcionários. O objetivo do encontro foi discutir e avaliar estratégias para construção de uma pré-agenda de ações em defesa do patrimônio público.

Participaram do encontro o senador Jean Paul Prates os deputados Patrus Ananias, Erika Kokay, Leonardo Monteiro, Pompeo de Mattos, Bohn Gass, Zé Carlos, que coordenou o evento, e João Xavier. Várias entidades também estiverem presentes como a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (FENAE); a Federação Única dos Petroleiros (FUP), entre outras.

Em sua fala, o presidente da ANABB resgatou a atuação da entidade nas duas fases da campanha “Não mexe no BB”. Também ressaltou que a iniciativa já teve grande repercussão nacional, obtendo mais de 30 milhões de visualizações nas redes sociais.

Além disso, Reinaldo Fujimoto destacou a importância do Banco do Brasil para o crescimento do Brasil, principalmente no agronegócio, onde milhares de famílias de pequenos municípios dependem desse ramo.

Fonte: Agência ANABB

Projeto facilita acesso a crédito em bancos públicos durante a pandemia

Publicado em:


O Projeto de Lei 4528/20 dispensa bancos públicos de uma série de exigências legais relacionadas à concessão de crédito a empresas e pessoas físicas enquanto durar o estado de calamidade pública decorrente da pandemia de Covid-19.

Conforme a proposta, as medidas não se aplicam a operações de crédito baseadas em recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O texto, que já foi aprovado pelo Senado tramita agora em regime de urgência na Câmara dos Deputados.

O projeto original, de autoria do senador Paulo Rocha (PT-PA), foi aprovado naquela Casa na forma de um substitutivo do relator, senador Plínio Valério (PSDB-AM), que incorporou ao texto dispositivos de outro projeto (PL 4558/20), de autoria do líder do governo no Senado, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), que, por sua vez, aproveitou trechos da Medida Provisória 958/20, que perdeu a validade em agosto sem ter sido votada no Congresso.

“As medidas sanitárias trouxeram, e ainda trazem, impactos imensuráveis, em razão da restrição ao funcionamento de empresas dos mais variados ramos e pela redução da circulação de mercadorias e pessoas, restando a adoção de iniciativas voltadas à preservação das companhias”, sustenta Rocha.

Entre os documentos que podem deixar de ser exigidos pelos bancos na hora de conceder ou renegociar empréstimos com pessoas físicas e empresas estão:

  • certidões negativas de tributos federais e de inscrição em dívida ativa da União;
  • certidão de quitação eleitoral;
  • comprovante de entrega da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS);
  • comprovante de quitação do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR);
  • certidão negativa de débitos com a Previdência Social;
  • Certificado de Regularidade do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS); e
  • certidões negativas de débitos com operações de créditos envolvendo recursos de fundos constitucionais ou captados por meio de caderneta de poupança.

​O texto dispensa ainda os bancos públicos de consulta prévia ao Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin).

Relatórios

A fiscalização de novos contratos de empréstimo e renegociações firmados com base nos termos do projeto será feita por meio de relatórios enviados trimestralmente pelas instituições financeiras à Receita Federal e à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), nos quais devem constar, no mínimo, os beneficiários, os valores e os prazos envolvidos na contratação.

Por fim, a proposta suspende ainda a exigência de contratação prévia de seguro para os veículos adquiridos por meio de penhor.

Fonte: Federação Baiana de Hospedagem

 

Sindicato disponibiliza boletim em defesa do BB e demais bancos públicos

Publicado em: 10/12/2020


O movimento sindical elaborou um boletim com dados e informações que ressaltam a importância do Banco do Brasil e demais instituições públicas para a sociedade e a economia. O texto de capa enfatiza que a função social dos bancos é emprestar dinheiro a pessoas e empresas. Contudo, lembra que os bancos privados captam dinheiro para emprestar no curto prazo, cobrando altas taxas de juros, para financiar a dívida púbica ou investir na especulação financeira.

Já os bancos públicos – como Banco do Brasil, Caixa, BNDES, BNB e Basa – concedem empréstimos de longo prazo e atuam de maneira anticíclica, irrigando a economia em períodos de recessão e crise. “Foi assim que o Brasil venceu a crise mundial de 2008”, afirma o texto.

O material salienta que os bancos públicos financiam atividades essenciais como a agropecuária, a construção civil e da casa própria, obras de saneamento e infraestrutura. E viabilizam o pagamento de programas sociais e a bancarização das camadas da população de renda mais baixa.

Entretanto, a partir de 2016, os governos Temer e Bolsonaro vêm promovendo a descapitalização dos bancos públicos, retirando recursos que essas empresas deveriam disponibilizar para financiar a atividade econômica, gerar empregos e renda e, assim, ajudar o país enfrentar crises.

No verso, o material expõe dados que mostram por que os bancos públicos são imprescindíveis para que o país saia da crise econômica na qual está mergulhado.

Campanha “O Bom do BB é…”

O material faz parte da campanha “O Bom do BB é…”, que reforça a importância do Banco do Brasil para a sociedade brasileira. “Nessa conjuntura de crise econômica e de ataques por partes do governo às empresas públicas, a campanha busca o engajamento das entidades e setores da sociedade civil que entendem a importância do papel do Estado para a economia e a população, e que queiram somar a esta luta”, ressalta o dirigente sindical e bancário do Banco do Brasil Antonio Netto.

O lançamento da campanha, em 16 de outubro, foi marcado por duas lives. A primeira abordou a perspectiva de como atuar no Congresso e também contribuir para a estratégia de atrair mais parlamentares para a defesa do Banco do Brasil e de sua função social. O bate-papo teve a participação do senador Jaques Wagner (PT-BA); do economista Luiz Gonzaga Belluzo; do diretor do Sindicato e coordenador da CEBB, João Fukunaga; e do ex-diretor da Previ e Anapar José Ricardo Sasseron. Assista abaixo.

A segunda live reforçou a importância do BB para São Paulo e teve a contribuição dos dirigentes sindicais Adriana Ferreira, (Seeb-SP), Antônio Netto e Antônio Saboia (Fetec-SP), Marcel Barros (ex-diretor da Previ) e Leonardo Pinho, representando a Unisol (Central de Cooperativas e Empreendimentos Solidários do Brasil). Assista abaixo.

O debate sobre a importância do BB no estado de São Paulo e sua presença nas grandes cidades e no campo destacou a importância do Banco Nossa Caixa (BNC), banco público paulista incorporado pelo Banco do Brasil em 2009. Foi ressaltado o papel dos trabalhadores oriundos desse banco e também prestadas homenagens à memória de Maria da Glória Abdo, a Glorinha, dirigente sindical e bancaria do BNC.

Na segunda live, Leonardo Pinho lembrou o projeto que teve a participação do Banco do Brasil e que consistiu na entrega de mais de duas toneladas de alimentos de pequenos produtores rurais na periferia durante a pandemia.

“Ou seja, gerou renda no campo e solidariedade na cidade, e isso não teria sido possível sem o Banco do Brasil. O episódio é apenas uma pequena mostra da importância fundamental desta empresa pública para a sociedade brasileira e para a economia”, afirma Antonio Netto.

Fonte: Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região

 

Bancários pedem apoio de prefeitos eleitos contra privatização de bancos públicos

Publicado em: 26/11/2020


Para alertar a sociedade sobre os impactos da venda deste patrimônio e buscar o apoio de prefeitos eleitos este ano e de candidatos que disputam o segundo turno das eleições municipais, a Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT) e o Comitê Nacional em Defesa da Caixa lançaram um manifesto em defesa das estatais financeiras.

Conforme dados do Banco Central, em 2019, 45,9% (R$ 1,5 trilhão) das operações de crédito foram realizadas por bancos públicos. Eles também ofertaram 80,4% (R$ 608,8 bilhões) do crédito imobiliário; 71% (R$ 194,3 bilhões) em crédito rural e concentraram 62% da poupança, no país. Também contribuíram para ampliar a bancarização, com 45,6% (9.089) das agências bancárias.

“Se o governo privatizar os bancos públicos, os cidadãos brasileiros serão duramente afetados; principalmente aqueles das regiões mais afastadas e a parcela mais pobre da população”, alerta o presidente da Fenae, Sergio Takemoto. “A privatização significa menos recursos para o desenvolvimento econômico e social do país. Ficam comprometidos os repasses aos programas sociais e a geração de emprego e renda”, acrescenta.

Por razões como estas, as entidades sindicais lançaram o “Manifesto em Defesa dos Bancos Públicos Brasileiros”. “Queremos chamar a atenção dos administradores municipais para o fato que os recursos investidos pela Caixa, o Banco do Brasil e os bancos regionais são fundamentais para movimentar a economia local. Em algumas cidades, são estes recursos que garantem a ‘bancarização’ da população”, reforça o presidente da Fenae.

Nesta segunda-feira (23), o ministro da Economia, Paulo Guedes, voltou a defender as privatizações como “solução” para a crise econômica. Por isso, no Manifesto, a Fenae, a Contraf e o Comitê Nacional em Defesa da Caixa observam que os bancos públicos “são responsáveis por uma melhor distribuição de recursos e crédito com o objetivo de reduzir as desigualdades regionais; ao contrário das instituições privadas, que priorizam regiões e setores onde já existe uma concentração maior de renda”.

O documento destaca ainda que “os bancos públicos nacionais e regionais viabilizam o financiamento da habitação, do crédito agrícola, da educação, da cultura e da infraestrutura, dentre outras áreas, além do pagamento de benefícios sociais, a exemplo do auxílio emergencial, instituído em 2020 para assegurar proteção social às famílias afetadas economicamente pela pandemia do novo coronavírus”.

“Assim como na crise de 2008, são os bancos públicos que estão socorrendo o setor produtivo, com programas de crédito para pequenas e médias empresas, linhas de crédito para o setor imobiliário, suspensão do pagamento de financiamentos habitacionais, renegociação de dívidas, entre outras medidas. Além do pagamento do Auxílio Emergencial, saques emergenciais do FGTS e outros benefícios realizados pela Caixa a mais de 100 milhões de brasileiras e brasileiros”, pontua o documento.

Fonte: Blog do Correio Braziliense

Senado aprova empréstimo de bancos públicos para empresas com débitos

Publicado em: 20/11/2020


O Senado aprovou no dia 19 de novembro o Projeto de Lei 4.528/2020, que dispensa as empresas de apresentarem certidões negativas na hora de pedir empréstimo a bancos públicos. A medida visa facilitar o acesso ao crédito em um período de crise econômica.

O projeto traz normas no sentido de auxiliar empresas a pagarem dívidas trabalhistas, quitar salários, entre outros gastos, neste período em que a pandemia do covid-19 reduziu as receitas de várias empresas no país. O projeto vai ser analisado pela Câmara.

O texto suspende até 31 de dezembro deste ano, ou enquanto perdurar o estado de calamidade pública no país, a exigência de certidões de regularidade da Justiça Federal; de certidões negativas de débitos com o FGTS; de certidões negativas de inscrição de dívida ativa da União; de consulta ao Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin); dentre outros documentos.

“As medidas propostas visam a desburocratizar o acesso ao crédito de bancos públicos, ao suspender, durante o período de calamidade pública resultante da pandemia do novo coronavírus, a exigência de certidões negativas de débitos tributários, em momento em que muitas empresas enfrentam dificuldades financeiras e o acesso ao crédito é essencial para permitir a sobrevivência desses empreendimentos”, afirmou o relator do projeto, Plínio Valério (PSDB-AM), em seu parecer.

Segundo o senador, a facilitação na tomada do empréstimo poderá ajudar as empresas a readquirirem fôlego financeiro suficiente para, além de manter as portas abertas e os funcionários empregados, regularizar os débitos, inclusive tributários, que elas possam ter.

Fonte: Agência Brasil

Maiores bancos do país fecham mil agências e cortam 11 mil vagas em 2020

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Com a pandemia acelerando a digitalização em diversos setores, uma tendência ganhou impulso entre os bancos privados brasileiros: o encerramento de agências. Só em 2020, cerca de mil pontos de Itaú, Bradesco e Santander fecharam as portas, resultando na demissão de 11 mil funcionários. Trata-se de uma forte aceleração grande em relação ao ano passado, quando esses mesmos bancos encerraram 430 agências e cortaram 7 mil vagas.

Além de reduzir a quantidade de espaços ociosos, à medida que eles se tornam cada vez menos necessários, os bancos também têm feito um esforço para usar essa presença física para prestar um serviço ao cliente. O Santander, por exemplo, já tem espaços com coworkings e café, enquanto o Bradesco agora vê as antigas agências de outra maneira, passando a classificá-las como unidades de negócio.

No segundo maior banco privado do País, essa é uma tendência que deve ganhar força. Segundo o diretor executivo e de relações com investidores do Bradesco, Leandro Miranda, 500 das 700 conversões previstas para 2020 já foram realizadas. A grande diferença desse modelo é a inexistência do caixas, o que reduz, segundo o Bradesco, os custos em 30% a 40% em relação a uma agência convencional, especialmente no quesito segurança.

O Santander anunciou recentemente que vai criar um ambiente de convivência nos estacionamentos de suas agências, em parceria com seu portal automotivo Webmotors. Além de pontos de encontro para venda de carros, os estacionamentos poderão receber opções de lazer e alimentação, como food trucks. O desenho permite até academias de pequeno porte.

O banco Itaú também vem fechando agências, mas, em nota, disse que ainda vê a relevância da relação presencial. “É evidente a transformação tecnológica recente e a procura cada vez maior pelos canais digitais, mas nossa rede física de agências segue cumprindo um papel muito relevante (…) como um espaço mais humanizado de relacionamento e consultoria”, afirmou a instituição financeira.

Coordenador do curso de economia da Fundação Getúlio Vargas, Joelson Sampaio lembra que os bancos já vinham trabalhando na otimização das agências físicas mesmo antes da recente onda de digitalização. Ele lembra que, anos atrás, uma onda de consolidação de bancos no País fez com que o mesmo banco ficasse com um número excessivo de pontos. Ele ressalta, porém, que as pessoas mais velhas, que muitas vezes têm dificuldade com o mundo digital, ainda contam com a existência das agências.

Pesquisa de 2019 do Instituto QualiBest mostrou que 81% das pessoas considera importante a existência de agências físicas, mesmo que a frequência das visitas seja baixa. Cerca de 70% dos entrevistados disseram que vão cerca de uma vez por mês a uma agência física.

Bancos públicos

Entre as instituições estatais, o Banco do Brasil tem seguido de perto a tendência de Itaú, Santander e Bradesco. Nos 12 meses encerrados em setembro, o BB fechou 227 agências, enquanto abriu 56 pontos que classifica como unidades especializadas.

Já a Caixa Econômica Federal vê necessidade de uma rede presencial mais robusta. Ainda que o Caixa Tem, aplicativo de celular usado para distribuição do auxílio emergencial, seja um passo em direção à digitalização, o banco não tem seguido a tendência de encerramentos. Ao fim do primeiro semestre, a Caixa tinha 53,7 mil pontos de atendimento, número praticamente estável em relação ao mesmo período de 2019.

“Por sua função de repassadora de benefícios do governo à população, a atuação da Caixa exige a manutenção de agencias, especialmente para pessoas de regiões onde o acesso à tecnologia é menor”, diz o professor de finanças da FGV-Eaesp, Rafael Schiozer. Entretanto, ele acredita que, à medida que o acesso ao digital entre a população aumente, a Caixa também acelere a revisão de espaços físicos. “A médio e longo prazo isso deve acontecer, haja vista a capacidade que o banco teve de distribuir o auxílio emergencial por meio de aplicativo.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Infomoney

 

 

Para parlamentar, BB e Caixa são executores de políticas públicas

Publicado em: 01/10/2020


Os bancos públicos foram e continuam sendo braços importantes para o desenvolvimento nacional e para o acesso da população ao crédito. Fatos esses que foram ressaltados durante live realizada entre o deputado federal, Alessandro Molon (PSB/RJ), e funcionários do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, em 24/9.

Para o parlamentar, as instituições financeiras públicas têm um papel crucial para o desenvolvimento econômico, em especial neste momento de crise. “Os bancos atuam não somente como agentes de indução ao crescimento, como também executores de políticas públicas e bancarização da população mais pobre. O auxílio emergencial deu provas da importância de bancos públicos com capilaridade em todo o país. Quem quer destruir bancos públicos não tem compromisso com um projeto de nação soberana e desenvolvida.”

Molon ressaltou também que a criação de subsidiárias das empresas estatais será veemente combatida judicialmente e barrada no Congresso. “A criação de subsidiárias nada mais é do que uma fraude. O governo finge que está fazendo empresas para fatiar as empresas públicas, mas é uma forma de burlar a decisão do STF e vender sem o aval do Congresso Nacional e isso não vamos permitir. Não há ambiente para privatizações no parlamento”, destaca o deputado.

A representante dos funcionários no Conselho de Administração do Banco do Brasil, Débora Nascimento, participou da live e ressaltou o papel do BB para a recuperação das microempresas. “O BB estruturou o Pronampe para apoiar as pequenas e microempresas. Pela expertise que o banco tem, emprestou para 111 mil empresas, que são responsáveis por mais de 600 mil empregos”, disse Débora.

Participaram também das discussões, Rita Serrano, representante dos empregados no Conselho de Administração da Caixa Econômica e coordenadora do Comitê Nacional em Defesa das Empresas Públicas; Antônio Carlos Guerreiro, funcionário do Banco do Brasil, e Maria Fernanda Coelho, ex-presidente da CEF.

Fonte: Agência ANABB

 

Crise da covid-19 gera recorde de depósitos nos bancos brasileiros

Publicado em: 20/08/2020


Uma das formas mais tradicionais de poupar dinheiro, a caderneta de poupança voltou a atrair o interesse dos brasileiros em meio à pandemia provocada pelo coronavírus. O momento de crise mostrou a importância do ato de poupar e realizar reservas financeiras.

Desde março, a poupança vem registrando saldos positivos mensais. Em junho, bateu novo recorde, com os depósitos superando as retiradas em R$ 27,1 bilhões. É o maior volume para o mês desde 1995, início da série histórica, conforme dados divulgados pelo Banco Central.

Com a redução da Selic de 2,25% para 2% ao ano, o rendimento dos depósitos na poupança nova passou de 1,58% para 1,40% ao ano, abaixo da expectativa do mercado para a inflação deste ano, de 1,6%.

Em 2012, houve a divisão entre poupança antiga e nova. A poupança antiga, feitas antes de maio de 2012, continuou recebendo remuneração adicional de 0,5% ao mês, além da remuneração básica. Já a nova poupança recebe remuneração adicional variável de acordo com a meta da taxa Selic. Sua baixa rentabilidade é compensada pelo baixo risco que oferece para os investidores. ​

Banco do Brasil e as poupanças

Ainda que a Caixa Econômica Federal tenha em seu DNA a forte atuação em poupança, o Banco do Brasil, há mais de 30 anos, incluiu esse segmento entre os seus produtos.

Em 1987, diante da expansão do BB no mercado, com a criação da empresa de leasing, da corretora de seguros e da administradora de cartões de crédito, foi lançado o cartão de crédito Ourocard, o Fundo Ouro de Renda Fixa e a caderneta de poupança ouro. Em pouco tempo, essa poupança já acumulava 7,5% de toda a captação do sistema. A poupança ouro foi criada para direcionar recursos para o financiamento do crédito rural, substituindo o aporte de recursos do Tesouro.

Histórico

Até 2014, os brasileiros depositaram mais do que retiraram da poupança. Naquele ano, as captações líquidas chegaram a R$ 24 bilhões. Com o início da recessão econômica, em 2015, os investidores passaram a retirar dinheiro da caderneta para cobrir dívidas, em um cenário de queda da renda e de aumento de desemprego.

Em 2015, R$ 53,57 bilhões foram sacados da poupança, a maior retirada líquida da história. Em 2016, os saques superaram os depósitos em R$ 40,7 bilhões. A tendência inverteu-se em 2017, quando as captações excederam as retiradas em R$ 17,12 bilhões, e em 2018, com captação líquida de R$ 38,26 bilhões. Em 2019, a poupança registrou captação líquida de R$ 13,23 bilhões.

Fonte: Agência ANABB

BB é fundamental para o desenvolvimento do país e para a saída da crise

Publicado em: 16/07/2020


Os bancos públicos, e especificamente o Banco do Brasil, são fundamentais para o desenvolvimento do país, atuando fortemente em importantes segmentos do crédito, tais como o rural e o imobiliário e em todas as regiões, enquanto os bancos privados só se interessam por segmentos com retorno financeiro imediato. Isso é o que mostram os dados apresentados pela socióloga, mestre em Desenvolvimento Econômico (IE-Unicamp), Bárbara Vallejos, do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) na manhã deste domingo, no 31º Congresso Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (CNFBB).

A íntegra dos dados pode ser vista no documento apresentado pela técnica do Dieese, mas vale destacar a participação dos bancos públicos e do Banco do Brasil no crédito pelo país.

Os bancos públicos foram responsáveis, em 2019, por 90,9% do crédito disponibilizado na região Norte do país, por 84,8% no Nordeste, 88,1% do Centro-Oeste e 80,5% no Sul. Os dados são semelhantes em nos três primeiros meses de 2020, com 90,1%, 89%, 86,9% e 78,3%, respectivamente nestas mesmas regiões.

Sozinho, no primeiro trimestre, o Banco do Brasil respondeu por 55,3% do total do crédito na região Centro-Oeste. Quando analisamos o crédito rural, esse percentual é ainda maior, chegando a 78,2% no Centro-Oeste, 79,2% no Nordeste, 93,4% Norte e 58,9% no Sul.

“Os bancos privados concentram sua carteira de crédito na região Sudeste. São os bancos públicos que concedem crédito para as demais regiões e ajudam o país a se desenvolver de forma mais igualitária”, disse o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB), João Fukunaga. “A atuação do Banco do Brasil no crédito Rural é que ajuda o alimento a chegar mais barato na mesa dos trabalhadores, mas também é a concessão do crédito para as micros, pequenas e médias empresas que são as responsáveis pela maior parte dos empregos do país. Isso mostra a importância do BB tanto para baratear os alimentos, quanto pela geração de renda para que os trabalhadores os consuma”, disse Fukunaga.

Fonte: Contraf-CUT

Proposta retira bancos públicos e subsidiárias de programa de privatização

Publicado em: 26/06/2020


O Projeto de Lei 3433/20 exclui todos os bancos públicos federais e suas subsidiárias do Programa Nacional de Desestatização (PND) e determina que a privatização destas instituições dependerá de lei específica para cada caso.

O texto, que tramita na Câmara dos Deputados, também impossibilita a venda de participações minoritárias da União e a transformação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), hoje uma empresa 100% pública, em sociedade de economia mista (S/A). Essa possibilidade está prevista na Lei 5.662/71.

O projeto é de autoria do deputado Zé Neto (PT-BA) e outros parlamentares do PT. O objetivo, segundo eles, é evitar a privatização “a qualquer custo” dos bancos públicos.

Os deputados alegam que a desestatização de instituições como o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal é baseada em ideologia desconectada da realidade brasileira.

“A sociedade necessita justamente de atuação mais forte do Estado para realizar as políticas de sustentação da produção e dos empregos e de retomada do nível de atividade”, afirmam os parlamentares.

Outros pontos

O projeto contém outras medidas voltadas para os bancos públicos. As principais são:

– Ato do Poder Executivo definirá o limite máximo para a participação de capital estrangeiro em bancos públicos e subsidiárias;

– os bancos e a as subsidiárias não poderão mais ofertar, em mercados estrangeiros, suas ações ou títulos conversíveis em ações;

– as taxas de juros dos financiamentos do BNDES que tiverem como fonte de recursos o Fundo de Participação PIS-Pasep, o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e o Fundo da Marinha Mercante (FMM) serão reduzidas e definidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), especialmente em momentos de crise ou de emergência pública nacional;

– o BNDES e as suas subsidiárias poderão realizar operações de subscrição de ações ou outros valores mobiliários quando isso for necessário ao desenvolvimento econômico e social, à expansão das capacidades empresariais e aos imperativos de segurança e relevante interesse coletivo;

– os créditos da União concedidos ao BNDES serão destinados prioritariamente a financiamentos ou participação no mercado de capitais voltados para a recuperação da economia, sendo vedada a devolução antecipada desses créditos enquanto durarem os efeitos econômicos e sociais de crise ou emergência pública nacional.

Fonte: Money Times

Bancários se mobilizam contra reestruturação no Banco do Brasil e na Caixa

Publicado em: 12/03/2020

Bancários do Banco do Brasil e da Caixa se mobilizaram, mais uma vez, nesta terça-feira (10), no Dia Nacional de Luta em Defesa dos Bancos Públicos e dos Direitos e contra as reestruturações arbitrárias em curso nas duas instituições, que afetam seus trabalhadores, sua função social e também a população. Nos dois bancos públicos, que possuem papel fundamental para o país, o objetivo é reduzir a importância das instituições e prepará-las para a privatização.

“Neste dia de mobilização contra o desmonte do banco público se faz necessária a reflexão sobre o papel do serviço público, que serve para promover o bem-estar social e o desenvolvimento do Estado. Por isso, é fundamental a luta por uma Caixa forte, pública e social”, afirmou Sérgio Takemoto, secretário de Finanças da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT).

Na Caixa, a reestruturação prevê descomissionamentos sumários e transferência arbitrária de empregados. Fabiana Uehara Proscholdt, secretária da Cultura e representante da Contraf-CUT nas negociações com o banco, ressaltou a importância das reuniões com funcionários do Banco do Brasil e com empregados da Caixa Econômica Federal de todo o país em agências e departamentos de ambos os bancos para mobilizar e consultar os trabalhadores sobre o Dia Nacional de Luta em Defesa dos Direitos, da Democracia e Contra o Desmonte dos Bancos e demais empresas e serviços públicos, que ocorrerá no dia 18 de março.

“Os atos reforçam a importância dos esclarecimentos no local de trabalho. A luta é pelos bancos públicos e consequentemente por direitos. Só com luta e com unidade não teremos mais retrocessos. E no dia 18 temos que ampliar ainda mais a mobilização.”

Já no BB, as medidas reduzem a remuneração, extinguem cargos e criam outros, alterando o plano de carreira, podendo trazer prejuízos para a PLR.

“Essas reestruturações prejudicam muito os bancários, mas são ainda pior para o país. Fazem parte de um processo de enxugamento do Estado, que inclui a redução da importância e do tamanho dos bancos públicos, culminando com a privatização, que já vem sendo realizada com a venda das partes mais lucrativas dos bancos”, observou o coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, João Fukunaga.

“Mas, hoje mesmo a imprensa divulgou que o BB e a Caixa vão socorrer as empresas e as pessoas que estão sendo afetadas pela crise econômica gerada pela epidemia do coronavírus e pela guerra do petróleo entre a Rússia e a Arábia Saudita. Na crise de 2008 já havia acontecido a mesma coisa. Com a redução do papel dos bancos públicos e sua consequente privatização, o governo deixará de ter essa importante ferramenta de contenção desse tipo de crise”, concluiu Fukunaga ao destacar a importância de todos os bancários participarem dos atos que acontecerão no dia 18 de março.

No dia 18 de março, os bancários de todos os bancos vão aderir às manifestações conjuntas, convocadas pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), demais centrais sindicais e movimentos sociais, em protesto contra o projeto de privatização e de desmonte do Estado que vem sendo colocado em prática pelo governo federal, que prometeu empregos e crescimento econômico e não está entregando nem uma coisa nem outra.

Fonte: Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro

Bancos públicos são essenciais para o crescimento do país

Publicado em: 04/12/2019


Os bancos públicos são instrumentos estrategicamente vitais para economia quando bem usados pelo governo com políticas de crédito, desenvolvimento e, consequentemente, criação de empregos e renda para os trabalhadores. “Os bancos públicos são fundamentais para o desenvolvimento igualitário do país, como determina a Constituição Federal e a legislação específica do sistema financeiro. São eles que concedem crédito para as regiões mais carentes. Os privados concentram sua atuação na região Sudeste”, e “têm como objetivo o lucro.”

A avaliação é da presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf/CUT), Juvandia Moreira, que participou do seminário nacional “O Brasil é nosso – Em defesa dos bancos públicos e da soberania nacional”, na sede do Sindicato dos Bancários do Distrito Federal. A proposta do seminário, realizado pela Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae) e a Contraf/CUT, foi discutir os impactos econômicos e sociais das privatizações dos bancos públicos e a violação da soberania nacional, um dos eixos definidos na 21ª Conferência Nacional dos Bancários, em agosto.

Segundo o presidente da Fenae, Jair Pedro Ferreira, o momento difícil vivido no país, marcado por retrocessos, exige uma postura de enfrentamento. Afirmou que o que o governo tem promovido é o fatiamento de empresas como a Caixa, com 158 anos de existência e que cumpre um papel relevante no desenvolvimento do Brasil. “Venderam a Loteria Instantânea, na semana passada, que repassava para programas sociais em torno de 37% do que arrecadava. Querem também retirar da Caixa a centralização do FGTS”, lembrou.

O ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) Luciano Coutinho participou do evento e traçou um histórico sobre a importância dos bancos públicos como ferramentas imprescindíveis tanto para fomentar o crescimento do país como para executar políticas anticíclicas em momentos de crise, caso do tsunami mundial desencadeado a partir da quebra do banco norte-americano Lehman Brothers em setembro de 2008, paralisando o sistema de crédito internacional.

Coutinho explicou que enquanto os bancos privados se recolheram, as instituições públicas expandiram o crédito para investimento, o que transformou “uma recessão que seria longa e dolorosa em uma recessão que durou seis meses, e em meados de 2009 a economia brasileira voltava a crescer. Transformar a poupança interna em crédito é uma das bases da soberania nacional. Se não tem capacidade de poupança e crédito na sua moeda, o país tem que financiar o desenvolvimento com moeda estrangeira. A lição que fica é que o desenvolvimento de um país, especialmente em infraestrutura interna, requer financiamento em moeda nacional e em longo prazo.”

Coutinho afirmou que houve uma “guinada” em 2015, no segundo mandato da presidenta Dilma Rousseff, “para uma politica econômica conservadora” que provocou “desaquecimento agudo da economia”, levando a um “grande retrocesso político, com impedimento presidencial sem causa e a adoção de política ultraliberal, com Temer, (que) se aprofunda no atual governo”.

A deputada federal e presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR), também falou sobre a relação da soberania com bancos e empresas públicas. “Um país só é soberano se seu povo tem direitos e condições de vida. Para um país ser soberano, o Estado precisa ter força. E para isso precisa ter instrumentos.”

Fonte: Monitor Digital

Movimento em defesa do BB lota plenário da Câmara dos Deputados

Publicado em: 28/08/2019


Uma Sessão Solene com mais de 400 participantes marcou o lançamento da campanha “Não mexe no meu BB” na Câmara dos Deputados, em Brasília. O evento, ocorrido na quinta-feira (22), mostrou que, além dos funcionários e parlamentares que, literalmente, vestiram a camisa da campanha, mais de 15 milhões defendem o Banco do Brasil e reconhecem a importância estratégica do banco para o desenvolvimento do país.

Articulada pela deputada Érika Kokay (PT/DF) e pelo deputado Pompeo de Mattos (PDT/RS), a pedido da Associação Nacional dos Funcionários do Banco do Brasil (Anabb), a sessão contou com a participação de deputados e senadores de diversos partidos, até mesmo do PSL. Todos defenderam o banco e condenaram os ataques desferidos pelo governo Bolsonaro para enfraquecê-lo.

O presidente da Anabb, Reinaldo Fujimoto, destacou a importância da campanha para a defesa não apenas do banco, mas também de outras entidades ligadas a ele. “Sem essa campanha não teremos nem a Cassi, nem a Previ e tampouco as entidades de representação específicas de representação dos funcionários do Banco do Brasil”, afirmou.

Importância da sessão

O representante da Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil, que auxilia a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo (Contraf-CUT) nas negociações com o banco, Wagner Nascimento, falou sobre a importância da sessão solene realizada na Câmara. “Nossa tarefa é ir em todos os gabinetes para conversar com os parlamentares e convencê-los da importância do banco para o desenvolvimento do país. Com esta sessão, demos um grande passo nesta direção”, disse. “Os deputados e senadores sabem da importância do banco para seus estados e para suas regiões. Eles podem auxiliar nas negociações, tanto com o banco quanto com o governo”, disse.

“Ajudamos o país a crescer e a se desenvolver em diversos setores. Podemos afirmar, com toda a certeza, que o Banco do Brasil é o motor do crescimento econômico e da geração de riqueza do Brasil”, disse Fujimoto, lembrando que o Banco do Brasil tem quase cinco mil agências, grande parte delas localizadas no interior do Brasil, onde os bancos privados não têm interesse de se instalar.

O presidente da Anabb destacou ainda que o modelo de negócio do BB também dá certo. “Temos gerado resultados satisfatórios para o Tesouro Nacional e aos acionistas privados e com excelentes indicadores de governança atestados pelo Banco Central, pela Corregedoria Geral e pelo Tribunal de Contas da União. Mas, não podemos nos esquecer de que os principais donos do Banco do Brasil são os brasileiros e não os banqueiros”, disse.

Abrangência da campanha

Fujimoto informou ainda que a campanha “Não Mexe no Meu BB” já atingiu mais de 15 milhões de pessoas pelas redes sociais e anúncios em diversos meios de comunicação. Vídeos da campanha, de aproximadamente 30 segundos cada um, foram exibidos durante o dia nos intervalos dos jornais da GloboNews, edições das 10h, 16h e 18h; GloboNews em Ponto e GloboNews em Pauta.

Também presente no ato, o presidente do Sindicato dos Bancários de Brasília, Kleytton Morais, lembrou que, no mesmo dia, funcionários do banco, apoiados pela Contraf-CUT, federações, sindicatos dos bancários e entidades de representação dos funcionários faziam manifestações em todo o país, no Dia Nacional de Luta em Defesa da Cassi, que inaugurou o calendário de atividades que acontecerá em setembro em defesa do banco e da Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil.

Pesquisa de opinião

Durante o ato, a Anabb divulgou os resultados de uma pesquisa realizada pelo Instituto Data-Poder360 para avaliar a percepção dos deputados federais e senadores sobre o Banco do Brasil. Foram entrevistados 297 parlamentares, sendo 40 senadores e 257 deputados, de todos os partidos políticos. Os dados mostram que o parlamento sabe da importância do banco.

A privatização do banco foi rejeitada por 67% dos entrevistados. Apenas 11% são favoráveis, e outros 23% não responderam/não sabem. Na pesquisa, 84% consideram o BB eficiente ou muito eficiente, 15% mais ou menos eficientes, enquanto apenas 4% dizem ser pouco eficiente.

Sobre a relevância do banco na economia brasileira, 77% disseram que é muito importante e outros 16% disseram ser mais ou menos importante. Apenas 4% afirmaram que o BB é pouco importante na economia.

Fonte: Contraf-CUT

Sindicato em SE defende bancos públicos e se opõe à venda de ações do Banese

Publicado em: 21/08/2019


A Diretoria do Sindicato dos Bancários de Sergipe (SEEB/SE) mantém firme a defesa da manutenção do perfil sócio e econômico dos bancos públicos estatais (Banco do Brasil, Caixa Econômica e Banco do Nordeste do Brasil) e do único banco estadual do Nordeste, o Banco do Estado de Sergipe (Banese).

A semana passada, o Banese divulgou no site oficial a ata da assembleia do Conselho Deliberativo do banco estadual, em que relata resultado de estudo e com consulta ao acionista majoritário, o Governo do Estado, para a possibilidade da venda de ações nominativas e preferenciais da instituição bancária. O único voto contrário à intenção de venda das ações foi a do conselheiro representante dos funcionários do Banese, Antônio José de Góis, o “Goizinho”.

“Estamos nos opondo a essa possibilidade de o governo estadual colocar à disposição do mercado financeiro a venda de ações do Banese. Entendemos que a medida não resolverá os problemas financeiros que o governo estadual afirma está passando. Se o banco precisa se capitalizar precisa encontrar outra solução que não seja a de comprometer o perfil de banco público e o controle estatal”, afirma Ivânia Pereira.

Assim que tomou ciência da ata pelo site do Banese, o SEEB/SE visitou parlamentares Iran Barbosa, Maria Mendonça, Zezinho Guimarães e Francisco Gualberto que se colocaram à disposição da luta em defesa do banco estadual.

Na tarde do dia 12, a diretoria do SEEB/SE acompanhada do economista do Dieese, Luis Moura, assistiu no Grande Expediente da Assembleia Legislativa de Sergipe (Alese) o posicionamento de Iran Barbosa também contra a possível venda de ações do banco estadual.

Fonte: Ascom SEEB/SE

Mais de 70% dos bancários consideram importante defender os bancos públicos

Publicado em: 14/08/2019


A defesa dos bancos públicos é classificada como muito importante para 72% dos bancários e como importante para 17%. Foi o que apontou a Consulta Nacional dos Bancários, realizada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) com a categoria. A pesquisa indica ainda que 76% dos trabalhadores se posicionaram contra a Reforma da Previdência e 82% acreditam que as mudanças farão a desigualdade social no Brasil aumentar.

Para o presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa (Fenae), Jair Pedro Ferreira, a categoria bancária reconhece a relevância dos bancos públicos no desenvolvimento econômico e social do país e de que os trabalhadores dessas instituições contribuem para o fortalecimento da luta da categoria bancária por melhores condições de trabalho.

“Estão fechando postos de trabalho e agências. Sem os bancos públicos não vamos ter emprego. Querem tirar o FGTS da Caixa e levar para os fundos de mercado, e quem vai perder são todos os trabalhadores e trabalhadoras”, disse o presidente da Fenae durante a abertura da Conferência Nacional dos Bancários, ocorrida no dia 2 de agosto.

Os principais resultados da Consulta Nacional dos Bancários foram apresentados na manhã deste domingo (4), no início dos trabalhados do último dia da 21º Conferência Nacional dos Bancários. “A consulta dos bancários é importante para orientar o nosso trabalho de base, fundamental na luta em defesa das nossas principais bandeiras. Com esses dados, sabemos quais os assuntos e quais abordagem devemos ter no dialogo cotidiano com os bancários”, afirmou Gustavo Tabatinga, secretário-geral da Contraf-CUT.

A pesquisa, realizada na base das 10 federações representadas pelo Comando Nacional dos Bancários, do início de abril ao final de maio, mostra que 79% discorda com a alteração que o governo propõe na Previdência Social, que, além de instituir a idade mínima, aumenta o tempo mínimo de contribuição para 20 anos e exige 40 anos de contribuição para receber o benefício integral. Outros 6% não souberam opinar.

“Essa consulta demonstrou mais do que a insatisfação dos bancários com a reforma da Previdência, mostrou que os bancários dominam o tema e estão prontos e mobilizados para a luta”, garantiu Tabatinga.

O número é ainda maior quando o questionamento é sobre a redução dos valores dos benefícios para idosos pobres, 88% discordam e 6% não sabem opinar. Sobre a extinção do regime solidário e a implementação do regime de capitalização individual como modelo básico para a Previdência, 69% da categoria discordam e 16% não sabem opinar.

A maioria da categoria, 78%, também é contra o aumento da idade mínima e o tempo de contribuição para que as mulheres se aposentem.

Metas

Quando o tema da pergunta é a pressão pelo cumprimento de metas que leva muitos bancários ao adoecimento e, consequentemente, a fazer uso de medicação controlada, 54% dos que responderam conhecem alguém que já fez uso de medicação e 32% revelaram que já usaram.

Fonte: Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal

Em 200 dias de governo, bancos públicos já venderam R$ 16 bilhões em ativos

Publicado em: 24/07/2019


Enquanto o governo prepara um superpacote de privatizações, os bancos públicos saíram na frente e puxaram a fila de venda de ativos. Capitaneadas por Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, as operações somaram quase R$ 16 bilhões nos 200 dias da administração do presidente Jair Bolsonaro. Já o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ficou na condição de coadjuvante em meio à troca de comando e à orientação de desmontar a “caixa-preta”.

As vendas por parte dos bancos públicos são uma orientação da equipe econômica do governo, que não quer “competir com banqueiro”. Em suas apresentações ao mercado, o secretário especial de Desestatização e Desinvestimento do Ministério da Economia, Salim Mattar, tem reforçado a necessidade de desestatizar o crédito no Brasil, reduzindo o tamanho das instituições oficiais no setor.

Novas vendas já estão engatilhadas para o segundo semestre, com potencial de multiplicar o volume arrecadado e contribuir com os planos do governo de alcançar US$ 20 bilhões em privatizações só este ano. As operações envolvem não só negócios do setor financeiro, mas também a participação dos bancos estatais em empresas de outros segmentos, como energia, saneamento, logística.

A União ganha de duas formas com as vendas de ativos por meio dos bancos públicos. Além dos impostos das operações, considerando o ganho de capital, ainda se beneficia de dividendos distribuídos, uma vez que é o acionista controlador.

“A maioria dos ativos vendidos pelos bancos públicos já estava listada na Bolsa e, por isso, é muito mais fácil vender. Além de já ter um valor estabelecido, o mercado conhece a história das empresas”, diz o analista do Brasil Plural, Eduardo Nishio. “Se a história é boa, tem comprador.”

Segundo ele, a estratégia dos bancos estatais é se desfazer de investimentos que não são foco da operação bancária. No caso da Caixa, acrescenta, pesa ainda a “reestruturação profunda” da nova gestão para torná-la mais eficiente e diminuir a intervenção do governo no sistema financeiro.

O presidente da Caixa, Pedro Guimarães, afirmou recentemente que estão previstas “outras 15” operações. A meta da instituição para o ano era levantar R$ 15 bilhões. No primeiro semestre, já foram R$ 10 bilhões, com a venda de ações do ressegurador IRB Brasil Re e da Petrobras.

A Caixa vai listar os negócios de seguros, cartões, lotéricas e gestão de recursos na Bolsa e vender as participações detidas pelo FI-FGTS (fundo que concentra os recursos dos trabalhadores e é gerido pelo banco público).

Horizonte

Só a venda da área de seguros pode superar o valor de tudo do que a Caixa se desfez até agora. Neste momento, segundo Estadão/Broadcast apurou, o banco resolve questões de governança para enviar a segunda leva de informações para os interessados. De posse desses dados é que os candidatos farão as ofertas para disputar o ativo.

Enquanto isso, a Caixa negocia também com a sócia francesa CNP Assurances e tenta elevar o preço fechado pela nova parceria, de R$ 4,65 bilhões, ainda na gestão do ex-presidente Michel Temer. Além das operações que deseja levar à Bolsa, o banco público vai tocar a venda as fatias do FI-FGTS no BB e na Alupar, de energia.

O BB também tem uma fila de vendas pela frente. Entre elas, estão sua empresa de recuperação de créditos vencidos, a Ativos, o banco Votorantim, do qual é sócio com a família Ermírio de Moraes; BB Americas, sua filial nos Estados Unidos, além do argentino Patagônia. O BB procura ainda parceiro nas áreas de banco de investimento e gestão de recursos.

Até o momento, além de vender a participação na Neoenergia, em que levantou R$ 1,775 bilhão, o BB saiu do IRB por meio de uma venda de ações em Bolsa que lhe rendeu R$ 4,181 bilhões. Encerrou também as atividades da BBTur, de viagens, e vendeu, juntamente com o BNDES, a fatia que detinha na Seguradora Brasileira de Crédito à Exportação (SBCE) por R$ 3,27 milhões.

Para o segundo semestre, o mercado espera que o BNDES, comandado agora por Gustavo Montezano, após a saída de Joaquim Levy, seja mais ativo. Em sua posse, o executivo disse que suas metas são explicar a “caixa-preta” do banco e acelerar a venda de participações por meio da BNDESPar, seu braço de investimento em empresas, que somam em torno de R$ 100 bilhões.

Fonte: UOL

Bancos públicos ficam atrás de privados em ranking de reclamações do BC

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Bradesco e Santander voltaram a liderar a lista de bancos com os maiores índices de reclamações no segundo trimestre, consideradas as cinco maiores instituições financeiras do país (Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco, Banco do Brasil e Santander). O ranking é divulgado trimestralmente pelo Banco Central.

O Bradesco registrou um índice de 24,50 e, o Santander, de 23,75. Os dois principais bancos públicos do país – a Caixa e o BB – vêm logo depois, com 20,71 pontos e 20,63 pontos, respectivamente. São seguidos pelo Itaú, com 19,49.

O índice de reclamação é calculado pelo BC em uma conta que leva em consideração a quantidade de reclamações procedentes recebidas por cada instituição em proporção à sua quantidade de clientes (o número de reclamações é multiplicado por 1.000.000 e dividido pelo total de clientes).

O líder de reclamações no segundo trimestre entre as instituições de grande porte (aquelas com mais 4 milhões de clientes) foi o Banco Pan, que, com 4,2 milhões de clientes, acaba de sair da lista de pequenos para a dos grandes. Os cinco maiores têm mais de 60 milhões de clientes cada. O índice de reclamações do Pan no segundo trimestre foi de 168,45 pontos, de acordo com o BC.

“O Banco Pan informa que seu índice no ranking do Banco Central vem caindo de forma constante e expressiva nos últimos trimestres”, afirmou o Pan, por meio de nota. “Investimos constantemente na melhoria e modernização de produtos, processos internos e na qualidade do atendimento ao cliente.”

Bancos pequenos mais reclamados

Entre os bancos e financeiras de porte menor – com menos de 4 milhões de clientes -, o ranking é liderado pela Facta Financeira, com um índice de reclamações de 953,3, seguida pela Modal (415,6) e pelo banco Inter (367,7).

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Veja abaixo as 10 mais reclamadas no segundo trimestre, por porte, de acordo com o BC:

Bancos e financeiras grandes (mais de 4 milhões de clientes)

Veja abaixo as 10 mais reclamadas no segundo trimestre, por porte, de acordo com o BC:

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Fonte: Exame

Maioria dos brasileiros tem, em média, relacionamentos com dois bancos

Publicado em: 17/07/2019


No Brasil, 77% de internautas têm conta em banco. E os chamados bancos digitais já são conhecidos por 78% deles. Esse foi um dos resultados coletados na pesquisa Banking & Fintech Insights, sobre finanças pessoais, realizada pelo Instituto QualiBest.

A pesquisa apurou uma série de dados para entender a relação da população internauta com o sistema bancário, o uso e conhecimento de bancos digitais e tradicionais, principais produtos e serviços consumidos e quais os motivos que ainda levam 23% dos entrevistados a fazer parte da população que não usa nenhum banco.

De acordo com o estudo, cada pessoa em média tem relacionamento com dois bancos. Caixa Econômica Federal é o mais popular entre os internautas bancarizados, mantendo relacionamento com 51% dos entrevistados. Bradesco, Banco do Brasil e Itaú têm relacionamento com 25% dos internautas, Santander com 18% e Nubank aparece com 8%. A facilidade de acesso, tanto presencial quanto virtual, são os principais fatores de escolha de um banco e 65% prefere o canal digital, como internet banking e app do banco, na hora de ser atendido pelos bancos.

Entretanto, 81% dos entrevistados ainda consideram importante a existência de agências físicas. Mesmo assim, apenas 30% dos entrevistados vão a uma agência bancária mais de uma vez ao mês. Esta insegurança com a ausência de agências físicas existe entre aqueles que só ouviram falar sobre os bancos digitais (50%) ou não conhecem bem a categoria. Entre aqueles que declaram conhecer os bancos digitais esse percentual cai para 24%.

“A insegurança com os bancos digitais diminui quando aumenta o conhecimento sobre eles. A ausência de tarifas, praticidade no gerenciamento de contas e a inovação de ser 100% digital são os principais fatores que motivam a abertura de contas em bancos digitais” aponta Daniela Malouf, Diretora-geral do Instituto QualiBest

O investimento preferido dos brasileiros continua sendo a caderneta de poupança, índice que chega a 91% entre entrevistados que investem. Ainda 8% investem no Tesouro Direto e 5% em renda fixa. A motivação para mais da metade dos entrevistados fazer algum investimento é ter uma reserva de emergência. Além disso, 28% investem para comprar um imóvel e 20% para realizar um curso. Um quinto não tem objetivo específico e apenas 14% pensam em destinar o montante para a aposentadoria.

A população de internautas que ainda não utiliza um serviço bancário, de acordo com a pesquisa do Instituto QualiBest, é de 23%. Entre este grupo, 55% estão na faixa dos 18 e 19 anos. Também foi possível identificar a forma como os não bancarizados se relacionam com o dinheiro: 72% usam em espécie em seu dia a dia, 25% têm cartão de crédito e ainda, 71% não se incomodam em não ter conta.

Falta de interesse, nome negativado ou alto custo das tarifas praticadas estão entre os principais motivos para a ausência de relacionamento com um banco. “Para atrair os desbancarizados os bancos vão precisar de tarifas mais baixas, sistema menos burocrático e limites de créditos melhores”. explica Daniela.

A pesquisa quantitativa, virtual, foi realizada com o painel de respondentes do QualiBest entre os dias 28 de novembro de 2018 a 22 de janeiro de 2019. Ao todo foram entrevistados 1.631 homens e mulheres acima de 18 anos em todo o país.

Fonte: Monitor Digital