Nubank, Itaú, Bradesco e BB lideram ranking de IA entre bancos da América Latina

Publicado em: 06/08/2026

O Brasil é sede de sete das 20 instituições avaliadas pelo levantamento. O BTG Pactual aparece na sétima colocação, enquanto a Caixa Econômica Federal vem em 12.° lugar e o Banco Safra, em 17.°.

Segundo a pesquisa, o Nubank se destaca por ter uma das maiores concentrações de profissionais especializados em IA. Mais de 5% da força de trabalho da fintech atua em funções relacionadas a essa tecnologia, cerca de três vezes acima da média dos demais bancos da região.

O modelo conhecido como “Nuformer”, por exemplo, ajuda na modelagem de risco e concessão de crédito. A solução reduziu o risco de crédito em 70% em comparação aos modelos anteriores, lembra o levantamento.

“Há anos tratamos a IA como uma infraestrutura estratégica, incorporando-a à forma como desenvolvemos produtos, atendemos nossos clientes e operamos o negócio”, afirmou o diretor de tecnologia (CTO) do Nubank, Eric Young.

Na segunda posição, o Itaú tem o maior número absoluto de profissionais de IA entre os bancos avaliados. Também mobiliza investimentos em governança e mecanismos de controles voltados ao uso responsável da IA, ainda conforme o estudo.

O Bradesco, por sua vez, tem fortalecido capacidades tecnológicas internas e ampliado o uso de IA por meio de iniciativas como a plataforma Bridge e os assistentes BIA, ressalta a publicação. Iniciativas de análise de análise de crédito apoiadas por IA já contribuíram com mais de R$ 1 bilhão em receita adicional para o banco, segundo o relatório.

Já o Banco do Brasil, em quarto, tinha mais de 2 mil soluções de IA em produção até o primeiro trimestre, incluindo modelos de machine learning, IA generativa e agentes autonômos.

Confira a lista do Evident AI Index for Banks in Latin America:

Nubank
Itaú Unibanco (Brasil);
Banco Bradesco (Brasil);
Banco do Brasil (Brasil);
Credicorp (BCP) (Peru);
Bancolombia (Colômbia);
BTG Pactual (Brasil);
Intercorp (Interbank) (Peru);
Banco de Crédito e Inversiones (Chile);
Banorte (México);
Grupo Financiero Galicia (Argentina);
Caixa Econômica Federal (Brasil);
Banco Davivienda (Colômbia);
Banco de Bogotá (Colômbia);
Banco de Chile (Chile);
BAC (Costa Rica);
Banco Safra (Brasil);
Banco Pichincha (Equador);
Banco de la Nación Argentina (Argentina);
Banco del Estado de Chile (Chile).

Fonte: Sindicato dos Bancários de Cascavel

Diante dos lucros, bancários cobram aumento real para salários e demais verbas

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Foi realizada no dia 30 de julho a quinta mesa de negociação entre o Comando Nacional dos Bancários – que representa bancários de todo o Brasil, de bancos públicos e privados, nas tratativas da Campanha Nacional da categoria – e a Fenaban (federação dos bancos).

A extenuante negociação desta quinta teve como tema Remuneração e Cláusulas Econômicas, mas também contou com o retorno da Fenaban sobre pontos da última negociação, quando foram debatidas questões sobre saúde e condições de trabalho (leia abaixo).

“O setor bancário segue como um dos mais lucrativos e com o maior acúmulo de patrimônio líquido do país. Em 2025, os cinco maiores bancos tiveram lucro de R$ 124 bilhões. Somente no 1º trimestre deste ano, os lucros atingiram R$ 29,8 bilhões. Em relação ao patrimônio líquido, no ano passado o setor bancário registrou o montante de R$ 1,2 trilhão, valor 25 vezes maior do que a soma dos dois setores mais rentáveis do país, em 2025, que foram eletroeletrônica e mecânica, que, juntos, apresentaram patrimônio líquido de R$ 48 bilhões”, pontua Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.

“Os bancos possuem total capacidade de atender nossas reivindicações e valorizar os trabalhadores que constroem seus resultados com aumento real”, acrescenta.

Aumento real é prioridade

Na Consulta Nacional dos Bancários 2026, que ouviu mais de 54 mil bancários, o aumento real, acima da inflação, foi apontado como a principal prioridade da categoria, citado por 93% dos respondentes. Em seguida, aparece o aumento da PLR, com 63%, e o reajuste maior no vale-refeição (VR) e vale-alimentação (VA), com 51%.

Entre outros pontos relacionados com as cláusulas econômicas, os bancários reivindicam 5% de aumento real (reposição da inflação mais 5% de reajuste) para salários e demais verbas; aumento no piso salarial da categoria, de forma que alcance o salário mínimo ideal calculado pelo Dieese (R$ 7.999,44); piso para a área de TI; aumento maior para VA e VR; e valorização da PLR.

“Os bancos cobrem com folga sua despesa com pessoal apenas com a receita com tarifas, uma receita secundária. Por isso, é justo que compartilhem seus lucros com quem efetivamente contribui para esses resultados. Além disso, os números evidenciam uma enorme desigualdade: de acordo com os Formulários de Referência enviados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a remuneração média anual dos integrantes da diretoria estatutária de quatro dos maiores bancos do país alcança R$ 10,3 milhões por executivo. Esse valor equivale a cerca de 120 vezes a remuneração anual total de um escriturário”, destaca Neiva Ribeiro.

Após ouvir os dados apresentados pela representação dos bancários (veja abaixo) e as reivindicações da categoria, a Fenaban informou que irá analisar as propostas apresentadas pelo Comando Nacional dos Bancários e apresentar um retorno nas próximas rodadas de negociação.

Banqueiros podem pagar

Os dados apresentados pelo Comando Nacional dos Bancários na mesa de negociação mostram, de forma inequívoca, que os banqueiros possuem todas as condições para atender às reivindicações da categoria:

  • Entre 2003 e 2025, o lucro líquido dos maiores bancos brasileiros cresceu 178% acima da inflação;
  • Após a pandemia, entre 2020 e 2025, a variação real do lucro no setor bancário apresentou grande crescimento: 61% nos bancos privados, 10% nos bancos públicos; 1.580% nos bancos digitais;
  • Em 2025, os cinco maiores bancos tiveram lucro de R$ 124 bilhões;
  • A rentabilidade média dos bancos, desde 2003, fica invariavelmente muito acima da inflação. Mesmo após a pandemia, a rentabilidade média ficou três vezes acima do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo);
  • A taxa de juros reais, diferença entre a taxa de juros e a inflação, no Brasil, é uma das maiores do mundo. Portanto, análises que envolvam comparação de rentabilidade dos bancos com a taxa de juros Selic devem levar em conta a especificidade brasileira. Mesmo com a Selic em patamar muito elevado (média de 14,33% em 2025), a ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido) média dos bancos supera a taxa. Após a pandemia, ficou, em média, 2,3 vezes acima e, desde 2022, está 1,2 vezes acima;
  • O Patrimônio Líquido (PL) somado dos dois setores mais rentáveis que os bancos, em 2025, somou R$ 48 bilhões. O PL do setor bancário foi de cerca de R$ 1,2 trilhão, ou seja, 25 vezes maior.

Bancários precisam ser valorizados

Além dos dados econômicos, o Comando Nacional apresentou dados referentes à trajetória da remuneração da categoria, que comprovam a necessidade de valorização dos trabalhadores:

  • Redução do emprego na categoria levou a uma queda na massa salarial real de 17% desde 2014 e de 2% no ano passado, o que corresponde a uma perda de R$ 1 bilhão por mês para os trabalhadores;
  • Entre 2019 e 2025, as despesas de pessoal (salário, PLR, VA/VR e outros itens de remuneração) nos bancos caíram 15%. Separando a PLR dessa conta, a queda foi ainda maior: 17%;
  • Em 2025, a cobertura das despesas com pessoal com a receita com tarifas dos cinco maiores bancos, uma receita secundária, foi de 123%. Ou seja, com o que cobraram dos clientes, os bancos pagam toda a despesa de pessoal, inclusive PLR, com sobra equivalente a 23%. Quando retirada a PLR da conta, essa cobertura sobe para 142%;
  • A média da remuneração per capita anual de um diretor estatutário de banco é de R$ 10,3 milhões, 120 vezes maior que a remuneração anual da função de escriturário, incluindo salários, 13º, férias, VA, VR e PLR;
  • Desde 1997, a PLR de caixa teve aumento real de 140%. No mesmo período, o crescimento real do lucro dos bancos foi de 360%, 2,6 vezes maior que o valor da PLR;
  • Ainda que a CCT preveja a possibilidade de distribuir até 15% do lucro líquido, os grandes bancos privados distribuem, em média, um percentual bem menor: 5,9%;
  • A inflação estimada para a data-base da categoria bancária de 2026 é de 4,39%. Para retomar a mesma relação observada em setembro de 2019 (1,34 vezes) do vale-alimentação em relação ao valor da cesta básica, seria necessário um reajuste de cerca de 40%. Ou seja, dos atuais R$ 924,47 para R$ 1.293,73;
  • Em cinco municípios (São Paulo, Brasília, Osasco, Rio de Janeiro e Belo Horizonte), que juntos somam 50% da categoria bancária, o preço médio da refeição é superior ao vale-refeição atual de R$ 53,33/dia dos bancários.

Retorno sobre a mesa de Saúde e Condições de Trabalho

Na mesa de negociação desta quinta, a Fenaban também deu retorno das reivindicações do Comando Nacional dos Bancários sobre saúde e condições de trabalho, apresentadas na negociação de 21 de julho. Porém, também trouxe para a mesa pontos que representam ataques aos direitos, rechaçados pela representação dos trabalhadores.

Embora os bancos representem apenas 0,7% do estoque de empregos do país, foram responsáveis por 2,8% do total de afastamentos acidentários registrados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) em 2024.

Quando considerados apenas transtornos mentais e comportamentais, os bancos múltiplos lideraram o ranking de atividades com maior número de afastamentos acidentários por saúde mental, com 1.946 registros, e ficaram na quinta posição nos afastamentos previdenciários, com 8.345 ocorrências.

Entre as reivindicações para enfrentar o atual cenário de adoecimento da categoria, os bancários cobram a participação da representação dos trabalhadores na elaboração, implementação e acompanhamento do plano de gerenciamento dos riscos psicossociais (PGR), incluindo o mapeamento dos fatores de risco e a definição de ações de prevenção e combate ao assédio moral, conforme determina a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1).

Por sua vez, a Fenaban sinalizou disposição para debater periodicamente o Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) nas Comissões de Organização dos Empregados (COEs) e na mesa nacional de negociação. “Consideramos um avanço e esperamos que estes debates resultem em medidas para prevenir o adoecimento”, avalia Juvandia Moreira, presidenta da Contraf-CUT e também coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.

Entretanto, a Fenaban argumentou também que os dados referentes à saúde dos trabalhadores estariam sendo impactados por uma maior facilidade de obtenção de atestados médicos, aumento no número de profissionais de saúde e ausência de perícia pelo INSS para concessão de afastamentos. Os banqueiros também criticaram os dados da plataforma Smartlab.

“O adoecimento da nossa categoria não pode ser atribuído à maior facilidade de acesso a serviços e atestados médicos, mas sim ao modelo de gestão dos bancos, marcado por metas abusivas, pressão por resultados, assédio e sobrecarga. Reforçamos nossas reivindicações, deixando claro que o debate sobre a saúde dos trabalhadores deve ser focado na prevenção e na melhoria das condições de trabalho, e não colocando em xeque atestados médicos e afastamentos”, enfatiza Neiva Ribeiro.

“Não compactuamos com fraudes. Também não podemos pautar o debate a partir de má-fé, seja de alguns médicos ou de trabalhadores. Entidades internacionais, como a OIT (Organização Internacional do Trabalho), a OMS (Organização Mundial da Saúde), e nacionais, como o Ministério do Trabalho e Emprego e o Ministério Público do Trabalho, afirmam que a sobrecarga no trabalho está diretamente relacionada ao adoecimento mental dos trabalhadores”, completa Juvandia Moreira.

A Fenaban solicitou ainda a revisão da Cláusula 29 da CCT, que trata da complementação do benefício por incapacidade temporária, de natureza previdenciária ou acidentária. Os banqueiros colocaram como proposta que o médico do trabalho dos bancos possa avaliar, a cada 45 dias, a continuidade do direito à complementação.

O Comando Nacional dos Bancários ressaltou, no entanto, que repudia qualquer alteração que possa resultar em restrição de direitos ou prejuízos aos trabalhadores. Por sua vez, diante da reação do Comando, a Fenaban recuou da proposta sobre a Cláusula 29, mas o debate sobre saúde e condições de trabalho será retomado nas próximas negociações.

Mesa única

Ao final da negociação, o Comando Nacional dos Bancários reforçou a defesa da mesa única de negociação, que reúne bancários de bancos públicos e privados. “A categoria se manifestou em todo o país na defesa da nossa mesa única de negociação. Não vamos permitir que avance qualquer tentativa de divisão da força da nossa unidade”, destaca a presidenta do Sindicato.

Fonte: Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região

O custo social da reestruturação bancária no Brasil

Publicado em: 30/07/2026

Enquanto bancos priorizam lucratividade com baixo custo, clientes idosos ou de baixa renda perdem canais de atendimento.

O cenário bancário brasileiro apresenta um paradoxo que desafia a lógica do cidadão comum. De um lado, os balanços financeiros dos cinco maiores bancos do país — Itaú, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa — celebram lucros recordes que, somados, atingiram a cifra astronômica de R$ 124 bilhões ao longo do ano de 2025.

Do outro, o som metálico de portas de aço se fechando em esquinas de todo o país sinaliza o fim de uma era. A era do atendimento presencial, da conversa com o atendente ou o gerente para esclarecimentos e fechamento de novos contratos, está dando lugar ao atendimento via celular ou internet banking.

A quem serve, de fato, essa modernização galopante? Enquanto os algoritmos e a Inteligência Artificial (IA) otimizam a rentabilidade para acionistas, uma parcela significativa da população é empurrada para um deserto de assistência. A eficiência digital, ao que parece, tem um preço social elevado, pago com o isolamento dos mais vulneráveis.

Radiografia do Encolhimento

O encolhimento da rede bancária física não é apenas uma “tendência”; é um desmonte sistemático. Entre 2024 e 2025, o Brasil perdeu 1.345 unidades físicas, consolidando uma retração que já eliminou 37% das agências desde 2015.

Contudo, os dados revelam uma face ainda mais perversa: a “terceirização” da responsabilidade social para o Estado. Enquanto os bancos privados fecharam mais da metade de suas agências (-53%), os bancos públicos resistem com uma queda menor (-17%).

O resultado é que hoje a rede física sobrevivente é majoritariamente estatal (59%), deixando o atendimento presencial — essencial para o varejo de baixa renda — sob as costas das instituições públicas.

Entre os players privados, o Santander liderou a redução recente, reforçando o movimento de retirada do balcão em favor do clique.

Rentabilidade e a Guerra pela “Principalidade”

O que o setor chama de “transformação tecnológica” é, na verdade, uma contraofensiva estratégica conhecida nos bastidores como a “Revanche dos Bancões”.

Após verem o Nubank multiplicar sua receita por 20 e transformar prejuízos em lucros superiores aos do Santander e da Caixa, as instituições tradicionais mudaram o jogo. A nova estratégia converge em quatro pilares:

Seletividade de Crédito: Em uma manobra defensiva, o foco agora é o retorno ajustado ao risco, priorizando operações com garantias.

Redução de Custos: A IA e a automação não são apenas ferramentas, são substitutos para o trabalho humano e para a manutenção de estruturas físicas caras.

Foco em Alta Renda: O abandono do varejo popular é nítido. Os bancos estão migrando para segmentos como Uniclass, Prime, Select e Estilo, disputando os 1,2% a 4,4% de contribuintes que representam o topo da pirâmide de renda.

A Guerra pela “Principalidade”: O novo troféu não é apenas estar no celular do cliente, mas ser a “conta principal”. Nesta fase, a proposta de valor e a oferta de investimentos passam à frente da tecnologia pura.

A digitalização forçada ignora uma realidade crua: o Brasil ainda é um país de excluídos digitais. Segundo dados do PNAD e do BID referentes ao ano de 2025, 42 milhões de brasileiros (29% da população) não utilizam serviços financeiros digitais.

Idosos: 30% deste grupo não possui acesso à internet, sendo os mais prejudicados pelo fim do atendimento humano.

Abismo Rural: Enquanto o acesso urbano atinge 94,7%, o rural estagna em 84,8%.

O “Imposto” da Pobreza: O custo transacional de um atendimento presencial para o cidadão é de R$ 59,74**, contra **R$ 6,64 no digital. Ao fechar agências, o banco transfere para o cliente o custo do deslocamento e do tempo, criando um ônus invisível para quem já tem pouco.

O Desmonte do Emprego e o Viés de Gênero

Pode-se dizer que essa reestruturação bancária é um moedor de empregos. Desde 2016, 83,5 mil postos foram eliminados, com 12.815 cortes apenas em 2025. Mas o dado mais alarmante é a desigualdade de gênero nessa transição: as mulheres representam 80% do saldo negativo de emprego no setor.

A explicação é matemática e cruel: as vagas que estão sendo extintas são as de “Caixa” (-57%), ocupadas majoritariamente por mulheres (62%). Em contrapartida, as vagas de TI, que cresceram 175%, são um território ainda hostil: apenas 24% dessas novas posições são ocupadas por mulheres. A modernização está, na prática, expulsando a força de trabalho feminina do sistema financeiro.

Para tentar mitigar a ausência física, o setor financeiro aposta em Correspondentes Bancários (COBANS), que já somam 213 mil unidades majoritariamente contratadas pelos grandes bancos. Outro ponto de destaque é o crescimento de 102% das cooperativas de crédito, um segmento que concorre com os bancos, mas com o diferencial de contar com alternativas de atendimento presencial.

Contudo, o esforço é insuficiente. Atualmente, 2.649 municípios brasileiros não possuem agências físicas, o que deixa cerca de 19,6 milhões de pessoas sem acesso local a um gerente ou caixa eletrônico. Para esses milhões de brasileiros, o “banco digital” é uma promessa vazia em locais onde o sinal de internet é instável e o dinheiro físico ainda é a única linguagem de troca.

O Futuro da Bancarização no Brasil

Recentemente, a Febraban declarou que “está na hora de fechar a torneira” do crédito para conter o endividamento. O discurso soa cínico quando vem de um setor que lucra R$ 124 bilhões enquanto seleciona apenas os clientes de alta renda e abandona o cidadão comum à própria sorte digital.

A eficiência operacional não pode ser um salvo-conduto para a exclusão social. Com o avanço da IA Generativa, o risco de um apagão de humanidade no atendimento é iminente.

O Brasil precisa, com urgência, de políticas públicas que garantam a equidade digital e punam a discriminação de gênero e renda na oferta de serviços essenciais. Caso contrário, o banco do futuro será um cofre digital inexpugnável, muito lucrativo para poucos e invisível para milhões.

Fonte: Federação dos Bancários do Paraná

Bancos são os que mais investem em mídia, aponta estudo

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A indústria financeira brasileira ampliou os investimentos em mídia paga nos últimos anos, mas vem registrando uma queda no retorno sobre cada real aplicado em publicidade. É o que revela o estudo “Uncovering Finance 2026 – Quando performance não é suficiente”, produzido pela Uncover, plataforma brasileira especializada em Marketing Mix Modeling (MMM), que analisou mais de R$ 10 bilhões em investimentos de bancos, fintechs e instituições financeiras nos últimos quatro anos. Segundo o levantamento, empresas do setor financeiro investem entre duas e três vezes mais em mídia do que organizações de outros segmentos da economia. Apesar disso, o retorno sobre investimento em publicidade (ROAS) dessas companhias está 27% abaixo da média registrada por outras indústrias.

A conclusão é resultado da análise de 22 modelos de Marketing Mix Modeling desenvolvidos para empresas do mercado financeiro, comparados a outros 67 modelos de mais de dez segmentos econômicos. Ao todo, a Uncover afirma já ter analisado mais de R$ 30 bilhões em investimentos em mídia desde 2021. A metodologia de Marketing Mix Modeling utiliza modelos estatísticos para medir o impacto de fatores como canais de mídia, preço, distribuição, sazonalidade e contexto macroeconômico sobre os resultados de negócio. O modelo permite identificar quanto da receita foi efetivamente gerada pela publicidade, qual é o retorno de cada canal e em que momento o aumento do investimento deixa de produzir ganhos incrementais.

O estudo também incorpora dados produzidos pela Winnin sobre comportamento de consumo de conteúdo no ambiente digital, ampliando a análise sobre a eficiência das estratégias de comunicação adotadas pelo setor.

Mais alcance, menos engajamento

A análise da Winnin aponta um crescimento expressivo na produção de conteúdo sobre economia e finanças, mas sem avanço proporcional no envolvimento da audiência. Entre 2024 e 2025, o número de vídeos publicados na categoria cresceu 22%, enquanto a quantidade de criadores aumentou 32%. As visualizações médias por vídeo praticamente dobraram, passando de 13 milhões para 25 milhões. Em contrapartida, o engajamento por vídeo avançou apenas 3%, e a taxa de engajamento da categoria recuou 38% no período. Para o estudo, os dados indicam que o alcance aumentou, mas a conexão entre marcas e consumidores diminuiu.

A pesquisa também mostra uma mudança nas preferências da audiência. Conteúdos sobre bancos digitais e segurança financeira acumularam 5,4 bilhões de visualizações nos últimos 12 meses, mas registraram 88,3 milhões de interações. Já conteúdos voltados à educação financeira e planejamento pessoal alcançaram cerca de 3 bilhões de visualizações, porém geraram 127 milhões de interações, indicando um público mais participativo.

Outro movimento identificado foi o avanço do TikTok na distribuição de vídeos sobre finanças. A participação da plataforma cresceu de 16,8% para 24,6% no período analisado.

Performance ganha espaço, branding perde força

Os dados da Uncover indicam que, pressionadas por resultados de curto prazo, empresas do setor financeiro ampliaram em 32% a participação de mídia de performance em seus investimentos. No mesmo intervalo, os aportes voltados à construção de marca recuaram 29%, enquanto iniciativas focadas em consideração caíram 50%. Segundo a empresa, essa estratégia tende a produzir resultados positivos apenas no curto prazo, sustentados pela força acumulada de campanhas anteriores de branding. Com o tempo, porém, a redução do investimento em construção de marca diminui o crescimento da demanda, aumenta o custo de aquisição de clientes (CAC) e reduz a eficiência das campanhas de conversão.

A modelagem aponta que atualmente 40% dos resultados obtidos pelo setor decorrem da demanda já consolidada pela marca, enquanto 38% são atribuídos diretamente à mídia e 22% a fatores externos, como sazonalidade, cenário macroeconômico e comportamento do consumidor. O estudo também estima que cerca de 10% do potencial da mídia é perdido em função da concorrência direta entre anunciantes.

“O mercado confunde eficiência de curto prazo com eficiência de verdade”, afirma Daniel Guinezi, co-CEO da Uncover. “Quando a indústria corta investimento em marca para proteger o resultado do trimestre, ela está financiando o próprio problema que vai enfrentar no ciclo seguinte, porque a demanda que sustenta a performance também se esgota.”

Creators e conteúdo educativo ganham relevância

Ao cruzar os resultados dos modelos econométricos com os dados de comportamento digital, o estudo conclui que estratégias centradas apenas em performance tendem a perder eficiência em categorias que exigem confiança do consumidor, como serviços financeiros. Nesse contexto, a Uncover recomenda ampliar investimentos em formatos capazes de fortalecer relacionamento e credibilidade, como marketing de influência, vídeos online e Connected TV (CTV). A avaliação é que creators e conteúdos educativos contribuem para reduzir barreiras institucionais e gerar maior confiança durante a jornada de decisão.

O levantamento também mostra que 16,5% das vendas do setor financeiro têm origem em buscas orgânicas, resultado atribuído ao trabalho contínuo de construção de marca. Segundo a Uncover, empresas que equilibram investimentos entre branding e performance podem alcançar retorno até 16 vezes superior ao de organizações que concentram seus recursos exclusivamente em ações de conversão imediata.

Fonte: PropMark

Com menos agências, idosos se reinventam no mundo dos aplicativos

Publicado em: 28/05/2026

Durante décadas, eles aprenderam a preencher cheques, enfrentar filas de banco e guardar comprovantes em pastas. Agora, aos 60, 70 e até 80 anos, precisaram trocar o talão pelo Pix, o gerente pelo aplicativo e o balcão pelo WhatsApp — numa das mudanças tecnológicas mais rápidas e profundas já enfrentadas por uma geração.

A revolução digital que transformou o sistema bancário brasileiro obrigou milhões de brasileiros da geração que cresceu no mundo analógico a fazer uma migração acelerada para celulares, aplicativos e autenticações virtuais, além de acompanhar um cotidiano em que até ligar a televisão exige senha, conexão e atualização.

A adaptação tem sido bem-sucedida. Levantamento da Serasa aponta que quase 80% dos idosos já utilizam aplicativos bancários, enquanto estudos sobre mobile banking indicam que o celular se tornou parte da rotina financeira dessa geração.

Impulsionados pelo fechamento de agências, pela popularização do Pix e pela ajuda de filhos e netos, passaram de espectadores da revolução digital a usuários ativos dela — ainda que convivendo com dificuldades, insegurança e medo de golpes.

Apoio dos filhos ajuda na transição para aplicativos

A trajetória de Paulo Godoy, de 79 anos, ajuda a ilustrar essa mudança. A familiaridade com computadores começou cedo, ainda nos anos 1990, quando o filho entrou para a faculdade de Ciência da Computação. “Eu viajava muito e trazia periféricos, CPU, HD. Meu filho montava computadores em casa e fui acompanhando toda aquela transformação”, lembra.

A adaptação, porém, não aconteceu sem sustos. A digitalização, que ele classifica como “avassaladora”, impõe muitos desafios à terceira idade. “Antigamente você ligava a televisão e mudava o canal rodando o seletor”, lembra Godoy. “Hoje tem aplicativo, receptor, internet, sincroniza com celular. Desconfigura alguma coisa e vira uma loucura.”

Para ele, a palavra-chave nessa transição é paciência. “É como reaprender a ler. Uma coisa que meu filho faz em cinco minutos, eu levo umas duas horas.” Mesmo assim, ele faz praticamente toda a vida financeira pelo celular. Paga boletos, acompanha investimentos e opera renda fixa e ações pelo aplicativo do banco.

O Pix, diz, mudou completamente sua rotina. “Foi uma salvação. Antigamente você recebia cheque, tinha compensação, cheque sem fundo. Hoje resolve tudo na hora.” A relação com os bancos também mudou. O gerente, que antes centralizava as decisões financeiras, perdeu espaço para os aplicativos e para o acesso direto à informação.

“Gerente de investimento é bom para o gerente, não para você”, afirma, rindo. “No aplicativo você consegue comparar, olhar melhor, pesquisar. Se a pessoa não tiver informação, dança bonitinho.”
Golpes bancários são a principal preocupação dos idosos

O mesmo aconteceu com Eurides de Oliveira, de 83 anos, servidor federal aposentado. Assim como Paulo, ele afirma ter conseguido atravessar a revolução digital graças ao apoio dos filhos — um deles ligado à computação e outro ao design gráfico e às ferramentas de inteligência artificial. “Isso ajudou muito”, diz.

Hoje, Oliveira vê muita praticidade no celular: Pix, transações bancárias, pagamentos e conversas no WhatsApp fazem parte da rotina. Com as novas ferramentas, já não depende de atendimento presencial para resolver a maior parte das tarefas financeiras.

Ainda assim, preserva uma relação afetiva com o banco, construída muito antes da era dos aplicativos. Cliente do Banco do Brasil há décadas, mantém amizade até hoje com o mesmo gerente que o atende há mais de 30 anos.

A conexão pessoal sobreviveu à digitalização acelerada do sistema bancário. Redes sociais, porém, ficaram de fora da rotina. “Não me acostumei”, resume.

A maior preocupação dele são os golpes digitais. “Hoje em dia está tudo muito bem feito. Tem que prestar atenção em tudo”, afirma. “Se desconfio de algo, nem clico.”

O receio não é exagero. Pesquisa da Silverguard apontou que idosos registram os maiores prejuízos médios em golpes digitais no Brasil, com perdas superiores a R$ 4,8 mil por vítima.

Especialistas afirmam que pessoas mais velhas se tornaram alvo preferencial de criminosos por já terem acumulado patrimônio. Também costumam demonstrar maior confiança em contatos telefônicos e mensagens, sobretudo com o avanço da inteligência artificial e das fraudes que simulam vozes, rostos e conversas reais.

Aprender para não ficar para trás

Para Waldemar Santos Guimarães, engenheiro de recursos hídricos aposentado, a adaptação digital foi quase uma continuação natural da vida profissional. Aos 81 anos, ele diz não se sentir velho — e atribui parte disso à disposição para continuar aprendendo.

Depois de trabalhar durante anos com projetos e capacitação técnica, ele vê semelhanças entre a revolução digital atual e outras transformações tecnológicas que acompanhou ao longo da carreira.

Hoje, usa Pix regularmente e quase não frequenta mais agências bancárias. Apesar disso, ainda valoriza o contato presencial com os gerentes. “Às vezes vou lá conversar, entender alguma operação.”

Para Guimarães, a tecnologia trouxe praticidade, mas não eliminou completamente a necessidade de relações humanas — especialmente para uma geração acostumada ao atendimento “olho no olho”.

Nesse sentido, faz ressalvas à mudança do próprio conceito de trabalho promovida pela digitalização. “Hoje muita gente trabalha de casa, mas o espírito de equipe continua importante”, afirma.

Em comum, as histórias traduzem a percepção de que resistir à tecnologia deixou de ser uma opção. A geração criada entre cheques, carnês e cadernetas bancárias acabou obrigada a aprender, em poucas décadas, a viver em um mundo de QR Code, biometria facial e autenticação por aplicativo — e, apesar das dificuldades, conseguiu fazer a travessia. “Quem não se atualiza e não evolui fica para trás”, resume o aposentado.

Fonte: Gazeta do Povo

74% dos clientes brasileiros preferem agências físicas para serviços complexos

Publicado em: 29/04/2026

A coluna do Broadcast, publicada no jornal O Estado de S.Paulo, revelou que 74% dos clientes brasileiros preferem agências físicas para contratação de serviços bancários complexos.

De acordo com pesquisa Accenture sobre tendências bancárias, obtida com exclusividade pela coluna do Broadcast, 74% dos clientes preferem agências físicas para serviços que envolvam eventos de longo prazo como, por exemplo, a compra de um imóvel ou planejamento familiar.

“A pesquisa reforça a importância das agências físicas e a relevância da campanha Eu quero mais agências, lançada recentemente pelo Sindicato [leia mais abaixo]. O atendimento presencial é a opção para contratação de serviços de maior complexidade ou que envolvam altos valores. Além disso, outro ponto a se considerar é o fato de que quando algo não vai bem, no caso de um golpe ou insatisfação com um serviço, quando é necessária uma explicação clara, a confiança do olho no olho, a relação próxima entre bancário e cliente, é insubstituível”, enfatiza a presidenta do Sindicato, Neiva Ribeiro.

Neiva destaca que os bancos – que operam como concessões públicas e batem recordes de lucratividade ano após ano – devem garantir atendimento de qualidade para toda a população.

“O fechamento de agências prejudica todos. Postos de trabalho são extintos; bancários de outras unidades precisam absorver a demanda das agências fechadas; a população, principalmente pessoas sem conexão de qualidade, deixam de contar com o atendimento presencial; o comércio e a economia local como um todo são afetados negativamente; e os clientes ficam com o atendimento precarizado, inclusive mais suscetíveis a fraudes e golpes nos canais digitais”, aponta a presidenta do Sindicato.

“Os bancos devem cumprir sua função social, abandonando a atual política de fechamento de agências e corte de empregos, de forma que seja assegurado atendimento de qualidade para toda a população e condições de trabalho adequadas para os bancários”, acrescenta.

Na esteira do fechamento de agências pelos bancos, entre 2015 e 2024, a categoria bancária saiu de 504.345 mil trabalhadores para 424.021 mil, redução de 80.324 empregos.

“Glamourização” do atendimento presencial

Reportagem da Folha de S.Paulo sobre o fechamento de agências bancárias, publicada em 23 de março, aponta que “os bancos têm preferido abrir pontos de atendimento mais especializados, para atrair a parcela da população que tem investimentos e faz negócios rentáveis”.

“A própria estratégia dos bancos de abrirem unidades focadas em clientes de alta renda, inseridos no mercado de investimentos, mostra que o atendimento presencial é importante, é desejado pelos clientes. Porém, os bancos – que operam como concessões públicas e deveriam garantir atendimento de qualidade para todos –optam por maximizar lucros fechando agências convencionais e expulsando das unidades abertas os clientes que não são de alta renda”, critica Neiva Ribeiro.
Fintechs e cooperativas ocupam o “vácuo”

Enquanto bancos fecham agências e cortam postos de trabalho, cooperativas de crédito e fintechs ganham espaço. Entre 2015 e 2025, o número de pontos de atendimento de cooperativas mais que dobrou, saltando de 4.470 para 9.822, alta de 120%. O número de funcionários passou de 54.995 em 2015 para 122.196 em 2024, uma variação de 122,4%.

Já em relação às fintechs, o número de empresas autorizadas pelo Banco Central que operam neste modelo saltou de uma em 2016 para 330 em 2025. Para além das autorizadas formalmente pelo BC, segundo levantamento da A&S Partners, o número total de fintechs no Brasil saltou 77% desde 2020, alcançando mais de duas mil empresas no setor.

“Enquanto bancos fecham agências e cortam empregos; cooperativas e fintechs, que na prática atuam como bancos, ampliam presença e absorvem trabalhadores, que deixam de ser bancários e, por consequência, recebem menos e perdem direitos. Defendemos uma regulação do sistema financeiro que aplique para estas empresas as mesmas normas exigidas dos bancos, em especial na esfera trabalhista. É preciso fazer justiça a estes trabalhadores que atuam de fato como bancários, mas hoje sem a mesma remuneração e direitos”, enfatiza a presidenta do Sindicato.

Campanha Eu quero mais agências

Entre 2015 e 2025, os bancos fecharam em média 45 agências por mês. Diante deste cenário, no qual 638 municípios ficaram sem agências bancárias, o que desassistiu 6,9 milhões de pessoas, o Sindicato lançou o site Eu quero mais agências, no qual convida a categoria e clientes a aderirem ao abaixo-assinado por mais agências bancárias.

O fechamento de agências, além de contribuir com a redução de postos de trabalho, prejudica a população e o comércio local, principalmente em regiões periféricas e pequenos municípios. Na base do Sindicato, que engloba a capital paulista e 16 municípios da Grande São Paulo, 48% das agências foram fechadas entre 2015 e 2025.

“O que pretendemos com a campanha Eu quero mais agências é pressionar o setor, através da mobilização popular, a exercer de fato a responsabilidade social que lhe cabe, interrompendo esta política de fechamento de agências e corte de postos de trabalho, respeitando assim bancários, clientes e a sociedade brasileira”, conclui Neiva Ribeiro.

Fonte: Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região

Aumento de incertezas deve marcar resultados dos grandes bancos do país

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A temporada de balanços dos bancos no primeiro trimestre de 2026 deve trazer uma continuação das tendências vistas nos últimos períodos, embora incertezas comecem a se acumular. Há dúvidas sobre até onde vai um movimento de piora na inadimplência que se consolidou nos últimos meses e sobre os impactos macroeconômicos da guerra no Irã – e os casos de grandes empresas em dificuldades também podem elevar as provisões dos bancos. Além disso, o cenário eleitoral deve começar a ganhar mais peso e as divulgações ocorrem no momento em que o governo finaliza um novo programa de renegociação de dívidas.

Itaú Unibanco, Bradesco, Banco do Brasil e Santander devem ter um lucro consolidado de R$ 26,5 bilhões no período de janeiro a março. Em se concretizando esse número, seria uma queda de 7,6% em relação ao quarto trimestre e de 6,2% na comparação com o primeiro trimestre de 2024. Como tem acontecido nos últimos trimestres, o BB puxa a média para baixo, pressionado pelo agronegócio. Sem ele, o lucro consolidado seria de R$ 23,0 bilhões, com altas de 0,3% e de 10,3%, na mesma comparação.

Enquanto Itaú pode seguir renovando recordes, Bradesco e Santander mantêm uma toada de recuperação. A filial do banco espanhol abre a temporada com a divulgação dos números amanhã, antes da abertura dos mercados, e anunciou recentemente que Gilson Finkelsztain deve assumir como novo CEO em julho, em substituição a Mario Leão.

“Qualidade de ativos será o grande tema do trimestre, que tem sazonalidade negativa”, dizem analistas do J.P. Morgan

Para Daniel Utsch, gestor da Nero Capital, os números que serão acompanhados com mais atenção serão os de inadimplência e provisões para devedores duvidosos (PDD). “Temos um ciclo de inadimplência que deve pesar, tanto no agro, que afeta mais o BB, quanto entre grandes empresas. Tivemos várias recuperações judiciais e outros nomes grandes com dificuldades, então precisamos ver como esses casos devem transitar pelos balanços dos bancos.” Um dos casos com maior potencial de impacto é Raízen, já que até poucos meses a empresa tinha ratings relativamente bons e, assim, é bem provável que o nível de provisionamento dos bancos fosse pequeno.

Os analistas do J.P. Morgan também apontam que a qualidade dos ativos será o grande tema do trimestre. Eles lembram que há uma sazonalidade negativa no primeiro trimestre, mas os investidores vão tentar entender se isso é só um “soluço” ou uma tendência mais firme de deterioração. “De acordo com nossas discussões, a preocupação dos investidores é generalizada em relação a diferentes produtos: cartões de crédito, empréstimos pessoais, PMEs, corporate, linhas rurais, entre outros. Curiosamente, ainda não observamos um quadro claro de deterioração nos dados do Banco Central nos últimos meses.” O Citi vai na mesma linha: “Esperamos que os bancos brasileiros apresentem um trimestre menos favorável, impulsionado por uma combinação de fatores sazonais adversos – que impactam a margem financeira (NII) com clientes, as provisões e os empréstimos inadimplentes em estágio inicial – e por maiores provisões, refletindo casos específicos de grandes empresas”.

No agro, como muitos créditos da safra 2024/2025 ainda vencem no primeiro semestre, a perspectiva é que a qualidades dos ativos siga bastante pressionada. Na semana passada, durante encontro anual com investidores, o BB – que tem maior exposição ao setor – deixou claro que a trajetória de recuperação deve ter altos e baixos. “Falando de forma muito transparente, acho que vocês perceberam durante todas as falas [do evento] que 2026 para nós será um ano de reestruturação, de retomada de crescimento. Não vai ser um ano fácil”, admitiu a presidente Tarciana Medeiros.

O BB anunciou que renegociou R$ 36,5 bilhões no âmbito da medida provisória (MP) 1.314, que ajudou produtores afetados por eventos climáticos. Desse total, apenas 2,5% vencem em 2026. O problema, segundo analistas, está na carteira prorrogada do agro, de R$ 64,5 bilhões, sendo que 36% vencem neste ano. Para os analistas do Bank of America (BofA), os resultados do BB podem ficar abaixo das previsões, “principalmente devido a encargos com provisões piores do que o esperado, uma vez que os dados do BC mostram uma deterioração contínua dos empréstimos inadimplentes no agro”.

O Santander também tem uma exposição relativamente substancial ao agro e está em meio a uma transição de comando. Para os analistas da XP, o banco deve entregar um trimestre um pouco mais fraco do que o anterior, reflexo da postura mais seletiva no crédito, “principalmente em cartões de crédito de baixa renda, agronegócio e PMEs”. Para o Goldman Sachs, há risco de surpresas negativas em PDD, considerando a exposição do banco a casos no atacado. “Projetamos uma expansão sequencial na margem financeira, apesar da pressão contínua na margem com mercado, que deve melhorar gradualmente ao longo do ano.”

No caso do Bradesco, a expectativa de analistas é de crescimento no lucro no comparativo trimestral e anual. Na avaliação do Safra, os segmentos de PME e pessoa física devem continuar sendo os principais impulsionadores do crescimento da carteira de crédito. A margem ajustada ao risco deve permanecer estável ante o trimestre anterior. “Quanto ao segmento de seguros, esperamos contribuições quase estáveis tanto da receita operacional quanto da receita financeira, resultando em um crescimento de 7% em relação ao ano anterior.”

O Itaú, por sua vez, poderia renovar o recorde de lucro mesmo com a sazonalidade negativa do primeiro trimestre e com a antecipação de dividendos feita pelo banco. O consenso dos analistas é de leve baixa trimestral de 0,2%. “Embora tenhamos revisado ligeiramente para baixo nossas estimativas para o primeiro trimestre do Itaú, isso se deve principalmente à antecipação de pagamento de dividendos, juntamente com a sazonalidade, e não a qualquer deterioração nas tendências subjacentes, mantendo nossa visão construtiva inalterada. […] Em nossas conversas com investidores, o Itaú continua sendo uma posição central em diversos portfólios, tanto entre investidores locais quanto estrangeiros”, dizem os analistas do Santander CIB.

Utsch, da Nero, lembra que as ações dos bancos brasileiros subiram muito nos últimos meses e que, se houver alguma decepção com os resultados, isso pode gerar uma correção nos papéis. “Tivemos um rali da bolsa muito pautado pelo investimento estrangeiro, e não exatamente pelos fundamentos das companhias. Então a régua, a base de comparação de preço, subiu muito.” Ele aponta que o Bradesco talvez seja ainda mais suscetível a uma eventual correção se os resultados não animarem, porque o papel chegou próximo dos picos vistos em 2019 e o banco ainda não entregou toda a recuperação que se espera.

O gestor lembra que o cenário macro também traz incertezas, com os impactos da guerra do Irã nos preços do petróleo e, consequentemente, na inflação e nas decisões de política monetária do BC. Para ele, a eleição presidencial ainda não é uma tema que tem feito muito preços nas ações de bancos. Utsch também não acredita que o novo programa de renegociação de dívidas que deve ser lançado pelo governo nos próximos dias terá um efeito nos resultados das instituições financeiras. “Se tiver algum impacto, vai ser muito marginal, não muda o ponteiro. Além disso, o programa gera alguma preocupação com a questão fiscal [se o governo fizer um aporte grande no Fundo de Garantia de Operações, o FGO], então isso pode afetar o humor do investidor, e nem está claro se o efeito líquido de tudo isso seria positivo para as ações dos bancos.”

Além dos quatro grandes bancos incumbentes, o Nubank deve ter lucro de US$ 910 milhões (cerca de R$ 4,5 bilhões) no primeiro trimestre. O Bradesco BBI diz que a qualidade dos ativos deve seguir o padrão sazonal tradicional e que o índice de eficiência tende a ficar basicamente estável. Assim, coloca o Nubank entre seus nomes preferidos para a temporada do primeiro trimestre. Na visão dos analistas do BofA, “a expansão do crédito deverá permanecer robusta, impulsionada principalmente pelo uso dos recentes aumentos nos limites de cartões de crédito no Brasil e pela aceleração no México, enquanto o crédito garantido deverá ser limitado por recentes mudanças regulatórias que afetaram a antecipação do FGTS”.

Fonte: Valor Econômico

Juros cobrados pelos bancos colaboram para o endividamento das famílias

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O percentual de famílias brasileiras endividadas atingiu 80,4% em março, aumento de 0,2 ponto percentual em relação a fevereiro de 2026, e de 3,3 pontos percentuais em relação a março de 2025.

O índice corresponde ao maior nível da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Ainda segundo a mesma pesquisa, 29,6% das famílias estão com dívidas em atraso e 12,3% não conseguirão pagá-las. O endividamento das famílias parece crescer em uma velocidade maior do que o crescimento do emprego e da renda.

Recorde histórico de endividamento

Outras pesquisas também vão na mesma direção e mostram o agravamento dessa situação. Segundo o Banco Central, metade das famílias (49,9%) estão endividadas, recorde histórico. Este percentual representa a relação entre o valor atual das dívidas das famílias com o Sistema Financeiro Nacional e a renda acumulada nos últimos doze meses.

Já o Serasa aponta que, em fevereiro de 2026, o Brasil registrou recorde de 81,7 milhões de CPFs negativados. Este número representa um aumento significativo em relação a anos anteriores e reflete um cenário de inadimplência crescente no país. Em fevereiro de 2025, esse número correspondia a 75 milhões.

Custo do crédito no endividamento

Os motivos para o aumento do endividamento são muitos, como aumento do custo de vida, renda baixa, uso intensivo do cartão de crédito, popularização dos sites de apostas e custo do crédito.

O Brasil, historicamente, tem taxas elevadas de juros bancários, influenciadas pela taxa básica de juros da economia (Selic), atualmente em 14,75% ao ano.

Mas, segundo o Banco Central, a taxa média de juros para concessão de crédito pelos bancos foi de 33,1% ao ano em março de 2026, a maior desde o início da série histórica, em março de 2011.

Contudo, a taxa média de juros pessoa física do cartão de crédito rotativo chegou a 428,6% ao ano, justamente uma das modalidades de crédito mais utilizadas pelos brasileiros.

Bancos lucram bilhões com juros altos

Para justificar que os juros cobrados da população são muito altos, os bancos alegam que têm um custo para emprestar dinheiro, como mão de obra, estrutura, impostos, inadimplência, dentre outros.

Mas uma das explicações para que o spread bancário – diferença entre o custo de captação dos bancos e o que ele cobra para emprestar – seja elevado, é o lucro.

Em 2025, os cinco maiores bancos (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Itaú Unibanco e Santander), juntos, tiveram lucro de R$ 123,8 bilhões.

O que é spread bancário?

Por exemplo, o banco capta recursos pagando 10% ao ano (via poupança ou investimentos atrelados à Taxa Selic) e empresta esse mesmo dinheiro a 30% ao ano. O spread bancário é a diferença: 20 pontos percentuais.

Essa diferença atingiu 21,8 pontos percentuais em março de 2026, segundo o Banco Central.

Segundo o Banco Mundial, em 2024 o spread bancário era de 7,46 pontos percentuais na Argentina; 2,85 na China; 2,89 na Noruega; 2,05 na Suíça; e 6,68 no México. Enquanto no Brasil era de 32,52.

“O endividamento das famílias brasileiras é um problema muito grave e com diversas causas, mas os bancos têm uma parcela de responsabilidade neste cenário ao cobrarem tão caro no crédito ofertado à população. É urgente debater o spread bancário, a redução da taxa de juros bancárias, assim como a redução da Selic, ainda mais em um cenário de baixa demanda e de inflação controlada”, afirma Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo.

Governo quer combater endividamento

Diante do alto endividamento das famílias, o governo Lula (PT) vai lançar um programa de renegociação de dívidas.

Fonte: Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região

Bancos aceitam negociar cláusulas sobre gestão ética da tecnologia

Publicado em: 23/04/2026

Após cobrança do Sindicato, por meio do Comando Nacional dos Bancários, a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) aceitou formalmente negociar cláusulas sobre uso e gestão ética de tecnologias nas relações de trabalho. A confirmação ocorreu no dia 16 de abril, na mesa de negociação permanente “Novas Tecnologias, como IA, e a Atividade Bancária.

Desde o ano passado, o Comando Nacional dos Bancários debate com os bancos os avanços tecnológicos e seus impactos no emprego, fechamentos de agências, bem como uso ético da tecnologia, o que resultou no consenso da construção de cláusulas.

Esse debate começou após o Itaú ter demitido mais de mil bancários e bancárias com base em monitoramento realizado a partir de ferramentas. A partir desse caso, o Comando Nacional dos Bancários elaborou e negociou com o banco as cláusulas abaixo, que hoje servem como referência à negociação com a Fenaban:

CLÁUSULA 37º – DOS PRINCÍPIOS GERAIS

As empresas poderão utilizar exclusivamente nos equipamentos e/ou ferramentas de trabalho disponibilizados pelo empregador, tecnologias, mecanismos e metodologias com a finalidade de efetuar a fiscalização do cumprimento das obrigações assumidas pelo empregado no âmbito da relação de emprego, especialmente as relacionadas ao tempo à disposição do empregador e/ou da jornada de trabalho, inclusive dos empregados que se ativam em teletrabalho, observando os princípios de finalidade, proporcionalidade, transparência e respeito à privacidade e intimidade do empregado, em conformidade com a legislação vigente, inclusive LGPD.

Parágrafo Primeiro: A empresa assegura que todos os empregados dispõem dos equipamentos e dos recursos tecnológicos necessários para a adequada execução de suas atividades, de acordo com as atribuições de cada função e com as diretrizes internas da instituição.

Parágrafo Segundo: Durante as atividades de teletrabalho, fica vedado à empresa realizar a captura de imagens e/ou áudios dos empregados para a fiscalização do cumprimento da jornada de trabalho.

Parágrafo Terceiro: Fica garantido pela empresa, por meio de políticas internas, termos/documentos ou outros meios de comunicação, o compromisso de divulgação aos empregados e Sindicato, acerca da possibilidade de fiscalização dos equipamentos e ferramentas de trabalho, disponibilizados pelo empregador ao empregado, respeitando os direitos fundamentais à privacidade, intimidade e dignidade do trabalhador.

CLÁUSULA 38ª – DA NECESSIDADE DE AVALIAÇÃO HUMANA
As deliberações sobre avaliações, advertências ou qualquer outra medida disciplinar não serão aplicadas de forma unicamente automatizada, estando sujeitas à avaliação humana realizada por gestor ou preposto com competência para tanto.

CLÁUSULA 39ª – DA ADEQUAÇÃO À CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO
Caso a Convenção Coletiva de Trabalho da categoria estabeleça normas mais benéficas quanto ao uso de tecnologias, mecanismos e metodologias pelas instituições financeiras, essas prevalecerão sobre as cláusulas deste Acordo Coletivo que tratem do mesmo tema.

“Nossa expectativa era ter saído daqui com pelo menos uma dessas cláusulas aprovadas, mas entendemos que a abertura para esse diálogo também é importante, além de simbólica para o nosso sindicato, que está completando 103 anos. Ou seja, somos um movimento sindical, com instituições centenárias, que se encontram aqui construindo soluções para problemas impostos pelos avanços tecnológicos, em direção a um mundo do trabalho moderno, mas com trabalho descente e com ganhos de produtividade que sejam distribuídos para todos”, afirmou a presidenta do Sindicato e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Neiva Ribeiro.

“A tecnologia é fantástica e seus avanços podem gerar ganhos positivos para a sociedade. Ao mesmo tempo, a falta de regulação tende a gerar e aprofundar problemas sociais, como a concentração de renda, aumento das desigualdades, a hipervigilância, a invasão de privacidade e ataques à dignidade da pessoa. Por isso a importância desta mesa de negociação, por meio da qual nós temos a oportunidade de estabelecer propostas que podem ser positivas para toda a sociedade, não apenas à categoria, contra possíveis abusos de quem detém a tecnologia”, enfatizou a presidenta da Contraf-CUT e coordenadora do Comando Nacional dos Bancários, Juvandia Moreira.

“Esse passo dado pela Fenaban, de aceitar a nossa reivindicação para levar essas cláusulas para debater com todos os bancos é muito importante, diante da preocupação crescente do uso não ético das novas tecnologias”, avalia Juvandia Moreira.

Canais de combate à violência de gênero

O encontro também foi aproveitado por ambas as partes para discutir a evolução dos canais de apoio às bancárias vítimas de violência de gênero, estabelecidos pelos bancos, em decorrência de conquista do movimento sindical nas campanhas de renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT).

“Atendendo a um pedido nosso, feito na mesa de negociação de março, com o tema da mulher bancária e igualdade de oportunidades, a Fenaban nos trouxe a atualização dos números de atendimentos e encaminhamentos”, destacou Fernanda Lopes, secretária da Mulher da Contraf-CUT. “A nossa categoria está muito à frente em termos de combate à violência de gênero. Mas não podemos deixar de acompanhar e aprimorar essas cláusulas conquistadas, para que o resultado das nossas lutas seja efetivo”, completou a dirigente.

Segundo a Fenaban, em 69 meses (considerando o período de 2000 a 2025), os canais de atendimento às bancárias vítimas de violência doméstica atenderam 875 mulheres – uma média de 12,7 por mês. Esses atendimentos geraram nesses anos um total de 3.698 sessões de acolhimento (média de 53,6 por mês).

Houve também um aumento expressivo de atendimentos no período: no primeiro ano, 107 bancárias acessaram os canais, já em 2024 e 2025 os canais atenderam 181 e 180 mulheres, respectivamente.

Para Fernanda Lopes, esse salto está ligado ao aumento da divulgação e campanhas de conscientização sobre o combate à violência doméstica e familiar dentro dos bancos, “ações que também foram reivindicadas pelo movimento sindical bancário”.

“Essa prestação de contas da Fenaban sobre a implementação dessa conquista à mulher bancária é resultado de um esforço de anos do movimento sindical pela erradicação da violência contra a mulher. Temos hoje consolidado um importante instrumento nesse sentido e que serve como referência para outras categoriais e políticas públicas no país”, concluiu a secretaria da Mulher da Contraf-CUT.

Fonte: Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região

Digitalização, demissões e espaços físicos: como os bancos estão mudando

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O sistema bancário brasileiro vive hoje uma das mais profundas transformações estruturais de sua história. O avanço da tecnologia, a pressão por eficiência e a mudança no comportamento do consumidor estão redesenhando o setor, com efeitos diretos sobre emprego, acesso a serviços e inclusão financeira.

Só na última década o Brasil perdeu cerca de 37% das agências bancárias, o equivalente a aproximadamente 6 mil unidades a menos, conforme dados do Banco Central. Hoje, pouco mais de 14 mil agências permanecem em operação, deixando quase metade dos municípios sem atendimento físico. O movimento ganhou força mais recentemente e cerca de 1,6 mil agências foram fechadas somente 2025, o que dá uma média de mais de 30 unidades por semana.

Correndo por fora, os digitais, os correspondentes bancários e as cooperativas de crédito expandem seus territórios, ocupando um espaço importante deixado pelas instituições tradicionais no atendimento à população em muitas cidades do Brasil. Todo esse movimento, porém, levanta dúvidas sobre como ficam os serviços essenciais e o acesso da grande população, com uma inclusão financeira que vá além da conta para receber PIX.

Novo perfil do consumidor

Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), o fechamento de agências faz parte da estratégia individual de cada instituição e acompanha uma mudança clara no comportamento dos clientes. Conforme dados da entidade, hoje mais de 80% das transações bancárias já são realizadas por canais digitais. Em 2024, de um total de 208,2 bilhões de operações, 75% ocorreram pelo celular.

Para a Febraban, os canais digitais oferecem praticamente a totalidade dos serviços bancários, incluindo pagamentos, transferências, crédito, investimentos e renegociação de dívidas.

A entidade também afirma que as agências vêm sendo reposicionadas como espaços voltados a negócios e consultoria, enquanto as operações do dia a dia migram para o ambiente digital. Além disso, destaca que o setor segue investindo fortemente em tecnologia, cerca de R$ 48 bilhões em 2025, e que o avanço digital tem impulsionado a contratação de profissionais, especialmente nas áreas de tecnologia e segurança.

Concorrência e inclusão

Do outro lado da transformação, os bancos digitais seguem ampliando sua presença. O número de fintechs, por exemplo, cresceu 77% e mais de 60 milhões de brasileiros passaram a acessar serviços financeiros por meio de plataformas online na última década, segundo dados do Banco Central.

Os números não são desprezíveis. Pelo contrário, muitos desses novos clientes nunca conseguiram ultrapassar as portas giratórias dos grandes bancos tradicionais, muito menos ter uma conta neles.

Segundo Diego Perez, presidente da Abfintechs, esse avanço das empresas digitais foi decisivo para ampliar o acesso ao sistema financeiro para muitos brasileiros, bem como o sistema de pagamento instantâneo. “Mas não pode ser visto como causa direta do fechamento de agências. Esta é uma decisão dos grandes bancos para reduzir seus custos e aumentar eficiência”, afirma.

Presença física ainda faz sentido

Enquanto agências são fechadas, bancos digitais e cooperativas buscam aumentar sua presença física. O objetivo para isso, segundo Thiago Borba, coordenador do ramo crédito do Sistema OCB (que reúne as cooperativas no Brasil), é atuar como elemento estratégico de proximidade, confiança e inclusão financeira.

Para os especialistas, a tendência agora não é de substituição entre modelos, mas de convivência. A digitalização amplia o acesso e reduz custos, enquanto o atendimento físico continua essencial em situações mais complexas, especialmente para novos usuários do sistema financeiro. “O modelo híbrido, que combina canais digitais com presença física, tende a ser o mais eficiente, inclusivo e competitivo”, afirma Borba.

Fonte: Federação dos Bancários do Paraná

Conhecimento sobre bancos digitais quase dobra em quatro anos

Publicado em: 16/04/2026

O conhecimento dos brasileiros sobre bancos e carteiras digitais quase dobrou em quatro anos. Passou de 23,9% em 2022 para 45,6% em 2025, segundo a 9ª edição do Raio X do Investidor Brasileiro. Divulgado nesta semana, a pesquisa foi realizada pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), em parceria com o instituto Datafolha.

Para Marcelo Billi, superintendente de sustentabilidade, inovação e educação da Anbima, o avanço reflete uma mudança consistente na forma como a população se relaciona com o sistema financeiro.

“As pessoas estão mais expostas ao universo digital e, ao mesmo tempo, mais atentas às diferentes formas de acessar serviços”, diz Billi. “Esse movimento amplia as opções e fortalece a inclusão.”

No geral, bancos tradicionais e digitais já fazem parte do cotidiano da população. De acordo com o levantamento, 97% dos brasileiros afirmam conhecer ao menos uma instituição financeira.

O reconhecimento dos bancos tradicionais segue elevado e crescente. Em 2022, 78% citaram espontaneamente algum banco convencional. Em 2025, o índice subiu para 91,5%.

Geração Z é a que mais usa bancos digitais

Nove em cada dez brasileiros têm ao menos uma conta ativa. Entre os canais, bancos tradicionais permanecem como a porta de entrada mais comum, chegando a 73,67%. Bancos e carteiras digitais avançaram na série, mas recuaram no último ano, depois do pico de 43,78%, em 2024, para 38,87% ,em 2025 (a mesma pessoa pode ter conta em mais de um tipo de instituição, por isso os porcentuais não são excludentes e ultrapassam 100% quando somados).

O recorte geracional evidencia um contraste. De acordo com o Raio X, 92% da geração Z (16 a 29 anos em 2025) tem algum tipo de conta, com empate na quantidade de público em cada instituição: 67% têm conta em banco tradicional e 66% em banco digital, sinal de sobreposição de relacionamento.

Entre millennials (30 a 44 anos), o padrão é híbrido: 77% com pelo menos uma conta em bancos tradicionais e 48% nos digitais.

Nas faixas mais maduras, o digital perde fôlego: na geração X (45 a 64 anos), 76% estão em casas tradicionais, enquanto 24% focam em digitais.

Entre boomers+ (acima de 65 anos), 75% possuem contas tradicionais. Apenas 7% têm movimentações financeiras em plataformas digitais.

“O conjunto mostra que a inclusão financeira avança, mas a adoção do digital ainda é desigual”, explica Billi. “Pessoas mais jovens já operam com dupla porta de entrada e transitam entre canais, enquanto os boomers e a geração X têm preferência pelo modelo tradicional. O resultado reforça a leitura de que o digital complementa, mas não substitui, o relacionamento bancário para parte significativa da população.”

Sobre o Raio X do Investidor Brasileiro

A 9° edição do Raio X do Investidor Brasileiro retrata a população com 16 anos ou mais, o que equivale a mais de 168 milhões de pessoas, sendo 48% homens e 51% mulheres economicamente ativas, com uma média de idade de 44 anos.

O estudo ouviu 5.832 pessoas em todas as regiões do país, de 4 a 21 de novembro de 2025. A versão completa do levantamento será apresentada em breve pela Anbima.

Fonte: Federação dos Bancários do Paraná

Nubank, Inter e Itaú lideram ranking dos melhores bancos do Brasil

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Nubank, Inter e Itaú Unibanco estão entre os primeiros colocados da lista dos oito melhores bancos do Brasil, segundo o ranking anual da revista Forbes. A lista é resultado de uma pesquisa conduzida em parceria com a Statista, plataforma internacional de dados e inteligência de negócios, que ouviu 54 mil pessoas em 34 países entre outubro e novembro de 2025.

Além dos três primeiros colocados, o ranking da Forbes aponta mais cinco instituições entre as melhores do Brasil: Bradesco, BTG Pactual, Sicredi, C6 Bank e Santander. Juntas, as oito instituições formam um retrato diversificado do sistema financeiro nacional, reunindo bancos digitais, cooperativas de crédito e grandes players tradicionais.

Para montar a oitava edição do ranking, os entrevistados avaliaram os bancos com base em cinco critérios: confiabilidade, condições e tarifas, atendimento ao cliente, serviços digitais e qualidade da assessoria financeira. Desses pontos, confiabilidade, serviços digitais e atendimento ao cliente foram os mais valorizados pelos participantes.

De acordo com dados do BC, o Brasil tem cerca de 1,8 mil instituições, entre bancos, fintechs, cooperativas e outros. Apesar desse volume, apenas dez brasileiras apareceram no ranking mundial da Forbes, o que torna a presença do Brasil na pesquisa ainda mais potente dentro do contexto global. A lista completa reúne mais de 300 instituições ao redor do mundo e está disponível para consulta no site da Forbes.

Nubank vai para o topo da lista

No topo da lista, o Nubank mantém sua posição como símbolo da transformação bancária no Brasil. Fundado em 2013 como uma fintech, o banco digital acumula hoje mais de 113 milhões de clientes, o que o coloca como a maior instituição financeira privada do Brasil, segundo o Banco Central.

A trajetória do banco digital, conhecido pela overdose de roxo em seus produtos, começou com uma promessa que até então aparentava ser impossível: acabar com a burocracia bancária e facilitar o acesso ao crédito. O resultado aparece nos números. Em 2025, o lucro líquido atingiu US$ 2,87 bilhões, alta de 45,6% na comparação anual e o maior resultado da história da instituição.

Inter: de crédito imobiliário a banco digital

Logo atrás do Nubank, o Inter ocupa o segundo lugar da lista. Criado em 1994 com o nome de Banco Intermedium, sua atuação inicial era focada em operações de crédito. A virada veio em 2015, quando reformulou a proposta para apostar na simplificação dos serviços financeiros. Um ano depois, já contava com 80 mil clientes digitais, crescimento de 599% em relação a 2015.

No 4T25, o banco afirmou ter tido lucro de R$ 374 milhões, avanço de 36% frente ao mesmo período do ano anterior. O resultado anual de 2025 foi ainda mais acentuado: R$ 1,312 bilhão, com crescimento de 44,6% em relação ao ano anterior. A base de clientes chegou a 43,1 milhões de usuários, dos quais 25 milhões são considerados ativos.

Itaú: o bancão que aprendeu a ser digital

O Itaú fecha o pódio do ranking em terceiro lugar. A instituição nasceu não como banco, mas como um armazém. Em 1924, a Casa Moreira Salles funcionava como estabelecimento comercial e só migrou para o setor financeiro em 1943, quase vinte anos depois. Em 2008, no auge da crise econômica internacional, veio a fusão entre Itaú e Unibanco, operação que ampliou tanto a base de clientes quanto o capital da companhia. Nas décadas seguintes, o banco tradicional abraçou a digitalização e passou a oferecer uma experiência 100% online.

Em 2024, registrou o maior lucro entre os bancos listados na B3, atingindo R$ 40 bilhões, segundo dados da Elos Ayta Consultoria. Em 2025, o desempenho continuou forte: lucro líquido recorrente de R$ 12,3 bilhões no quarto trimestre, alta de 13,2% ante o mesmo período de 2024, e resultado anual de R$ 46,8 bilhões.

Fonte: Finsiders

O que está por trás da ofensiva dos bancos no mercado dos EUA

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Bancos brasileiros fazem uma ofensiva para alavancar seus negócios nos Estados Unidos, num momento em que a concorrência cresce com a investida de neobancos no mercado americano. Além de ampliar a presença física, com novos pedidos de licença a reguladores locais, miram brasileiros endinheirados, com potencial de expandir esse relacionamento além das fronteiras, e também a elite da América Latina, ainda pouco explorada e com presença relevante no país.

Mais do que se digladiar entre si, como ocorre no Brasil, os bancos replicam nos Estados Unidos estratégias já usadas no mercado doméstico para internacionalizar o relacionamento com os clientes. Para atraí-los, investem numa oferta mais ampla de produtos e serviços locais – além dos investimentos offshore – e em atendimento integrado que, de quebra, ajuda a fortalecer o vínculo dentro e fora de casa.

Em sua nova fase de expansão, o Bradesco Bank, antigo BAC Florida Bank, aposta no Principal, segmento de alta renda do banco voltado a pessoas com renda mensal acima de R$ 25 mil e investimentos entre R$ 300 mil e R$ 10 milhões. A base alcançou 320 mil usuários no ano passado e a meta para 2026 é elevar esse contingente para 800 mil – ou 1 milhão, como dizem nos bastidores.

“Temos um mega projeto de integração com o Brasil. O Principal é nossa grande aposta”, diz o novo presidente do Bradesco Bank, Carlos Leibowicz, em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast, a primeira desde que assumiu o comando do banco, em novembro do ano passado.

De acordo com o executivo, entre 30% e 50% dos clientes Private já demandam algum tipo de exposição no exterior. No Principal, a expectativa é de que uma parcela “razoável” queira abrir conta no Bradesco Bank. “Estamos falando de dezenas de milhares de famílias”, afirma Leibowicz.

O BB Americas também quer explorar melhor a base do Banco do Brasil, com mais de 80 milhões de clientes. Desde que comprou o então EuroBank, em 2012, para expandir sua presença internacional e atender melhor os clientes brasileiros que vivem ou fazem negócios nos EUA, o banco nunca trabalhou essa via de forma tão proativa.

“O potencial de clientes do BB com perfil de ter uma conta nos Estados Unidos é enorme”, diz o presidente do BB Americas, Mario Fujii, em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast, a primeira desde que assumiu a posição, em agosto do ano passado.

De acordo com o executivo, o banco tem feito um esforço de integração dos serviços oferecidos no seu aplicativo nos EUA e no Brasil. Além disso, o BB quer resgatar clientes que migraram para a concorrência. “Temos muitos clientes que saíram do banco porque não tínhamos esta opção, mas hoje estamos prontos”, diz o vice-presidente de negócios de atacado do BB, Francisco Lassalvia.

Além da Brickell

Enquanto uns bancos instalam catapultas de negócios no Brasil com o alvo apontado para os EUA, outros avançam localmente e para clientes da América Latina. Em sua terceira fase de expansão externa, o Inter, listado na Nasdaq, acaba de desembarcar na Argentina e mira países como Colômbia, México e Chile. A estratégia nesses mercados é a mesma: servir de ponte para o acesso ao mercado americano.

“A América Latina é um prato cheio”, afirma o CEO global do Inter, João Vitor Menin, em entrevista ao Estadão/Broadcast, do escritório em Miami, na Flórida.

Em paralelo, o Inter segue reforçando sua operação nos EUA. O banco de Minas Gerais recebeu em janeiro aval do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e do regulador da Flórida, o Office of Financial Regulation (OFR), para abrir uma agência em Miami. A licença permite captar recursos por meio de depósitos em dólar e oferecer crédito e contas no país, ampliando sua atuação como banco físico nos EUA.

O Itaú Unibanco também avança na direção de ser um competidor mais local no mercado americano. A instituição solicitou em março aval do Escritório do Controlador da Moeda (OCC), ligado ao Departamento do Tesouro dos EUA, para operar como um ‘banco nacional’. A licença o permitirá abrir agências em qualquer canto do país e ofertar produtos como cartão de crédito, financiamento imobiliário e outras linhas de crédito.

Além disso, o posicionará ao lado de mais de mil bancos que têm autorização de ‘national bank’ nos EUA e são regulados pelo OCC. Bradesco e Banco do Brasil, por exemplo, têm uma atuação mais focada na Flórida. Ambos até podem atuar em outros Estados americanos, mas com restrições.

Até então, o foco do Itaú nos EUA era atender os clientes do Private com investimentos offshore. Nesta frente, o banco quer expandir sua operação na América Latina a partir de Miami em países como Chile, Colômbia, Paraguai, Uruguai e Argentina. “Temos a ambição de ser muito relevantes nesses países”, afirma o diretor do Itaú Private Internacional, Percy Moreira.

Outro rival brasileiro que solicitou licença ao OCC foi o Nubank. A fintech, que também busca aval do Banco Central (BC) para se tornar um banco no Brasil, quer atender melhor sua clientela nos EUA e se consolidar como plataforma global. O BTG Pactual, por sua vez, concluiu em janeiro último a compra do americano M.Y. Safra Bank. A aquisição serve de passaporte para o banco de investimentos passar a operar com uma licença bancária nos EUA.

Apesar do reforço dos bancos brasileiros nos EUA, o presidente do BB Americas diz que o aumento da rivalidade no país é bem diferente do movimento de ‘rouba-monte’ visto em determinados segmentos no Brasil. “Tem espaço para todo mundo crescer”, conclui Fujii.

Fonte: Federação dos Bancários do Paraná

Com mais serviços digitais, região de Campinas perde 31 agências desde 2019

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A RPT (Região do Polo Têxtil) perdeu 31 agências bancárias entre 2019 e 2025, uma redução de 34,4% no número de unidades físicas. O total caiu de 90 para 59 nas cidades de Americana, Hortolândia, Nova Odessa, Santa Bárbara d’Oeste e Sumaré, segundo levantamento do Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) com base em dados do Banco Central.

O estudo foi realizado a pedido do Sindicato dos Bancários de Campinas e Região, que abrange, com exceção de Santa Bárbara d’Oeste, os outros quatro municípios da RPT. No caso da cidade barbarense, os dados foram fornecidos pelo Sindicato dos Bancários de Piracicaba.

O cenário regional acompanha uma tendência nacional. De acordo com o Dieese, o Brasil perdeu 37% das agências bancárias nos últimos dez anos e conta atualmente com pouco mais de 14 mil unidades em funcionamento. Além disso, 638 municípios brasileiros já não possuem nenhuma agência bancária.

Para o presidente do Sindicato dos Bancários de Campinas e Região, Lourival Rodrigues, a redução vai além de uma mudança estrutural impulsionada pela digitalização e pelo uso de ferramentas como o pix.

Segundo ele, o fechamento das unidades físicas tem provocado exclusão financeira, especialmente entre idosos, pessoas com dificuldade de acesso à internet e moradores de regiões mais afastadas. “O discurso da digitalização não pode servir de justificativa para o abandono das cidades. O que estamos vendo é o fechamento de agências mesmo com os bancos registrando lucros elevados. Isso reduz o acesso da população, enfraquece a economia local e sobrecarrega trabalhadores bancários e clientes nas unidades que restam”, afirmou.

Ele também critica o movimento do setor. “Para nós, isso não é evolução. É exclusão. Trata-se de uma estratégia deliberada dos bancos que, mesmo com lucros bilionários, reduzem sua presença física, enxugam equipes e ignoram sua função social. É dever de toda a sociedade reagir a esse cenário”, completa.

Economia – Na avaliação do economista-chefe da G11 Finance, Hugo Garbe, a redução das agências é resultado de uma combinação de fatores econômicos. Entre eles, estão o avanço da digitalização dos serviços financeiros, a busca por redução de custos operacionais por parte dos bancos e o aumento da concorrência com fintechs. Além disso, segundo ele, a menor rentabilidade de algumas unidades físicas também contribui para o fechamento.

Os impactos, porém, não são uniformes. Garbe destaca que, em cidades menores ou com menor desenvolvimento econômico, o fechamento das agências pode afetar diretamente a circulação de recursos, já que essas unidades funcionam como polos de serviços, geração de empregos e fluxo financeiro.

Para a população, especialmente grupos com menor inclusão digital, a redução do atendimento presencial pode dificultar o acesso a serviços básicos, crédito e orientação financeira. Pequenos empresários e comerciantes também podem ser prejudicados, uma vez que dependem do relacionamento direto com gerentes para negociações.

Por outro lado, o economista aponta que há possíveis efeitos positivos no médio prazo, como maior eficiência do sistema financeiro, redução de custos e ampliação do acesso por meios digitais – desde que haja infraestrutura adequada e educação financeira.

Digital – Dados da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária 2025, realizada pela Deloitte, mostram que 82% das transações bancárias no Brasil já são feitas por canais digitais, como internet banking e aplicativos. Em 2024, foram registradas 208,2 bilhões de transações, um crescimento de 8% em relação ao ano anterior.

Desse total, 75% foram realizadas por meio de celulares. O mobile banking, sozinho, somou 155 bilhões de operações, 20 bilhões a mais que em 2023, alta de 15%.

Em nota enviada ao LIBERAL, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) informou que a abertura ou fechamento de agências é uma decisão individual de cada instituição financeira, dentro de sua política de negócios, não sendo monitorada pela entidade.

A federação destaca ainda que os canais digitais e os caixas eletrônicos são alternativas práticas e seguras, oferecendo praticamente a totalidade das transações disponíveis no sistema bancário.

Fonte: Sindicato dos Bancários de Cascavel

O que dizem os bancos líderes em ações movidas por clientes

Publicado em: 09/04/2026

Procurados, bancos que lideram índice de ações judiciais movidas por clientes apresentaram explicações e, em alguns casos, questionaram a metodologia do estudo elaborado pela Faculdade de Direito da USP Ribeirão Preto.

Alguns atribuíram o volume de ações a fatores como a chamada “litigância abusiva” e a ausência de tentativa prévia de solução extrajudicial.

Agibank
“O Agibank esclarece que os processos judiciais mencionados representam cerca de 2% de sua base de clientes, patamar alinhado aos padrões de mercado e em trajetória de queda nos últimos trimestres.

A instituição acessou as mesmas bases utilizadas no estudo e identificou divergências relevantes em relação às informações apresentadas na reportagem.

Adicionalmente, cabe destacar que a metodologia adotada tende a penalizar instituições de menor porte, o que pode distorcer a análise comparativa entre os participantes do setor.”

Daycoval
“O Daycoval não possui visibilidade completa sobre os critérios metodológicos adotados no estudo quanto ao índice de litigância do sistema financeiro, incluindo a base considerada para o cálculo, e irá analisá-los após sua apresentação. O banco atua e monitora seus indicadores com base nos canais regulatórios, reputacionais e de defesa do consumidor, como BACEN, Susep, CVM e Procon, todos eles com sinalizações positivas. Esses dados são divulgados regularmente em seu relatório de ouvidoria, disponível no site www.daycoval.com.br.”

BMG
“O banco Bmg acompanha a litigiosidade no setor e destaca a importância de analisar não apenas o volume de ações, mas seu mérito e desfecho. Em 2025, alcançou êxito superior a 74%, refletindo atuação eficiente na resolução de conflitos. Também identifica práticas de litigância predatória que distorcem indicadores. Cerca de 70% dos clientes recorrem diretamente ao Judiciário sem usar canais de atendimento, reforçando a necessidade de análises mais amplas. A instituição informa, ainda, que investe na prevenção de conflitos e na resolução administrativa para reduzir a judicialização e garantir respostas ágeis, mantendo diálogo aberto e permanente com os órgãos de defesa do consumidor e com seus canais oficiais de atendimento à disposição.”

BTG Pactual/Pan
“O Pan [incorporado pelo BTG] investe continuamente em soluções para o aperfeiçoamento de suas operações e apoia as ações dedicadas à redução do alto volume de processos que chega ao Poder Judiciário, como as iniciativas para o combate à litigância fraudulenta e as dedicadas à solução consensual de conflitos, a exemplo do Programa Amigos da Justiça do TJSP, do qual o Banco participa.”

Safra
Não respondeu até o momento de publicação.

Mercantil do Brasil
“O Banco Mercantil informa que adota políticas e normas em total conformidade com as legislações vigentes do Banco Central do Brasil e do Código de Defesa do Consumidor. Para o Mercantil, mitigar quaisquer tipos de reclamações e manter uma relação de transparência com seus clientes são prioridades. O Banco reitera seu compromisso com a melhoria contínua e se mantém à disposição dos clientes e órgãos de defesa do consumidor em seus canais oficiais.

Bradesco
Afirmou que não irá comentar.

Votorantim
“Em atenção à publicação que mencionou o banco BV como um dos dez maiores litigantes do país, cumpre esclarecer que a informação não corresponde à realidade desta instituição financeira.

Segundo dados oficiais do Banco Central do Brasil, o Banco BV ocupa a 34ª posição no ranking secundário de reclamações, com uma carteira de aproximadamente 9 milhões de clientes.

Para que o BV apresentasse um índice de litigância de 783 ações por 100 mil clientes, seria necessária a entrada de cerca de 70 mil novas ações por mês. Tal cenário não reflete a realidade vivenciada pelo Banco.

O banco BV reafirma seu compromisso com a transparência, o respeito aos seus clientes e a observância das normas regulatórias, reiterando que os números apresentados não guardam relação com a realidade da instituição.”

Banco do Brasil
“O Banco do Brasil mantém compromisso permanente com o relacionamento próximo e a excelência no atendimento aos seus clientes, além de adotar uma política consistente de estímulo à solução consensual de conflitos e à desjudicialização das relações, inclusive por meio de convênios com os principais Tribunais do País, como o STJ e o TST.

Em um contexto de elevada judicialização e de crescimento da litigância abusiva, que impacta especialmente as instituições financeiras, o BB apoia medidas que reforçam a racionalidade do sistema e o incentivo à tentativa prévia de solução extrajudicial, contribuindo para maior eficiência do Judiciário e relações de consumo mais equilibradas.”

Santander
“O Santander entende que o alto volume de ações judiciais está relacionado a três fatores principais. Um deles é a advocacia predatória, ou seja, a utilização contumaz e massiva do sistema judiciário para propor processos temerários ou fraudulentos.

Outro é a ausência de tentativas de conciliação ou mediação, antes do acionamento da Justiça. E o terceiro ponto é a concessão indiscriminada e pouco criteriosa dos benefícios da justiça gratuita, sem a devida comprovação documental da situação de pobreza ou de vulnerabilidade do litigante.”

Banpará
Não respondeu até o momento de publicação.

PicPay
Afirmou que não irá comentar.

Pine
“O Banco Pine informa que não teve acesso à íntegra do conteúdo nem ao relatório analítico do estudo denominado “Índice de Litigância do Sistema Financeiro: Instrumento para Identificação e Controle das Condutas dos Bancos”. Entretanto, esclarece que adota as melhores práticas de mercado e está aderente à legislação e às regulamentações vigentes.

Esclarece ainda que o alto volume de ações também está relacionado à ‘litigância abusiva’, em razão das elevadas taxas de êxito no julgamento das ações pelos bancos. Por fim, destaca que o Banco Pine atua permanentemente para mitigar o ingresso de ações cíveis e reduzir os litígios judiciais.”

C6
“Nossa posição no ranking reflete um modelo de atendimento ao cliente que prioriza a resolução dos casos nos nossos canais internos, com uso de tecnologia e eficiência operacional, o que reduz a judicialização. De qualquer forma, vale destacar que uma parcela relevante do nosso estoque de ações judiciais corresponde a litigância abusiva, um desafio de todo o mercado.”

Fonte: Federação dos Bancários do Paraná

Bancos eliminam 8,9 mil postos em 2025; mulheres são mais afetadas

Publicado em: 12/03/2026

Enquanto o mercado de trabalho brasileiro mantém trajetória positiva de geração de empregos, o setor bancário segue na contramão. Em 2025, os bancos eliminaram 8.910 postos de trabalho em todo o país, aprofundando um processo contínuo de redução da categoria.

Desde 2020 já são 26 mil postos de trabalho fechados, conforme dados de movimentação do emprego do Novo Caged, MTE.

O impacto é particularmente forte em São Paulo, principal centro financeiro do país. No Estado de São Paulo, o saldo foi negativo em 3.580 vagas, enquanto na cidade de São Paulo foram 2.563 postos de trabalho eliminados.

“Dos quase 9 mil postos de trabalho fechados no setor bancário no ano passado, quase 6 mil eram ocupados por mulheres. Isso significa que elas representam cerca de dois terços das demissões, evidenciando um impacto desproporcional sobre as trabalhadoras. A perda de renda e de autonomia financeira aumenta a vulnerabilidade das mulheres e pode aprofundar o ciclo de violência econômica e social que muitas já enfrentam”, destaca Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.

Cinco maiores bancos eliminam 12,7 mil postos

Somente os cinco maiores bancos em operação no Brasil fecharam cerca de 12,7 mil postos de trabalho no último ano, segundo dados dos demonstrativos das holdings. Esse número se refere a todo o conglomerado econômico, que inclui empresas não bancárias, como as do setor de seguros e também companhias da área de tecnologia da informação. Nessas empresas, embora muitos trabalhadores realizem atividades tipicamente bancárias, eles são formalmente alocados em outras categorias. Esse é um fato que o Sindicato tem denunciado como fraude contratual.

Fechamento de agências

Além do corte de empregos, o fechamento de agências bancárias também segue acelerado. Dados do Banco Central mostram que, em 2025, cerca de 1,6 mil agências foram fechadas no país, o equivalente a 31 unidades encerradas por semana. No estado de São Paulo, foram 649 agências fechadas, sendo 271 apenas na cidade de São Paulo.

Em 2019, 132 municípios do estado de São Paulo não contavam com agências bancárias. Ao final de 2025, esse número chegou a 221 municípios, aumento de 67,4%. Nessas localidades vivem cerca de 1,1 milhão de pessoas, segundo o Censo de 2022.

Os dados reforçam uma tendência preocupante: enquanto novas tecnologias e a digitalização avançam no sistema financeiro, o fechamento de postos de trabalho e de agências físicas tem reduzido o acesso da população aos serviços bancários e ampliado os desafios para os trabalhadores do setor.

“O movimento sindical bancário reafirma sua luta incansável em defesa dos empregos e dos direitos dos trabalhadores e trabalhadoras do setor financeiro. Fizemos diversas audiências públicas denunciando a redução de agências e fechamento de postos de trabalho nos últimos anos. A qualidade do serviço prestado despencou. Agências superlotadas, filas intermináveis e escassez de funcionários tornaram-se rotina. Os trabalhadores remanescentes são sobrecarregados, enquanto o banco empurra clientes para canais digitais que não atendem de forma inclusiva parte significativa da população – como idosos, pessoas com deficiência e aqueles sem acesso estável à internet”, destacou Neiva Ribeiro.

Fonte: Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região

Como Itaú, Bradesco, BB e Santander reagiram à invasão das fintechs

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Para a maioria das pessoas, a relação com o banco se resume a alguns segundos. Abrir o aplicativo, pagar uma conta, fazer um Pix e conferir o saldo. Se tudo funciona sem travar, a missão está cumprida. O que acontece por trás da tela raramente entra na conta do cliente.

Mas nos últimos anos, enquanto a experiência digital demonstrava evoluir na superfície — interfaces mais limpas, jornadas mais simples e botões mais intuitivos —, uma transformação profunda de tecnologia estava em curso dentro dos grandes bancos.

A chegada de fintechs como Nubank e Inter acelerou essa mudança. Leves, ágeis e construídas sobre arquitetura moderna, as novas empresas financeiras nasceram sem o peso do legado de décadas de sistemas.

Para o usuário, a comparação parecia inevitável: apps mais rápidos e menos burocracia. A leitura inicial do mercado foi que os bancos tradicionais estavam correndo atrás.

Mas a realidade, segundo executivos do setor, é mais complexa. Enquanto o cliente se encantava com as interfaces, os bancões passaram os últimos anos reconstruindo silenciosamente o que acontece sob o capô.

Mainframes históricos foram gradualmente substituídos por infraestrutura em nuvem (cloud). A inteligência artificial (IA) deixou de ser um experimento de laboratório para operar em escala. Ao mesmo tempo, continuaram processando milhões de transações por minuto.

Essa transformação silenciosa vem acontecendo em praticamente todas as grandes instituições financeiras do país, com cada banco adotando uma estratégia diferente.

Hoje, a guerra não é para ter o aplicativo mais bonito. É para conquistar algo muito mais valioso: a principalidade — ser o banco onde o cliente realmente concentra sua vida financeira. E, nesse campo, os gigantes afirmam estar prontos para uma revanche.

Você confere abaixo as estratégias do Itaú Unibanco (ITUB4), Bradesco (BBC4), Banco do Brasil (BBAS3) e Santander Brasil (SANB11) para conquistar clientes com tecnologia.

Bradesco: “não fomos atropelados — recalibramos o motor”

O Bradesco (BBDC4) rejeita a narrativa de que ficou para trás na corrida tecnológica. Para o banco da Cidade de Deus, o que aconteceu nos últimos anos se assemelha a uma relargada estratégica.

Executivos do banco dizem que o surgimento da inteligência artificial generativa — que ganhou projeção global após o lançamento do ChatGPT — funcionou como um safety car em uma corrida.

Quando o carro de segurança entra na pista, o pelotão se aproxima do líder. Mas isso não significa que a liderança mudou, segundo o Bradesco.

“Não diria que fomos atropelados. Participamos dessa transformação tecnológica dos últimos anos”, afirma Cíntia Scovine Barcelos, diretora de tecnologia (CTO) do banco.

Hoje, segundo ela, 99% das transações do Bradesco já acontecem no ambiente digital.

Barcelos ressalta que a transformação tecnológica começou muito antes da explosão recente da inteligência artificial generativa. A assistente virtual BIA foi lançada ainda em 2017 — anos antes da IA virar a palavra da moda no mercado. Desde então, tornou-se um dos principais canais de interação com os clientes.

“O desafio em 2023 [com a chegada da IA] foi seguir na frente. Era como uma prova em que estávamos liderando, mas entrou o safety car e o pelotão encostou. Precisávamos preservar o diferencial competitivo e seguir na dianteira”, diz Rafael Cavalcanti, diretor do departamento de inteligência de dados.

O peso do legado — e o uso dele

Para os executivos, o que mudou nos últimos anos foi a democratização da infraestrutura. A computação em nuvem reduziu barreiras de entrada e permitiu que novos competidores surgissem com estruturas mais leves.

A resposta do Bradesco foi acelerar sua própria modernização. A estratégia declarada é “cloud first” — mas não “cloud only”.

Na prática, isso significa priorizar a nuvem para novas aplicações, sem necessariamente abandonar completamente os mainframes tradicionais. A lógica é que a melhor arquitetura é aquela que equilibra segurança, inovação e velocidade de lançamento.

“Nosso alvo não é 100% de uma tecnologia específica, mas a melhor arquitetura para inovação e time to market. Cloud facilita o acesso a IA, computação quântica e blockchain, pois tudo de novo nasce lá. Somos ‘cloud first’”, disse Cavalcanti.

Além do chatbot no banco: crédito e ‘Pix inteligente’

A inteligência artificial também começa a aparecer em produtos visíveis para o cliente. Um exemplo é o projeto Renda BRA, criado a partir da aquisição da startup Kunumi. O modelo utiliza IA para estimar renda e capacidade de endividamento com maior precisão, permitindo calibrar concessões de crédito de forma mais assertiva.

No varejo, a aposta é tornar a experiência cada vez mais invisível. O chamado “Pix Inteligente”, por exemplo, permite realizar transferências via WhatsApp em linguagem natural.

O usuário pode simplesmente dizer: “manda 50 reais para a Camille”. A inteligência artificial identifica o contato correto, resolve ambiguidades, confirma valores e executa a transação — sem necessidade de navegar por menus.

App único no Bradesco? Não necessariamente

Enquanto alguns concorrentes apostam em consolidar todos os serviços em um único aplicativo, a prioridade do Bradesco não é necessariamente reduzir o número de apps, mas garantir que a experiência seja a melhor possível para o usuário.

Hoje, por exemplo, serviços de seguros e investimentos já podem ser acessados com autenticação única a partir do aplicativo principal.

Mas diferentes perfis de cliente podem demandar jornadas diferentes, segundo a CTO. Um cliente de alta renda, por exemplo, pode preferir utilizar o desktop para gerir investimentos complexos. Já usuários de renda mais baixa tendem a priorizar canais de conveniência, como o WhatsApp.

“Ter um app único como fim por si só seria simplificar demais a expectativa do cliente”, argumenta. “O mote é simplificação e convergência, não necessariamente zerar o número de aplicativos.”

O que vem pela frente no Bradesco?

Questionada sobre prioridades para os próximos meses e para o longo prazo, Barcelos afirma que a estratégia do Bradesco inclui digitalização do varejo massificado e evolução em crédito e pagamentos.

Cloud e IA seguem como pilares. A computação quântica aparece como aposta estrutural.

O banco estuda como essa tecnologia poderá rodar modelos de risco e portfólio que a computação clássica levaria décadas para processar, além de já implementar algoritmos quantum safe para proteger a criptografia das transações contra futuras ameaças.

Internamente, a eficiência é ditada pela IA agêntica — múltiplos agentes de IA que colaboram para aumentar a produtividade dos desenvolvedores, como a BIATech, e até para “treinar” operadores de cobrança, gerando ganhos de performance de até 8%.

Banco do Brasil: a vantagem de enxergar o cliente inteiro

Quando as fintechs começaram a ganhar espaço no Brasil, havia uma vantagem óbvia a favor delas: nasceram do zero.

Partiram de um “papel em branco” para desenhar experiências digitais enxutas e intuitivas, sem estruturas herdadas de décadas e a complexidade de atender do pequeno produtor rural ao investidor de alta renda.

O Banco do Brasil (BBAS3) sabia disso. “Tivemos que correr um pouco”, admitiu Rodrigo Mulinari, diretor do departamento de tecnologia do banco. Mas, passados os primeiros anos da corrida digital, a avaliação interna mudou. Hoje, o BB não se enxerga tentando alcançar os novos entrantes — mas competindo em outro patamar: com oferta mais completa, infraestrutura robusta e escala difícil de replicar.

“Não vejo nenhuma defasagem tecnológica. Não tem nenhum serviço hoje que alguém oferta que um banco não oferte. Mas vejo um monte de serviços e tecnologias que bancos ofertam que esses players digitais não têm portfólio”, afirma Mulinari.

A visão integrada do cliente no banco

A grande aposta do Banco do Brasil para se diferenciar é a visão única do cliente. Enquanto muitas fintechs operam em nichos — cartão, investimento e crédito pessoal —, o BB trabalha com uma leitura integrada.

Por trás de cada CNPJ, há um CPF. O produtor rural do agronegócio pode ser também investidor. O dono de uma pequena empresa é, ao mesmo tempo, pessoa física.

Essa visão integrada permite cruzar dados e construir ofertas mais completas. Para sustentar essa estratégia, o banco dobrou o tamanho do time de tecnologia nos últimos dois anos.

Hoje, o Banco do Brasil fala em estabilidade, escala e inclusão digital como diferenciais competitivos.

Compatibilidade com diferentes aparelhos, consumo reduzido de dados, acessibilidade: detalhes que passam despercebidos para parte do público, mas fazem diferença quando se atende milhões de brasileiros em realidades distintas.

“Temos uma preocupação muito grande com estabilidade e escala. Precisamos atender todos os públicos. É isso que nos torna o Banco do Brasil para todos os brasileiros.”

Na modernização da infraestrutura, o Banco do Brasil afirmou que opera com estratégia multi-cloud: combina nuvem privada com as três principais nuvens públicas do mercado, escolhendo o melhor ambiente para cada necessidade. “O nosso target de nuvem vai estar sempre em cima do negócio”, afirma o executivo.

Um aplicativo para 33 milhões de clientes

Enquanto alguns concorrentes fragmentaram a experiência em múltiplos aplicativos, o Banco do Brasil seguiu o caminho oposto. Desde cedo, apostou em um aplicativo único.

Hoje, cerca de 33 milhões de clientes acessam o app mensalmente. A vantagem dessa abordagem é escala. Quando uma nova tecnologia é implementada, ela pode ser distribuída rapidamente para toda a base.

“Quando um novo cliente entra no Banco do Brasil, ele vai ver o que tem de mais moderno no mundo de tecnologia”, diz Mulinari. “Já somos muito digitais. Precisamos mostrar isso.”

A nova fronteira do Banco do Brasil: hiperpersonalização

Se há alguns anos a inteligência artificial ainda estava em fase experimental, hoje ela já opera em escala no Banco do Brasil.

Está no onboarding, com análise automatizada de documentos; na segurança, com biometria facial e comportamental; na gestão de investimentos e na detecção de fraudes. O próximo passo é hiperpersonalização.

A ideia é que, ao abrir o aplicativo, o cliente encontre um ambiente com ofertas aderentes ao seu perfil, atalhos configuráveis e possibilidade de personalizar cores e interface.

A ambição vai além da personalização estética. O objetivo é antecipar necessidades.

Se um pagamento é negado na rua, por exemplo, o sistema deve identificar rapidamente o motivo e oferecer suporte antes mesmo que o cliente peça ajuda.

É uma tentativa de digitalizar um conceito antigo do setor bancário: o gerente que conhece o cliente pelo nome.

“Queremos que, quando a pessoa acessar o aplicativo, ela enxergue o banco dela”, afirma o executivo. “Queremos antever movimentos e surpreender de alguma maneira.”

A competição pelo público jovem

O BB também quer ganhar relevância junto às novas gerações. Para isso, aposta em soluções como o BB Cash para adolescentes, no uso de embaixadores de marca e em um processo de abertura de conta que afirma ser um dos mais ágeis do mercado.

O objetivo é que o jovem inicie sua vida financeira ali — e não precise “começar” em uma fintech para depois migrar.

“Somos uma startup de mais de 200 anos”, define o executivo, afirmando que a ideia é combinar a agilidade de uma empresa nascida digital com a solidez de uma instituição secular.

Itaú Unibanco (ITUB4) na disputa

O Itaú Unibanco (ITUB4) foi um dos primeiros gigantes a colocar como meta se tornar tão ágil e leve quanto as rivais digitais — e decidiu reconstruir sua base tecnológica.

O objetivo? Alcançar “ritmo de empresa de tecnologia”, como define João Araújo, diretor de estratégia e ciclo de vida do cliente.

Nos últimos três anos, o Itaú reduziu pela metade o tempo necessário para lançar novas funcionalidades e mais do que dobrou sua produtividade tecnológica.

A migração para a nuvem — que deve ser concluída integralmente até 2028 — já contempla os serviços mais críticos, segundo Araújo. “Hoje, podemos dizer com muito conforto que a nossa plataforma tecnológica é super moderna”, afirma o diretor.

Ao descomissionar plataformas legadas, o banco também reduziu custo transacional. Mas, internamente, o ganho mais celebrado é outro: time to market, com melhora na agilidade e qualidade da entrega de novos produtos.

“Os lançamentos que fizemos são fruto dessa capacidade acrescida de entrega. O cliente sente isso através de mais funcionalidades, velocidade, qualidade e menos latência. Estamos felizes com os resultados, mas não paramos por aqui; continuaremos buscando a próxima fronteira.”

O Super App e o Itaú “personalizado”

A estratégia digital do Itaú também passou pela consolidação de plataformas. Aplicativos antes separados — como Itaucard, Credicard e Hipercard — foram integrados em um único ambiente.

Cerca de 15 milhões de clientes já foram migrados para esse chamado Super App.

“A magia não é a migração em si, mas a qualidade do serviço entregue depois”, diz Araújo. “A lógica da migração é meio para chegar a um fim, não o fim em si mesmo.”

A ideia é que o aplicativo se comporte de forma diferente para cada cliente, utilizando inteligência artificial para adaptar a experiência — desde a mensagem de boas-vindas até a oferta de produtos.

O banco como conversa

Na visão do Itaú, a próxima grande transformação pode estar na forma de interação com os clientes. O banco aposta que a experiência financeira tende a se tornar cada vez mais conversacional.

Em vez de navegar por menus, o cliente simplesmente descreve sua necessidade — e o banco responde.

A grande aposta atual do Itaú é a IA generativa. O banco já utiliza a tecnologia em quatro frentes principais:

  • Transacional: Como o Pix via WhatsApp, que entende comandos de voz e texto para realizar transferências de forma ultraconveniente;
  • Atendimento: Utilizando modelos de linguagem (LLM) para compreender e resolver problemas de forma mais humana e eficiente, abandonando as antigas árvores de decisão;
  • Segurança: Com o recém-lançado Modo Protegido, que usa IA para identificar “redes de segurança” (como a casa do cliente) e limitar transações fora desses perímetros, protegendo o patrimônio em caso de roubo do aparelho;
  • Assessoria de Investimentos: Atualmente em teste com 100 mil clientes, uma inteligência que analisa perfis de investimento e sugere produtos disponíveis de forma conversacional, com consultas e dúvidas sobre produtos bancários.

Santander e a guerra pela principalidade

Para o Santander Brasil (SANB11), a disputa com as fintechs não é sobre quem tem o aplicativo mais leve ou o botão mais intuitivo. É uma guerra pela principalidade — ser o banco onde o cliente concentra sua vida financeira de verdade.

“O ‘transacionalzinho’ do dia a dia pode até estar pulverizado”, afirma Gilberto de Abreu Filho, vice-presidente de tecnologia e operações. “Mas previdência, investimento de longo prazo e financiamento imobiliário ainda estão nos bancos tradicionais.”

O desafio agora é como transformar essa vantagem estrutural em uma experiência digital tão simples quanto a das fintechs.

“Ainda não estamos lá”: modernizar um gigante é diferente de nascer leve

A meta declarada do Santander é atingir o “estado da arte” tecnológico. Abreu admite que o banco ainda não está lá. “Quando concluirmos o processo de modernização, estaremos. Talvez até à frente.”

A confiança tem explicação: a complexidade que hoje é obstáculo pode virar diferencial quando combinada com tecnologia de ponta. O Santander começou o processo de modernização com milhões de clientes, dezenas de linhas de produto e sistemas acumulados ao longo de décadas.

Hoje, cerca de dois terços da infraestrutura tecnológica do Santander já operam em nuvem. Cartões e pagamentos devem concluir a modernização até 2027. A conta corrente — o coração do banco — ficará por último.

“Tudo isso já está indo para a infraestrutura mais moderna que existe no mercado. Assim, temos a expectativa de ter um banco em ‘estado da arte’ para competir de igual para igual com todos”, disse o executivo.

Mas por que isso importa para o investidor e para o cliente? Simples: velocidade. Com os sistemas em cloud, o Santander consegue lançar versões do aplicativo com mais frequência, testar funcionalidades em ciclos mais curtos e reduzir custos operacionais.

“A nossa luta é contra o tempo. Ninguém está parado”, diz o executivo. “Os grandes bancos são competentes e as fintechs estão se movendo. Cada um tem seu desafio.”

O desafio das fintechs? Construir oferta completa e balanço robusto. O dos bancões? Modernizar sem interromper a operação.

A briga pela principalidade: onde o calo aperta para as fintechs

A estratégia do Santander para se tornar o banco número um do cliente passa por três pilares tecnológicos:

  • Visão multibanco: O novo aplicativo — já distribuído para 100% da base — permite visualizar saldos de outras instituições via Open Finance. A proposta é centralizar a experiência, mesmo quando o dinheiro está espalhado. A aposta é transformar o aplicativo na “experiência natural” do usuário, combatendo a conveniência das fintechs com uma arma que elas ainda lutam para construir: a oferta completa.
  • CRM contextual e quase invisível: A ambição é ser uma espécie de “anjo da guarda financeiro”, atuando antes do problema virar frustração. Mais de 300 gatilhos automatizados monitoram a jornada do cliente. Entrou no cheque especial? O sistema alerta sobre os 10 dias sem juros. Recebeu salário? Sugestões de organização financeira aparecem. A meta é escalar para milhares de interações inteligentes.
  • Inteligência artificial: Além de modelos tradicionais de risco, o banco vem ampliando o uso de Large Language Models — tecnologia semelhante à que impulsionou o ChatGPT — para extrair valor da enorme base de dados de comportamento financeiro.

Fonte: Seu Dinheiro

Valor das marcas de 500 bancos cresce 10%, com Itaú na 40ª posição

Publicado em: 06/03/2026

Quatro bancos chineses estão no topo do ranking das marcas bancárias mais valiosas do mundo, segundo o levantamento Banking 500 de 2026, divulgado nesta quarta-feira (4) pela consultoria Brand Finance. Segundo o levantamento, o valor total das 500 marcas de bancos avaliadas chega a US$ 1,8 trilhão em 2026, crescimento de 10% em relação ao ano anterior e o quinto ano consecutivo de expansão.

Industrial and Commercial Bank of China (ICBC), China Construction Bank, Bank of China e Agricultural Bank of China ocupam novamente as quatro primeiras posições da lista — liderança que instituições chinesas mantêm há cerca de uma década, superando tradicionais bancos americanos.

Entre os brasileiros, o Itaú aparece na 40ª posição global e é a marca bancária mais valiosa da América Latina. O banco também avançou em relação ao ano anterior, com o valor de sua marca crescendo 15%, para US$ 9,9 bilhões. O ranking combina indicadores financeiros com métricas de percepção e desempenho de marca para estimar o valor das instituições.

Fonte: Valor Investe

Banco do Brasil lucra R$ 5,7 bilhões no 4T25 e fecha 2025 com R$ 20,7 bilhões

Publicado em: 12/02/2026

O Banco do Brasil (BOV:BBAS3) encerrou a temporada de resultados dos grandes bancos da bolsa de valores brasileira com lucro líquido ajustado de R$ 5,7 bilhões no quarto trimestre de 2025 (4T25), conforme balanço financeiro divulgado na noite de quarta-feira (11 de fevereiro). No acumulado do ano, o lucro somou R$ 20,7 bilhões, dentro do guidance revisado pela instituição ao longo do exercício.

Na comparação anual, o resultado do 4T25 representa queda relevante frente aos R$ 9,59 bilhões registrados no quarto trimestre de 2024. Por outro lado, houve forte avanço de 51% em relação ao terceiro trimestre de 2025, sinalizando uma inflexão operacional após um ano marcado por revisão de projeções e maior pressão no custo de crédito.

A margem financeira bruta do Banco do Brasil totalizou R$ 103,1 bilhões em 2025. Apenas no 4T25, o indicador atingiu R$ 27,8 bilhões, com crescimento de 5,4% na comparação trimestral e de 3,8% na base anual. Segundo a administração, o desempenho foi impulsionado principalmente pelo crescimento das receitas financeiras, com destaque para as operações de crédito com pessoas físicas, especialmente o Crédito do Trabalhador.

“A performance da Margem Financeira Bruta demonstra a consistência de geração de receitas do BB”, informou o banco em comunicado ao mercado.

A Carteira de Crédito Expandida alcançou R$ 1,3 trilhão em dezembro de 2025, alta de 2,5% frente a dezembro de 2024. O segmento de Pessoa Física foi o principal vetor de crescimento, avançando 7,6% no ano. Linhas como Crédito Não Consignado (+11,8%) e Cartão de Crédito (+19,6%) registraram expansão de dois dígitos — fator relevante para investidores atentos à diversificação do mix de crédito do BBAS3.

O custo de crédito somou R$ 61,9 bilhões em 2025, refletindo aumento do risco, especialmente no setor do agronegócio. No quarto trimestre, o custo ficou em R$ 18 bilhões, estável frente ao trimestre anterior. Já a inadimplência acima de 90 dias encerrou dezembro em 5,17%, alta de 66 pontos-base em relação a setembro de 2025.

Ao longo de 2025, o Banco do Brasil revisou seu guidance de lucro líquido ajustado, inicialmente projetado entre R$ 37 bilhões e R$ 41 bilhões, antes da suspensão em maio. Em agosto, a estimativa foi ajustada para uma faixa inferior e, em novembro, consolidada entre R$ 18 bilhões e R$ 21 bilhões — intervalo efetivamente cumprido, com lucro anual de R$ 20,7 bilhões.

Além do lucro, o banco também entregou crescimento da carteira de crédito de 3,6% (dentro da faixa projetada de 3% a 6%) e receitas de serviços de R$ 34,8 bilhões, dentro da banda estimada de R$ 34,5 bilhões a R$ 36,5 bilhões.

A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, destacou que o banco conseguiu se adaptar ao cenário macroeconômico mais desafiador. “Nosso guidance mostra isso e nossos resultados indicam sinais de inflexão, com lucro de R$ 5,7 bilhões e crescimento de 51,7% na comparação com o trimestre anterior”, afirmou.

As ações do Banco do Brasil (BOV:BBAS3) encerraram quarta-feira (11/02) cotadas a R$ 24,91, estabilidade de 0,00%, segundo dados da bolsa de valores. O papel operou sem variação relevante ao longo do dia, refletindo possível cautela dos investidores diante da queda anual do lucro no 4T25, apesar da melhora sequencial e do cumprimento do guidance.

Para o próximo pregão, o mercado tende a avaliar com mais profundidade a qualidade do lucro, o comportamento da inadimplência e a sustentabilidade da margem financeira em 2026.

O Banco do Brasil S.A. (BOV:BBAS3) é uma das maiores instituições financeiras do país, com forte atuação em crédito rural, agronegócio, varejo bancário, serviços financeiros e mercado de capitais. Concorrente direto de Itaú Unibanco (BOV:ITUB4), Bradesco (BOV:BBDC4) e Santander Brasil (BOV:SANB11), o BB é listado na bolsa de valores brasileira e figura entre as empresas com maior capitalização de mercado da B3.

Para investidores que acompanham ações BBAS3 hoje, dividendos, resultado trimestral e perspectivas para investir em bancos na B3, o desempenho de 2025 reforça um cenário de transição, com sinais de recuperação operacional, mas ainda sob pressão de crédito.

Fonte: Advanced Financial Network

Lucro dos três grandes bancos privados do país sobe 16% em 2025

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Os três grandes bancos privados do país -Itaú, Bradesco e Santander tiveram um lucro acumulado de R$ 87,1 bilhões no acumulado de 2025.

O resultado cresceu 16,4% em relação ao ano anterior, quando somou R$ 76,8 bilhões, mesmo diante dos juros altos e da pressão na inadimplência.

Itaú lidera

Como era de se esperar, o Itaú entregou a maior parte desse resultado, ao registrar mais um lucro recorde.

O maior banco do país lucrou R$ 46,8 bilhões em 2025. Isto é, um resultado superior ao do Bradesco e do Santander juntos.

O Itaú ainda manteve a liderança no quesito rentabilidade, ao entregar um ROE (Retorno sobre o Patrimônio Líquido Anualizado) de 23,4%.

Bradesco cresce

Porém, foi o Bradesco que reportou as maiores taxas de crescimento dos três bancões, mostrando que o processo de recuperação seguiu avançando em 2025.

O Bradesco lucrou R$ 24,6 bilhões em 2025, ou seja, 26,1% a mais que em 2024. Além disso, melhorou a sua rentabilidade de forma significativa, levando o ROE de 11,7% para 14,8%.

Os resultados vieram ligeiramente acima do esperado pelo mercado. Contudo, as ações caem nesta sexta-feira (6) porque os analistas acreditam que o banco foi cauteloso demais no seu guidance para 2026.

Santander fica dentro do esperado

Já o Santander cresceu em um ritmo mais lento e deixou o mercado preocupado em relação à qualidade dos seus ativos.

O lucro do Santander subiu 12,6% em relação a 2024, chegando a R$ 15,6 bilhões. Já a rentabilidade ficou praticamente estável, em 17,6%.

Crédito

Com os juros e a inadimplência elevada, os bancos brasileiros adotaram uma postura mais cautelosa em relação à concessão de crédito em 2025.

Ainda assim, a carteira de crédito seguiu em crescimento, puxada pelos segmentos considerados menos arriscados pelos bancos. A inadimplência, no entanto, ainda está sob pressão.

Dos três grandes bancos privados, apenas o Itaú conseguiu reduzir a taxa de inadimplência acima de 90 dias ao longo de 2025, de 2,0% para 1,9%.

Já a do Santander teve um aumento de 0,5 ponto percentual, saltando de 3,2% para 3,7%. Mesmo assim, o Bradesco ainda apresenta a maior taxa do setor: 4,1%, contra os 4,0% de 2024.

Ao apresentar os dados, o Bradesco garantiu que a inadimplência está sob controle e creditou o resultado à “resiliência” do indicador referente à carteira de pessoas físicas.

Diante desse cenário, no entanto, os bancos continuaram ampliando as provisões para perdas esperadas e o Bradesco foi o que mais precisou reforçar esse tipo de despesa.

Fonte: Federação dos Bancários do Paraná

Grandes bancos brasileiros sobem a régua e miram a alta renda

Publicado em: 05/02/2026

Com a Selic em 15% e a inflação ainda apertando o orçamento, os bancos estão redesenhando suas estratégias e deixando isso bem claro nos balanços. O foco migra para o cliente de alta renda visto como mais resiliente num ambiente de dinheiro caro. A leitura é simples: a baixa renda sofreu mais com juros elevados, o que aumentou a inadimplência e reduziu o apetite das instituições para ampliar limites e assumir novos riscos.

O caso do Santander ilustra bem esse movimento. Segundo análise de Bruno Andrade, da Veja Negócios, o banco lucrou 4,1 bilhões de reais no quarto trimestre, dentro do esperado, mas segue pressionado pela inadimplência, que subiu para 3,7%, puxada principalmente pela pessoa física de baixa renda. “É uma má experiência”, resumiu. A resposta estratégica é clara: reduzir o apetite de crédito nesse segmento para “limpar a carteira” e buscar clientes com maior patrimônio.

A comparação com os pares ajuda a entender a lógica. O Itaú, líder na alta renda, entrega rentabilidade acima de 20% e inadimplência perto de 2%, números que o Santander quer alcançar. O Bradesco tenta se recuperar após reestruturação, enquanto até o Nubank já anunciou foco maior na alta renda. No fim das contas, não é abandono do cliente mais pobre, mas seletividade: menos crédito para quem sente mais o juro alto e mais espaço para quem atravessa esse ciclo com fôlego.

Fonte: Veja

Bancos públicos vão passar por auditoria para verificar práticas de venda casada

Publicado em: 29/01/2026

O Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu abrir uma auditoria operacional junto ao Banco Central e aos bancos públicos para inspecionar se há conformidade na concessão do crédito rural. Os ministros da corte aprovaram nesta quarta-feira, 28, o acórdão que prevê a medida. Entre os focos da auditoria, estará a verificação de vendas casada.

A lista das instituições que vão passar pelas inspeção relacionada ao crédito rural engloba:

  • Banco do Brasil;
  • Caixa Econômica Federal;
  • Banco da Amazônia (Basa);
  • Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES);
  • Banco do Nordeste (BNB).

Além de possíveis práticas abusivas, a decisão prevê análise sobre “transparência de taxas e encargos cobrados dos produtores rurais e adequação da governança e dos controles internos das instituições financeiras públicas federais na execução dessa política pública”. No Banco Central, a medida vai ser para verificar “a atuação supervisora” que a instituição tem.

No acórdão com deliberação dos ministros, não há previsão de que as instituições financeiras privadas sejam auditadas. No entanto, o voto do relator do processo, ministro Benjamin Zymler, aponta que o TCU tem competência para analisar bancos privados somente no âmbito das operações de crédito rural que envolvem recursos públicos, como os provenientes dos fundos constitucionais ou do Tesouro Nacional para fins de subsídios — Plano Safra.

O processo começou depois que a Comissão de Agricultura da Câmara dos Deputados aprovou, em dezembro, um requerimento que solicita ao TCU a realização da auditoria. O escopo do pedido tinha uma abrangência mais ampla, mas a Corte reduziu alguns pontos da inspeção já que alguns outros processos recentes resultaram em relatórios para esses pontos. Aspectos como verificação de desvio de finalidade do uso do crédito rural e a transparência com as subvenções econômicas já foram auditadas anteriormente.

No fim, a decisão também aponta que os resultados da auditoria, bem como as medidas que o TCU adotará posteriormente à conclusão, serão comunicados ao presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS).

Fonte: Agro Estadão

Bancos entram em 2026 com foco em crédito, qualidade de ativos e despesas

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O mercado financeiro projeta uma temporada positiva para os bancos no quarto trimestre de 2025, mas com atenção voltada para o rumo de 2026. Relatório do JP Morgan aponta que as instituições devem concentrar suas mensagens em crescimento da carteira de crédito, qualidade dos ativos e evolução das despesas administrativas. O documento destaca ainda temas como evolução da folha privada, atuação do FGC e redução da rede física.

Segundo o JP Morgan, a Febraban projeta desaceleração do crédito de cerca de 9% em 2025 para aproximadamente 8% em 2026. O ano deve contar com novas rodadas de investimentos: o Banco do Brasil tende a manter aportes em tecnologia, enquanto o Bradesco acelera seu plano de transformação, que inclui ajustes na rede. O banco afirma que não está claro se 2026 será um ano de despesas acima da inflação para o Itaú.

O relatório lembra que este será o primeiro trimestre sem a divulgação mensal de balanços pelo Banco Central, que passou a adotar apenas reportes trimestrais. A mudança reduz a visibilidade dos resultados antes da temporada de balanços. Por outro lado, o quarto trimestre costuma apresentar volumes maiores, o que tende a beneficiar margem financeira e receitas de tarifas.

A inadimplência deve continuar controlada, sem sinais de deterioração relevante. Linhas como crédito pessoal e cartão mostram melhora entre 15 e 90 dias, acima da sazonalidade histórica. Mesmo assim, o JP Morgan avalia que a qualidade dos ativos será um ponto de atenção para 2026 devido ao endividamento das famílias e à Selic média elevada. O banco trata 2027 como ano mais provável para virada do ciclo de crédito diante de estímulos do governo, cortes tributários e inflação baixa esperada para 2026.

Nas despesas, o trimestre deve refletir o impacto integral do reajuste salarial de setembro, de 5,68%, além de gastos maiores com marketing em algumas instituições. “Esperamos uma boa temporada de resultados para os bancos”, afirma o relatório. Antes da divulgação dos números, o JP Morgan mostra preferência por Nubank e Itaú.

Nubank [ROXO34]: receita forte e provisões maiores

O JP Morgan avalia que o Nubank deve apresentar mais um trimestre forte em receita, com sazonalidade favorável no Brasil. O banco cita aumento do uso de limites no cartão, o que pode elevar provisões. Também aponta que o terceiro trimestre teve recuperações atípicas, que não devem se repetir. No México, dados regulatórios resumidos indicam alta de 14% no crédito e leve avanço da inadimplência, mas com baixas menores. O JP Morgan projeta lucro de US$ 846 milhões no trimestre e US$ 3,8 bilhões para 2026.

Inter [INBR32]: atenção para folha privada e provisões

O Inter deve registrar trimestre sólido em crescimento e receita, impulsionado por cartões, folha de pagamento e crédito imobiliário. A carteira de folha pode encerrar 2025 perto de R$ 2 bilhões, ante R$ 1,3 bilhão no terceiro trimestre. O avanço deve elevar provisões e custo de risco. O JP Morgan projeta lucro de R$ 367 milhões e ROE de 15%.

Itaú [ITUB4]: estabilidade e previsibilidade

O Itaú deve entregar mais um trimestre sem surpresas. O crescimento do crédito tende a ser mais forte no quarto trimestre por causa de cartões e imobiliário. A margem com clientes deve avançar cerca de 5% no trimestre, apesar de estabilidade no NIM. A qualidade dos ativos segue saudável, mas provisões devem subir e alcançar o ponto médio do guidance. A projeção indica lucro recorrente de R$ 12,2 bilhões e ROE de 24% no trimestre, além de R$ 51,9 bilhões em lucro para 2026.

Bradesco [BBDC4]: receita forte, custo maior

O JP Morgan prevê outro trimestre forte em receita e margem no Bradesco, mas com impacto do plano de transformação, que pode aumentar contingências trabalhistas e cíveis. A projeção aponta lucro de R$ 6,6 bilhões, alta de 6% sobre o trimestre anterior, com ROE de 15,5%. Para 2026, o crédito pode desacelerar, mas a receita permanece como foco da gestão.

Banco do Brasil [BBAS3]: expectativas baixas, espaço para surpresa

O Banco do Brasil deve registrar trimestre desafiador, com lucro apoiado por reversões fiscais e provisões ainda pesadas. A estimativa do JP Morgan é de lucro de R$ 4,2 bilhões no trimestre. A instituição avança em programa de repactuação do agronegócio, que pode reduzir inadimplência inicial em 2026 e elevar renegociações. Para 2026, o JP Morgan revisou o lucro estimado para R$ 23,8 bilhões, com ROE de 13%.

Santander [SANB11]: despesas como fator positivo

O Santander deve reportar trimestre ainda fraco em crescimento da carteira, mas com potencial de melhora em 2026 devido à base comparativa. O JP Morgan projeta lucro de R$ 4 bilhões e ROE de 17%. Para o próximo ano, o banco identifica controle de custos como principal motor, com despesas abaixo da inflação.

Regionais e médios

O Banrisul deve encerrar 2025 com crescimento de crédito em 6% e custo de risco de 1,8%. A projeção do JP Morgan indica lucro de R$ 718 milhões no trimestre. O Banco ABC deve entregar trimestre estável, com lucro de R$ 272 milhões e ROE de 16%.

O relatório do JP Morgan indica que os bancos brasileiros entram em 2026 com cenário operacional controlado, inadimplência em níveis administráveis e foco em despesas. A incerteza maior está na segunda metade do ciclo, com o banco tratando 2027 como ano de maior risco para virada do crédito.

Fonte: Trade News

O que o mercado espera dos bancos em 2026; veja o que revela Goldman Sachs

Publicado em: 16/01/2026

O Goldman Sachs avalia que 2026 tende a ser mais um ano sólido para os bancos brasileiros, após o forte desempenho de 2025, com expectativa de crescimento moderado a robusto do crédito, apoiado por mercado de trabalho resiliente, estímulos fiscais e novas modalidades, como o consignado privado. Mesmo com a Selic ainda restritiva, o banco projeta crescimento do crédito em torno de 9,5% ao ano e vê a qualidade dos ativos relativamente estável, com riscos de inadimplência considerados moderados, além de destacar fatores regulatórios e o ambiente político em 2026.

Na Bolsa, o setor começou 2026 em ritmo mais cauteloso, após fortes valorizações no ano passado. Itaú e Bradesco avançaram 63,13% e 73,52% em 2025, enquanto o Banco do Brasil recuou 5,55%. Neste início de ano, predomina um movimento de acomodação dos preços e lateralização, o que reforça a importância dos níveis técnicos de curto prazo, com o Goldman mantendo compra para o Itaú e recomendação neutra para Bradesco e Banco do Brasil.

Para entender até onde o preço de Bando do Brasil (BBAS3), Bradesco (BBDC4) e Itaú (ITUB4) podem ir, confira a análise técnica completa e os principais pontos de suporte e resistência.

Análise técnica Banco do Brasil (BBAS3)

As ações do Banco do Brasil iniciaram 2026 em movimento de baixa, acumulando recuo de 3,28% no ano, após também terem encerrado 2025 no negativo, com queda de 5,55%. Diferentemente de outros grandes bancos, o papel segue enfrentando um ambiente de menor apetite comprador, o que se reflete diretamente em sua dinâmica de preços.

No gráfico diário, BBAS3 vem negociando de lado, com o preço oscilando dentro de uma faixa bem definida, o que reforça a leitura de consolidação no curto prazo. Atualmente, o papel negocia abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos, sinalizando fragilidade técnica e exigindo atenção redobrada aos próximos pregões.

Para que o ativo volte a ganhar tração compradora, será necessário inicialmente superar a média móvel na região de R$ 21,71. Acima desse patamar, a quebra da resistência em R$ 22,20 tende a melhorar a leitura gráfica, abrindo espaço para avanços em R$ 23,48, R$ 24,71, R$ 25,48 e R$ 26,21.

Por outro lado, a perda da região de R$ 21,05 pode reforçar o fluxo vendedor no curto prazo. Abaixo desse nível, o mercado passa a monitorar o suporte em R$ 19,93, cuja quebra tende a intensificar o movimento de baixa, com próximos níveis em R$ 18,04, R$ 17,27, R$ 15,26 e R$ 13,24.

Análise técnica Bradesco (BBDC4)

As ações do Bradesco começaram 2026 com leve alta, acumulando avanço de 0,09% no ano, após um desempenho bastante expressivo em 2025, quando o papel registrou valorização de 73,52%. Apesar do forte histórico recente, observo que o ativo entrou em um período de maior acomodação, especialmente após testar uma região técnica decisiva.

No gráfico diário, BBDC4 negocia de forma lateral, após encontrar forte resistência na faixa dos R$ 19,45, nível que vem se mostrando decisivo e tem limitado novas tentativas de avanço. Atualmente, o papel negocia abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos, o que reforça um viés de cautela no curto prazo e indica ausência de força compradora consistente.

Para que o ativo volte a ganhar tração compradora, será necessária a recuperação da média curta na região de R$ 18,44. Superado esse nível, o rompimento da resistência em R$ 19,45 tende a destravar um movimento mais consistente de alta, com projeções em R$ 19,85, R$ 20,39 e, em um cenário mais estendido, na máxima histórica em R$ 20,67.

Em sentido oposto, a perda da região de R$ 18,06 pode intensificar o fluxo corretivo. Abaixo desse patamar, o mercado passa a monitorar o suporte em R$ 17,25, que atua como nível técnico importante. Caso essa faixa seja rompida, o movimento de baixa pode ganhar força, com próximos suportes em R$ 16,26, R$ 15,56, R$ 14,70 e R$ 13,73.

Análise técnica Itaú (ITUB4)

As ações do Itaú Unibanco iniciaram 2026 com leve correção, acumulando baixa de 0,11% no ano, após um desempenho bastante expressivo em 2025, quando o papel avançou 63,13%. Mesmo com o ajuste recente, destaco que o ativo mantém uma estrutura técnica positiva, sustentada por uma sequência de cinco meses consecutivos de alta — e, caso janeiro feche no campo positivo, poderá marcar o sexto mês seguido de valorização.

No gráfico diário, ITUB4 segue inserida em tendência de alta, apesar do movimento corretivo iniciado após a renovação da máxima histórica em R$ 40,48. Desde então, o papel passou a trabalhar em um fluxo de acomodação, negociando entre as médias móveis de 9 e 21 períodos, configuração que sugere um momento de equilíbrio no curto prazo e maior seletividade por parte do mercado.

Para que o ativo retome o fluxo comprador com maior consistência, considero essencial a superação da média curta na região de R$ 39,41. Acima desse patamar, o rompimento da máxima histórica em R$ 40,48 tende a destravar um novo movimento de alta, com projeções técnicas em R$ 41,22, R$ 42,58, R$ 43,00 e R$ 44,77.

Por outro lado, a perda da região de R$ 38,95 pode intensificar o movimento de correção no curto prazo. Abaixo desse nível, o mercado passa a monitorar a faixa de R$ 37,61 como suporte mais relevante. Caso esse patamar seja rompido, o fluxo vendedor tende a ganhar força, com próximos suportes em R$ 36,27, R$ 35,41, R$ 33,95 e R$ 32,87.

Fonte: Infomoney

BC revela os bancos com mais reclamações no Brasil em novo ranking

Publicado em: 08/01/2026

A divulgação dos piores bancos do Brasil pelo Banco Central reacendeu alertas no mercado financeiro. O cenário ficou ainda mais sensível após a revelação de que o FGC possui apenas 2,3% do valor que promete garantir, reforçando o Tesouro Direto como alternativa mais segura.

O ranking divulgado pelo Banco Central não avalia solvência ou lucro das instituições. A base da análise está na quantidade de reclamações consideradas procedentes, ponderadas pelo número de clientes, evitando que bancos grandes apareçam pior apenas pelo volume absoluto.

Quanto maior o índice calculado, pior a reputação do banco no atendimento ao consumidor. Nesse levantamento, Banco Inter, Bradesco e C6 figuram entre os mais mal avaliados, enquanto o Nubank aparece com índice baixo, mesmo com base ampla de clientes.

As reclamações que elevam o índice do Banco Central seguem um padrão claro. Elas revelam falhas operacionais que, em situações extremas, podem desencadear crises de confiança e até riscos de liquidez, como mostram os principais pontos a seguir.

Antes de olhar apenas a rentabilidade de um CDB, é essencial analisar o índice de Basileia, que mede a relação entre patrimônio e crédito concedido. O Banco Central exige nível acima de 11% para indicar segurança mínima.

Outro dado relevante é o índice de imobilização, que mostra quanto do patrimônio está preso em ativos difíceis de vender. Quanto menor, melhor. No exemplo citado, o Nubank apresenta Basileia de 15,8% e imobilização de apenas 2,6%.

O Fundo Garantidor de Créditos é visto como escudo automático para aplicações bancárias, mas essa percepção não reflete a realidade. Dados recentes mostram limites estruturais importantes, que merecem atenção, como indicam os pontos abaixo.

Diante das fragilidades do sistema bancário privado, o Tesouro Direto ganhou protagonismo. Ao investir nesses títulos, o aplicador empresta diretamente ao governo federal, eliminando o risco específico de uma instituição financeira.

O emissor soberano possui instrumentos que bancos não têm, como rolagem de dívida e emissão monetária. Por isso, para a parcela do patrimônio que não pode sofrer perdas, os títulos públicos federais hoje funcionam como o cofre mais robusto do investidor brasileiro.

Fonte: Estado de Minas

Tecnologia consome mais de 10% da receita dos bancos, mas inovação é limitada

Publicado em: 18/12/2025

Um novo levantamento do Boston Consulting Group (BCG), intitulado “Tech in Banking 2025: Transformation Starts with Smarter Tech Investment“, revela que a tecnologia representa um item de custo significativo para os bancos, absorvendo, em média, mais de 10% das suas receitas. Entretanto, 60% desses gastos são direcionados para atividades de “manutenção do banco” (do inglês, “run the bank”, ou RTB) – concentrados na correção e operacão das aplicações e infraestrutura existentes.

O BCG projeta que os gastos globais em tecnologia da informação (TI) dos bancos continuarão a crescer a uma taxa composta anual de 9% nos próximos anos, superando a taxa de inflação média global. Há uma oportunidade significativa de redirecionar os esforços para iniciativas de alto impacto focadas na “mudança do banco”(do inglês, “change the bank”, ou CTB).

“Gastos com tecnologia são frequentemente vistos como uma ‘caixa preta’ pelas áreas de negócio, com pouca transparência sobre o seu verdadeiro retorno do investimento (ROI). Para mudar essa visão, as iniciativas tecnológicas precisam estar fortemente integradas às prioridades corporativas por meio de uma colaboração estreita entre as equipes de tecnologia e negócios”, afirma Ana Vieira, diretora executiva do BCG.

Essa é uma grande oportunidade de mudança para os bancos e que depende de três ações críticas que podem levar a crescimento sustentável e aumento de competitividade:

  • Simplificação das operações de negócio e otimização dos gastos com tecnologia.
  • Criação de resiliência para o negócio através das demandas regulatórios.
  • Fortalecimento das capacidades de tecnologia, em especial gestão de dados, desenvolvimento de talentos e transformação da arquitetura tecnológica.

Destacando o tema de gestão de dados, o estudo indica que atualmente, apenas 20% dos bancos lidam de forma robusta com dados estruturados e não estruturados e somente cerca de 10% possuem dados que são facilmente aproveitados pelos profissionais de negócio. A consultoria recomenda que os dados sejam tratados como ativos essenciais para o negócio e a IA generativa (GenAI) pode ser uma poderosa aliada para aprimorar a qualidade dos dados e melhorar a rastreabilidade dos dados, garantindo precisão nos fluxos de informações dentro dos bancos.

Sob a perspectiva da arquitetura tecnológica, o BCG aconselha a adoção de um novo paradigma onde a tecnologia é disponibilizada em forma de serviços padronizados, modulares e sob demanda. Essa abordagem traz como benefício a simplificação da gestão de infraestrutura, eficiência e transparência de custos além de permitir a aceleração do lançamento de produtos digitais que encantam os clientes.

“Essa é uma jornada de transformação que requer a união de líderes de negócio e tecnologia ao redor dos mesmos objetivos estratégicos. Foco, transparência e resiliência são imprescindíveis para replicar o sucesso de outros bancos que tiveram como benefícios o crescimento em mercados competitivos, otimização do fluxo de caixa e aumento da resiliência operacional dos bancos”, finaliza Ana.

Fonte: Consecti

Bancos voam na bolsa em 2025 — mas 2026 não será igual para todos, aponta JPMorgan

Publicado em: 12/12/2025

Os bancos terminam 2025 com fôlego capaz de fazer inveja a qualquer setor. Com exceção do Banco do Brasil (BBAS3), todos subiram pelo menos 30%. O Bradesco (BBDC4) disparou 60%, enquanto o Itaú (ITUB4) acumula alta de 50%.

É verdade que a base de comparação ajuda: os papéis começaram o ano nas mínimas. Mas os bons resultados, somados ao forte fluxo de estrangeiros que impulsionou a bolsa, criaram um ambiente favorável para o disparo das ações.

Contar apenas com o macro, porém, pode ser um problema. As instituições também precisam fazer sua parte para conquistar a confiança dos investidores.

Em relatório, o JPMorgan detalhou o que cada banco está preparando para encarar 2026. Confira:

Itaú: corte de gastos no radar

No Itaú, um dos favoritos dos investidores e com gestão constantemente elogiada, o corte de custos segue como prioridade.

A instituição pretende fechar entre 350 e 400 agências até o fim do ano e reduzir o ritmo de crescimento das despesas em 2026.

Até aqui, o varejo tem sido o principal motor, com avanços nos empréstimos consignados do INSS, que se recuperam após um período desafiador nos primeiros nove meses de 2025.

Os consignados para pessoas físicas e os financiamentos imobiliários também registraram bons números.

‘A qualidade dos ativos permanece estável, apesar do cenário macroeconômico desafiador’, destaca o JPMorgan.

Bradesco: três frentes para 2026

Em fase distinta do Itaú, a gestão do Bradesco compartilhou três pilares para 2026:

  • a instituição segue observando melhorias operacionais, com perspectiva positiva para receitas;
    a administração acelera o plano de transformação, o que pode gerar custos mais elevados no curto prazo;
  • a mensagem segue focada em evolução gradual, em vez de ganhos rápidos de rentabilidade, embora exista potencial de crescimento com o avanço dos índices de eficiência.

Segundo o JPMorgan, o crescimento do crédito pode desacelerar em 2026. Ainda assim, o banco permanece otimista.

A expectativa é que as receitas e a margem financeira (NIM) se mantenham estáveis — ou até cresçam — à medida que o Bradesco busca captar mais passivos e melhorar o custo de financiamento.

‘No lado das despesas operacionais, o foco será em investimentos estratégicos e de longo prazo, reconhecendo que as eficiências estão amadurecendo a partir da otimização atual dos canais.’

Banco do Brasil: agro continua pesando

No Banco do Brasil, após um ano de ajuste, o clima segue pessimista. O vilão continua sendo o agronegócio, que deve pressionar novamente em 2026.

A instituição já negociou R$ 13 bilhões em empréstimos sob a MP 1314, e espera que o valor chegue a R$ 20–25 bilhões.

‘A administração enfatizou que não prevê reversão de provisões neste momento, e a data-chave a acompanhar é abril, quando os empréstimos do plano de safra começam a ser pagos’, diz o relatório.

Além do agro, houve deterioração nas carteiras de cartões de crédito vinculadas a produtores rurais. Os desafios no segmento de pequenas e médias empresas também persistem.

‘Para 2026, o banco espera crescimento de empréstimos na faixa de um dígito médio, impulsionado principalmente por pessoas físicas.’

Santander: imposto vira o grande vilão

Para o Santander Brasil, o principal desafio para 2026 é a possível alíquota de imposto mais alta, normalizando-se após níveis artificiais de 2025.

A subsidiária do banco espanhol também vê espaço para melhora nas despesas no próximo ano, ‘refletindo a otimização das agências realizada nos anos anteriores’.

Embora a mensagem sobre a qualidade dos ativos seja majoritariamente positiva, ainda pode haver agravamento em alguns casos corporativos, considerando a Selic ainda elevada.

Fonte: Money Times

Enquanto cortam empregos e fecham agências, bancos lucram mais de R$ 64 bi

Publicado em: 27/11/2025

Nos primeiros nove meses de 2025, três dos maiores bancos privados do país – Itaú, Santander e Bradesco – já lucraram juntos R$ 64,178 bilhões, crescimento de 17,4% em relação ao mesmo período do ano passado.

Por outro lado, estes mesmos bancos, extinguiram 9.099 postos de trabalho bancário em 12 meses, considerando a variação entre o terceiro trimestre de 2025 e o mesmo período de 2024, e fecharam 1.168 agências no mesmo intervalo analisado.

Além disso, o número de clientes do Santander cresceu em cerca de 4 milhões em 12 meses; no Itaú o número de clientes cresceu em 1,079 milhão no mesmo período, e, no Bradesco, em 1,1 milhão.

“Esta conta não fecha. Enquanto os bancos fecham unidades e cortam postos de trabalho, o número de clientes cresce exponencialmente. O resultado disso se traduz no atendimento precarizado à população e, sobretudo, em metas abusivas, mais pressão e sobrecarga de trabalho para os bancários, acarretando na evidente epidemia de adoecimento na categoria, especialmente por questões relacionadas com a saúde mental”, diz Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato e uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.

Adoecimento

De acordo com dados apurados pelo jornalista Carlos Juliano Barros, publicados na sua coluna no Portal Uol, os bancários dominam o “top 5” das atividades profissionais com mais pedidos de afastamentos por saúde mental reconhecidos como doença ocupacional (B91), ocupando duas posições: motorista de ônibus, gerente de banco, escriturário de banco, técnico de enfermagem e vigilante.

Entre as cinco atividades profissionais com maior número de afastamentos por questões de saúde mental, os gerentes de bancos são os que apresentam maior percentual de afastamentos reconhecidos como doenças ocupacionais (B91) em relação ao total de afastamentos. Do total de 13.077 profissionais que pararam de trabalhar para cuidar da saúde mental, 37,76% tiveram benefícios enquadrados como decorrentes da sua atividade.

O adoecimento da categoria bancária também fica evidente quando analisado o fato da mesma representar apenas 0,8% do emprego formal no país, mas ter sido responsável por 2,18% dos 168,7 mil afastamentos acidentários (B91) registrados em 2024.

Em 2024, os bancos múltiplos com carteira comercial ocuparam a 1ª posição entre os afastamentos acidentários por saúde mental, por atividade econômica, com 1.946 afastamentos e a 5ª posição entre os afastamentos previdenciários, com 8.345 ocorrências.

Questões relacionadas com a saúde mental foram as principais causas de afastamento de bancários em 2024: 55,9% dos benefícios acidentários (B91) e 51,8% dos benefícios previdenciários.

“Os dados revelam uma epidemia silenciosa, causada por um ambiente de trabalho extremamente adoecedor, que mantém uma pressão absurda por metas, cada vez mais abusivas, para aumentar os lucros bilionários dos bancos. Enquanto acionistas comemoram os balanços dos bancos, os bancários, organizados no Sindicato, exigem menos metas e mais saúde”, conclui a presidenta do Sindicato.

Fonte: Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região

Bancos fecham portas e o atendimento presencial vira exceção em Goiás

Publicado em: 06/11/2025

Segunda-feira, boletos em mãos, pressa para chegar ao banco antes das 16h e filas intermináveis — uma rotina comum há poucos anos. Hoje, essa cena praticamente desapareceu. As agências bancárias vêm perdendo protagonismo e se transformando em espaços voltados principalmente para atendimentos específicos e negociações. As transações financeiras migraram, de forma quase total, para a palma da mão, impulsionadas pelo avanço do internet banking e dos aplicativos digitais.

Atualmente, praticamente todas as operações bancárias podem ser feitas de forma eletrônica. Pelos canais digitais dos bancos é possível fazer pagamentos de contas, transferências, DOCs e TEDs, contratações de crédito, investimentos e aplicações, consultas de saldos e extratos, contratar seguros e planos de Previdência, renegociar dívidas, entre outras operações.

De acordo com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), 82% dos brasileiros fazem as transações bancárias pelos canais digitais, ou seja, pelo celular e internet banking. “Os canais digitais se consolidam como o principal ponto de relacionamento financeiro. Esse avanço foi impulsionado principalmente pelo mobile banking, que somou 155 bilhões de transações no período, 20 bilhões a mais do que em 2023, representando um crescimento de 15%”, complementa.

Realidade em Goiás

Segundo levantamento da Associação de Bancos (Asban), Goiás conta com 543 agências. Os quatro bancos com maior número de agências são o Banco do Brasil com 143, a Caixa Econômica com 140, Itaú com 118 e Bradesco com 70. O surgimento de novos bancos online – que realizam serviços, exclusivamente, pela internet e aplicativos, sem a necessidade de agências físicas também tem impactado no fechamento de algumas unidades.

Especificamente sobre o fechamento de agências, a Febraban preferiu não se manifestar. A entidade afirmou que o encerramento das unidades faz parte da política de negócios de cada instituição financeira. Em nota, destacou que “os bancos estão adequando suas estruturas à nova realidade do mercado, em que os canais digitais de atendimento vêm ganhando espaço em detrimento dos canais físicos e presenciais”.

De acordo com o presidente da Asban, Mário Fernando Maia a quantidade de agências tem diminuído em Goiás, mas não de forma abrupta. “O banco faz ajustes, o Banco do Brasil, ali mesmo na T-63, tinha três agências em menos de 500 metros de distância. Hoje não precisa mais ter essas três agências. Eles estão enxugando o número de agências, porque não tem mais montão de gente para atendimentos”, explica.

Empregos

Febraban explica que ao longo dos anos, o nível de emprego tem se mantido estável. O avanço dos serviços digitais tem levado as instituições financeiras a contratar um grande volume de profissionais, especialmente, em áreas como TI e segurança contra fraudes digitais, por exemplo.

“Os bancos estimam investir cerca de 48 bilhões em TI. A tecnologia sempre foi parte do negócio bancário, com as instituições financeiras brasileiras […] Foi assim com o uso da internet, com a disponibilidade dos serviços nos celulares, uso de chip, uso de token, captura e uso de biometria, disponibilidade de serviços nas redes de autoatendimento e diversas outras aplicações já normais no dia a dia dos brasileiros”, finaliza a Federação Brasileira de Bancos.

Fonte: Federação dos Bancários do Paraná

BTG ultrapassa Bradesco e BB e se torna o 3º maior banco da América Latina

Publicado em: 21/09/2025

O BTG Pactual vive um ótimo momento, com lucro e rentabilidade recordes, mesmo em um contexto mais complicado para os mercados de capitais. Desde a divulgação do balanço do segundo trimestre, a unit do banco (BPAC11) acumula alta de 16,8% e fechou ontem na máxima histórica, a R$ 45,47. No ano até agora, o papel sobe 34,9%.

Atualmente o BTG tem um valor de mercado de R$ 179,8 bilhões, o que lhe garante a posição de terceiro maior banco da América Latina em valuation, atrás apenas de Nubank (R$ 408,2 bilhões) e Itaú (R$ 391,6 bilhões).

O banco controlado por André Esteves superou no começo deste ano a capitalização de mercado do Bradesco (R$ 171,2 bilhões) e também deixou para trás o Banco do Brasil (R$ 126,8 bilhões), conforme levantamento do Valor Data.

Analistas têm destacado em relatórios recentes o ímpeto recente do BTG. “O resultado muito forte no segundo trimestre é um cheiro do que pode ser a rentabilidade do banco em um ambiente de mercado favorável”, escreveu o Safra.

“Acreditamos que os resultados destacam não apenas a capacidade do BTG de ler as condições de mercado e navegá-las, mas também a abordagem oportunista do banco para consolidar sua participação de mercado, mantendo a alavancagem operacional, o que permite que as receitas superem as despesas e, assim, melhorem a lucratividade”, apontou o Citi.

Para o Goldman Sachs, o BTG tem mostrado diversificação de receitas, melhor captação líquida de recursos nas áreas de wealth management e gestão de ativos e também uma maior alavancagem operacional. “Isso reafirma o modelo de negócios resiliente.”

Com a arrancada nos últimos anos, o BTG deixou para trás a XP, com quem chegou a disputar uma batalha ferrenha para atrair recursos de clientes e também plugar escritórios de agentes autônomos na sua rede. A EQI, que migrou da XP para o BTG em 2021, até hoje tem uma disputa judicial com a empresa de Guilherme Benchimol.

Hoje, a XP tem um valor de mercado de R$ 56,1 bilhões, ou seja, menos de um terço do valor do BTG.

Fonte: Valor Investe