Pandemia derruba pelo segundo ano projeções para a economia brasileira

Publicado em: 08/04/2021

O ano começou com expectativas positivas para a economia brasileira, retomada era a palavra de ordem, analistas previam o Ibovespa chegando a 130 mil pontos e o PIB crescendo cerca de 4%. Mas, pelo segundo ano, a pandemia fez cair por terra as previsões. Para acomodar nas projeções de 2021 o pior momento da crise sanitária, juros maiores e deterioração fiscal, bancos revisaram suas projeções para o PIB do Brasil para algo mais próximo a 3%, com os mais pessimistas prevendo crescimento na casa dos 2%.

As revisões de importantes bancos de investimento, como Credit Suisse, Barclays, Morgan Stanley e outros vieram principalmente após a elevação da taxa Selic em 0,75 ponto percentual e a sinalização do Banco Central de que o ciclo de alta de juros será mais intenso e rápido do que o esperado. Além dos juros mais altos, que contribuem para reduzir a atividade, os bancos citam as restrições provocadas pela pandemia como motivo para as reavaliações de cenário.

Os dois fatores – pandemia e juros altos – se conectam e retroalimentam. Juros sobem com aumento da inflação. O avanço dos preços é explicado, em boa parte, pelo dólar alto, fruto do enfraquecimento da economia e aumento do risco do país, e pelas restrições nas ofertas, ambas questões ligadas à pandemia.

Além das instituições privadas, no último dia 25, o Banco Central também reduziu a expectativa para a economia deste ano, de 3,8% para 3,6%, conforme o Relatório Trimestral de Inflação (RTI). Segundo o BC, a decisão foi motivada pela “incerteza acima do usual” sobre a economia e das possíveis respostas de governantes, empresas e população à crise sanitária.

O Boletim Focus do Banco Central, que reúne as projeções dos principais bancos e instituições financeiras do país para a economia, mostra que o mercado começou o ano esperando alta de 3,41% do PIB do Brasil em 2021 (previsão da edição de 08 de janeiro). Diversas quedas depois, o mais recente Focus já mostra que os economistas esperam agora avanço de 3,18%.

Veja a seguir os bancos que revisaram projeções para o PIB e o cenário econômico brasileiro e as justificativas.

Credit Suisse

O banco Credit Suisse reduziu nesta semana as projeções de crescimento do PIB de 3,7% para 3,2% para 2021 e de 2,9% para 2,4% para 2022. As justificativas foram: o ciclo de alta de juros mais forte que o esperado; a aceleração da inflação; e o agravamento da pandemia. Três fatores que devem ter um impacto maior na atividade econômica do que o esperado, segundo o banco suíço.

“A retomada da atividade econômica observada desde o terceiro trimestre de 2020 deve ser temporariamente interrompida em março de 2021 devido à adoção de medidas de distanciamento social e ao aperto das condições financeiras. A recuperação do lado da oferta da economia foi adiada para meados do segundo trimestre”, diz o relatório do Credit.

Com a inflação pressionada, os analistas esperam que a Selic continue sendo elevada em 0,75 ponto percentual nas próximas cinco reuniões seguidas do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), o que deve levar a taxa para 6,5% ao ano no final de 2021, patamar que deve ser mantido ao longo de 2022.

“Em nossa opinião, o Banco Central não conseguirá implementar uma normalização parcial, como consta dos documentos oficiais, e precisará aumentar as taxas para perto do nível neutro [nível de taxa que mantém a inflação estável]. Isso porque a inflação deve seguir pressionada nos próximos trimestres, atingindo 5,1% no final de 2021, acima do centro da meta do Banco Central de 3,75%”, afirma o banco.

Barclays

Em revisão de cenário realizada no meio de março, o Barclays afirmou que a América Latina continua sendo duramente afetada pela pandemia, ressaltando que o Brasil vive a situação mais dramática entre os países da região. O banco britânico diz que o crescimento brasileiro será mais fraco do que o previsto anteriormente e que a recuperação será bastante gradual e dependente do progresso de vacinação.

Ainda que os dados de atividade econômica brasileira tenham ficado acima das expectativas no quarto trimestre de 2020 e em janeiro de 2021, segundo o Barclays, a tendência positiva não deve se manter diante da piora das condições financeiras e da nova rodada de “lockdowns”.

Por essas razões, o banco revisou a projeção para o PIB deste ano de 3,5% para 3,2%. Se as previsões se concretizarem, o Brasil ficará na lanterna do crescimento econômico em relação aos seus pares. O banco britânico prevê alta de 5% para o PIB do México, 6% para a Colômbia, 6,5% para a Argentina, 7,5% para o Chile e de 8,8% para o Peru.

Bradesco

O Bradesco cortou a projeção do PIB do Brasil de 3,6% para 3,3% nesta quinta-feira (1). O banco também revisou a expectativa para o IPCA deste ano, de 3,9% para 5% e a previsão para a Selic de 4% para 5,25% . O dólar para 2021 também foi elevado, de R$ 5,30 para R$ 5,60.

Segundo o banco, as incertezas fiscais têm elevado os prêmios de risco, piorado as condições financeiras e impedido uma estabilidade da taxa de câmbio, adicionando incerteza ao cenário. Segundo relatório assinado pelo economista-chefe do Bradesco, Fernando Honorato, a retomada esperada no cenário base pode não se materializar.

Por outro lado, o Bradesco afirma que um desfecho positivo para as questões fiscais e para o manejo da pandemia têm potencial para acelerar o crescimento e surpreender as expectativas positivamente, inclusive com efeitos sobre a taxa de câmbio, a inflação e os juros.

Itaú

O Itaú Unibanco reduziu a expectativa para o crescimento do PIB de 4% para 3,8% em 2021 e de 2,5% para 1,8% em 2022. As razões são parecidas com as dos outros bancos: o aumento do risco fiscal e a deterioração das condições financeiras impedem a manutenção dos juros em patamares mais baixos e reduzem a perspectiva de crescimento.

O Itaú também revisou a expectativa para a taxa de desemprego, que subiu de 14,2% para 14,3% no fim de 2021 e de 13,3% para 14,2% no fim de 2022. “O crescimento do PIB esperado para 2022 (1,8%) é próximo ao potencial e, portanto, insuficiente para gerar recuo na taxa de desemprego.”

O banco afirma que a segunda onda de Covid-19 e o aumento de medidas de restrição devem levar a uma queda mais intensa do setor de serviços, mas os impactos sobre a atividade como um todo devem ser mais limitados do que na primeira onda, segundo o relatório divulgado em meados de março. Já o varejo e a indústria devem ser favorecidos pelo auxílio emergencial e pelos estoques baixos.

No documento, o Itaú também destacou que a PEC emergencial aprovada no Congresso viabilizou a nova rodada de auxílio emergencial e que, com o auxílio e compra de vacinas, os gastos não sujeitos ao teto devem somar R$ 65 bilhões em 2021.

A principal contrapartida ao auxílio, segundo o Itaú, foi a regulamentação dos gatilhos do teto de gastos, que garantem “uma melhora permanente do marco institucional fiscal”, e que serão importantes para a manutenção do ajuste fiscal, após o fim da pandemia.

Mauá Capital

Saindo do espectro dos bancos, a gestora Mauá Capital também prevê um período mais turbulento que o esperado para a economia nos próximos meses. Em entrevista concedida há duas semanas ao Radar InfoMoney, programa diário de notícias de economia, transmitido ao vivo no Youtube do InfoMoney, Luiz Fernando Figueiredo, CEO da Mauá e ex-diretor do Banco Central, traçou uma expectativa para a economia brasileira ainda pior do que a dos bancos, com crescimento na casa dos 2%.

O economista afirmou que com os meses de março e abril sendo “dramáticos em relação à pandemia”, o país verá uma queda muito forte de atividade. “O desemprego vai subir, empresas que já estavam tentando se segurar vão ficar mais um bom tempo paradas, vamos ver fechamento de restaurantes, bares. Vai ser um período meio infernal”, projeta. “Estamos caminhando para uma economia que vai crescer neste ano algo em torno de 2,5% ou talvez menos”, diz Figueiredo.

Ele ressalta, porém, que apesar de o governo ter “flertado com a irresponsabilidade fiscal, “a PEC Emergencial saiu bastante razoável”. “Isso garantiu uma certa ancoragem fiscal – numa situação de muita fragilidade, é verdade-, mas isso abre espaço para um ambiente menos tortuoso para o resto do ano.”

Por essa razão, o câmbio e outros ativos tendem a ficar menos pressionados passados os piores meses da pandemia, segundo Figueiredo. “Nós teremos uma trajetória muito difícil, mas os ativos têm implícitos no preço deles quase que uma grande descontinuidade e isso não vai acontecer, já esticaram demais, agora têm que voltar um pouco. Não vai ser uma volta exuberante, mas os ativos estão bem mais descontados do que deveriam”, afirma o CEO da Mauá, que acredita que o Ibovespa pode voltar aos 125 mil pontos este ano.

Assim como o Morgan, Figueiredo também mencionou a preocupação do mercado sobre uma eventual virada populista de Bolsonaro com a entrada de Lula no páreo. Mas ele avalia que os discursos de Lula têm sinalizado que ele não deve se caminhar para o centro. “Em função disso, minha visão, que é bem contrária à de muitos analistas, é que para fazer frente ao populismo de Lula, Bolsonaro vai caminhar para um caminho mais em ordem, de responsabilidade fiscal”, diz.

Mas ele pondera que o risco de uma guinada populista no governo não está descartado. “Existe esse risco, sim, e aí o país teria uma chance enorme de entrar em recessão, porque nós já estamos com uma fragilidade tão grande que o sistema não aguenta mais muito desaforo. É um país que tem muita dificuldade para crescer e o populismo seria a pá de cal no crescimento, na recuperação de emprego, etc.”

Goldman Sachs

Apesar de não ter revisado as estimativas sobre o crescimento da economia brasileira, em meados de março o banco Goldman Sachs reduziu a exposição em ações brasileiras de overweight (acima da média do mercado) para neutra em seu portfólio da América Latina, enquanto elevou exposição no México para overweight.

“Embora reconheçamos que os ativos estão negociando relativamente a múltiplos baixos e que podem negociar a patamares melhores se o ritmo da vacinação aumentar, não temos uma opinião forte sobre uma recomendação direcional, considerando a alta volatilidade esperada daqui para frente, devido ao início muito prematuro do debate presidencial de 2022 e à piora da inflação e da dinâmica do emprego, com a escalada da pandemia”, afirmam os estrategistas do banco.

Apesar de rebaixar o Brasil para neutro, o banco elevou a exposição ao México por acreditar que os estímulos fiscais dos Estados Unidos devem resultar em maiores remessas ao país (que aumentaram 11% em 2020, chegando a 3,8% do PIB), além de forte um desempenho das exportações e da produção industrial.

“O risco político, que sempre é uma questão que assombra nossa visão do México, está inegavelmente presente em praticamente todos os países da região. Embora o Chile seja considerado para uma possível atualização, achamos que o mercado está em um bom patamar no país”, destacam. Assim, as recomendações para a América Latina são de overweight para o México, neutro em Brasil e Chile e underweight (exposição abaixo da média) para Peru, Colômbia e Argentina.

UBS

O UBS também não revisou especificamente as expectativas para o PIB, mas divulgou um relatório na semana passada destacando a piora no cenário econômico brasileiro. “Um sentimento geral de desânimo e pessimismo está pairando sobre o Brasil. Um ano após a pandemia começar a se espalhar no país, brasileiros estão vivendo a pior fase da crise de saúde”, dizem os analistas.

Na frente econômica, o banco afirma que o aumento da inflação e das expectativas levaram o Banco Central a iniciar um novo ciclo de aperto dos juros.

Na política, eles dizem que a incerteza de curto prazo foi reduzida após a aprovação no Congresso da PEC Emergencial e acreditam que novas reformas, como a Administrativa, estão em pauta e podem passar nos próximos meses. No longo prazo, porém, eles afirmam que o cenário é “turvo” após a decisão do Supremo Tribunal Federal que permitiu ao ex-presidente Lula disputar as eleições de 2022.

“Assim, os mercados podem não ver muitos bons motivos para estar otimistas com o Brasil, mas vale a pena notar que a maioria das más notícias já está embutida nos preços”, diz o relatório do UBS.

O banco afirma ainda que, apesar dos atrasos na vacinação, eles acreditam que o Brasil pode imunizar a maior parte, senão todos, os 160 milhões de adultos da população até o final de 2021 (veja mais).

Fonte: Infomoney

 

 

 

BB está preparado para navegar no marasmo da economia, diz Rubem Novaes

Publicado em: 03/04/2019

O presidente do Banco do Brasil, Rubem Novaes, confirmou nesta terça-feira (2) que a companhia vai vender a sua participação na Neoenergia “através de um IPO” (oferta pública de ações, na sigla em inglês). A negociação deve ocorrer no primeiro semestre deste ano, segundo o executivo. A operação vai ser liderada pelo BB Investimentos, JP Morgan e Bank of America, segundo Novaes.

Novaes também disse que o Banco Brasil está preparado para navegar num quadro de “marasmo da economia”. Num cenário em que as projeções para a economia brasileira estão desapontando, o executivo reconheceu que as perspectivas para o BB podem ser melhores se a atividade econômica passar para um patamar melhor.

Nesta semana, os analistas consultados pela pesquisa Focus, do Banco Central, reduziram, pela primeira vez, a projeção do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano para menos de 2% – no fim de 2018, alguns analistas chegaram a projetar que a economia brasileira poderia ter um crescimento próximo de 3% em 2019.

“Se a economia deslanchar, os resultados serão bem melhores, mas estamos preparados para navegar neste mundo em que há um certo marasmo na economia”, afirmou Novaes ao participar de evento em São Paulo.

No ano passado, o Banco do Brasil teve lucro líquido contábil de R$ 12,8 bilhões em 2018. O resultado representa um aumento de 16,8% na comparação com 2017. A carteira de crédito avançou 1,8%.

“Com a economia crescendo 1,5%, 2%, não estamos sendo muito agressivos na política de crédito”, afirmou Novaes. “Se tentar expandir o crédito e a demanda não estiver crescente, vai dar bobagem.”

Novaes disse que o país enfrenta um quadro binário. Se a reforma da Previdência, considerada fundamental para o acerto das contas públicas for aprovada, a atividade economia deve se fortalecer, avalia. Se, no entanto, a reforma não sair do papel, o Brasil “pode entrar no quadro muito ruim”.

Fonte: G1

Aposentados podem atuar em parceria com o Banco

Publicado em: 22/03/2018

Em iniciativa que visa aproveitar o conhecimento e a experiência dos ex-funcionários do BB para atuação na comercialização de produtos e serviços do Banco, as empresas Promotiva S.A. e Movera divulgaram oportunidades para que colegas aposentados possam trabalhar em parceria com essas instituições.

A ação remete à estratégia de crescimento e competitividade do Banco do Brasil, declarada pelo presidente Caffarelli em entrevista realizada em agosto de 2017, que buscou qualificar o trabalho dos aposentados em atuação conjunta com BB e parceiros, aliando competência e agilidade à iniciativa para, em conjunto com os outros canais do Banco, proporcionar atendimento com qualidade a clientes e usuários, no Ano do Relacionamento.

Cláudio Aparecido Cestare se aposentou pelo Banco em julho de 2015. Em março do ano passado, tornou-se parceiro Movera. De seu escritório em Americana (SP), ele atua não só na cidade, mas também em outras regiões do estado, como Santa Bárbara do Oeste, Nova Odessa, Piracicaba e Limeira (SP).

Para Cláudio, a parceria é muito interessante e o ponto facilitador é lidar com um produto com o qual já trabalhava e com um público com quem já tinha relacionamento. Além disso, ressalta, “o segredo do sucesso é o apoio da administração e funcionários das agências”.

Na Promotiva não é diferente, em operação complementar às agências, os parceiros atuam como Correspondentes Mais BB e estão habilitados a comercializar produtos de crédito próprio, tais como BB Crédito Consignado, BB Crédito Benefício, BB Crédito Salário, BB Crédito Automático, BB Crédito Renovação, BB Crédito 13º Salário, contratação de consórcios, abertura de contas correntes, entre outros, alcançando R$ 5,8 Bi em crédito realizado no ano de 2017.

Em um mercado cada vez mais competitivo e em transformação, faz-se necessário o envolvimento entre diversas áreas e canais do Banco, assim como com os diversos públicos que geram oportunidades de negócios e resultados.Além de expandir o nosso atendimento para as áreas mais remotas, os parceiros desoneram as agências de procedimentos cuja condução é mais simples, para que foquem em fortalecer o vínculo com o cliente e aproveitar oportunidades de negócios.

Saiba como ser parceiro do BB acessando os site da Promotiva e Movera, enviando email para Movera.

SERVIÇO:
Mais informações estão disponíveis no Portal Integração BB, onde é possível localizar notícias voltadas aos aposentados do Banco ou via CABB, pelo número: 0800-11111.

Fonte: Previ

Prefeita de VG sanciona lei autorizando município emprestar R$ 20 milhões do BB

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A prefeita Lucimar Campos (DEM), sancionou, nessa terça-feira (13.03), a Lei Nº 4.340/2018, aprovada pela Câmara de Vereadores de Várzea Grande, que autoriza o Poder Executivo a contratar operações de crédito no valor de R$ 20 milhões, junto ao Banco do Brasil S.A, para obras de infraestrutura. A lei de autorização foi publicada no Diário Oficial dos Municípios (AMM), dessa terça-feira (13).

De acordo com assessor especial da Prefeitura de Várzea Grande, Olindo Pasinato, a operação de crédito junto à instituição bancária está em fase de aprovação, entrega de documentos, depois disso é que o município irá licitar empresa para elaborar os projetos.

“O município escolheu levar asfalto para os bairros com mais carência e dificuldades. O projeto todo está orçado em R$20 milhões. A Prefeitura está entrando com R$2 milhões de contrapartida, ao todo serão levadas 25 km de asfalto, um pouco em cada rua, esse é que é o financiamento. O projeto pretende levar asfalto em ruas dos bairros; São Matheus; Joaquim Curvo; Vila Vitória; Hélio Ponce; Ponte Nova; Figueirinha, Vila Arthur; Vila Arthur II; Jardim Glória I e II; Nova Fronteira; Parque Mangabeiras; Mapim; Jardim Esmeralda; Asa Branca; Santa Isabel; Cidade de Deus; Eldorado; Paula I; Asa Bela”, afirmou Pasionato.

Segundo ele, o prazo total do empréstimo será de 96 meses com carência de 12 meses e amortização 84 meses. Olindo disse que o banco não irá liberar dinheiro antecipado, ele explicou que primeiro o município deverá executar a obra, medir, emitir nota fiscal e só depois encaminhar ao banco, para só então o recurso ser liberado para o município para o pagamento da empreiteira, ou empresário responsável pela obra.

“Se tudo andar bem, vamos ver se em março ou abril conseguimos assinar. Mas já enquadrada a carta posso soltar em abril a parte do projeto, então em maio, junho ou julho eu posso lançar a licitação de obras. A orientação da prefeita é que seja dividido por regiões e licite quatro lotes, de forma que comece em todos os bairros ao mesmo tempo. Se der certo, teremos quatro ou cinco empresas dependendo do número de lotes que vamos fazer, e dar ordem de serviço para todas elas começarem ao mesmo tempo. ”, finalizou.

Fonte: FGV Notícias

Rossi conclui acordo e reestrutura dívida com Bradesco e BB

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SÃO PAULO – A Rossi Residencial informou em comunicado que seu conselho de administração aprovou os termos de acordo de renegociação de dívidas com Bradesco e Banco do Brasil, que, em conjunto, representam um montante de R$ 1,27 bilhão.

A dívida do Bradesco, avaliada em R$ 1,02 bilhão, terá sua maior parte quitada com a entrega de ativos que já eram utilizados como garantia do débito. Do montante, R$ 315 milhões em ativos terão efeito imediato de amortização, mas a empresa estima que o saldo total quitado com ativos possa chegar a R$ 755 milhões. O abatimento remanescente “poderá ser consumado ao longo de 2018, à medida que as transferências de todos esses ativos sejam formalizadas”, afirma o comunicado.

Os cerca de R$ 265 milhões remanescentes terão prazo alongado de pagamento. Serão dois anos de carência para o valor principal e juros. Nos cinco anos seguintes, ou seja, a partir de 2020, o pagamento será escalonado, sendo 5% no primeiro ano e cerca de 55% no sétimo e último ano do contrato.

Com relação ao Banco do Brasil, o saldo de R$ 250 milhões terá aproximadamente 35% abatido com os recebíveis provenientes da venda de imóveis que são atualmente garantia das referidas dívidas. Os 65% de saldo também terão prazo de pagamento estendido. A companhia não detalhou os prazos nesse caso.

Segundo fontes do mercado financeiro que acompanham a companhia, a negociação soluciona cerca de 90% da dívida corporativa da companhia e os termos do Banco do Brasil para quitação do saldo são semelhantes ao do Bradesco.

De acordo com a mesma fonte, a entrega dos ativos utilizados como garantia não deve afetar de maneira significativa o banco de terrenos da companhia.

A avaliação é de que, após a entrega dos ativos, o valor geral de vendas (VGV) do banco de terrenos seja da ordem R$ 4,5 bilhões. No terceiro trimestre de 2017, a parte da Rossi no banco de terrenos era avaliada em R$ 6 bilhões de VGV.

O movimento faz parte do processo de reestruturação da Rossi, anunciado em dezembro do ano passado. Na ocasião, a empresa ainda negociava com os bancos os termos dos acordos.

Após essa virada de página, a empresa pretende retomar de vez os lançamentos, após ficar dois anos e meio sem novos empreendimentos.

A expectativa do mercado é de que a alavancagem, de cerca de oito vezes no terceiro trimestre do ano passado recue para três vezes após a conclusão do acordo.

Fonte: Valor Econômico

BB analisará abertura de crédito a produtores prejudicados por enchentes

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O deputado estadual Felipe Orro (PSDB) participou neste quarta-feira (14) de audiência com o superintendente regional do Banco do Brasil em Mato Grosso do Sul, Gilson Caio, reivindicando a abertura de crédito para produtores rurais que foram prejudicados pelas torrenciais chuvas que atingiram dezenas de municípios nos primeiros meses de 2018. Além disso, o deputado solicitou o estendimento do prazo para parcelamento de dívidas dos produtores, e recebeu a garantia da Superintendência de que o Banco tem total intenção de analisar cada situação para evitar casos de inadimplência.

De acordo com a Defesa Civil, cerca de 76 mil sul-mato-grossenses foram afetados de alguma forma pelos desastres provocados pelas chuvas. O Rio Aquidauana ultrapassou os 10 metros acima do seu nível normal, sendo esta a segunda maior cheia dos municípios de Aquidauana e Anastácio nos últimos 50 anos. Devido às torrenciais chuvas, produtores rurais foram severamente prejudicados. Houve casos de morte de animais, perda de lavouras e, com as estradas rurais comprometidas, o escoamento da produção foi comprometido.

“Em 2011, o Estado também foi afetado pelas enchentes e conseguimos a abertura de crédito junto ao Banco do Brasil para ajudar os produtores a lidarem com as perdas. Este ano temos uma situação semelhante. Estradas ficaram comprometidas, o gado morreu em algumas propriedades, por isso viemos à Superintendência solicitar uma atenção especial para esses produtores”, explicou o deputado Felipe Orro.

O superintendente Gilson Caio garantiu que o Banco analisará caso a caso para evitar que os produtores rurais fiquem inadimplentes. “O Banco do Brasil se sensibiliza com a situação enfrentada por esses produtores e prepara uma resposta que já está bem encaminhada. Nos casos onde for comprovado perda de produção por conta dos desastres, certamente será dada uma atenção especial. Não é interesse do Banco do Brasil que o cliente fique inadimplente. Vamos analisar os casos para dar a devida assistência a cada produtor que necessitar”, explicou o superintendente Gilson Caio.

O Banco do Brasil atingiu a marca histórica de R$ 2,1 bilhões contratados com recursos do FCO (Fundo Constitucional do Centro-Oeste) em um único ano, sendo R$ 1,38 bilhão para o setor Rural e R$ 770 milhões para a classe empresarial. O valor representa 237% do valor contratado em 2016.

Fonte: O Pantaneiro

Bancos ganham mais com juros altos? Balanços de 2017 mostram que não

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Juros altos só servem para os “bancões” aumentarem o próprio lucro, prega o senso comum. Economicamente falando, até faz sentido. Se os juros estão lá em cima, muitos investimentos financeiros trarão um bom retorno, até mais garantido do que pensar em criar um negócio. Ganhando dinheiro fácil, os bancos acabam emprestando mais – e a taxas mais altas. Mas, por incrível que pareça, os bancos também ganham com juros baixos. A Selic, a taxa básica de juros do Brasil, vem caindo gradativamente desde 2016, chegando ao nível mais baixo da história no início deste ano. E o lucro dos bancos em 2017, vejam só, aumentou – e bastante.

Os quatro maiores bancos de capital aberto do país – Banco do Brasil, Bradesco, Itaú Unibanco e Santander Brasil – lucraram R$ 64,9 bilhões no ano passado, após sofrerem com os resultados de 2016. O resultado positivo veio justamente num ano em que a taxa Selic despencou e o país começou a recuperação econômica – o PIB de 2107 registrou crescimento de 1%, após dois anos negativos.

Juros em queda e lucro crescente se justificam por um motivo simples: nesse cenário, os bancos conseguem captar dinheiro mais barato. Mas a taxa de juro para concessão de crédito não reduz no mesmo ritmo que a Selic. E isso acaba deixando uma margem mais confortável para o “spread”, que é o quanto o banco ganha na operação.

Entre janeiro de 2016 e janeiro de 2018, a Selic saiu de 14,25% para a atual taxa de 6,75% – uma redução de 52,63%. No mesmo período, a taxa média de juros para pessoa física saiu de 39,58% ao ano para 32,34% ao ano, uma variação de 18,29%. Já o spread caiu ainda menos: 7,84% – saiu de 28,19% para 25,98% ao ano. Os números ajudam a entender porque o lucro cresceu, mesmo com os juros caindo.

O economista Maurício Godoi, da Saint Paul Escola de Negócios, pondera que é normal as taxas dos bancos caírem num ritmo mais lento que a Selic. Com os juros em alta, os bancos naturalmente captam mais dinheiro e acabam emprestando a taxas mais altas. “Eles ganham dinheiro porque as pessoas depositam mais facilmente. Eles não precisam correr atrás como fazem hoje”, explica.

Agora, com os juros em baixa, os bancos conseguem dinheiro mais barato. “O banco capta dinheiro no curto prazo, mas empresta no longo prazo, para 24, 36 e até 60 meses. Ainda tem muitas incertezas no período da concessão, principalmente a respeito de ambiente político”, pontua. E é esse cenário que acaba levando os bancos a manterem a precificação.

Godoi aponta cinco fatores que explicam porque não há redução das taxas de juros na concessão de crédito. O próprio crédito ainda não está fácil, o mercado de trabalho está em recuperação, a taxa de desemprego é alta, as pessoas demoram mais tempo para se recolocar no mercado e a atividade industrial ainda não retomou totalmente a sua capacidade de produção.

Para ele, questões como a reforma da Previdência, a inflação e até mesmo as medidas protecionistas que vêm sendo tomadas pelo presidente Donald Trump nos Estados Unidos colaboram para que os bancos mantenham os juros mais elevados. “Mesmo com a inadimplência dando sinais de redução, os bancos ainda não baixam a precificação”, completa.

Juros em queda
A Selic, taxa básica de juros, vem caindo num ritmo mais rápido do que os bancos repassam aos clientes. É mais barato captar dinheiro, mas o risco da concessão de crédito a longo prazo faz com que as taxas de juros cobradas dos clientes não caiam tanto. Captar dinheiro na baixa e manter uma taxa de juros conservadoras garantem aos bancos um ganho na operação, o spread, bem interessante. E isso ajuda a explicar porque muitos “bancões” viram seu lucro crescer em 2017, mesmo com a queda na Selic. Entenda:

Lucro dos bancos
Resultado dos quatro maiores bancos de capital aberto

Em R$ bilhões – valores do lucro recorrente

Sem título

Fonte: Gazeta do Povo

BC quer poder de veto a indicações em bancos públicos

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O Banco Central estuda mudanças na legislação para ter poder de veto na nomeação de dirigentes de bancos públicos federais. Uma lei de 1964 exige autorização prévia do BC para a nomeação de dirigentes em bancos privados e bancos públicos estaduais, mas as regras não são aplicáveis aos bancos públicos federais.

Essa brecha tem facilitado nas últimas décadas o loteamento político nas instituições federais, permitindo que pessoas sem qualificação técnica assumam cargos de comando nos bancos controlados pela União – BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste e Banco da Amazônia.

A proposta está sendo analisada pela área econômica e tem o apoio do Ministério da Fazenda. O BC está empenhado em convencer o governo da necessidade de modernizar a legislação.

Em janeiro, o afastamento dos vice-presidentes da Caixa Econômica Federal por suspeita de corrupção trouxe o assunto à tona. Na ocasião, embora não pudesse exigir a saída dos executivos, o Banco Central recomendou que eles fossem afastados Das 12 vice-presidências, apenas uma não era ocupada por indicação dos aliados. Quatro foram afastados pelo conselho de administração da Caixa, mas um voltou ao cargo depois.

O afastamento na época tinha sido recomendado também pelo Ministério Público Federal (MPF), mas o Palácio do Planalto resistia em aceitar o pedido para não contrariar interesses dos partidos aliados.

Só depois da recomendação do BC é que os dirigentes foram afastados. Os ex-vice-presidentes foram indicados por partidos políticos da base governista, como o PR, o PRB e o MDB. Foram citados em uma auditoria da Caixa que apontou riscos consideráveis ao banco por causa da interferência política deles Depois do escândalo, um novo estatuto foi aprovado e todos os vice-presidentes serão trocados.

Governança

Para o analista de bancos da Austin Rating, Luis Miguel Santacreu, a governança corporativa é valor universal, que não pode valer só para os bancos privados. Ele critica o uso que os governos fazem dos bancos públicos, com injeção de crédito na economia, como se fosse um “orçamento paralelo” à disposição, sem nenhum tipo de controle. “A gente sabe que a questão política é muito forte.”

Ele pondera, no entanto, que bancos controlados pela União têm a missão de atender determinados setores e pessoas que não são assistidos pelos bancos privados. “O problema não é cumprir um projeto de governo. A questão está na qualidade e na competência ”

Santacreu avalia que, com a mudança na Lei, o Banco Central vai poder colocar sua reputação também na indicação de nomes para cargos de direção em bancos públicos federais.

Crivo

Hoje, o BC tem poder de aceitar ou recusar indicados para cargos de direção e assentos nos conselhos de administração e fiscais de bancos privados e públicos controlados pelos Estados, mas a lei impede que esse controle seja feito em bancos oficiais federais. Após análise da documentação que avalia capacidade técnica e reputação idônea para o cargo, o BC tem até 60 dias para decidir se aceita ou recusa o nome.

Procurados, o Banco do Brasil informou que todas as indicações seguem regras de governança do banco que são baseadas nas melhores práticas do mercado. O Banco do Nordeste afirmou que todos os executivos cumpres as exigências da Lei das Estatais. Caixa e Banco da Amazônia preferiram não se manifestar sobre o assunto. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Jornal do Brasil

Meirelles faz palestra motivacional para 6 mil gerentes do Banco do Brasil

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São Paulo – O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, voltou na noite desta terça-feira, 20, para o Brasil, após terminar os compromissos na Argentina com a reunião ministerial do G-20.

Ao invés de ir para a Brasília, ele passa primeiro por São Paulo nesta quarta-feira, 21, onde tem palestra agendada com 6 mil gerentes do Banco Brasil. “Será uma palestra motivacional”, disse ele a jornalistas.

Questionado sobre as pesquisas qualitativas que encomendou para saber como está o eleitor brasileiro, Meirelles disse que os pesquisadores começaram os levantamentos de campo nesta terça-feira. O resultado só deve sair na semana que vem.

O ministro disse que estas pesquisas serão um dos fatores que ele vai levar em conta para decidir sobre eventual candidatura à Presidência da República. O prazo limite para ele decidir, afirmou, é até o início de abril.

Fonte: EXAME

Paulo Kliass: O poder do financismo

Publicado em: 16/02/2018

O período entre as festas do final do ano e a folia do Carnaval é normalmente marcado pela divulgação de informações que deveriam deixar envergonhados todos os que se preocupam com um mínimo de decência e justiça em termos da organização de nossa sociedade. Em especial, me refiro à forma como são apropriadas e distribuídas as diferentes formas de renda e riqueza entre nossos cidadãos.

Durante os meses de janeiro e fevereiro as instituições financeiras apuram seus balanços patrimoniais e contabilizam os lucros realizados ao longo do ano anterior. Um dos aspectos que mais impressiona nessa maratona de publicação de seus resultados é a aparente naturalidade com que esses números são tratados por aqueles que são os responsáveis pelas editorias de economia dos grandes meios de comunicação e também por parte da maioria de nossos dirigentes políticos.

Nesses tempos de endeusamento da meritocracia e de loas incomensuráveis lançadas às virtudes dos empresários eficientes em suas áreas de atuação, tudo isso parece tão normal. Afinal, se ganharam mesmo tanto dinheiro assim só pode ser pelo simples fato de que são bons e competentes naquilo que fazem como operadores sua área de negócios. A realidade dos lucros bilionários dos bancos tornou-se uma espécie de tradição intocável em nossa sociedade, cada vez mais tão marcada pelo abismo verificado entre as duas centenas de milhões dos que quase nada possuem e o punhado de triliardários que adoram ostentar suas fortunas. Estes últimos parecem adorar a acirrada disputa da presença em listas de bilionários, tão cuidadosamente elaborada por revistas especializadas, como as mais conhecidas Forbes e Fortune.

Assim, em 2017 a duplinha dinâmica dos líderes do capital privado em nosso sistema financeiro mantiveram sua dianteira. Enquanto Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal eram orientados a atrasarem suas respectivas divulgações, os donos de Itaú e Bradesco exibem orgulhosos as suas façanhas. O primeiro é o banco do presidente do Banco Central e ofereceu um novo recorde, ao registrar um lucro líquido de R$ 25 bilhões. O segundo é o banco do candidato de Lula a presidente do Banco Central em 2015 e apresentou ligeira queda em seu lucro, obtendo apenas R$ 15 bi ao longo do ano passado.

Brasil: paraíso dos bancos

A terceira posição dentre os bancos privados operando por nossas terras ultimamente tem sido ocupada pelo conglomerado financeiro espanhol Santander. Em 2017 o lucro obtido pela filial tupiniquim foi de R$ 10 bi. Esse resultado representou um salto de 36% em relação ao ano anterior. Tal performance assegurou a lucratividade do grupo em sua escala de atividade global. Os rendimentos auferidos pelo banco apenas no Brasil representaram 26% do total dos ganhos do grupo espanhol em todo o mundo. Recordemos que se trata do sétimo maior banco do planeta.

A soma dos lucros dos três maiores bancos privados em nosso mercado financeiro no ano passado alcançou a cifra de R$ 50 bi. Sabe-se de todo o esforço realizado pelas áreas jurídicas e de planejamento tributário das instituições para escapar do pagamento de impostos. Assim, os ganhos reais foram muito maiores do que esses aqui contabilmente revelados e declarados. Isso sem contar a generosidade absurda oferecida pela legislação criada por FHC – e mantida desde então pelos sucessivos governos de Lula, Dilma e Temer – que isenta de tributação o recebimento privado de lucros e dividendos. Uma loucura!

O Brasil está mergulhado há mais de dois anos em uma profunda recessão econômica. O PIB encolheu mais de 8% desde 2015, como consequência direta do aprofundamento da estratégia do austericídio. O desemprego chegou a atingir 14 milhões de trabalhadores e a quebradeira das empresas foi generalizada ao longo desse período. Apesar de todo esse clima de catástrofe social e econômica, o único setor que não foi sequer atingido pela crise foi justamente a banca. As instituições financeiras continuaram faturando muito alto e apresentaram seguidamente resultados ostentando lucros vergonhosamente bilionários.

O poder do financismo ultrapassa os limites da área de atuação das instituições financeiras. O mito da força do mercado – tão amedrontador aos olhos dos analistas e especialistas forjados no interior do próprio sistema – impõe ao conjunto da sociedade os sacrifícios coletivos para que sejam drenados, de forma segura e contínua, a essa ínfima parcela os recursos extraídos de todos os demais setores.

A cumplicidade do Banco Central

As fontes desses ganhos inexplicáveis e inaceitáveis são multivariadas. A sinecura proporcionada pela permanência das nossas taxas oficiais de juros em níveis de campeã do mundo é uma delas, com toda a certeza. Os bancos têm rentabilidade muito elevada sem fazer absolutamente nada: basta emprestar ao governo com ganhos balizados pela Selic. A prática antiga e conhecida da sonegação tributária no interior do sistema das finanças reforça o poder das empresas e retira recursos do conjunto da sociedade. As tarifas cobradas pelos chamados “serviços” bancários no interior de nossas fronteiras também figuram dentre as mais elevadas do planeta. Além desses fatores, ganha participação especial os ganhos proporcionados pelos impressionantes níveis de “spread” praticados pelos bancos.

A farsa da colocação de dirigentes de bancos privados no comando do Banco Central cai como sopa no mel em tal quadro incestuoso. Ao brandir pela “independência” do BC para que este opere em termos supostamente “técnicos”, os defensores dos interesses do financismo buscam legitimar a prática daquilo que a sabedoria popular chama de “colocar a raposa para tomar conta do galinheiro”. Afinal, nada mais “político” do que deixar a instituição responsável pela regulamentação e fiscalização do sistema financeiro nas mãos dos próprios banqueiros.

Ora, como encontrar outra resposta para a ausência de ação do BC no controle do crime de abuso econômico praticado há décadas pelos bancos? A prática articulada das empresas em regime de oligopólio é por demais conhecida para que se tente outra forma que não a intervenção pesada do órgão regulador na defesa dos interesses das partes mais frágeis na relação econômica determinada. Fiquemos apenas com o exemplo mais escandaloso do “spread” praticado nas operações realizadas com cartões de crédito.

Lucros dos bancos só crescem

O BC acaba de divulgar seu mais recente relatório com tais informações. Em dezembro de 2017, a média da taxa cobrada pelos bancos nessas operações era 335% ao ano. Recordemos apenas que naquele momento a Selic estava na faixa de 7% ao ano. Quem se dedicar a calcular o diferencial de ganho nessa operação chegará ao inacreditável percentual de 4.685%. É por isso que a posição de chefe de tesouraria de instituições financeiras no Brasil é tão cobiçado. Em nenhuma outra praça do mundo uma singela operação de crédito oferece tamanha rentabilidade sem praticamente nenhum risco envolvido.

Mas Paulo, poderão arguir alguns leitores, o fato é que a taxa Selic baixou no período mais recente e isso deve ter impactado os custos das operações. Pois peguemos os valores observados nos finais de ano anteriores:

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Como se pode perceber, os ganhos dos bancos nas operações só fizeram crescer nesse período mais recente, como vinha ocorrendo desde sempre. Esteja a Selic em alta ou em baixa, esteja a inflação mais ou menos controlada, os interesses dos bancos não são afetados. Muito pelo contrário! A complacência e a cumplicidade do BC só contribuem para essa verdadeira sensação de impotência do conjunto da sociedade frente ao poder exacerbado do sistema financeiro.

A proximidade do pleito de outubro e a oportunidade gerada pelo debate de alternativas eleitorais não podem deixar de lado a questão da dominância do financismo. É necessário uma ampla discussão nacional a essa respeito. É urgente que superemos nossa condição de uma sociedade que permite se deixar escrava dos desejos do parasitismo rentista por tanto tempo. Um modelo social e econômico menos desigual pressupõe maior capacidade de controle e regulação do Estado perante esse perigoso poder. Por outro lado, as empresas do mundo das finanças deveriam contribuir com maior capacidade de arrecadação tributária para um Brasil mais justo e desenvolvido.
*Paulo Kliass é doutor em Economia pela Universidade de Paris 10 e especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal

Fonte: Portal Vermelho

Open banking movimenta setor e tende a se consolidar em 2018

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Em linha com a agenda BC+ para incitar a oferta de novos serviços e a concorrência, abertura de protocolos ganha força entre os bancos e pode ter regulação específica neste ano

Este ano será marcado pela consolidação do open banking no sistema financeiro brasileiro. O movimento já traz maior concorrência ao setor e a tendência é que haja uma regulação específica até 2019.

No open banking, instituições financeiras disponibilizem parte de seus protocolos (ou APIs) para terceiros, permitindo a criação de produtos integrados e uma eventual descentralização do sistema bancário.

Incentivada pela regulação em diversos países (ver infográfico) e na pauta do Banco Central, a discussão ganhou força no Brasil em 2017 com o lançamento do Portal do Desenvolvedor pelo Banco do Brasil.

“Estamos bem à frente dos concorrentes nessa jornada de open banking, mas conforme cresça a adesão dos outros players, será visível a maior eficiência de todo o sistema”, comenta o diretor de negócios digitais do BB, Marco Mastroeni.

No Bradesco, o lançamento de um programa estruturado ocorrerá em breve. “Estamos prontos para o mundo da agregação. Nós trabalhamos nos últimos três anos para operar em regime open banking. A decisão de executar essa estratégia deve acontecer ao longo de 2018”, afirmou o vice-presidente do banco, Maurício Minas.

Os casos não são isolados; prestadora de serviços de TI para o setor financeiro, a Sensedia está envolvida com “cerca de 10 clientes do segmento bancário em projetos de open banking”, de acordo com o CEO, Kléber Bacili.

O mesmo cenário é verificado na Everis. “Todos, sem exceção, estão envolvidos”, alega o diretor da área de bancos da consultoria em TI, Ignácio Nuñez.

Parte da movimentação é fruto da pressão exercida pela entrada de novos players com forte abordagem digital e mais populares entre pessoas mais jovens.

“O cliente não necessariamente ama o banco”, observou Claudia Woods, diretora de varejo do Banco Original – que também tem os protocolos abertos para desenvolvedores. “Agora se meu banco está integrado com um site de compra de carros, facilitando o meu financiamento, isso muda a percepção.”

A executiva pondera, ainda, que a integração entre os bancos e os demais nichos de mercado deve incentivar a criação de uma regulamentação específica no mercado “neste ou no próximo ano”.

“Como muitos países já mostram a formalização de normas legislativas que obrigam os bancos a abrirem seus protocolos, a tendência do Brasil é de seguir esse caminho”, avalia Woods.

Procurado pelo DCI, o Banco Central afirmou, em nota, que “tem acompanhado e estudado as inovações no segmento”.

“Nesse sentido, o open banking é um dos temas de interesse, tendo em conta o potencial impacto na oferta de novos serviços financeiros e sobre a concorrência.”

Competição tecnológica
A possibilidade de competição bancária se expande até mesmo para empresas de tecnologia.

Entre as pioneiras que realizaram integração com o BB está a Conta Azul. Dona de um software de gestão empresarial (ou ERP) na nuvem para pequenas, a empresa faturou cerca de R$ 40 milhões em 2017, tendo como principal impulso a parceria com o banco.

Anunciada em setembro, a relação permite que clientes em comum do banco e da jovem companhia realizem conciliação bancária de forma automática dentro do próprio ERP. “Ligar a plataforma do cliente ao internet banking faz com que ele evite muito trabalho manual”, disse o CEO da Conta Azul, Vinicius Roveda.

“Muitos novos clientes veem a facilidade e adotam o BB como conta primária”, afirma o executivo – que já vê clima para a replicação do projeto junto a novos parceiros. “Os bancos privados querem fazer tudo sozinhos, mas é uma coisa que o mundo está mostrando que não funciona”, pontua Roveda.

Abordagem semelhante também está presente no MarketUP, que também oferece ERP na nuvem para empresas de pequeno porte – e que conta com apoio do Bradesco desde o início da operação, em 2015.

CEO da empresa, Carlos Azevedo explica que os cerca de 100 mil usuários utilizam a plataforma de maneira gratuita, mas com acesso direto à produtos e serviços de clientes. O primeiro deles foi justamente o banco.

“Como já estou acoplado com suas finanças posso oferecer capital de giro, seguro, adiantamento de recebíveis ou avisar sobre pagamento de contas”, exemplifica.

O usuário ainda precisa deixar o ambiente do ERP para concluir a operação, mas o cenário mudará neste ano. “Faremos uma integração do MarketUp com o banco e o cliente vai conseguir fazer tudo direto.”

Segurança e privacidade
Da outra ponta, questões como segurança e privacidade podem atrasar o avanço do open banking no Brasil.

De um lado, a abertura de protocolos pelos bancos expõe parte de suas estruturas e dados à invasão. De outro, compartilhar informações de usuários com outras plataformas implica em um risco de privacidade.

“O uso de dados sempre é complicado, sobretudo no setor financeiro”, afirmou Nuñez, da Everis, observando que o tema não é regulamentado no País. “Quem tem direito de colher, armazenar e processar esses dados são os bancos”, lembrou Minas, do Bradesco.

Para Mastroeni, do BB, “segurança é um ponto principal” para o open banking. “Temos ferramentas de critério para ver quais os APIs que entram ou não na nossa plataforma, além de sempre contar com a autorização do cliente para fazer a movimentação oferecida”.

Já Bacili, da Sensedia, lembra que “o problema vem quando um parceiro pode se tornar uma ameaça para alguma linha de produtos. Aí é onde o conservadorismo pode emperrar o open banking de avançar”.

Fonte: DCI

Bancos fecham recorde de 1,5 mil agências no Brasil em 2017

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Segundo o BC, os bancos encerraram o ano passado com 21.062 agências em funcionamento, a maior redução da série.

Após o sistema financeiro do país ter fechado um recorde de quase 1,5 mil agências em 2017, os maiores bancos de varejo no Brasil planejam suavizar o ciclo de redução do número de agências neste ano, enquanto avaliam qual o melhor uso da rede física para gerar mais receitas.

Segundo dados do Banco Central, os bancos encerraram o ano passado com 21.062 agências em funcionamento, 1.485 a menos do que em 2016, a maior redução da série.

O movimento foi liderado pelo próprio BB, que sozinho fechou 670 agências, dentro de um processo de redução de custos que também envolveu um programa de demissão de voluntária (PDV) para cerca de 10 mil empregados.

O Bradesco encerrou 564 agências, em meio ao forte esforço de ajuste após a compra do HSBC, em 2016, operação que acrescentou cerca de 850 postos físicos ao grupo. A rede do Itaú Unibanco diminuiu em 125 postos e a Caixa Econômica Federal encerrou 18 agências. O Santander Brasil foi o único entre os cinco maiores do país a ampliar a rede, com 3 agências a mais.

Redução de custos
Embora o pano de fundo desse movimento, o foco no ganho de eficiência e redução de custos, deve seguir uma ênfase dos bancos para este ano, com previsão de que os custos administrativos cresçam no máximo a inflação do período, o ritmo de redução de agências vai diminuir, ou até parar.

“Há uma vantagem competitiva em ter uma rede de agências ampla como a que temos”, disse nesta semana Octavio de Lazari, no dia em que foi nomeado futuro presidente-executivo do Bradesco, cargo que deve assumir em março.

O Itaú Unibanco, que nos últimos anos têm feito investimentos relevantes para multiplicar sua base de agências digitais, que atendem os clientes remotamente, também vai moderar no ajuste da rede física, após ter fechado 380 unidades nos últimos três anos, entre agências e postos de atendimento, mesmo com a incorporação de uma rede de cerca de 70 postos com a compra do Citi, também em 2017.

“Não vamos fechar grande número de agências num futuro próximo”, disse o presidente-executivo do Itaú Unibanco, Candido Bracher, durante apresentação na terça-feira sobre os resultados do quarto trimestre.

Ajustes na estrutura
O BB, após a forte contração da rede física em 2017, passou a fazer ajustes linha fina na sua estrutura, definindo fechamento ou abertura de agências por questões pontuais, como segurança. A exemplo do que já fizera no ano anterior, o BB fechou algumas unidades em cidades do Nordeste que foram várias vezes alvos de explosões.

“Nestas cidades, continuamos atendendo clientes por meio de unidades do Banco Postal”, disse um alto executivo do banco sob condição de anonimato, referindo-se à parceria que o BB tem com os Correios para serviço de correspondente bancário.

A desaceleração dos bancos no ritmo de redução da estrutura de agência ocorre no momento em que as instituições financeiras têm preferido esperar para decidir qual o melhor uso dessas estruturas. Segundo executivos dos próprios bancos, há limites para negócios financeiros que operam apenas com canais digitais, já que oportunidades de interação com os clientes são perdidas.

“Temos que pensar como usar melhor esses espaços de forma mais integrada com os canais digitais e que gerem mais negócios”, disse na véspera Maurício Minas, vice-presidente responsável por TI no Bradesco.

Fonte: G1

Odebrecht pede R$ 3,5 bi a Bradesco, Itaú, BB e Santander, mas encontra resistência

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Segundo fontes, credores, que ainda não bateram o martelo nem demonstram apetite, defendem que é preciso limitar o endividamento do grupo

A Odebrecht S.A. procurou Bradesco, Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Santander para negociar um novo empréstimo bilionário para fazer frente aos seus compromissos financeiros e também tocar projetos no curto prazo, conforme apurou o Broadcast. A conversa, embora ainda esteja no começo, já enfrenta resistência, uma vez que essas instituições estão dispostas a liberar um valor menor, de cerca de R$ 1 bilhão, do que a companhia estaria buscando, de R$ 3,5 bilhões.

O avanço na negociação com os bancos, conforme uma fonte, dependerá, contudo, da contrapartida que a Odebrecht vai oferecer para obter dinheiro novo. Os credores, que ainda não bateram o martelo nem demonstram apetite, defendem que é preciso limitar o endividamento do grupo e suas respectivas empresas e ainda verificar a real necessidade do recurso novo a despeito do esforço de reestruturação de dívidas e venda de ativos. “A Odebrecht ainda está estruturando as proposições”, afirma uma fonte próxima às conversas com os bancos, na condição de anonimato.
A Odebrecht teria ofertado aos bancos, de acordo com outra fonte, usar novamente as ações da Braskem que tiveram forte valorização recentemente. Essa estrutura foi usada desde a reestruturação da dívida da Atvos (ex-Agroindustrial). Como os papéis da Braskem estão valorizados – somente em um ano subiram mais de 35% –, o objetivo da Odebrecht é obter mais dinheiro com a mesma garantia.

No entanto, além do apetite de cada credor, a liberação de novos recursos também dependerá de um consenso entre os bancos credores. Isso porque existe uma espécie de “pacto” das instituições financeiras em relação ao endividamento da Odebrecht. Não há nada formal, mas, segundo uma fonte, um “combinado” entre os bancos, no qual consentiram que movimentações de crédito junto à companhia só ocorrerão com o aval de todos.

O apetite limitado dos bancos credores não é à toa. Essas instituições aportaram volumes relevantes de recursos na companhia logo após a prisão de Marcelo Odebrecht, evitando que o grupo enfrentasse uma recuperação judicial.

Apesar de duros na negociação, os bancos não querem, contudo, que a Odebrecht se torne mais um caso de inadimplência em seus balanços. Pesa, sobretudo, o fato de essas instituições financeiras estarem saindo da pior crise em termos de calotes e ainda lidarem com casos específicos no setor corporativo trimestre após trimestre. Por isso, devem buscar uma alternativa.

Uma das saídas é a Odebrecht se desfazer de ao menos um pedaço de sua fatia na Braskem, no âmbito da oferta subsequente(follow on), que já está sendo preparada pela Petrobras, que busca uma porta de saída da petroquímica. A venda de alguma fatia da Braskem pela Odebrecht está sendo discutida, o problema é que até aqui a empreiteira tem relutado em seguir esse caminho e quer manter o controle da empresa, que é responsável por uma parte relevante das receitas do grupo.

Essa decisão, conforme fontes, depende ainda do acordo de acionistas da Braskem, que vem sendo discutido entre Petrobras e Odebrecht. Somente a partir disso é que a própria Petrobras definirá o quanto irá vender no follow on, que quer que aconteça ainda neste ano. Na Braskem, a Odebrecht detém 50,1% das ações ordinárias.
Dívidas. Um dos maiores gargalos de curto prazo está na dívida de R$ 500 milhões em bônus emitidos no exterior pelo braço financeiro do grupo e garantidos pela construtora, que atualmente está no foco da Odebrecht para evitar a insolvência. Esses papéis têm vencimento em abril deste ano. Os demais títulos de dívida (bônus) vencem a partir de 2020.

Nesse momento, a holding estuda como pode, de acordo com uma fonte, apoiar uma eventual reestruturação no exterior da dívida que não estaria considerada no crédito novo que o grupo pleiteia junto a credores locais. A capitalização da construtora é tida como a etapa final da reestruturação dos negócios do grupo.

O principal problema da construtora é justamente o encolhimento de seu caixa, em consequência da paralisação de sua carteira de contratos (backlog), na esteira da Lava Jato. A saúde financeira da construtora depende também da liberação de uma linha de cerca de R$ 600 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) de obras realizadas em Angola.

A Odebrecht S.A. compreende os diversos negócios do grupo. Além de ter metade da Braskem, atua nos setores de engenharia e Construção, indústria, imobiliário, infraestrutura e energia. Fundada pelo engenheiro pernambucano Norberto Odebrecht, no ano de 1944, em Salvador, foi uma das protagonistas da Operação Lava Jato, o maior esquema de corrupção da história brasileira.

Procurados, Bradesco, BB, Itaú, Santander não comentaram. A Odebrecht também não se manifestou.

 

Fonte: Estadão

Concurso Banco do Brasil 2018: Está na Hora de estudar

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Para muitos, um dos editais mais esperados é o do Concurso Banco do Brasil 2018 que pode oferecer inúmeras vagas para quem terminou o ensino médio e também para nível superior. Com o atrativo de uma boa remuneração, benefícios do cargo, bom local de trabalho e a tão desejada estabilidade oferecida pelo concurso.

Por enquanto ainda não há previsão para a abertura de um novo edital, entretanto, o Tribunal Regional do Trabalho da 10º Região decidiu pedir um novo concurso do Banco do Brasil que tem o prazo para ocorrer em até dois anos. Para os interessados em conquistar uma vaga já devem começar os estudos através de editais passados e provas que podem ser de grande ajuda.

Concurso Banco do Brasil 2018 como é realizado?
O último concurso oferecido pela entidade foi em 2015 que contou com uma seleção para preencher mais de 800 vagas, as matérias exigidas são: língua portuguesa, raciocínio lógico-matemático, atualidades do mercado financeiro, cultura organizacional, técnicas de vendas, atendimento, domínio produtivo da informática, conhecimentos bancários, língua inglesa e redação.

A prova contou com 70 questões, divididas em 25 de conhecimentos básicos e 45 de conhecimentos específicos com um total de 100 pontos. A taxa de inscrição fica em torno de R$50,00 o salário oferecido aos escriturários de nível médio completo teve um aumento para R$3.952,03 incluindo os benefícios.

Fundado em 12 de outubro de 1808, o Banco do Brasil S.A. foi à primeira instituição bancária a operar no país e, em mais de 200 anos de existência, acumulou experiências e colecionou inovações, participando vivamente da história e da cultura nacionais.

A marca “Banco do Brasil” é uma das mais conhecidas e valorizadas pelos brasileiros, que reconhecem na Instituição atributos como solidez, confiança, credibilidade, segurança e modernidade. Por meio de atuação bastante competitiva nos mercados em que atua, o Banco do Brasil é uma companhia lucrativa alinhada a valores sociais.

Fonte: A Folha Hoje

Lewandowski homologa acordo sobre planos econômicos e processos vão ao Plenário do STF

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BRASÍLIA (Reuters) – O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou nesta quinta-feira o acordo firmado entre poupadores e bancos para compensar perdas com expurgos inflacionários causadas pelos planos econômicos Cruzado, Bresser, Verão, Collor I e II das décadas de 80 e 90.

O acordo do ministro é o último e mais abrangente entre os homologados por ministros do Supremo, informou a Advocacia Geral da União. Lewandowski pediu a confirmação de sua decisão pelo plenário do STF.

O acordo estabelece descontos de 8 a 19 por cento para os clientes que têm mais de 5 mil reais a receber dos bancos. Até esse limite, o pagamento será à vista, sem abatimento. Antes, haviam validado cláusulas do acordo os ministros da corte Gilmar Mendes e Dias Toffoli.

Em sua decisão, Lewandowski destacou que todas as salvaguardas legais foram tomadas nesse processo de acordo coletivo.

“Apesar da existente controvérsia sobre a justiça do acordo, penso que, na medida em que persiste a incerteza sobre o resultado final do litígio no âmbito do Supremo Tribunal Federal, o qual tem competência constitucional para proferir a última palavra sobre ele, e considerando a já mencionada existência de todas as salvaguardas necessárias para a higidez do acordo, afigura-se, a meu ver, recomendável a homologação da avença, possibilitando aos interessados aderirem ou não a este, conforme a conveniência de cada um”, decidiu.

Aderiram ao acordo os bancos Itaú Unibanco, Bradesco, Santander Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, e outros bancos têm até 90 dias, contados a partir de dezembro passado, para manifestarem interesse em participar, informou a AGU no fim do ano passado.

(Reportagem de Ricardo Brito)

Incerteza eleitoral deverá afetar crescimento do Brasil, diz FMI

Publicado em: 26/01/2018
Em novo relatório sobre a expectativa de crescimento do Brasil divulgado nesta quinta-feira, o FMI (Fundo Monetário Internacional) considera que o processo eleitoral do País deve pesar no desempenho da economia em 2018. A incerteza sobre a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após sua condenação em segunda instância nesta quarta-feira, não chegou a ser levada em conta na análise – mas é “um fator adicional”. “Um processo eleitoral com maior nível de conflito gera mais incerteza, obviamente”, afirmou a jornalistas o diretor do FMI Alejandro Werner, que comanda as análises para a América Latina.
Recentemente, o órgão elevou a expectativa de crescimento do Brasil de 1,5% para 1,9% em 2018. Werner afirma que a retomada de investimentos no País, somada à queda da inflação e dos juros, “surpreendeu” a equipe do FMI, e ajudou a melhorar a previsão de crescimento. Ela é, porém, menos otimista que a de outros analistas, que preveem uma taxa de quase 3% – o que se dá exatamente pela incerteza do processo eleitoral.
No entanto Werner afirmou que o fundo se surpreendeu e revisou para cima a expectativa do crescimento em 2017, por causa de uma retomada maior que a imaginada no investimento e pelo crescimento do consumo causado pela queda da inflação, que permitiu uma redução mais efetiva de juros por parte do Banco Central. O FMI estimou que o País cresceu 1,1% em 2017. O fundo acredita que a economia brasileira vá avançar 1,9% neste ano e 2,1% em 2019. Os resultados esperados são 0,4 ponto percentual e 0,1 ponto percentual maiores que as estimativas divulgadas em outubro.
Para o diretor do FMI, os investimentos no Brasil devem ser postergados ou reduzidos na expectativa do resultado das eleições, no final do ano – em especial, se os candidatos que liderarem as pesquisas não se comprometerem com agendas de ajuste fiscal e reformas como a previdenciária e a tributária. O diretor não chegou a mencionar especificamente o ex-presidente Lula, que atualmente se opõe à proposta da reforma da Previdência encampada pelo governo de Michel Temer (PMDB).
Para o FMI, ajustes como a reforma previdenciária podem assegurar o crescimento da economia brasileira a taxas sustentáveis, especialmente se conseguirem controlar a dívida pública. “Essa é uma agenda pendente muito, muito importante”, afirmou Werner.
Sob forte oposição de setores da sociedade, a reforma da Previdência está sob impasse no Congresso. O governo Temer não tem os votos suficientes para aprová-la, e negocia com os partidos. A expectativa do governo era aprová-la até fevereiro, o que atualmente é considerado difícil.
Para Werner, mais importante do que a rapidez da reforma é a sua qualidade. “É mais importante que se faça bem do que se faça rápido”, afirmou o diretor do FMI.
Segundo ele, o ajuste ajuda a sanear as finanças públicas do Brasil no médio prazo. Um atraso de quatro ou cinco meses em sua aprovação, portanto, não seria tão relevante caso ela seja bem-feita e consiga controlar o déficit previdenciário. No ano passado, o déficit da Previdência Social chegou ao recorde de R$ 268 bilhões, segundo o governo.

Mais da metade das empresas federais ainda não cumpre a Lei das Estatais

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Um ano e meio após a sanção da Lei das Estatais – criada para dar um caráter mais técnico às administrações de empresas públicas -, mais da metade ainda não cumpre a legislação. O prazo para que elas ajustem seus estatutos às novas regras termina no dia 30 de julho. Das 147 estatais da União, 84 não aprovaram as mudanças que tentam barrar ingerência política. O levantamento, obtido pelo Estadão/Broadcast, foi feito pelo Ministério do Planejamento.

A Lei das Estatais foi uma das primeiras sancionadas pelo presidente Michel Temer, que defendeu a necessidade de “sanear” empresas públicas após uma série de escândalos sobre desvios de recursos e ingerência política, embora diversas legendas aliadas do governo, incluindo o próprio partido do presidente (MDB), façam indicações políticas para cargos de alto escalão.

A lei proíbe, por exemplo, indicação de dirigentes políticos e de parlamentares (mesmo licenciados) a cargos de presidente, diretor e membro de conselho de administração de estatais. Também estabelece regras para o funcionamento de comitês e conselhos, com o objetivo de melhorar as práticas dentro das companhias.

Apesar das exigências técnicas, não existe uma regra específica para barrar a indicação de pessoas ligadas a políticos, mas que não sejam parentes ou não tenham relação formal com partidos. “A lei estabelece claramente os critérios positivos e negativos. Se a pessoa entra naqueles critérios, ela é apta a exercer o cargo, independentemente da indicação política”, diz o secretário de Empresas Estatais do Ministério do Planejamento, Fernando Soares.

Segundo ele, a determinação no governo é buscar pessoas qualificadas, mas não se pode correr o risco de “demonizar” a política. O secretário lembrou ainda que o governo é “dono” da estatal e pode fazer indicações, assim como um controlador de uma empresa privada.

Das 147 empresas estatais do governo federal, 63 já fizeram as mudanças necessárias, entre elas BNDES, Petrobrás, Eletrobrás, Banco do Brasil e, mais recentemente, Caixa. O banco estatal se adequou à Lei das Estatais dias depois de ter afastado quatro vice-presidentes por suspeitas de irregularidades (um acabou sendo reconduzido). Dos 12 vices da Caixa, apenas um não era indicado de partidos políticos.

Os gestores indicados antes da vigência da lei não precisam ser destituídos. Mas o secretário garante que os critérios técnicos serão cobrados na renovação dos mandatos, impedindo reconduções de quem não tem as competências exigidas. “Isso (manutenção do cargo) não é um problema. Pode falar que é um problema político e técnico, mas não é jurídico. Não é nenhuma ilegalidade. Ele tem direito a cumprir aquele mandato. Vai renovar? Não”, diz.

Entre as 84 que faltam, estão os Correios. Em grave dificuldade financeira e com um histórico de interferência política, a empresa já aprovou internamente o novo estatuto e deve apreciá-lo em assembleia-geral no dia 30 deste mês. A estatal informou que adotou medidas de forma antecipada, entre elas a inclusão dos requisitos e vedações para administradores e conselheiros.

Quem não cumprir o calendário estará sujeito à fiscalização dos órgãos controladores a partir de 1.º de julho. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Isto É

Claudia Safatle, do Valor: governo aperta os controles nas estatais

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Duas resoluções da Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União (CGPAR), publicadas hoje, colocam uma trava no crescimento acelerado dos gastos com os planos de saúde das 147 empresas estatais. O percentual dos gastos de saúde com funcionários ativos e inativos na folha de salários do ano passado, acrescido de uma margem de 10% ou o limite máximo de 8% da folha – o que for menor- será o teto para a empresas custearem os planos das companhias estatais por autogestão.

São quatro as modalidades de planos: autogestão por operadora própria (a exemplo da Cassi, do Banco do Brasil), os que são geridos pela área de recursos humanos, os que optam por uma operadora de mercado e os que trabalham com o ressarcimento das despesas. As resoluções vedam a criação de novos planos administrados pelos RH das empresas e limita a lista de dependentes aos cônjuges e filhos, proibindo a inclusão dos pais e outros.

Haverá prazo de 48 meses para que todas migrem para um sistema paritário de contribuição aos planos de saúde, sendo 50% para as empresas e 50% para os funcionários.

Atualmente a média é de 75% para as estatais e de 25% para seus empregados, mas há casos como o dos Correios – empresa em grande dificuldade financeira – que arca com quase 95% dessa despesa com ativos e inativos, o que correspondeu a quase R$ 2 bilhões no ano passado.

Esse é um gasto que cresce de forma “exponencial”, segundo Fernando Soares, secretário de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest) do Ministério do Planejamento. Foi de R$ 7,5 bilhões em 2014, R$ 8,4 no período seguinte e de R$ 9,2 bilhões em 2016 para um total de 500 mil funcionários. Considerando que cada um tem dois filhos, os planos beneficiam um universo de 1,5 milhões de pessoas. A folha de pagamento das empresas, em 2016, foi de R$ 92,6 bilhões.

As resoluções são mais um torniquete aprovado pela CGPar – uma espécie de Conselho Monetário (CMN) das estatais – para controlar as despesas do conjunto das empresas federais. Além de definir um teto o gasto com saúde, os dois atos chamam a direção das empresas e o conselho de administração à responsabilidade para que controlem de perto o desempenho da despesa.

Soares disse que em um ano e nove meses de governo Temer o número de empresas caiu de 154 para 147 e houve um enxugamento de 43 mil funcionários, na sua maioria por adesão a programas de demissão voluntária. Ele garantiu que essas vagas ficarão congeladas por tempo indeterminado.

Das sete estatais que saíram do mapa, uma foi privatizadas (Celg), duas incorporadas (BBCor e Telebras Copa), a Downstream foi extinta e a NTS gasoduto, vendida (ambas da Petrobras) e a Carboquímica Catarinense foi fechada. Neste ano, um decreto presidencial autorizou a liquidação da Companhia Docas do Maranhão (Codomar) em um prazo de 180 dias.

Não se trata de questão meramente fiscal, segundo o secretário, de ter que vender ou fechar empresas e fazer caixa para cumprir metas de resultado primário. “Temos que reduzir custos, as estatais têm que gerar resultados, melhorar a produtividade”, observou.

“A orientação do governo é ficar com o que faz sentido para a operação do Estado”, disse Soares. “Estamos olhando empresa por empresa para ver qual a sua finalidade, se há provisão de serviços pelo setor privado ou se ela é necessária para a sociedade”, explicou, acrescentando: “É para reduzir o Estado empresário e aumentar o Estado regulador”.

Algum resultado vem sendo obtido. Em 2015 as estatais realizaram um prejuízo de R$ 32 bilhões. Em 2016, o resultado virou para um lucro de R$ 4,6 bilhões.

Para 2017 ainda não há informações sobre todas as companhias, mas as cinco grandes (Petrobras, BB, Caixa, Eletrobras e BNDES), que respondem por 95% do patrimonio líquido das estatais, apresentaram resultado positivo de R$ 23,2 bilhões até setembro. Isso decorreu da política de desinvestimentos da Petrobras e da BNDESpar, do corte de pessoal com os programas de demissão voluntária e com extinção de empresas. No ano passado houve a venda de R$ 4 bilhões em ativos da BNDESpar. Houve, também, uma melhora na atividade econômica, que ajudou. A carteira de ações da BNDESpar ainda soma R$ 82 bilhões, segundo Soares.

A tarefa da Sest é, ainda, promover a reestruturação da Infraero e dos Correios e implementar, até 30 de junho, o estatuto em cerca de 80 empresas, conforme determina a lei 13.303. conhecida como lei de responsabilidade das estatais. Até agora em torno de 60 companhias federais já se adequaram às normas da legislação. A última anunciada foi a Caixa Econômica Federal, que adotou o estatuto e demitiu nesta semana três vice-presidentes denunciados por corrupção.

A lei cria filtros na escolha de dirigentes das companhias estatais que devem desestimular as indicações políticas que tenham objetivos escusos. Não é o caso de demonizar a política e nem de acreditar que a introdução de pré-requisitos a serem seguidos na escolha de presidentes e vice-presidentes das empresas públicas serão suficientes para varrer a corrupção dessa seara. É bom lembrar que o esquema do “petrolão” foi viabilizado por funcionários técnicos da Petrobras posteriormente adotados por partidos políticos.

O estatuto da Caixa já traz, também, o limite para o banco gastar com plano de saúde dos seus funcionários, fixado em 6,5% da folha de salários de 2017.

Segundo o secretário da Sest, os Correios terão que migrar da prestação de serviços postais para o e-commerce, encomendas e logística, nos moldes da parceria com a empresa aérea Azul. Deverá explorar, também, a venda de produtos financeiros nos seus balcões espalhados por todo o país, tais como seguros e títulos de capitalização.

No caso da Infraero, a empresa aeroportuária está com uma sobra de 4 mil funcionários. As empresas privadas levaram os ativos e a estatal ficou com os funcionários. Estuda-se várias propostas de parceria com o setor privado para reestruturar a Infraero, inclusive com a venda do controle da empresa.

Estatais seguem em alta após disparada de quarta; elétrica salta 6% com privatização mais próxima

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Seguindo o movimento dos ADRs (American Depositary Receipts) na véspera, que manteve os ganhos em meio ao ânimo após a condenação de Lula, o dia é de ganhos para os papéis da Petrobras que, contudo, amenizaram um pouco a alta durante o pregão. Eletrobras (ELET3, R$ 19,92, +1,89%;ELET6, R$ 23,36, +3,13%) e Banco do Brasil (BBAS3, R$ 38,56, +1,50%) também sobem. As estatais costumam ser sensíveis ao cenário político – e o petista é visto como um dos maiores riscos no cenário eleitoral dada as suas últimas falas, em que promete reverter as medidas tomadas durante o governo MichelTemer. A avaliação do mercado, assim, é de que o impedimento de Lula de concorrer às eleições eliminaria um risco para os investidores.

Aproveitando a maré positiva do mercado, a Petrobras levantou US$ 2 bilhões com bônus com vencimento em 2029 e manteve a tradição de rolar parte da sua dívida em janeiro. A operação teve demanda de quase US$ 10 bilhões e os títulos saíram com um retorno ao investidor (“yield”) de 5,95%. Os recursos serão usados para propósitos gerais pela empresa, incluindo o pagamento de dívidas mais próximas, como os títulos que vencem em janeiro, março e abril de 2019.

Ainda sobre a Petrobras, o jornal O Globo informa que o governo aposta num leilão de petróleo com potencial de arrecadação de até R$ 80 bilhões, o que ajudará a reforçar as contas públicas este ano. O certame bilionário, porém, dependia de um acerto de contas entre União e Petrobras sobre a cessão onerosa – um acordo fechado em 2010 que deu à estatal o direito de explorar cinco bilhões de barris de petróleo no pré-sal. As negociações entre Petrobras e União se arrastavam há meses e foi criado neste começo de ano um grupo de trabalho para discutir o assunto com prazo de 60 dias.

Por fim, a Petrobras informou a redução do preço da gasolina em 0,2% e do diesel em 1,3%, com novos preços nas refinarias válidos a partir de 27 de janeiro.

Vale (VALE3, R$ 41,14, -1,53%)
As ações da Vale seguem o movimento de queda dos ADRs, de 1,75% na véspera, e registram uma das maiores perdas da bolsa nesta sessão. Vale destacar ainda que, nesta data, o dia foi de queda para o contrato futuro do minério de ferro negociado na bolsa de Dalian, com baixa de cerca de 1,5%.

Atenção ainda para os dados da China. O avanço no lucro de grandes empresas industriais chinesas perdeu força em dezembro, com alta de 10,8% na comparação anual, contra um de 14,9% em novembro. Pequim também divulgou hoje um plano detalhado para que empresas alavancadas troquem dívidas por ações, numa nova tentativa de reduzir os elevados níveis de endividamento na segunda maior economia do mundo.

Fibria (FIBR3, R$ 52,60, -1,18%) e Suzano (SUZB3, R$ 20,65, -1,15%)
As ações de Fibria e Suzano registram mais uma queda na bolsa também seguindo os ADRs. As ações sofrem em meio ao cenário de baixa do dólar, já que possuem receitas atreladas à divisa americana, e de menor aversão ao risco do mercado, já que são vistos como papéis defensivos.

Ainda no radar das companhias, o BTG Pactual aponta que os dados da PPPC continuam apontando um mercado para a celulose bastante apertado. Em dezembro, a demanda de hardwood cresceu 7.7% na base anual e os estoques caíram o equivalente a 6 dias para fibra curta, alcançando 36 dias (abaixo da média histórica de 5 anos), com a China puxando forte.

“Os sinais estão mistos com relação a preço, mas estamos confiantes que tem espaço para emplacar o aumento de preço recente da Fibria. O grande risco para o setor é câmbio mas, mesmo com um real mais forte, o potencial de geração de caixa também segue forte”, apontam os analistas, que seguem com recomendação de compra para os ativos.

Natura (NATU3, R$ 36,71, -1,05%)
A Natura também fechou uma captação e precificou emissão externa a 5,375%, segundo fontes ouvidas pela Bloomberg.

BK Brasil (BKBR3, R$ 17,80, +0,85%)
O BK Brasil foi iniciada com recomendação ’outperform’ pelo Bradesco BBI, com preço-alvo de R$ 22.

Cesp (CESP6, R$ 15,49, +5,66%)
As ações da Cesp disparam após o então presidente da República em exercício, Rodrigo Maia, ter assinado o decreto que autoriza a União a renovar o contrato de concessão no setor elétrico de empresas estatais que operam fora do regime de cotas, criado pela Medida Provisória (MP) 579/12, e que venham a ser privatizadas.

O decreto permite que, caso o controlador decida pela privatização da usina, a concessão poderá ser renovada por até 30 anos. Em troca, será preciso pagar uma outorga ao governo federal, que será calculada com base no valor do benefício obtido com o novo contrato, pagando proporcionalmente a esse período adicional.

Na prática, o decreto assinado nesta quinta-feira abre caminho para permitir a privatização da Cesp pelo governo do estado de São Paulo. O processo está paralisado desde setembro de 2017, principalmente em razão da prorrogação antecipada dos contratos de suas usinas.

Uma das usinas da Cesp, a Usina Hidrelétrica Sergio Motta, conhecida como Porto Primavera, cujo contrato venceria em 2028, tem atraído interesse de agentes do setor elétrico que disputam sua privatização. Além dela, a Cesp também opera as usinas hidrelétricas Jaguari e Paraibuna, que somam 1.654,6 megawatts (MW) de capacidade instalada.

Outra possibilidade é que o decreto facilite a venda de usinas hidrelétricas da Eletrobras que operam fora do regime de cotas, a exemplo da Hidrelétrica de Tucuruí, que tem concessão até 2024.

Embraer (EMBR3, R$ 20,03, +1,16%)
Segundo o Estadão, pelo acordo com a Embraer, a Boeing sinaliza concessões. O governo brasileiro recebeu três sinalizações da Boeing no processo de negociação com a Embraer: garantia da autonomia à parceria entre Saab e Embraer na produção dos caças Gripen; transformação do Brasil em um novo polo de produção de componentes dos aviões Boeing fora dos Estados Unidos; e manutenção, como exigem as autoridades brasileiras, do poder de veto do governo na empresa de São José dos Campos (SP).

Os esclarecimentos tentam captar o apoio do governo e diminuir preventivamente a resistência que poderá surgir nos setores políticos, na opinião pública e eventualmente no Judiciário, num momento em que o Palácio do Planalto e área econômica já enfrentam batalhas pela reforma da Previdência e pela pulverização das ações da Eletrobrás – que o governo se recusa a chamar de privatização.

A intenção da Boeing é acelerar conversas, principalmente nos ministérios da Defesa e da Fazenda e no BNDES, para evitar que as negociações se estendam até o início oficial da campanha eleitoral. A empresa americana não quer virar alvo dos palanques, para não reavivar o imbróglio do FX-2, programa de renovação dos caças da FAB vencido pela sueca Saab em detrimento da Boeing e da francesa Dassault.

(Com Agência Brasil e Agência Estado)

Idosos a partir de 60 anos com conta na Caixa ou BB receberão crédito do PIS/Pasep nesta segunda

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Idosos a partir de 60 anos que tenham conta ou poupança individual na Caixa ou no Banco do Brasil receberão na noite desta segunda-feira (22) crédito automático do PIS/Pasep.

Para os idosos acima de 60 anos que não são clientes desses bancos, o saque estará disponível a partir da quarta-feira (24).

Tem direito aos recursos do fundo de cotistas o trabalhador do setor público ou privado que tenha contribuído para o PIS ou Pasep até 4 de outubro de 1988 e que não tenha feito o resgate total do saldo.

Em agosto, o presidente Michel Temer assinou a MP 797/2017 prevendo a liberação de saque para homens a partir de 65 anos e mulheres a partir de 62 anos. O texto perdeu a validade no dia 21 de dezembro, sem ter sido votado pelo Congresso Nacional. Por isso, entrou em vigor a nova MP que traz a idade mínima de 60 anos, tanto para homens quanto para mulheres.

Durante a validade da MP anterior, o pagamento dos recursos seguiu um outro calendário estipulado pelo governo, que teve três lotes, começando em outubro por quem tem a partir de 70 anos, depois para aposentados e então para homens com idade a partir de 65 e mulheres a partir de 62 anos, em novembro. De acordo com o Ministério do Planejamento, os pagamentos que já tinham sido liberados pela MP anterior foram retomados em janeiro.

Ainda segundo o ministério, a nova etapa de saques contempla 3,2 milhões de cotistas do PIS e do Pasep e um valor de R$ 5,6 bilhões.

A liberação do PIS/Pasep para idosos faz parte da agenda positiva do governo Michel Temer, que enfrenta baixa popularidade. A medida é similar ao saque das contas inativas do FGTS, que injetou neste ano cerca de R$ 44 bilhões na economia.

O que são os fundos do PIS/Pasep
Os fundos do PIS e do Pasep funcionaram de 1971 a 1988 e davam direito ao trabalhador de receber o rendimento das cotas e sacar o dinheiro em caso de aposentadoria, doença grave ou ao completar 70 anos.

A partir de outubro de 1988, após a promulgação da Constituição, a arrecadação do PIS/Pasep passou para o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), que paga o seguro-desemprego e o abono salarial, e para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que faz empréstimos a empresas.

Em meio à mudança, muitos que tinham direito ao dinheiro não sacaram os recursos. Por isso, o governo editou a MP que ampliou o limite de idade para os idosos e estipulou um calendário no ano passado para melhor organizar o saque dos recursos.

Participam do fundo trabalhadores de organizações públicas e privadas que contribuíram para o Pasep ou para o PIS até 4 de outubro de 1988 e que não tenham resgatado todo o saldo. Quem passou a contribuir após essa data não possui saldos para resgate. Quem ainda não retirou seus recursos continua podendo sacar o dinheiro.

Fonte: G1

Artigo do ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega sobre o BB

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O Banco do Brasil é a estatal mais emblemática do país. Nasceu em 1808 como banco privado para emitir moeda, uma necessidade criada pela chegada da família real e pela abertura dos portos.

O primeiro BB quebrou em 1829. Emitiu mais do que o lastro. Segundo Pandiá Calógeras, por erros atribuíveis “quase que exclusivamente ao governo, por causa dos empréstimos dispensáveis que solicitara, ou melhor impusera”.

O segundo BB surgiu em 1853 focado em crédito. Nasceu da fusão do Banco do Brasil – criado pelo Barão de Mauá em 1851 – e com Banco Comercial. Manteve-se sob o controle privado.

O terceiro resultou da fusão, do segundo BB com o Banco da República do Brasil, EM 1905. Com a Carteira de Redescontos criada por lei de 1920, descontava seus empréstimos nele mesmo, algo inédito. Começava sua grande ascensão, sob o controle crescente do governo.

A Carteira de Crédito Agrícola e Industrial (lei de 1937) seria sua principal marca. Novas funções, inclusive de banco central, lhe foram atribuídas: monopólio de câmbio, controle e financiamento do comércio exterior, a fiscalização bancária e depositário de recursos dos bancos.

Na lei que criou o Banco Central (BC, de 1964), o BB constou como principal instrumento da política de crédito oficial via Orçamento Monetário, uma estimativa dos balanços anuais do BC e do BB.

Nasceu a “conta de movimento”, que supriria automaticamente o BB de recursos pelo BC, permitindo-lhe conceder “empréstimos sem limite”. Nos anos 1970, o BB virou o oitavo banco do mundo, mais pela forma de expandir seus empréstimos do que pelo porte da economia.

O BC atuava como banco de desenvolvimento, em esquema similar ao do BB, e geria a dívida pública. Um departamento do BB executava o Orçamento da União.

Nos anos 1980, fortes pressões inflacionárias tornaram a situação insustentável. Entre 1983 e 1984 estudos da Fazenda preconizavam abolir a “conta de movimento”, as atividades de desenvolvimento do BC e o Orçamento Monetário. Sugeriam criar a Secretaria do Tesouro Nacional, para que esta assumisse as funções fiscais do BC e do BB.

As medidas foram aprovadas entre 1986 e 1988. O BB foi autorizado a atuar como qualquer outra instituição financeira. Malograram os temores de que ele não venceria os desafios.

Em 1995, o BB iniciou sua transformação. Diversificou operações, sofisticou a base tecnológica e ganhou eficiência. Arca, ainda, com o ônus de ser estatal. Tem sede em Brasília. Muda frequentemente a administração e a estratégia. Sofre o custo da fiscalização do Tribunal de Contas da União e da subordinação à Lei de Licitações.

A saída é a privatização. O BB está pronto. Poderá premiar funcionários por geração de negócios e produtividade, como em bancos privados. Livre do jugo do governo, aumentará a competição no mercado bancário e ampliará o papel de apoio ao desenvolvimento do país.

Surgirá um banco mais competitivo. O quarto Banco do Brasil da história será mais forte e promissor.

Fonte: paraíba online

BB vai ofertar mais de R$ 12 bi para pré-custeio da safra

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BRASÍLIA – O Banco do Brasil começará a ofertar a partir da próxima terça-feira, dia 30, mais de R$ 12 bilhões em recursos para o financiamento do pré-custeio da próxima safra, a 2018/19, que começa oficialmente em 1º de julho deste ano.

O anúncio deve ser feito no mesmo dia pelo presidente Michel Temer, pelo presidente do Banco do Brasil, Paulo Caffarelli e pelo ministro da Agricultura, Blairo Maggi, em RioVerde (GO), um dos polos do agronegócio no país.

O volume a ser emprestado pelo banco — líder em crédito rural, com 60% de participação nesse mercado — para o pré-custeio da próxima safra está em linha com os R$ 12 bilhões disponibilizados no ano passado para o mesmo fim na safra atual, a 2017/18, que se encerrará em 30 de junho próximo. Desse valor garantido pelo BB no primeiro semestre de 2017, foram liberados R$ 10,8 bilhões.

O montante para o pré-custeio da nova safra faz parte dos recursos do Plano Safra 2017/18, que está em vigor e contém R$ 188,3 bilhões anunciados pelo governo em 2017. Esses financiamentos são baseados em fontes de recursos como depósitos à vista e captações com poupança rural. Logo, os juros das operações serão os mesmos aplicados atualmente: 8,5% ao ano para o custeio agropecuário, e 7,5% ao ano na linha do Pronamp, voltada a médios produtores.

Os financiamentos para pré-custeio rural geralmente são utilizados pelos agricultores para antecipar a aquisição de insumos, como fertilizantes e defensivos, e são tomados no primeiro semestre, a partir de fevereiro, antes de a safra começar.

Fonte: Valor Econômico

Governo do Estado entra com ação contra BB por litigância de má fé

Publicado em: 25/01/2018

A Procuradoria-geral do Estado (PGE) entrou com uma nova petição contra o Banco do Brasil (BB), desta vez além de pedir a aplicação da multa e da prisão da superintendente, foi solicitado pela PGE o pedido de aplicação da litigância de má fé, pois o BB continua segundo a acusação sem cumprir a decisão de autorizar um empréstimo de R$ 150 milhões ao Governo do Estado.

Segundo membros da PGE, o BB atravessou uma petição mentirosa dizendo que não haviam cumprido o chek list quando na realidade teria sido provado que toda a documentação teria sido apresentada e o Banco segue desrespeitando a Justiça.

O dinheiro é proveniente de operações de crédito da União que foram direcionados à Paraíba para o desenvolvimento de programas de infraestrutura e para ações do programa Minha Casa, Minha Vida, sendo R$ 112 milhões para o primeiro e R$ 36,94 milhões para o segundo.

Veja a nona Petição na integra:

EXCELENTÍSSIMA SENHORA JUÍZA DE DIREITO DA 1ª VARA DA FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE JOÃO PESSOA – PARAÍBA

Processo número 0801033-82.2018.8.15.2001

ESTADO DA PARAÍBA, por seu procurador ao final assinado, já qualificado nos autos da AÇÃO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER tombada sob número acima referenciado, promovido perante este Órgão Jurisdicional, em desfavor do BANCO DO BRASIL, ciente da petição de Id 12027523, vem, pe¬rante este Órgão Jurisdicional, na guarda do prazo legal, apre¬sentar sua manifestação, o que faz com arrimo nos moti¬vos de fato e de direito abaixo ex¬postos:

1. Conforme se extrai da petição apresentada em (Id 12027523), a parte adversa pro¬cura, em mais uma oportunidade, pela via oblí¬qua, ob¬ter um novo pro¬nun¬ci¬amento jurisdi¬cional, que se amolde aos seus exclusivos interesses, em flagrante vulneração ao comando decisório exarado por este Órgão Jurisdicional.

2. E isso porque – em vez de emprestar cumprimento à r. Decisão Interlocutória datada de (Id) – o Banco do Brasil S/A, irresponsável e arbitrariamente, torna a sustentar o seguinte:

(a) “a existência de providências a serem adotadas pelo Estado da Paraíba – que são indispensáveis para a formalização dos aditivos das operações já formalizadas”;

(b) as providências em questão deveriam ser adotadas no âmbito no sítio do Sistema de Análise da Dívida Pública (SADIPEM); e

(c) a necessidade do pagamento de R$ 43.010.604,61 (quarenta e três milhões, dez mil, seiscentos e quatro reais e sessenta e um centavos) decorrentes do encerramento dos serviços de processamento da folha de pessoal do Estado da Paraíba.

3. As alegações do Banco do Brasil S/A não merecem acolhida.

4. Primeiramente, porque – diferentemente do que alegado – todas as providências relacionadas à conduta exclusiva do Estado da Paraíba já foram adotadas no âmbito do Sistema de Análise da Dívida Pública (SADIPEM).

5. Para espancar qualquer dúvida, impende registrar o seguinte:

(a) no dia 15 de janeiro de 2018, o Estado da Paraíba solicitou ao Banco do Brasil S/A o novo cronograma da operação de crédito programa de infraestrutura no valor de R$ 112.800.000,00 (cento e doze milhões e oitocentos mil reais), para fins de inclusão no SADIPEM, sendo que – até o presente momento – a parte adversa não ofereceu qualquer resposta, conforme se infere do e-mail em anexo (doc. 01);

(b) no dia 16 de janeiro de 2018, o Estado da Paraíba encaminhou ao Banco do Brasil S/A uma série de documentos objetivando a agilização das providências constantes do Ofício 69/2018/COPOM/SURIN/STN/MF – DF, dentre os quais se encontram o Anexo I da LOA 2018, o QDD 2018, a Lei 11.057/2017, Pareceres Jurídicos e Técnicos das 02 (duas) operações de crédito (doc. 02);

(c) no que diz com a operação de crédito programa de infraestrutura no valor de R$ 112.800.000,00 (cento e doze milhões e oitocentos mil reais), desde o dia 18 de janeiro de 2018, o Estado da Paraíba preencheu, no âmbito do SADIPEM, os itens 2, 3, 4, 5 e 6 previstos no Ofício 69/2018/COPOM/SURIN/STN/MF – DF, sendo que o prosseguimento do preenchimento demanda a apresentação – por parte do Banco do Brasil S/A – do novo cronograma acima referenciado, assim como da observância dos itens cujo preenchimento compete, exclusivamente, a parte adversa (7, 8 e 10 do Ofício 69/2018/COPOM/SURIN/STN/MF – DF);

(d) em 22 de janeiro de 2018, o Estado da Paraíba, por intermédio do seu Governador, subscreveu digitalmente a operação de crédito programa minha casa minha vida no valor de R$ 36.943.220,59 (trinta e seis milhões, novecentos e quarenta e três mil, duzentos e vinte reais e cinquenta e nove centavos), atendendo, portanto aos itens 1, 2, 3, 4, 5 e 6 do Ofício 69/2018/COPOM/SURIN/STN/MF – DF, remanescendo, ainda, a necessidade do Banco do Brasil S/A preencher os itens sob sua responsabilidade (11, 12 e 13 do Ofício 69/2018/COPOM/SURIN/STN/MF – DF) (doc. 03).

6. Como é evidente, todas as providências relacionadas à conduta exclusiva do Estado da Paraíba já foram adotadas em todos os âmbitos, inclusive no do Sistema de Análise da Dívida Pública (SADIPEM).

7. Vê-se, pois, que a ausência de formalização do contrato de garantia e contragarantia com a União – assim como do Primeiro Termo Aditivo de cada uma das operações de crédito em questão –, como se tem demonstrado ao longo da marcha processual, deu-se por culpa exclusiva do Banco do Brasil S/A.

8. Para espancar qualquer dúvida, traz-se à colação expedientes da Controladoria Geral do Estado da Paraíba (doc. 04).

9. A conduta do Banco do Brasil S/A revela – em mais esta oportunidade – desrespeito à boa-fé objetiva.

10. Ora, a boa-fé objetiva, consagrada pelo artigo 422, do Có¬digo Civil, exige que as partes atuem de forma coerente ao longo da exe¬cução do contrato, prestigiando a confiança que lhe foi depositada pela parte contrária. Faz-se imperioso, portanto, que as partes não adotem posi-cionamentos e atitudes contraditórias.

11. Objetivamente, o sistema legal vigente veda o venire con¬tra factum proprium – o que foi absolutamente ignorado pelo Banco do Brasil S/A.

12. Afigura-se evidente, portanto, a ilegitimidade da conduta do Banco do Brasil S/A no caso concreto.

13. Mas não apenas isso!

14. Em relação ao já enfrentado e superado argumento segundo o qual seria necessário o pagamento de R$ 43.010.604,61 (quarenta e três milhões, dez mil, seiscentos e quatro reais e sessenta e um centavos) decorrentes do encerramento dos serviços de processamento da folha de pessoal do Estado da Paraíba para fins de ultimação das operações de crédito em questão, impende relembrar que o sistema jurídico pátrio veda a adoção de mecanismos de coerção indireta para a cobrança de créditos.

15. Com efeito, o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário 565.048/RS, submetido ao rito da repercussão geral, firmou o entendimento de que o Estado não poder adotar sanções políticas, que se caracterizam pela utilização de meios de coerção indireta que impeçam ou dificultem o exercício da atividade econômica, para constranger o contribuinte ao pagamento de tributos em atraso, estando o ente público vinculado ao procedimento de execução fiscal para a cobrança de seus créditos, no qual é assegurado ao devedor o devido processo legal:

TRIBUTO – ARRECADAÇÃO – SANÇÃO POLÍTICA. Discrepa, a mais não poder, da Carta Federal a sanção política objetivando a cobrança de tributos – Verbetes nº 70, 323 e 547 da Súmula do Supremo. TRIBUTO – DÉBITO – NOTAS FISCAIS – CAUÇÃO – SANÇÃO POLÍTICA – IMPROPRIEDADE. Consubstancia sanção política visando o recolhimento de tributo condicionar a expedição de notas fiscais a fiança, garantia real ou fidejussória por parte do contribuinte. Inconstitucionalidade do parágrafo único do artigo 42 da Lei nº 8.820/89, do Estado do Rio Grande do Sul (RE 565048, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 29/05/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO DJe-197 DIVULG 08-10-2014 PUBLIC 09-10-2014).

16. Ora, no caso concreto, é evidente que o Banco do Brasil S/A está promovendo verdadeira coerção indireta para fazer valer a cobrança de suposto crédito – cuja existência o Estado da Paraíba rechaça desde já –, com manifesto prejuízo para consecução dos objetivos públicos aos quais se destinam os recursos objetos dos empréstimos acima noticiados, com manifesto prejuízo à população paraibana.

17. Não se pode, assim, condicionar a ultimação das operações de crédito em questão ao pagamento de R$ 43.010.604,61 (quarenta e três milhões, dez mil, seiscentos e quatro reais e sessenta e um centavos).

18. Diante do exposto, o ora Estado da Paraíba requer a este Órgão Jurisdicional que se digne de:

(a) acaso se entenda por bem conhecer da petição datada de (Id) – o que se admite como mero argu-mento -, rechaçar os argumentos nela contidos, já que se afigura evidente a ilegitimidade da conduta do Banco do Brasil S/A no caso concreto na medida em que representa verdadeira sanção política cujo objetivo é a cobrança de suposto crédito relacionado a negócio jurídico sem qualquer relação com as operações de crédito propriamente ditas;

(b) em qualquer caso, manter a determinação de assinatura das operações de crédito em questão – notadamente os contratos de garantia e contragarantia, assim como o Primeiro Termo Aditivo de cada uma das operações de crédito em questão, indispensáveis à promoção das adequações necessárias no que diz com o cronograma e, sendo o caso, do indexador, tudo isto devido ao transcurso de prazo entre a data da ultimação das contratações (12/05/2016) e a efetiva autorização da garantia da União (28/12/2017); e

(c) considerando-se a insuficiência do valor originariamente fixado, majorar a multa diária para o patamar de 30% (trinta por cento) do valor conjunto das operações de crédito;

(d) determinar a extração de cópias das principais peças destes autos para remessa das mesmas à Polícia Civil, para que seja instaurado Inquérito Policial contra o representante legal do Banco do Brasil S/A, para apuração, em tese, do crime de desobediência, incluindo a decretação de prisão do referido representante legal, expedindo – se o competente mandado à Polícia Civil, para cumprimento imediato do mesmo, especialmente pelo fato de que foram indicados por esse Douto Juízo todos os elementos essenciais à fiel execução da determinação judicial.

(e) finalmente, ante a tentativa de manipular ardilosamente a verdade dos fatos, con¬denar o Banco do Brasil S/A por litigância de má-fé, nos termos do que dispõe o ar¬tigo 80, I, II e III, do Código de Pro¬cesso Civil, com a aplicação da multa e nas verbas indeni¬zatórias;

PEDE DEFERIMENTO
João Pessoa, 15 de janeiro de 2017

GILBERTO CARNEIRO DA GAMA
Procurador Geral do Estado

PAULO MÁRCIO SOARES MADRUGA
Procurador Geral Adjunto do Estado

LÚCIO LANDIM BATISTA DA COSTA
Corregedor-Geral da PGE
Procurador do Estado

Fonte: PBAGORA

BB é autuado por recusar pagamentos de mais de R$ 2 mil na PB

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O Banco do Brasil foi autuado por prática abusiva nas relações de consumo em Campina Grande. Segundo o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério Público da Paraíba (MP-Procon), que realizou a fiscalização, foi constatado que as agências do banco na cidade estão se recusando a receber, na boca do caixa, boletos em valores acima de R$ 2 mil para pagamentos em espécie.

Segundo foi verificado na fiscalização, a prática vem sendo realizada desde o dia 27 de dezembro de 2017. Nas agências, o recebimento de boletos do próprio banco e de outras instituições bancárias, em valores acima de R$ 2 mil, está sendo condicionando pagamento por meio de cheque ou débito em conta, independentemente do cliente ser correntista. Também foi verificado que os clientes são aconselhados a fazer o depósito em conta de terceiros para, só então, se efetuar o pagamento do boleto.

“Constitui prática abusiva a conduta do Banco do Brasil em recusar os pagamentos em boletos em valores acima de R$ 2 mil, ou condicioná-lo ao pagamento através de depósito em conta-corrente, na medida em que os serviços de caixa são disponibilizados a clientes e usuários, indistintamente, consoante normas do Banco Central do Brasil, não sendo isso – o depósito – condição legal e regulamentar para autorizar o recebimento de pagamentos, até porque milhares de consumidores não são correntistas da instituição financeira”, explicou o diretor regional do MP-Procon em Campina Grande, promotor de justiça Sócrates da Costa Agra.

Ainda segundo o promotor de Justiça, o Código de Defesa do Consumidor veda que o fornecedor recuse a prestação de serviço na exata medida de suas disponibilidades, assim como recuse a venda de bens ou a prestação de serviços, diretamente a quem se disponha a adquiri-los mediante pronto pagamento.

O Banco do Brasil terá o prazo de dez dias para apresentar defesa por escrito acerca dos fatos constatados, e, posteriormente, será adotada a medida administrativa ou judicial necessária para cessar a prática abusiva.

A assessoria de imprensa do Banco do Brasil foi procurada para comentar a fiscalização do Ministério Público da Paraíba (MP-Procon) e disse que a medida tem como objetivo a prevenção à lavagem de dinheiro. O Banco do Brasil ainda informou que comunicou a alteração à Secretaria Nacional de Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça e à Associação Nacional de Procons, que repercutiram a mudança entre os Procons de relacionamento.

Segundo o banco, a limitação do recebimento de boletos de cobrança em espécie de valor superior a R$ 2 mil impacta apenas 0,5% do total de boletos recebidos pelo Banco do Brasil. A grande maioria dos pagamentos de boletos já ocorre nos canais de autoatendimento disponibilizados e abaixo do valor ora informado. Os boletos de qualquer valor continuarão podendo ser pagos por débito em conta ou cartão, conforme explicou o Banco do Brasil.

Fonte: G1

Presidente do BB fecha acordo para encerrar investigação na CVM sobre CSN

Publicado em: 19/01/2018

Comissão de Valores Mobiliários (CVM) anunciou nesta quinta-feira (18) que foi fechado um acordo de R$ 200 mil para encerrar um processo que apurava irregularidades que teriam sido cometidas por Paulo Rogério Caffarelli à época em que ele ocupava o cargo de diretor de relações com investidores da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em 2016. Atualmente, o executivo é presidente do Banco do Brasil.

Caffarelli era investigado por não informar o mercado da maneira correta sobre questões ambientais envolvendo projetos da CSN. A empresa teria deixado de divulgar fato relevante aos investidores o pagamento de R$ 22 milhões ao Instituto Estadual do Meio Ambiente do Estado do Rio de Janeiro (INEA) para resolver todas as pendências ambientais existentes referentes à Usina Presidente Vargas (UPV).

“A CSN não divulgou as informações de modo claro, preciso e em linguagem acessível ao público investidor”, disse a CVM em nota. Segundo o órgão, após enviar esclarecimentos à Superintendência de Relações com Empresas (SEP), Caffarelli propôs o pagamento de multa no valor de R$ 200 mil.

Bancários cobram mais garantias na reestruturação do BB

Publicado em: 18/01/2018

São Paulo – Na primeira rodada de negociação entre a Contraf-CUT e o Banco do Brasil, os Sindicatos cobraram do banco os números detalhados da reestruturação, como quantidade de vagas e cortes por local. A Comissão de Empresa já havia solicitado os números assim que o banco anunciou a reestruturação, no dia 5 de janeiro. O BB informou que o pedido está no comitê patrocinador da reestruturação e ainda não tem os números para repassar.

Os Sindicatos afirmam que ao não fornecer os números gerais, o banco trata uma grande restruturação como situações locais, o que não acontece. Parece que é simplesmente má vontade e dificuldade gratuita para ajudar na solução dos problemas, afirma a Comissão de Empresa dos Funcionários.

Na sexta-feira 12, os sindicatos apontaram os problemas surgidos em vários locais e as dificuldades para realocação dos funcionários. O BB foi cobrado para apresentar os critérios utilizados para o redimensionamento das agências, uma vez que muitos lugares com dificuldade de atendimento e más condições de trabalho permaneceram com o mesmo número de funcionários.

Segundo o BB, o banco ajustou a compatibilidade de oferta de atendimento com a capacidade de atendimento em cada local. Onde tem menor capacidade fez aumento – onde havia capacidade de atendimento acima, fez ajuste para menor.

O banco se comprometeu a receber para análise alguma situação que pode ter sido mal ajustada.

VCP para os caixas ou manutenção da gratificação – A Comissão de Empresa cobrou do banco resposta quanto ao pedido de manutenção da gratificação da comissão de caixa aos funcionários que perderam o cargo.

No caso dos funcionários com função gratificada ou comissionada, será garantido quatro meses de remuneração caso não seja realocado. Para os caixas, há um entendimento do BB de que como não é uma função, é apenas gratificação de caixa, esse benefício não é concedido automaticamente.

O banco afirmou que está analisando a solicitação dos sindicatos, para que seja mantida a remuneração dos caixas por pelo menos 4 meses, assim como na restruturação do final de 2016 e início de 2017.

Para Wagner Nascimento, coordenador da Comissão de Empresa dos Funcionários do BB, a prorrogação da gratificação para caixas é de extrema importância e se justifica por ser o grupamento mais atingindo nesta reestruturação. “O corte de 1200 caixas é traumático e o banco precisa entender que se tratam de pessoas que buscaram ascensão profissional dentro da empresa e isso foi tirado numa canetada.”

Priorização dos caixas nas concorrências – Foi cobrado do banco que os caixas tenham priorização de fato nas concorrências para outros cargos. Além na priorização no TAO – Sistema de Recrutamento, foi solicitado que de fato haja orientação para normação dos caixas em outros cargos que tiveram vaga, de forma minimizar o grande corte nas funções.

O banco informou que não tem resposta quanto a priorização no sistema, mas que tem orientado os gestores a darem atenção aos pedidos de realocação de caixas em outras funções próximas, como as de assistente ou atendente de CABB.

Não haverá remoção compulsória para outro município – O Banco do Brasil garantiu que, embora prevista inicialmente, não haverá remoção compulsória de funcionários fora do mesmo município, no caso de não se ajustar o excesso de escriturários. Essa medida veio em resposta ao pedido para que não se tenha nenhuma remoção compulsória, mas o banco avalia que poderá ser necessária, ainda, alguma remoção no mesmo local.

Módulo avançado dos gerentes de relacionamento será mantido – Foi garantido que os gerentes de relacionamento que estiveram no módulo avançado da função e tiverem que mudar para cargo de gerente de relacionamento equivalente, será mantido o módulo avançado da função. Isso permitirá mais mobilidade nas nomeações sem causar prejuízo aos funcionários.

Indicação de quem está em excesso – O Banco do Brasil afirmou que não orientou nenhuma indicação de quem está em excesso nas unidades. O BB afirma que no primeiro momento a movimentação deverá ser espontânea e a recomendação é que não haja realocações compulsórias. Mas sindicatos por todo o país têm apurado o contrário. Os casos fora do padrão deverão ser denunciados aos sindicatos.

Fechamento do Cenop e abertura da Cabb em Recife – Foram apontadas diversas situações específicas que estão dificultando realocação dos funcionários do Cenop na nova CABB que será aberta.

Com relação a alguns cursos e trilha de encarreiramento, foi assumido o compromisso de verificar os problemas e encaminhar a solução prontamente para aqueles funcionários. As questões de concorrência ou saída para outras unidades e manutenção da concorrência para a CABB, o a Gepes Recife foi autorizada a liberar os impedimentos de sistema através de pedidos que serão analisados em cada caso.

Salários dos caixas – O banco não forneceu respostas concretas sobre a manutenção dos salários dos caixas e a garantia de realocação de todos os funcionários atingidos. Assim como na reestruturação ocorrida há um ano, o banco não reserva recursos para manter os salários das pessoas e simplesmente trata seus funcionários como números.

Se a empresa acha que a reestruturação constante é para ganhar produtividade, os representantes dos trabalhadores afirmam que as pessoas e famílias devem ser preservadas. E a manutenção dos salários na reestuturação é o primeiro passo para aliviar o sofrimento de quem perdeu o cargo ou função.

Nova rodada de negociação será agendada nos próximos dias, em data a definir entre a Contraf-CUT e o Banco do Brasil.

Ex-presidente do BB diz a Moro que não participou de atos ilícitos

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Ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, Aldemir Bendine foi interrogado novamente pelo juiz Sergio Moro nesta terça-feira (16), a pedido de sua defesa. Ele negou participação em qualquer ato ilícito.

Em novembro do ano passado, os advogados orientaram Bendine a ficar em silêncio, argumentando que não tiveram acesso à fala do publicitário André Gustavo Vieira da Silva, ouvido antes dele.

Em seu interrogatório, André confirmou a acusação ao dizer que recebeu propina da Odebrecht e repassou R$ 950 mil em espécie a Bendine.

Nesta terça, Bendine negou “veementemente” qualquer irregularidade. “Jamais solicitei ou autorizei que alguém solicitasse qualquer tipo de vantagem indevida”, disse.

Segundo o ex-presidente da estatal, a declaração de André “é totalmente mentirosa, visando buscar algum tipo de acordo”. “Chega a beirar o ridículo esse depoimento.”

‘PERSEGUIÇÃO’

Bendine diz sofrer uma “perseguição brutal”, que destruiu sua “integridade moral” e sua família.

“Talvez porque eu tenha tido a ousadia, quando ninguém se prontificou a assumir uma empresa que simplesmente iria desaparecer”, afirmou.

De acordo com a acusação, Bendine solicitou R$ 3 milhões em propina para executivos da Odebrecht, a fim de proteger a empreiteira em contratos da estatal. Ele está preso preventivamente desde o final de julho.

O ex-presidente da Petrobras se recusou a responder perguntas do Ministério Público e do advogado de André Vieira da Silva.

‘NETWORKING’

Ele disse ao juiz Sergio Moro que conheceu André ao final de 2013, com quem mantinha uma relação de “networking”. O publicitário teria ajudado Bendine a conseguir hospedagem para uma viagem a Nova York e adiantado o pagamento dos custos, que, posteriormente, teriam sido reembolsados em espécie pelo executivo.

Bendine também falou sobre uma reunião que teve com Marcelo Odebrecht e Fernando Reis, ex-diretor da Odebrecht Ambiental. Segundo ele, o tema foi a situação do grupo frente aos impactos da Operação Lava Jato.

Marcelo teria comentado sobre dificuldades enfrentadas por suas empresas, penalizadas por um bloqueio cautelar. Segundo Bendine, a reunião foi “absolutamente técnica” e “tranquila”.

O executivo disse que percebia uma “ansiedade muito grande” de Marcelo Odebrecht em passar recados para o governo, relacionados aos desdobramentos da Lava Jato.

Bendine afirmou que foi “muito taxativo” e que disse a Marcelo: “Primeiro que não faço parte do governo, não sou nem funcionário público. Não faço parte da administração do governo no dia a dia. Segundo, não tenho conhecimento nenhum em relação a isso”. O ex-presidente da estatal teria dito ao executivo que “não seria garoto de recados”.

No seu depoimento, também em novembro de 2017, Marcelo Odebrecht afirmou que fez três pagamentos de R$ 1 milhão a André, para que Bendine facilitasse assuntos da construtora na Petrobras.

Na ocasião, Odebrecht afirmou que Bendine nunca o abordou diretamente sobre o tema. Segundo ele, os pedidos eram feitos por meio de André Vieira da Silva para Fernando Reis.

Fonte: Folha de São Paulo

BC recebe 11 mil queixas contra bancos no trimestre; Santander lidera

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BRASÍLIA – O Banco Central (BC) computou 11.087 reclamações contra bancos e financeiras no quarto trimestre de 2017, em comparação com 10.812 reclamações no terceiro trimestre. Esse volume de reclamações considera apenas queixas tidas como procedentes, que infringem normas do BC ou do Conselho Monetário Nacional (CMN).

Colocando na conta reclamações reguladas que não ferem normas e as reclamações não reguladas que ferem, por exemplo, normas fora da alçada do BC, o total de queixas sobe para 56.950, em comparação com 59.854 no trimestre anterior. Uma reclamação pode infringir mais de duas normas ao mesmo tempo.

Para fazer o ranking de reclamações, o BC divide as instituições entre aquelas com mais e menos de 4 milhões de clientes. Entre as instituições com mais de 4 milhões de clientes, o Santander seguiu na liderança, com índice de 42,87, resultado de 1,7 mil reclamações procedentes para um universo de 39,649 milhões de clientes.

Em segundo lugar aparece a Caixa Econômica, com índice de 33,24. O banco teve 2.913 queixas para 87,613 milhões de clientes. O Bradesco ficou na terceira colocação. Com 2.438 reclamações para 95.112 milhões de clientes, o índice ficou em 25,63. O Banco do Banrisul ocupa a quarta colocação com índice de 25,06. Foram 114 reclamações para 4,548 milhões de clientes. Encerrando o Top Five está o Banco do Brasil, com índice de 24,5, que capta 1.524 reclamações dentre 62,181 milhões de clientes.

Para construir o ranking, são considerados clientes aqueles com depósitos (contas correntes e poupanças) cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com operações de crédito e outros tipos de depósitos não cobertos pelo FGC. Para chegar ao índice que define a posição no ranking de reclamações, o BC considera o número de reclamações procedentes, divide pelo número de clientes e multiplica por um milhão.

Entre bancos e financeiras com menos de quatro milhões de clientes, Facta Financeira lidera, com índice de 497,87, que capta 20 reclamações, para 40.171 clientes. Na sequência aparecem Sofisa, Realize Crédito, PAN e Citibank.

No ranking geral de reclamações, as queixas envolvendo integridade, confiabilidade, segurança, sigilo ou legitimidade das operações e serviços, exceto as relacionadas a cartão de crédito lideram, com 1.894 ocorrências. A Caixa respondeu por 793 delas.

A oferta ou prestação de informação a respeito de produtos e serviços de forma inadequada aparece em segundo lugar, com 1.580 queixas. Bradesco respondeu por 448 deles. As irregularidades relativas a integridade, confiabilidade, segurança, sigilo ou legitimidade das operações e serviços relacionados a cartões de crédito tiveram 1.155 reclamações. Caixa respondeu por 287 delas.

(Eduardo Campos | Valor)

Senacon instaura procedimento investigatório contra o Banco do Brasil

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A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), por meio do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor informou nesta sexta-feira (12) que instaurou procedimento para averiguar reclamações contra o Banco do Brasil. A Fundação de Proteção e Defesa do Consumidor – Procon Uberaba foi uma das primeiras do país a instaurar o mesmo procedimento contra o Banco, em dezembro do ano passado.

A medida foi tomada em decorrência de uma decisão do Comitê Executivo do BB que limitou o pagamento de boletos de cobrança ao valor máximo de 2 mil reais, quando a forma de pagamento for em dinheiro. No processo, o presidente da Fundação Procon Uberaba, Rodrigo Mateus Signorelli, alegou que a decisão do banco do Brasil contraria as normas do CDC e resoluções do Banco Central e cobrou explicações das agências de Uberaba. O presidente do Procon também notificou a Superintendência do BB e oficiou o caso ao Procon de MG e à Senacon.

Segundo o presidente, a atitude da Senacon comprova que a medida adotada pelo Banco do Brasil é ilegal e chamou atenção do Ministério da Justiça, a qual a Secretaria é subordinada. “A justificativa do Banco de que a decisão tenta conter fraudes financeiras não convence. Imagina uma pessoa que tem um boleto no valor de R$2.500,00, que só pode ser pago no BB e ele não é correntista do banco. A única alternativa para essa pessoa é se tornar cliente do Banco para conseguir fazer o pagamento no Caixa automático, por exemplo, e isso é fere as normas do CDC”, justifica Signorelli.

Sobre o processo instaurado pela Fundação Procon Uberaba, o presidente diz que as 7 agências do BB no município já responderam os questionamentos do órgão. As justificativas foram encaminhadas ao departamento jurídico e após análise da defesa deverá ser instaurado um procedimento administrativo. “Isso pode resultar na suspensão da decisão, pelo Banco, mediante assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta ou pagamento de multa, mediante decisão judicial”, esclareceu. Signorelli afirma que também existe a possibilidade de entrar com uma ação civil pública contra o Banco.

Fonte: JM Online

2017, o ano em que a JBS abalou o país

Publicado em: 28/12/2017

Este ano, os irmãos Batista foram presos, as empresas do grupo J&F perderam valor, receberam multas bilionárias, venderam ativos e renegociaram dívidas

São Paulo – O dia 17 de maio foi um dos mais marcantes para o ano, pelas suas consequências para a política e economia. As reviravoltas se estendem até hoje, por conta de uma gravação feita por um dos maiores empresários do país até então.

Joesley Batista, que na época era o presidente da JBS, teria gravado o presidente Michel Temer (PMDB) dizendo a ele “tem que manter isso, viu?”, sobre mesada milionária ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB), preso.

A gravação, que vazou na noite de 17 de maio, fazia parte de documentos entregues à Procuradoria Geral da República, em delação premiada no âmbito da Lava Jato. Na ocasião, Temer negou que tenha pedido ou autorizado pagamentos para conseguir o silêncio de Cunha.

Ele não foi o único envolvido na delação de Joesley. O irmão Batista disse que seu grupo empresarial pagou, “nos últimos anos”, 400 milhões de reais em propina a mais de 1.800 políticos e servidores públicos. A lista, segundo ele, inclui senadores, deputados e presidentes da República.

Depois que a notícia foi publicada, uma avalanche atingiu a empresa, o mercado e a política.

Nos meses que se seguiram, Temer foi denunciado por corrupção passiva pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, os irmãos Batista foram presos, as empresas do grupo J&F perderam valor, receberam multas bilionárias, venderam ativos e renegociaram dívidas.

Para entender as consequências desse episódio para a JBS e sua holding, a J&F, o site EXAME fez um breve resumo. Confira abaixo.

Quedas vertiginosas
As consequências da delação foram imediatas. Em um só dia, depois do vazamento da gravação, a JBS perdeu 2,5 bilhões de reais em valor de mercado. A bolsa abriu em queda de mais de 10% e as negociações chegaram a ser paralisadas.

Porém, a empresa tentou lucrar com quedas vertiginosas. De acordo com denúncias, a JBS teria comprado dólares em grandes quantidades antes do fechamento do mercado e ganhado com a súbita desvalorização do real.

As denúncias sobre essas atitudes irregulares, de manipulação de preços e uso de informação privilegiada, são alvo de diversos processos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). A JBS desmente a manipulação de mercado.

Renúncias
Poucos dias após a delação, os irmãos Wesley e Joesley deixaram diversos cargos nas empresas do grupo. Outros executivos e membros dos conselhos também saíram das companhias.

O chairman Vincent Trius e Joesley renunciaram como membros do conselho de administração da Alpargatas. Wesley deixou a presidência do conselho de administração da Pilgrim’s Pride. Joesley também renunciou à presidência do conselho de administração da Vigor (onde foi substituído por Gilberto Xandó). Mais tarde, a presidência da JBS também mudou de comando.

Outras investigações
Ainda que a delação premiada que abalou o país tenha sido feita no âmbito da Operação Lava Jato, ela não é a única investigação na qual a JBS e sua controladora, J&F, foram envolvidas.

A Carne Fraca, deflagrada em abril deste ano, investigou mais de 63 alvos, para apurar a denúncia de que fiscais teriam recebido propina para emitir certificados de qualidade de diversos frigoríficos e empresas de alimentos processados. No âmbito dessa operação a JBS confirmou que três unidades produtivas foram investigadas, mas que “no despacho da Justiça, não há menção a irregularidades sanitárias da JBS”.

O frigorífico é o principal investigado da Operação Bullish, que investiga fraudes e irregularidades na liberação de apoio financeiro do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) à JBS, de mais de 8 bilhões de reais entre 2007 e 2011.

A Operação Greenfield investiga subornos e transações fraudulentas envolvendo fundos de pensão de estatais. A Sépsis apura sobre pagamentos de propinas para liberação do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), mantido com recursos do trabalhador e gerido pela Caixa.

A Cui Bono, verifica a cobrança de propina na própria Caixa. A JBS e sua holding, J&F, negam qualquer irregularidade investigadas nessas operações.

A Polícia Federal também deu início a Operação Tendão de Aquiles, que investiga uso de informação privilegiada para lucrar indevidamente no mercado de ações e de câmbio, e que foi finalizada em outubro.

Multa recorde
Por conta dessas investigações e delações de corrupção, a J&F firmou um acordo de leniência com o Ministério Público Federal no Brasil, com multa de 10,3 bilhões de reais.

A multa é a maior já fixada para um acordo desse tipo no país e no mundo e inclui fatos que são investigados por procuradores da República em cinco operações: Greenfield, Sépsis, Cui Bono, Bullish e Carne Fraca.

Já uma ação coletiva foi aberta contra a JBS nos Estados Unidos por investidores que compraram ações da empresa entre 2 de junho de 2015 e 19 de maio de 2017, informou nesta sexta-feira o escritório de advogacia Vincent Wong.

O Tribunal de Contas da União (TCU) também responsabilizou Joesley, o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega e o ex-presidente do BNDES Luciano Coutinho por um prejuízo de 126 milhões de reais causado ao banco público em operação para a compra do frigorífico americano Swift, em 2007.

Venda de ativos
O grupo é conhecido por ter crescido por meio de aquisições. Em uma década, as compras somaram 20 bilhões de dólares e transformaram seu matadouro familiar na maior produtora mundial de carnes.

No entanto, para conseguir pagar uma multa bilionária recorde e arcar com as consequências das investigações da CVM, a holding J&F adotou rapidamente uma nova estratégia: vender ativos. O plano era levantar mais de 7 bilhões de reais em desinvestimentos.

O primeiro passo dessa estratégia foi dado no dia 6 de junho, quando a JBS vendeu por 300 milhões de dólares a totalidade das ações de suas subsidiárias detentoras das operações de carne bovina na Argentina, Paraguai e Uruguai para subsidiárias da Minerva.

A Alpargatas mudou de mãos logo depois. A fabricante de calçados foi vendida pela J&F no dia 12 de julho para a Itaúsa (holding de investimentos do Itaú), Cambuhy Investimentos (fundo da família Moreira Salles) e Warrant Administração de Bens e Empresas, por 3,5 bilhões de reais. A mexicana Lala abocanhou a participação da J&F e da JBS na Vigor por cerca de 5,7 bilhões de reais.

A processadora de carne de frango norte-americana Pilgrim’s Pride comprou a Moy Park da brasileira JBS, em um negócio avaliado em cerca de 1 bilhão de dólares. No entanto, essa operação tem uma reviravolta: a empresa compradora é, na verdade, uma subsidiária da própria JBS, com cerca de 78% de participação na americana.

A Eldorado, empresa de celulose, atingiu o maior valor de venda: 15 bilhões de reais. O comprador foi o grupo holandês Paper Excellence, que assinou a compra em setembro.

Negociar dívidas
Além das vendas de ativos, a JBS também negociou suas dívidas com bancos. Cerca de 17 bilhões de reais foram renegociados com credores como o Banco do Brasil, Bradesco, Caixa Econômica Federal, Santander, HSBC e Citi.

Em julho, ela também firmou um acordo para preservar suas linhas de crédito com os bancos e, assim, assegurar a continuidade de suas operações. Por 12 meses, a partir de julho, 20,5 bilhões das dívidas das empresas foram estabilizadas.

Prisões e volta do patriarca
Depois de terem firmado acordos de delação premiada, os irmãos tiveram prisões preventivas decretadas por violação do mesmo acordo. Joesley Batista e Ricardo Saud, do grupo J&F, se entregaram na sede da Superintendência Regional da Polícia Federal em São Paulo, no dia 13 de setembro, por ocultar informações dos promotores.

Wesley foi preso logo depois, como parte de um inquérito sobre uso de informação privilegiada, ou seja, a própria delação premiada, para ganhar dinheiro no mercado financeiro. Ambos negaram diversas vezes terem cometido qualquer irregularidade.

Com a ausência dos dois executivos, a família Batista decidiu indicar o patriarca José Batista Sobrinho, 84, para substituir Wesley Batista na presidência da companhia. O anúncio foi feito em setembro e ele irá cumprir o mandato do filho, que vai até 2019.

O pai, conhecido como Zé Mineiro, é fundador do Grupo JBS, que leva suas iniciais, e foi escolhido com o argumento de que dará “estabilidade” à companhia.

Wesley Batista Filho, primogênico de Wesley, também foi catapultado à diretoria da JBS. Com 26 anos, ele assumiu o comando da JBS na América do Sul e tomou assento no conselho de administração da empresa.

Porém, a decisão de manter membros da família no comando não agradou o BNDES, segundo maior acionista da empresa com participação de 21%.

Em outubro, os irmãos viraram réus por manipulação de mercado, quando o juiz federal João Batista Leite, da 6.ª Vara Federal, em São Paulo, aceitou a denúncia do Ministério Público Federal contra os empresários. Já em novembro, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), negou pedidos de liminar em habeas corpus impetrados em favor deles.

Incertezas
Ao fim de um ano bastante turbulento, as incertezas sobre a companhia ainda não acabaram.

Uma das dúvidas é se a empresa conseguirá honrar suas dívidas. O pagamento de cerca de 20 bilhões de reais foi adiado até julho de 2018, mas não há garantias de que a empresa irá conseguir uma nova negociação – ou mesmo pagar o montante.

O comando da empresa também está nebuloso. Desde agosto o BNDES, segundo maior acionista da JBS, compra briga com a família Batista para afastá-la do comando, em um processo de arbitragem.

Outra questão é a continuidade das empresas que sobraram na holding, depois das vendas de ativos. Uma delas é o banco Original, que tem uma proposta de ser totalmente digital, sem agências físicas. Lançado em 2016, o banco perdeu o rumo e a credibilidade por conta da turbulência, além de acumular prejuízos.

A turbulência causada pela companhia ainda pode impactar o ano de 2018.

Fonte: EXAME