Previ quer trocar presidente do conselho da Vale que ela própria indicou

Publicado em: 26/06/2026

A Previ (Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil), maior acionista individual da Vale, quer que a mineradora troque o presidente do conselho da companhia. Alegando necessidade de melhorar a governança corporativa da Vale, a Previ está pedindo a substituição de Daniel André Stieler, indicado pela própria empresa de previdência em abril de 2023, por Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira.

O que aconteceu

Vale chamou acionistas para decidir sobre pedido de acionista para mudar presidente do conselho da companhia. A pedido da Previ, foi convocada para 22 de julho uma assembleia para votar a substituição do atual presidente do conselho da mineradora, cujo mandato só terminaria em 2027.

A Previ pediu, em carta enviada à direção da mineradora, em 11 de junho, a destituição do atual presidente. No documento, a gestora da previdência dos funcionários do Banco do Brasil declara apoio à indicação de Oliveira para o cargo “por entender que sua eventual condução contribuirá positivamente para o fortalecimento das práticas de governança, a melhoria da gestão estratégica, e o alinhamento com os interesses dos acionistas e stakeholders”.

Disputa

Daniel André Stieler foi presidente da Previ de 2021 a fevereiro de 2023. Começou a fazer parte do conselho da Vale em 2021 e foi indicado pela empresa de previdência para liderar o colegiado na mineradora mesmo depois de deixar a presidência da Previ. No entanto, perdeu apoio na Vale depois que seu sucessor na Previ, João Luiz Fukunaga, deixou o cargo no ano passado em meio a questionamentos do TCU (Tribunal de Contas da União). Stieler é contador pela UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) e pós-graduado em administração financeira pela FGV (Fundação Getulio Vargas).

O novo indicado é membro independente do conselho de administração da Vale desde 2021. Também contador, o português Manuel Lino Silva de Sousa, conhecido como Ollie, é formado pela Universidade de Natal, de Durban, na África do Sul. Tem quase 50 anos de experiência em finanças corporativas e estratégia, principalmente no setor de mineração, com passagens por grupos como os britânicos Anglo American e De Beers.

Conselho da Vale se coloca contra a Previ. Em reunião na sexta-feira (19 de junho), os conselheiros da mineradora decidiram recomendar aos acionistas, na assembleia de 22 de julho, que Stieler siga no cargo. E, caso ele seja removido pelos acionistas na votação, que Marcelo Gasparino, o atual vice-presidente do colegiado, seja nomeado o novo presidente.

Se o presidente do conselho da Vale for afastado na assembleia de 22 de julho, uma vaga será aberta no colegiado, que tem 13 membros. A Previ já indicou para essa cadeira o nome de José Maurício Pereira Coelho, ex-presidente da Previ e ex-presidente do conselho da Vale (2019-2021). Ele disputaria a vaga com Ieda Gomes Yell, indicada pelos demais membros do colegiado.

Para especialistas do mercado financeiro, ainda não está clara a motivação da Previ para pedir a troca. Tampouco o conselho de administração conseguiu explicar a razão de se opor à substituição.

“Essa discordância coloca a companhia diante de um impasse de governança que o mercado tende a ler como ruído negativo no curto prazo. Para o [acionista] minoritário, o sinal é ambíguo. Maior pressão institucional por governança é, em tese, positiva. Mas instabilidade no conselho num momento de transição estratégica gera incerteza sobre os rumos da empresa — e de incerteza o mercado não gosta”, diz João Luís Debom, diretor do departamento de investimentos private da gestora Supernova.

Peso no Ibovespa

A Vale é a empresa de maior peso no Ibovespa, o principal índice acionário da Bolsa brasileira, a B3. As ações da mineradora respondem por 12,2% da composição do índice. A segunda colocada é a Petrobras, com 11,5% — somando as ações ON e PN.

No ano, a Vale acumula valorização de 12,6% na Bolsa. A ação da mineradora saiu de R$ 71,96 em janeiro para R$ 80,75 no fechamento da última sexta. Sua cotação máxima neste ano foi de R$ 89,97, em 25 de fevereiro, e a mínima, de R$ 72,38, no primeiro pregão do ano.

O lucro da Vale cresceu 36% no 1º trimestre deste ano em comparação com o mesmo período de 2025. Os ganhos, de US$ 1,9 bilhão, foram impulsionados pelo aumento de 21% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), de US$ 3,895 bilhões.

A Previ detém 7,02% do capital total da Vale. Com esse percentual, a empresa de previdência dos funcionários do Banco do Brasil supera as participações individuais da sócia japonesa Mitsui (6,45%) e dos fundos de investimentos norte-americanos BlackRock (6,71%) e Capital World Investors (5,13%).

“Quando se tenta trocar o presidente do conselho de uma corporação no meio do mandato sem uma tese pública e robusta, o mercado preenche a lacuna com a hipótese que mais o assusta, a de que a motivação seja menos sobre criação de valor e mais sobre influência. A mineradora tem o seu valor, em parte, apoiado no fato de ser uma corporação, sem dono, cujo conselho deve responder, em tese, a todos os acionistas e não a um projeto específico. Esse tipo de episódio coloca essa independência em dúvida, mesmo que a troca, no fim, se mostre técnica e bem-intencionada”, argumenta Ricardo Trevisan, presidente da gestora de investimentos Gravus Capital.

Procuradas pelo UOL, a Previ e a Vale não comentaram o caso. A Previ disse que “no momento, não irá comentar nem fornecer informações sobre o assunto”.

Fonte: UOL

Ex-Economus, Daniel Stieler é novo membro do conselho de administração da Vale

Publicado em: 26/11/2021


A Vale comunica a nomeação de Daniel André Stieler como novo membro do Conselho de Administração, para preencher a vacância criada com a renúncia de José Mauricio Pereira Coelho. Stieler ocupará o cargo até a próxima Assembleia Geral de Acionistas.

Stieler é funcionário de carreira do Banco do Brasil e assumiu a presidência da Previ (fundos de pensão do BB) em junho de 2021. Também foi gerente executivo na Diretoria de Contadoria e diretor de Controladoria do BB. Antes de assumir a Previ, exercia o cargo de diretor-superintendente da Economus, o fundo de pensão da Nossa Caixa, adquirida pelo BB em 2009.

Daniel é graduado em Ciências Contábeis pela Universidade Federal de Santa Maria (RS) e pós-graduado em Administração Financeira e Auditoria, ambas pela Fundação Getúlio Vargas. Além de MBA em Contabilidade pela Universidade de São Paulo (USP). Foi conselheiro fiscal e membro do comitê de Finanças do Banco Votorantim, foi conselheiro de administração da Livelo e atualmente é conselheiro de administração da Alelo.

Fonte: Terra

 

Daniel Stieler toma posse na Previ, após aprovação ‘célere’ de conselho

Publicado em: 17/06/2021


Daniel André Stieler tomou posse nesta segunda-feira, 14, como presidente da Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil. Com o regime de home office na entidade, o executivo tomou posse eletronicamente, à distância. A Previ tem cerca de R$ 250 bilhões em ativos sob gestão.

Na quarta-feira passada, o conselho deliberativo da Previ aprovou a indicação do Banco do Brasil para Stieler assumir o fundo de pensão. O executivo, de 56 anos, sucede no cargo a José Maurício Coelho, que apresentou carta de renúncia no fim de maio e deixou o fundo antes do encerramento do seu mandato para evitar uma fritura no posto.

A mudança na Previ ocorre em meio a uma série de trocas de comando no Banco do Brasil após a chegada do novo presidente Fausto de Andrade Ribeiro em abril. Ele assumiu a chefia do BB no lugar de André Brandão, após interferência do presidente Jair Bolsonaro. No início do ano, Brandão entrou em crise com Bolsonaro ao anunciar um plano de reestruturação que previa o fechamento de 112 agências da instituição, além de programas de desligamento, com expectativa de adesão de 5 mil funcionários.

Desde que assumiu o Banco do Brasil, Ribeiro tem feito diversas trocas de executivos em diretorias da estatal e também na BB Seguridade, holding de seguros do banco. A saída de José Maurício Coelho da chefia da Previ também ocorreu após a repercussão da venda de parte das ações que o fundo de pensão detinha na BRF. As ações foram vendidas em leilão e compradas pela Marfrig.

Após a aprovação de Daniel André Stieler pelo conselho deliberativo, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc) concluiu, na semana passada, o processo de habilitação de dirigente. Segundo a Previc, como ele havia sido recentemente habilitado para outra entidade fechada de previdência, a análise do requerimento de habilitação foi realizada “de forma célere”. Em geral, o processo demora mais de uma semana para ser concluído.

O nome de Stieler foi bem recebido por funcionários do Banco do Brasil, sobretudo por seu histórico dentro da instituição. O executivo estava, até então, no comando da Economus (fundação da antiga Nossa Caixa). Também foi diretor de controladoria do BB, além de ter atuado como conselheiro fiscal da Previ. Graduado em Ciências Contábeis pela Universidade Federal de Santa Maria (RS), possui pós-graduações em Administração Financeira e Auditoria, ambas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), além de MBA em Contabilidade pela Universidade de São Paulo (USP).

Funcionários dão boas-vindas ao presidente

Os funcionários aposentados e da ativa dão boas vindas e esperam que a direção compartilhada na Previ seja produtiva para os trabalhadores, que seja mantido o respeito mútuo e que possamos discutir uma gestão voltada para garantir e melhorar os benefícios dos associados, mantendo os compromissos do banco e dos bancários previstos em lei e nos estatutos com o maior fundo de pensão de trabalhadores, que tem modelo de governança construído por vários diretores e conselheiros eleitos e indicados.

Por outro lado, eles reivindicam que no Economus também haja gestão compartilhada como na Previ, que é um modelo transparente e bem sucedido, e também uma atenção maior com os planos de saúde, que têm encarecido em demasia e que deveriam garantir os mesmos direitos previstos na Cassi, assim como no plano de previdência saldado, cujas contribuições têm sido elevadas significativamente devido aos déficits, cujos problemas foram originados por decisões do então Banco Nossa Caixa e posteriormente pelo BB, que indica toda a diretoria da entidade. O Sindicato dos Bancários destaca que mudanças constantes na direção não são positivas para o Economus, haja vista que mal o diretor Stieler assumiu em janeiro, já está indo para outra função indicado pelo banco.

O movimento sindical está atento às mudanças que estão ocorrendo nas direções do Banco do Brasil e de entidades como Previ, Economus e Cassi. O sindicato diz que tem gestão compartilhada que, junto com a mobilização da base, faz a defesa dos direitos.

Fonte: Estadão com Sindicato dos Bancários de São Paulo

Conselho da Previ aprova indicação de Daniel Stieler como novo presidente

Publicado em: 11/06/2021


O conselho deliberativo da Previ, fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, aprovou nesta quarta-feira, 9, a indicação do contador Daniel André Stieler como novo presidente da entidade, como antecipou o Broadcast.

Indicado pelo Banco do Brasil, Stieler aguarda agora atestado de habilitação de dirigente da Previc, que regula o setor de previdência complementar fechada, para assumir o cargo.

O executivo, de 56 anos, vai suceder o até então presidente da Previ, José Maurício Coelho, que apresentou carta de renúncia no fim de maio e deixará a função nesta sexta-feira, 11. Stieler estava, até então, no comando da Economus (fundação da antiga Nossa Caixa). Também foi diretor de controladoria do BB, além de ter atuado como conselheiro fiscal da Previ.

Graduado em Ciências Contábeis pela Universidade Federal de Santa Maria (RS), Stieler possui pós-graduações em Administração Financeira e Auditoria, ambas pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), além de MBA em Contabilidade pela Universidade de São Paulo (USP). Participou de cursos de Governança no Brasil e no exterior e possui certificações no ICSS, com ênfase em Administração, e no IBGC, para conselheiro fiscal.

A troca ocorre após a mudança de comando no BB em abril, com a chegada de Fausto de Andrade Ribeiro no lugar de André Brandão. A substituição do presidente da Previ tem sido comum em movimentos de mudança no comando do banco patrocinador.

Desta forma, a saída de Brandão foi um dos motivos para a carta de renúncia antecipada de Coelho, cujo mandato se encerraria em maio de 2022.

Uma outra versão sobre a saída de Coelho, que não exclui a versão anterior, tem relação com a repercussão da venda de ações que a Previ detinha na BRF, operação que teria permitido à concorrente Marfrig elevar sua participação na companhia para 24%.

O nome de Stieler tem sido bem recebido por funcionários do Banco do Brasil, sobretudo por seu histórico dentro da instituição. Preocupações com a troca de comando na entidade, porém, são comuns.

Nesta quarta-feira, durante live de apresentação dos resultados do fundo de pensão referente a abril, um associado questionou a Previ sobre os motivos de o BB ter “forçado a saída” do atual presidente.

Diretor de Administração da Previ, Márcio de Souza afirmou que não caberia comentar “o que ocorre no âmbito do patrocinador e do que ocorre no governo”. Ele acrescentou que a Previ construiu, desde a década de 90, um modelo de governança que prevê decisões colegiadas em diferentes níveis.

“A governança da Previ não depende somente de uma pessoa. Ela está vinculada a todo um sistema de gestão colegiado que protege a entidade e seus associados”, disse Souza.

Desempenho

Durante a apresentação de resultados nesta quarta-feira, a Previ fez um balanço sobre o processo de rebalanceamento de sua carteira, com a troca de investimentos em renda variável por títulos de renda fixa de longo prazo.

Desde 2018, o Plano 1 da entidade vendeu ações de 28 empresas e reduziu em mais de R$ 35 bilhões sua exposição à renda variável. Os ativos totais do Plano 1 somavam R$ 222 bilhões até 30 de abril.

“O objetivo é aumentar a segurança do plano sem comprometer a liquidez do pagamento de benefícios”, disse Marcelo Wagner, diretor de Investimentos.

Além disso, o Plano 1 alcançou um superávit acumulado de R$ 21,65 bilhões nos quatro primeiros meses deste ano. A rentabilidade até abril era de 7,29%, quase o dobro da meta atuarial no período (3,94%).

O Previ Futuro, que tinha sido mais afetado pela volatilidade do mercado no primeiro trimestre, também teve desempenho positivo em abril, com a reversão do resultado negativo. A rentabilidade acumulada do plano é de 1,07%.

Fonte: Infomoney